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quinta-feira, 2 de julho de 2026

MINAIA 2015 ( segunda parte)

 


Piemonte, sem dúvida, é terra de grandes tintos e, dois deles, Barolo e Barbaresco, figuram entre os melhores do mundo.

O mundo, ao qual me refiro, é o planeta terra, pois, no mundo da picaretagem e fantasia, ninguém compete com os “multimerdalhados” vinhos brasileiros.




Apesar da indiscutível supremacia dos tintos, há, na região, alguns brancos que merecem respeito: “Erbaluce di Caluso”, “Gavi” e “Timorasso”.

O Timorasso, com a chegada de grandes predadores Krause (Vietti), Farinetti (Fontanafredda, Borgogno, Mirafiori, Colombaio di Cencio etc.)  Roagna, La Spinetta, Pio Cesare etc., adquiriu o status de vinho “cult” alcançando preços ridículos, irreais, parecidos com os praticados no “Bananal”.

Há uma década era possível adquirir um Timorasso “Cavallina”, de Claudio Mariotto, por 10/13 Euros, hoje se não desembolsarmos 25/35 Euros vamos cair da “Cavallina” e ficar de boca seca.....

Caso um eno-palerma-abonado quiser molhar os lábios em uma taça de “Timorasso Montemarzino”, do predador-mor, Roagna, deverá se despedir de 170/190 Euros ......Piada



“Erbalauce di Caluso”, com seus250 hectares de vinhas, nunca despertou a ganância dos predadores, não foi elevado à categoria “cult” e ótimas etiquetas podem ser levadas para casa por 8/12 Euros.



 GAVI DOCG, o maior (1.600 hectares de vinhas e 200 produtores) e também mais popular dos três brancos piemonteses, sempre mirou a grande produção, a exportação, sem se preocupar em galgar o estrelato da categoria cult.

Dos 14 milhões de garrafas, produzidas anualmente, quase 13 milhões viajam para Inglaterra, EUA, Alemanha, Rússia, Ucrânia e para muitas outras nações.

Apenas e aproximadamente, um milhão de garrafas permanecem no mercado interno, sendo que a quase totalidade (90%) é consumida nas regiões do norte da Itália.

Após a longa introdução, vamos voltar ao Minaia 2015 que Gianluigi Bergaglio gentilmente me ofereceu.

Que a uva “Cortese”, quando bem vinificada, possui um grande potencial de envelhecimento, eu já sabia desde 2013 quando bebi um Gavi 1995 “Fornaci di Tassarolo” de Michele Chiarlo, mas nunca havia degustado um “Minaia” com mais de 10 anos de adega.



Bergaglio, sem muita cerimônia, abriu a garrafa e serviu meia taça do 2015.

O típico amarelo-esverdeada, após longos anos, foi substituído por um interessante e intenso dourado.

 O frescor da juventude, os aromas cítricos e as notas florais, típicas da casta, cederam espaço para um complexo buquê de especiarias, notas minerais, uma bela aveludada maciez e um longo final.

Grande vinho!



Com um “monalistico” sorriso Gianluigi Bergaglio acompanhava minha indisfarçável satisfação e para minha surpresa... “Agora prove este “Ciapon” 2022”

Para os que não sabem, o Ciapon é o Minaia barricado

Bergaglio continuou “ Para melhorar o Ciapon, mudei algumas coisas na vinificação. Uma delas foi a diminuição da permanecia do vinho em barriques novas”.



Pela expressão de Gianluigi percebi que as explicações não se prolongariam ….

O que dizer do “novo” Ciapon?

O meu queixo quase caiu quando, já no primeiro gole, o vinho do Bergaglio me lembrou um bom Chassagne Montrachet

Perdoo, os céticos, pois confesso que eu, também, não acreditaria, mas, o entusiasmo foi tão grande que 4 garrafas de “Ciapon-Chassagne 2022”, hoje repousam na minha adega.....

Mais duas coisinhas: Após ter completado e pago a compra, sem muitas esperanças, perguntei ao Bergaglio se me venderia duas garrafas de seu Minaia 2015

Para minha surpresa, Gianluigi, com um sorriso, foi até seu deposito de velhas safras e retornou com duas garrafas de 2015.

Agora a última e mais interessante coisinha: 12 garrafas de Minaia 2024 + 4 de Ciapon 2022 + 2 de Minaia 2015 X 5,50 Euros = Total 99 Euros


Vinho Branco Riserva Don Laurindo Malvasia De Cândia 750ml


Você, que comprou uma garrafa de “Malvasia de Cândia”, da Don Laurindo, por R$ 999,00, vai receber, da vinícola gaúcha, um diploma de perfeito otário.



Bacco