Piemonte, sem dúvida, é terra de grandes tintos e, dois deles,
Barolo e Barbaresco, figuram entre os melhores do mundo.
O mundo, ao qual me refiro, é o planeta terra, pois, no mundo
da picaretagem e fantasia, ninguém compete com os “multimerdalhados” vinhos brasileiros.
Apesar da indiscutível supremacia dos tintos, há, na região,
alguns brancos que merecem respeito: “Erbaluce di Caluso”, “Gavi” e “Timorasso”.
O Timorasso, com a chegada de grandes predadores Krause (Vietti), Farinetti (Fontanafredda, Borgogno, Mirafiori, Colombaio di
Cencio etc.) Roagna, La
Spinetta, Pio Cesare etc., adquiriu o
status de vinho “cult” alcançando preços ridículos, irreais, parecidos com os praticados
no “Bananal”.
Há uma década era possível adquirir um Timorasso “Cavallina”,
de Claudio Mariotto, por 10/13 Euros, hoje se não desembolsarmos 25/35 Euros
vamos cair da “Cavallina” e ficar de boca seca.....
Caso um eno-palerma-abonado quiser molhar os lábios em uma
taça de “Timorasso
Montemarzino”, do predador-mor, Roagna, deverá se despedir de 170/190 Euros ......Piada
“Erbalauce di Caluso”, com seus250
hectares de vinhas, nunca despertou a ganância dos predadores, não foi elevado
à categoria “cult” e ótimas etiquetas podem ser levadas para casa por 8/12
Euros.
GAVI DOCG, o maior (1.600 hectares de vinhas e 200 produtores) e também mais popular dos três brancos piemonteses, sempre mirou a grande produção, a exportação, sem se preocupar em galgar o estrelato da categoria cult.
Dos 14 milhões de garrafas, produzidas anualmente, quase 13
milhões viajam para Inglaterra, EUA, Alemanha, Rússia, Ucrânia e para muitas
outras nações.
Apenas e aproximadamente, um milhão de garrafas permanecem no mercado interno, sendo que a quase totalidade (90%) é consumida nas regiões do norte da Itália.
Após a longa introdução, vamos voltar ao Minaia
2015 que Gianluigi Bergaglio
gentilmente me ofereceu.
Que a uva “Cortese”, quando
bem vinificada, possui um grande potencial de envelhecimento, eu já sabia desde
2013 quando bebi um Gavi 1995 “Fornaci di Tassarolo” de Michele Chiarlo, mas
nunca havia degustado um “Minaia” com mais de 10 anos de adega.
Bergaglio, sem muita cerimônia, abriu a garrafa e serviu meia
taça do 2015.
O típico amarelo-esverdeada, após longos anos, foi substituído
por um interessante e intenso dourado.
O frescor da juventude,
os aromas cítricos e as notas florais, típicas da casta, cederam espaço para um
complexo buquê de especiarias, notas minerais, uma bela aveludada maciez e um
longo final.
Grande vinho!
Com um “monalistico” sorriso Gianluigi Bergaglio acompanhava
minha indisfarçável satisfação e para minha surpresa... “Agora prove este “Ciapon” 2022”
Para os que não sabem, o Ciapon é o Minaia barricado
Bergaglio continuou “ Para melhorar o Ciapon, mudei algumas coisas na
vinificação. Uma delas foi a diminuição da permanecia do vinho em barriques
novas”.
Pela expressão de Gianluigi percebi que as explicações não se prolongariam
….
O que dizer do “novo” Ciapon?
O meu queixo quase caiu quando, já no primeiro gole, o vinho
do Bergaglio me lembrou um bom Chassagne Montrachet
Perdoo, os céticos, pois confesso que eu, também, não
acreditaria, mas, o entusiasmo foi tão grande que 4 garrafas de “Ciapon-Chassagne
2022”, hoje repousam na minha adega.....
Mais duas coisinhas: Após ter completado e pago a compra, sem
muitas esperanças, perguntei ao Bergaglio se me venderia duas garrafas de seu Minaia 2015
Para minha surpresa, Gianluigi, com um sorriso, foi até seu
deposito de velhas safras e retornou com duas garrafas de 2015.
Agora a última e mais interessante coisinha: 12 garrafas de Minaia 2024 + 4 de Ciapon 2022 + 2 de Minaia 2015 X 5,50 Euros = Total 99 Euros
Vinho Branco Riserva Don Laurindo Malvasia De Cândia 750ml
Você,
que comprou uma garrafa de “Malvasia de Cândia”, da Don Laurindo, por R$ 999,00,
vai receber, da vinícola gaúcha, um diploma de perfeito otário.
Bacco


