Após me despedir, de Gianluigi Bergaglio, voltei à estrada, percorri
4 quilômetros, serpenteando por entre colinas cobertas de vinhedos e parei, em Gavi,
para almoçar.
“La Canonica”, “Cantine del Gavi”, “Peccati di Gola”, meus
restaurantes prediletos, fechados (dia de descanso).
Sem muita opção e com muito apetite, entrei no primeiro local
que encontrei aberto: “Trattoria dei Fuenti”.
Trattoria para lá de modesta, toalhas de papel, copos
parecendo os de massa de tomate, cardápio limitado e, para completar o
“purgatório” gastronômico, um barulho infernal.
Seis trabalhadores,
entre uma garfada e outra, às vésperas da copa do mundo de futebol, discutiam
as possibilidades de vitória desta ou daquela seleção
Para permanecer o menor tempo possível e preservar meus
tímpanos, ordenei, imediatamente, um prato de ravióli, uma garrafa de água com gás
e uma taça de Gavi.
“Em taça servimos somente o Cortese da casa”
“Cortese da casa”, em um local como aquele?
Desanimado, olhei para a garçonete e, para preservar minha
integridade intestinal, pedi a carta de vinhos.
A moça, após alguns minutos, retornou com uma garrafa de água
sem gás e uma folha de papel que ela apelidou de “lista dos vinhos”.
A primeira opção da “carta”: “Minaia”
Nicola Bergaglio 35 Euros.
Vinte minutos antes e a quatro quilômetros de distância,
daquela birosca, havia comprado, na vinícola, a garrafas do mesmíssimo vinho,
por 5,50 Euros.
Aproveitado um momento de intensa balburdia e que a gritaria
atingira incontáveis decibéis, sorrateiramente, levantei, ganhei a
tranquilidade da rua e amaldiçoei a “Trattoria dei
Fuenti, um verdadeiro muquifo, que ousa aplicar margem 636% nos vinhos.
Percorri, na mesma rua, mais trinta ou quarenta metros e
encontrei outro restaurante que, também, não conhecia: “Locanda
del Buon Gusto”.
Até que enfim um local acolhedor, tranquilo, limpo, cardápio
interessante, boa carta de vinhos e.....preços mais que honestos: Um “Tortino di
Porro”, um “Patè di Coniglio” e
uma taça, do ótimo Gavi “Meirana”, da vinícola
Broglia, me aliviaram em mais que razoáveis 18 Euros.
A matéria, longe de ser mais uma indicação de restaurantes, é
a primeira de uma série na qual pretendo expor a minha opinião sobre a crise
que atinge, seriamente, o consumo mundial do vinho.
Há inúmeras causas (que mais adiante abordarei), mas uma delas
e sem dúvidas, é a hiperbólica margem de lucro praticada pela maioria dos bares
e restaurantes de todos os cantos do planeta.
O exemplo do “Minaia”, que Bergaglio vende a 5,50 Euros e o
predador da Trattoria de Fuenti remarca em 636%, é uma prova de que bares e
restaurantes contribuíram e continuam contribuindo com a crise do vinho.
Continua
Bacco

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