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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

BRUNELLO & BANDONEON

 


Acreditei, piamente, que, com a aposentadoria das velhas raposas da crítica, dos patéticos “sommerdiers”, dos incontáveis e inúteis cursos sobre vinho, dos idolatrados enólogos e de todos os farsantes, que durante décadas emporcalharam o cenário vinícola do Brasil, o enófilo brasileiro teria, finalmente, acesso a informações mais sérias e confiáveis.




Descansem em paz, Bilu Didu Teteia, Beato Salu, Assado Assada, Marcelinho Pão e Vinho Copelinho, Arrebola Rebola, Renata Corvo di Salaparruta, etc. etc. etc.

 Não pude deixar de sorrir “monalisticamente” para comemorar a “aposentadoria” dos nossos velhos “sommerdiers”, mas, mais uma vez, minha alegria, como a fumaça que passa e se esgarça no ar ("Ponto Final" recomendo a interpretação de Dick Farney), pouco durou e devo confessar que, apesar dos pesares, os velhos pilantras eram menos ridículos dos que os da nova safra, mais conhecidos pela alcunha de “influencers-sommerdiers”.



Os “Influencers”, que invadiram, como gafanhotos famintos, as redes sociais, demonstram, também, não possuir o mínimo preparo, conhecimento técnico, experiência vinícola e transpiram total ignorância sobre regiões e “terroirs” onde os vinhos comentados são produzidos.

Os novos eno-picaretas, se apoiam, como já fazia a geração anterior, nas informações do Google ou repetindo scripts das importadoras e produtores.

Nada mudou, aliás, tudo piorou.

A facilidade de navegar nas redes sociais, com total e impune imbecilidade, abriu as portas para multidões de “enoloides” que não distinguem um Merlot de um Prosecco.


Para agregar um pouco de alegria, aos dias não tão risonhos que estamos vivendo, foquei minhas atenções em três expoentes da nova geração de “influencers”: Marianne “Maranhão” Piemonte, Leandro “Hyde” Baena, cuja videira faz chorar (e não só chorar…) os enófilos que, infelizmente, o seguem e Rodrigo “Bicicleta-Muleta

que, com seu sorriso plastificado, deveria abandonar os vinhos, que pouco conhece e se dedicar à divulgação de dentifrícios

O último vídeo, do Rodrigo Muleta, me despertou, abruptamente, do letargo vinícola em que me recolhera nos últimos dias.

https://youtu.be/78fK-0Ot2t8?is=YF2Vs-zyr45RnvAd

Qualquer enófilo, até mesmo um iniciante, se assistir ao vídeo do Muleta, precisará correr, imediatamente, até banheiro para vomitar.

É inacreditável que alguém, com mais de três neurônios, acredite nos conselhos e informações do eno-risonho Rodrigo Muleta.

 Para início de conversa é preciso informar, que o ciclista dos quase vinhos, não sabe se expressar corretamente em português e seu italiano é ridículo.



 Logo no começo, do “vídeo-propaganda-argentina”, o ciclista esquece o “I” e pronuncia “TALIANO” em seguida retira o acento do pobre cozinheiro “NICOLÒ”,

Se as línguas, portuguesa e italiana, são maltratadas e achincalhadas, pior ainda é o tratamento, que o ciclista de muleta reserva às garrafas.

O sorriso plastificado, do nosso atleta de muleta, serve apenas para disfarçar a total falta de conhecimento vinícola para poder se aventurar, com segurança, pelas vinhas e vinhos de Montalcino.

Se a vinícola milongueira pagou, pelo vídeo-pastelão, de Rodrigo Muleta, mais de 100 Pesos, jogou dinheiro fora. 

 


O vídeo inicia, como de costume, com o Muleta exibindo um sorriso plastificado tão animador e contagiante quanto o de uma hiena.

Depois de alguns minutos de informações saudosas, penosas e melosas, sobre a saga dos imigrantes “talianos”, nosso ciclista   inicia um desfile de eno-cagadas dignas do “Guinness-Shit- Of-Records”.



Não tenho tempo e nem estômago para comentar tanto estrume, mas algumas imbecilidades precisam ser corrigidas.

1º- O Brunello di Montalcino é produzido exclusivamente com uvas Sangiovese Grosso provenientes de vinhas (2.100 hectares), cultivadas no município de Montalcino.

2º - Em 2008, para tornar o Brunello menos complexo, mais macio e mais pronto para beber, várias vinícolas picaretas adicionaram uvas Merlot e Cabernet Sauvignon à Sangiovese Grosso.



 Resultado: Um enorme escândalo que envolveu nomes famosos como os Antinori, Casanova di Neri, Argiano, Frescobaldi, Banfi etc.  1,8 milhão de garrafas de Cabernello” sequestradas e 16 pessoas condenadas

A Bira Wines, produtora do vinho promovido pelo nosso Bicicleta de Muleta, com a maior cara de pau e sem nenhum resquício de pudor, lança um vinho duplamente e intelectualmente falsificado: vinificado na Argentina e com 20% de  Merlot e Syrah  

3º - Caro ciclista de muleta, apague seu tolo sorriso e peça, a seus amigos argentinos, para levarem o bandoneon e o Merlotello para outra freguesia... 

O Brasil já está mais que bem servido de vinícolas picaretas.



Mais uma coisa: Los Hermanos não querem fazer uma homenagem ao grande vinho toscano, querem apenas usar o nome de uma DOCG mundialmente famosa e, através de ridículos vídeos, como o seu, vender gato por lebre.

Montalcino, sua tradição vinícola e seu magnifico território não merecem tamanha pilantragem.





By the way….O Brunello argentino deve ser parente próximo do insuperável caviar maranhense.......



Dionísio

sábado, 22 de agosto de 2026

SALMÃO COM MANGA

 


Santa Margherita Ligure, pequena localidade, de 9.000 e poucos habitantes, um dos endereços mais badalados, caros e sofisticado da Riviera Lígure, mais 50 restaurantes, pizzarias, trattorie, osterie etc. deveria ser um paraíso gastronômico, no entanto, classificá-la como purgatório da boa mesa já seria um elogio exagerado.



 As cozinhas, banais e pouco inventivas, de quase todos os restaurantes, não buscam e não demostram nenhum desejo ou coragem de mudar, tentar algo diferente, inovador.





Acomodados e conformados, os restaurantes da cidade continuam com os mesmos cardápios há décadas: Fritto Misto (peixes e molusco fritos), Trenette al Pesto (macarrão com molho de manjericão), Spaghetti alle Vongole (macarrão com marisco) Pesce alla Ligure (Peixe à moda), Acciughe impanate (anchovas à milanesa) etc. etc. 



Um dos poucos restaurantes que merecia ser destacado era o “L’Approdo”, mas infelizmente o chef, Felice Bianchi, sofreu um AVC e os gourmets, de Santa Margherita, não mais apreciarão seu famoso linguado ao Champagne e linguado ao molho de canela.

https://baccoebocca-us.blogspot.com/2022/01/linguado-ao-champagne.html

Conformado, com o deserto gastronômica da maioria, meus endereços prediletos continuam sendo o “Santa Lucia”, “Il Patio”, “Da Alfredo” e “La Nuova Cesarina” Restaurantes com bons preços, pratos bem feitos, bom atendimento e razoáveis cartas de vinho ....

Em um dia chuvoso, ventoso e frio, resolvi almoçar no “Il Patio”…fechado



Imitando um Gene Kelly maranhense e cantando “Singing in The Rain” percorri outros 400 metros para alcançar o, também fechado, “Santa Lucia”.

Antes de voltar à chuva, imitando mais uma vez   Gene Kelly e pegar uma pneumonia, resolvi telefonar para o “Da Alfredo”......fechado, também.

Contiguo, ao “Santa Lucia”, há o restaurante “Levante” que jamais frequentei.



Quase sempre vazio, preços salgadinhos, decoração triste e ambiente melancólico, nunca me estimularam a provar sua cozinha, mas..... Estava aberto

O insistente temporal, o estômago roncando e um prato, do menu fixado na parede, me convenceram que chegara a hora de conhecer o “Levante”

O prato sedutor? “Salmone al Mango” (salmão ao molho de manga)

Deveria ter continuado a caminhar na chuva até pegar uma pneumonia..... O “Salmone al Mango” foi um dos piores pratos que já provei

Um horror!

O peixe, até razoável, mas para realizar o “molho de manga” o cozinheiro (será?), simplesmente, abriu uma latinha de suco da fruta e derramou o conteúdo sobre o salmão.

Um conselho: Nunca “sente” no “Levante”......



A ideia da manga com salmão, todavia, não me saia da cabeça e no dia seguinte resolvi realizar o prato.

Tentei três vezes e finalmente consegui obter o sabor que me convenceu.

Eis a receita para 4 pessoas

INGREDIENTES

4 pedaços de salmão, polpa de 3 mangas bem maduras (usei a Palmer), 3 colheres de mostarda de Dijon, com mel, (se não encontrar a mostarda com mel adicione ½ colher de mel à mostarda), 





1/2copo de creme de leite fresco, uma colher de casca de limão, algumas gotas do mesmo limão (6/8) uma xicara (café) de vinho branco seco, sal a gosto.

PREPARO

Em uma frigideira derreta três colheres de manteiga, salgue e frite os filés de salmão (+ou- 4 minutos cada lado).



Enquanto o salmão frita, junte a polpa de maga e todos os outros ingredientes em uma pequena panela e bata com o mixer até obter um creme sedoso.

Na hora de servir derrame um pouco do creme de manga em um prato e coloque o salmão sobre a salsa.





Para beber?

 Um bom espumante ou um Chardonnay chileno.

Bacco

PS. As quantidades sugeridas, na receita do creme de manga, não são “intocáveis”.

Se alguém gosta mais salgado, adicione sal.

Prefere mais picante? Aumente a mostarda

Mais doce? Mais mel e.....por aí vai.

Enquanto se prepara, o molho, é sempre bom provar e, se for preciso, corrigir.



Lembre-se: Receitas não necessitam balança de alta precisão, basta ter bom senso e bom gosto.

Mai uma coisa: Se não gostar de fritura, o salmão cozido no vapor é perfeito, também

sábado, 8 de agosto de 2026

FREISA DI CHIERI

 


Há vários anos percebo claros sinais de que o vinho avança, irracionalmente, para uma longa e severa crise: é um jogo de cartas marcadas e sem um final feliz.

Minha percepção foi crescendo na exata medida em que o segmento, mais e mais, apostava no “Vinho Moda”, “Vinho Status”

As garrafas deixavam de frequentar as mesas das famílias, das “trattorie” e dos botecos plebeus, para triunfarem nos brilhantes e cristalinas taças dos restaurares e bares estrelados.



Que algo estava errado e que a conta um dia chegaria, já sabia, mas os números, revelados por Bacco, em suas últimas matérias, me surpreenderam: O vinho está, realmente, correndo ladeira abaixo e.....sai de baixo!

Devo, todavia, confessar que, para mim, pouco ou quase nada vai mudar, pois há muitos anos deixei de acreditar que etiquetas badaladas e altos preços fossem sinônimos de insuperável qualidade.

Nenhum vinho deveria custar mais do que 50 Euros.



Antes que os eno-patriotas e eno-palermas, fãs incondicionais de etiquetas famosas, enviem comentários, raivosos e ofensivos, contra minha ascendente feminina, informo que no final dos anos 1970 uma garrafa de “Barolo Riserva Monfortino”, da premiada vinícola, Giacomo Conterno, custava 5.000 Liras que correspondem, aproximadamente, a 3 Euros nos dias atuais

 Informo, ainda, que o mesmíssimo “Barolo Monfortino Riserva”, continua sendo vinificado com uvas colhidas nas colinas de Serralunga D’Alba, na mesmíssima vinha “Cantina Francia”, engarrafado na mesmíssima adega da mesmíssima família Conterno, mas hoje custa 900/1.200 Euros.



Monfortino Riserva Giacomo Conterno 2015

1300,00




Taí, uma das razões que afastaram as garrafas das mesas das famílias, dos bares e dos restaurantes em todos os cantos do mundo: O vinho se transformou em artigo de luxo e luxo, mesmo falsificado, é caro....

Depois de anos e anos percorrendo a trilha do insano e irreal “eno-patetismo-vinícola”, finalmente, me libertei dos sommeliers, enólogos, influenciadores, críticos, modismos, tudo e todos que contribuíram para a mitificação do vinho, assim, hoje, minhas garrafas mais caras muito raramente ultrapassam os 50 Euros.



Adeus às inúteis, dispensáveis e caríssimas garrafas de “vinho-modismo”.... Bem-vindos, finalmente e ainda bem, “vinhos-pobres”: Grignolino, Schiava, Pelaverga, Coda di Volpe, Albarossa, Incrocio Manzoni, Bardolino, Lambrusco, Soave, Freisa etc. etc. etc.



“E por falar em saudade onde anda você…Freisa di Chieri? ”

Serpenteando pelas gôndolas, de um supermercado, à procura de algumas garrafas para reabastecer minha “maranhense” adega, meus olhos encontraram, quase escondidas, entre outras etiquetas mais importantes, “ampolas” de “Feisa di Chieri Frizzante” por 8,70 Euros”.



Pensei: “Freisa di Chieri, há quanto tempo a gente não se vê.....”

Sem titubear e com um pueril sentimento de alegria, agarrei três garrafas e as coloquei no carrinho.

Com o intenso calor, que há semanas castiga o continente europeu e quase derrete o asfalto das ruas, somente “sommeliers de bicicleta” ou outros palermas do mesmo naipe (há inúmeros...) beberiam um vinho tinto muito alcoólico e mastigável.

Um bom branco, um belo espumante, ou um tinto leve, após rápida passagem pelo refrigerador, refrescam e alegram até os mais “fervente” coração.



Chieri, pequena, cidade distante apenas 20 km da belíssima Torino, é uma válida opção para o turista que já não aguenta as multidões que, parecendo hunos, invadem as mais badaladas cidades turísticas da Europa.

O belo centro medieval, a majestosa catedral, o gueto hebraico e o museu da indústria têxtil, são atrativos que a cidade oferece e merecem ser visitados.

Para os enófilos, todavia, nada é mais a “atraente” do que um ótimo vinho produzido na região: “Freisa di Chieri”.



As vinhas de Freisa aparecem nas colinas de Chieri desde a era romana, mas somente na idade média (1517) o vinho é devidamente reconhecido e documentado.

Hoje a área cultivada é de aproximadamente 90 hectares e 9 produtores engarrafam três tipologias de Freisa: Seco, Frisante e Espumante.

Minha preferida, desde sempre é a versão frisante.



A bela cor rubi, a espuma fina, quase alegre, os perfumes delicados, o paladar harmônico e elegante, do “Freisa Di Chieri 2024”, da vinícola Balbiano, doam ao enófilo, que quer fugir das mesmices dos “vinhos moda”, uma agradável e alegre companhia para os aperitivos nos finais de tarde, mesmo nos dias de intenso calor.



Um belíssimo vinho por menos de 10 Euros que recomendo com prazer e entusiasmo

 

Dionísio

    

sexta-feira, 24 de julho de 2026

BEBER EM PAZ....

 


Em muitos países, como no “Brasil Cervejeiro”, o vinho é pouco consumido, não faz parte da cultura, da tradição....é peso palha da economia.

Pelas razões, acima expostas, não se tem a mínima ideia do mal que as canetas de Veronelli, Parker, Suckling, Robinson e todos os filhotes, que eles pariram, causaram ao mundo vinícola.



O mundo vinícola, ao qual me refiro, não é o dos magnatas, Arnault, De Villaine, Gaja, Antinori, Conterno, jogadores de futebol, artistas de cinema, cantores, etc. que durante décadas ganharam montanhas de $$$$ graças aos critico$ amigo$, impren$a e revista$ que elevaram à estratosfera os preços das garrafas, que eles produziam, deixando um mar de lágrimas para centenas de milhares de verdadeiros viticultores que hoje amargam uma severa e sempre mais profunda crise em suas adegas.



Para os defensores e admiradores das canetas dos famosos críticos, que “inventaram” qual, como, quando, por que, quanto pagar, por este ou aquele vinho, sinto informar que foram justamente eles, promotores dos ridículos e esnobes rituais, que precediam um simples gole de vinho (excessivas rotações das taças, teatrais e intermináveis fungadas das rolhas, descobertas de incríveis aromas e sabores etc.), os grandes culpados pelo constante declínio no consumo do vinho.



Alguns dados do consumo litro/per-capita, antes e depois da “parkerizaçâo”

               1960                2025

Espanha         70                   20    

França         120                   38

Itália          120                   48

Portugal      115                    60

Para piorar, ainda mais, o drama do setor vinícola, é mais que evidente que as novas gerações não mais acreditam, não suportam, nem dão bola aos ultrapassados, teatrais e esnobes rituais que os Parker da vida impuseram e fizeram sucesso no passado: os jovens, de hoje, querem uma aproximação mais simples, relaxada, informal, alegre ......querem beber vinho e não rituais



As novas gerações buscam um vinho mais leve, moderno, que exprima o território e, exigência muito importante, que caiba em seus bolsos.

Resumindo: O vinho deve voltar a ser o promotor de convívio, do beber descompromissado, alegre e....barato

Bares e restaurantes, que se acostumaram e continuam, como se nada fosse, a praticar absurdas margens de lucro de 300/400/500%, precisarão aumentar o estoque de água mineral, pois venderão sempre menos vinho.





Enquanto isso os viticultores buscam freneticamente uma saída.

Uma delas: Rebaixar as denominações (DOGC – DOC – IGT) dos vinhos e baixar os preços.

Sabe quantas DOCG (de origem controlada e garantida), DOC (de origem controlada), IGT (indicação geográfica típica) há, hoje, na Itália?

Vamos lá: 78 DOCG – 341 DOC – 118 IGT.

Sabe quantas DOCG existiam 1970? NENHUMA!

Nos anos 1980 surgiram as primeiras 4 DOCG: Barolo, Barbaresco, Brunello di Montalcino, Vino Nobile di Montepulciano.

Mais uma vez a moda parkeriana ditou regras e elevou os preços.

Chegou a hora e a vez dos jovens que querem Prosecco, Lambrusco, Bardolino

As novas gerações bebem vinhos leves, bons e barato.



Aguardem o iminente rebaixamento das denominações vinícolas e uma drástica diminuição dos preços dos vinhos.... italianos e franceses em primeiríssimo lugar

No Brasil?

No Brasil, da contramão, os predadores continuarão violentando, como de costume, bolsos, carteira, cartões etc. dos eno-patridiotas de plantão.



no Pix


Bacco