Acreditei, piamente, que, com a aposentadoria das velhas raposas da crítica, dos patéticos “sommerdiers”, dos incontáveis e inúteis cursos sobre vinho, dos idolatrados enólogos e de todos os farsantes, que durante décadas emporcalharam o cenário vinícola do Brasil, o enófilo brasileiro teria, finalmente, acesso a informações mais serias e confiáveis.
Descansem em paz, Bilu Didu Teteia,
Beato Salu, Assado Assada, Marcelinho Pão e Vinho Copelinho, Arrebola Rebola,
Renata Corvo di Salaparruta, etc. etc. etc.
Não pude deixar de sorrir
“monalisticamente” para comemorar a “aposentadoria” dos nossos velhos
“sommerdiers”, mas, mais uma vez, minha alegria, como a fumaça que passa e se
esgarça no ar (recomendo a interpretação de Dick Farney), pouco durou e devo
confessar que, apesar dos pesares, os velhos pilantras eram menos ridículos dos
que os da nova safra, mais conhecidos pela alcunha de “influencers-sommerdiers”.
Os “Influencers”, que invadiram, como gafanhotos famintos, as redes sociais, demonstram, também, não possuir o mínimo preparo, conhecimento técnico, experiência vinícola e denotam total ignorância sobre regiões e “terroirs” onde os vinhos comentados são produzidos.
Os novos eno-picaretas, se apoiam, como já fazia a geração anterior,
nas informações do Google ou repetindo scripts das importadoras e produtores.
Nada mudou, aliás, tudo piorou.
A facilidade de navegar nas redes sociais, com total e impune imbecilidade,
abriu as portas para multidões de “enoloides” que não distinguem um Merlot de
um Prosecco.
Para agregar um pouco de alegria, aos dias não tão risonhos que estamos vivendo, foquei minhas atenções a três expoentes da nova geração de “influencers”: Marianne “Maranhão” Piemonte, Leandro “Hyde” Baena, cuja videira faz chorar (e não só chorar…) os enófilos que, infelizmente, o seguem e Rodrigo “Bicicleta-Muleta
que, com seu sorriso plastificado, deveria abandonar
os vinhos, que pouco conhece e se dedicar à divulgação de dentifrícios
O último vídeo, do Rodrigo Muleta, me despertou, abruptamente,
do letargo vinícola em que me recolhera nos últimos dias.
https://youtu.be/78fK-0Ot2t8?is=YF2Vs-zyr45RnvAd
Qualquer enófilo, até mesmo um iniciante, se assistir ao vídeo
do Muleta, precisará correr, imediatamente, até banheiro para vomitar.
É inacreditável que alguém, com mais de três neurônios,
acredite nos conselhos e informações do eno-risonho Rodrigo
Muleta.
Para início de conversa
é preciso informar, que o ciclista dos quase vinhos, não sabe se expressar
corretamente em português e seu italiano é ridículo.
Logo no começo, do “vídeo-propaganda-argentina”,
o ciclista esquece o “I” e pronuncia “TALIANO” em seguida retira o acento do
pobre cozinheiro “NICOLÒ”,
Se as línguas, portuguesa e italiana, são maltratadas e achincalhadas,
pior ainda é o tratamento, que o ciclista de muleta reserva às garrafas.
O sorriso plastificado, do nosso atleta de muleta, serve
apenas para disfarçar a total falta de conhecimento vinícola para poder se aventurar,
com segurança, pelas vinhas e vinhos de Montalcino.
Se a vinícola milongueira pagou, pelo vídeo-pastelão, de Rodrigo Muleta, mais de 100 Pesos, jogou dinheiro fora.
O vídeo inicia, como de costume, com o Muleta exibindo um
sorriso plastificado tão animador e contagiante quanto o de uma hiena.
Depois de alguns minutos de informações saudosas, penosas e
melosas, sobre a saga dos imigrantes “talianos”, nosso ciclista inicia
um desfile de eno-cagadas dignas do “Guinness-Shit-
Of-Records”.
Não tenho tempo e nem estômago para comentar tanto estrume,
mas algumas imbecilidades precisam ser corrigidas.
1º- O Brunello di Montalcino é produzido exclusivamente com
uvas Sangiovese Grosso provenientes de vinhas (2.100 hectares), cultivadas no
município de Montalcino.
2º - Em 2008, para tornar o Brunello menos complexo, mais
macio e mais pronto para beber, várias vinícolas picaretas adicionaram uvas
Merlot e Cabernet Sauvignon à Sangiovese Grosso.
Resultado: Um enorme
escândalo que envolveu nomes famosos como os Antinori, Casanova di Neri,
Argiano, Frescobaldi, Banfi etc. 1,8
milhões de garrafas de Cabernello” sequestradas e 16 pessoas condenadas
A Bira Wines, produtora do vinho promovido pelo nosso
Bicicleta de Muleta, com a maior cara de pau e sem nenhum resquício de pudor,
lança um vinho duplamente e intelectualmente falsificado: vinificado na
Argentina e com uvas Merlot e Syrah
3º - Caro ciclista de muleta, apague seu tolo sorriso e peça,
a seus amigos argentinos, para levarem o bandoneon e o Merlotello para outra
freguesia...
O Brasil já está mais que bem servido de vinícolas picaretas.
Mais uma coisa: Los Hermanos não querem fazer uma homenagem ao
grande vinho toscano, querem apenas usar o nome de uma DOCG mundialmente famosa
e, através de ridículos vídeos, como o seu, vender gato por lebre.
Montalcino, sua tradição vinícola e seu magnifico território
não merecem tamanha pilantragem.
By the way….O Brunello argentino deve ser parente próximo do insuperável
caviar maranhense.......
Dionísio
