Facebook


Pesquisar no blog

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A CRISE

 


Após me despedir, de Gianluigi Bergaglio, voltei à estrada, percorri 4 quilômetros, serpenteando por entre colinas cobertas de vinhedos e parei, em Gavi, para almoçar.

“La Canonica”, “Cantine del Gavi”, “Peccati di Gola”, meus restaurantes prediletos, fechados (dia de descanso).



Sem muita opção e com muito apetite, entrei no primeiro local que encontrei aberto: “Trattoria dei Fuenti”.

Trattoria para lá de modesta, toalhas de papel, copos parecendo os de massa de tomate, cardápio limitado e, para completar o “purgatório” gastronômico, um barulho infernal.



 Seis trabalhadores, entre uma garfada e outra, às vésperas da copa do mundo de futebol, discutiam as possibilidades de vitória desta ou daquela seleção

Para permanecer o menor tempo possível e preservar meus tímpanos, ordenei, imediatamente, um prato de ravióli, uma garrafa de água com gás e uma taça de Gavi.

“Em taça servimos somente o Cortese da casa”



“Cortese da casa”, em um local como aquele?

Desanimado, olhei para a garçonete e, para preservar minha integridade intestinal, pedi a carta de vinhos.

A moça, após alguns minutos, retornou com uma garrafa de água sem gás e uma folha de papel que ela apelidou de “lista dos vinhos”.

A primeira opção da “carta”: “Minaia” Nicola Bergaglio 35 Euros.



Vinte minutos antes e a quatro quilômetros de distância, daquela birosca, havia comprado, na vinícola, a garrafas do mesmíssimo vinho, por 5,50 Euros.

Aproveitado um momento de intensa balburdia e que a gritaria atingira incontáveis decibéis, sorrateiramente, levantei, ganhei a tranquilidade da rua e amaldiçoei a “Trattoria dei Fuenti, um verdadeiro muquifo, que ousa aplicar margem 636% nos vinhos.



Percorri, na mesma rua, mais trinta ou quarenta metros e encontrei outro restaurante que, também, não conhecia: “Locanda del Buon Gusto”.

Até que enfim um local acolhedor, tranquilo, limpo, cardápio interessante, boa carta de vinhos e.....preços mais que honestos: Um “Tortino di Porro”, um “Patè di Coniglio” e uma taça, do ótimo Gavi “Meirana”, da vinícola Broglia, me aliviaram em mais que razoáveis 18 Euros.



A matéria, longe de ser mais uma indicação de restaurantes, é a primeira de uma série na qual pretendo expor a minha opinião sobre a crise que atinge, seriamente, o consumo mundial do vinho.

Há inúmeras causas (que mais adiante abordarei), mas uma delas e sem dúvidas, é a hiperbólica margem de lucro praticada pela maioria dos bares e restaurantes de todos os cantos do planeta.



O exemplo do “Minaia”, que Bergaglio vende a 5,50 Euros e o predador da Trattoria de Fuenti remarca em 636%, é uma prova de que bares e restaurantes contribuíram e continuam contribuindo com a crise do vinho.

Continua

Bacco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário