A moda nem sempre segue rotas lógicas, normais, racionais, previsíveis;
a moda percorre caminhos estranhos, muitas vezes incompreensíveis, mas visando,
sempre e principalmente, um alvo: consumidor de grana alta e fácil.
Um exemplo?
As bolsas da Louis Vuitton,
com aquela horrorosa combinação de cores (marrom e ouro), design de gosto
duvidoso, muitas vezes falsificadas etc., continuam, anos após anos,
acalentando os sonhos de madames abonadas e de suburbanas desamparadas.
O mundo do vinho, há muito, descobriu que, para esvaziar as
adegas e encher os cofres, nada melhor do que produzir garrafas “griffe”.
Para conseguir obter etiquetas “griffe” os produtores
vinícolas descobriram o caminho mais curto, mais prático, mais fácil: comprar revistas
especializadas, críticos influenciadores, sommelier, etc. da vida.
Alguém, com mais de 17 neurônios, acredita que sem o
“empurrão” de canetas de aluguel os predadores da Maremma conseguiriam vender, para os eno-tontos, um
Merlot toscano (Masseto) por 1.150 Euros (R$ 6.000)?
Mesmo uma pessoa como “QI-Dilma”
acreditaria que a Casa Valduga, sem “lubrificar” todos os influenciadore$,
sommelier$, crítico$, revista$ etc., teria coragem de propor, aos consumidores
brasileiros, seu espumante “Maria Valduga Brut Rosé” por R$ 499,00 (95 Euro) enquanto
uma garrafa do ótimo Champagne “Paul Bara Brut Reserve Grand Cru” é vendida aos
enófilos europeus por 38 Euros (R$ 198)?
Veja:
Espumante
Maria Valduga Brut Rosé Com Embalagem
:R$ 499,00
Brut Réserve
Grand Cru Paul Bara 75cl
38,00 €
A propaganda sempre foi o caminho mais curto e prático para
impor novas e rentáveis modas ao mundo do vinho.
Só para lembrar algumas de sucesso e não muito antigas,
poderíamos citar a do Beaujolais Nouveau, dos Parkerianos, Supertuscans,
biodinâmicos, naturais, laranja, ânfora etc.
Todas as modas mencionadas surgiram através ou após
propagandas bem boladas, rigorosamente e regiamente pagas.
Já imaginaram quanto a Concha Y Toro pagou, ao James Suckling, pelos
100 pontos concedidos ao “Don Melchor” 2018 ou quanto embolsou a Wine Spectator para eleger, em 2006, o “Brunello di Montalcino Cerretalto” da
Casanova di Neri, melhor vinho do mundo?
Pagou? Então ganhou.....e ganhou muito.
Imagine para onde pode ir o preço de etiquetas premiadas e
endeusadas pelas revistas especializadas e picaretas que os eno-palermas consideram
verdadeiras Bíblias das garrafas.
Não tem ideia?
Leia
https://baccoebocca-us.blogspot.com/2020/11/nunca-entendi-quase-cega-confianca-que.html
Como toda e qualquer moda, a do vinho, também, tem um começo e
um fim.
Hoje são inúmeras as que estão enterradas ou caminhando inexoravelmente para as entranhas das catacumbas
do esquecimento.
Alguém ainda espera, com ansiedade, a 3ª quinta feira de
novembro para comprar um Beaujolais Nouveau?
Pois é...... Os biodinâmicos, parkerianos, naturais,
Supertuscans, etc., estão no mesmo caminho.
Enquanto uma moda entra em declínio já surge, no horizonte, a
próxima.
A nova moda?
Vinhos tintos mais
leves e fáceis de beber, idem para os brancos e, principalmente, os espumantes.
Em matéria anterior elogiei um espumante siciliano, o “700 Brut”,
da vinícola Cusumano e revelei que havia pago, pela garrafa, 20 Euros.
Anônimo27 de outubro de 2023 às 10:47
21 euros num espumante não é brincadeira não. Deve estar à altura de
Champagne
Este comentário, de um anônimo, tocou em um ponto interessante
e pedi ao Bacco uma matéria que tratasse de preço e qualidade dos espumantes
italianos, quais e se poderiam “competir” com os de Champagne.
Aguardemos
Dionísio



