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domingo, 22 de fevereiro de 2026

PIEMONTE OU MARANHÃO?

 




Jamais escondi não acreditar que quase a totalidade dos críticos, revistas, jornais, sommelier guias e outros meios de divulgação vinícola, emitissem seus julgamentos, votos, opiniões, sugestões, pontos, estrelas etc. de forma totalmente independente e honesta.

 Sempre acreditei que “alugassem” suas canetas aos produtores que abrissem generosamente suas carteiras.



Não escapava quase ninguém, mas é preciso reconhecer que os Parker, Veronelli, Robinson, Suckling, etc. da vida, adoravam $$$$, mas entendiam de vinho.

A primeira preocupação era a grana, mas eles possuíam conhecimento, credibilidade e o poder para influenciar milhões de enófilos espalhados pelo mundo.



Os “Deuses”, da crítica vinícola, espalharam filhotes em todos os cantos do mundo, crias que jamais conseguiram alcançar o sucesso dos Olímpicos pais.

No Brasil, Maranhão dos vinhos, também, presenciamos o surgimento de patéticas figuras que tentaram imitar os Olímpicos ancestrais, mas o que vimos foi um bando de sedentos frequentadores de degustações gratuitas que lambiam as botas dos importadores e produtores para conseguir levar algum $$$ para casa.



Não lembro de todos, mas o palhaço Bilú Didú Teteia, o escalador de cruzeiros medievais Beato Salu, o cândido Marcelinho Copelinho Pão e Vinho, Diego Arrebola que rebolou , rebolou, mas nunca foi além de eterno candidato a melhor sommelier do Maranhão,  a Susana “Lexotan” Barelli e a Alexandra “Knockout” Corvo, tiveram alguma visibilidade e sucesso, entre os eno-palermas, mas foram gradativamente descartados e esquecidos por seus patrocinadores (importadoras e produtores) que já não precisavam de suas inutilidades.

É a vez e hora dos “influencers idiotizantes”.

Há de tudo e para todos, desde um “Sommelier de Bicicleta” até um cirurgião que deveria abandonar a profissão (cirurgião que bebe, treme.....) e dedicar-se somente à sua nova paixão: Apologista dos quase-vinhos-nacionais (vai ter bom gosto assim na......)



Os “modernos” e patéticos influencers, por sua vez, são vítimas de seus seguidores, eno-palermas, que os abandonam no exato momento em que aparece um influenciador ainda mais idiota.

A mediocridade cresce graças à internet que aceita tudo de todos.

Cabe, então, ao consumidor, mais consciente, fugir (ou pelo menos tentar) dos picaretas de plantão.

A fuga se torna mais difícil quando a grande mídia adere à desinformação contratando pessoas incompetentes e sem sólidos conhecimentos do assunto (vinho).

Estou me referindo à revista “Veja” que publica, sem nenhum pudor, a ridícula e patética coluna “Al Vino”, comandada (até quando.?) pela ridícula Marianne Piemonte.



É difícil escolher qual a matéria mais grotesca já escrita pela Marianne, pois a cada nova publicação ela se supera e consegue piorar.

Em uma das últimas reportagens, a Piemonte, dedica ao Barolo um dos piores artigos que já li sobre o grande vinho piemontês:



 O MOVIMENTO QUE SALVOU A IMAGEM DOS ICÔNICOS BAROLO DE VIRAR VINAGRE

https://veja.abril.com.br/coluna/al-vino/o-movimento-que-salvou-a-imagem-dos-iconicos-barolo-de-virar-vinagre/


1ª Mentira: Os “Barolo Boys” não salvaram a imagem do Barolo e nem a deles.



Quem “salvou” o Barolo foi o enólogo francês Louis Oudart que, por volta de 1830, aperfeiçoou técnicas de vinificação, transformou o Barolo, de então, adocicado e frisante, no vinho seco e austero que hoje conhecemos.

2ª Mentira: Os Barolo Boys, não foram os responsáveis pelo “boom” do Barolo pois os preços do vinho permaneceram, praticamente, estáveis desde 1970, quando uma garrafa custava Liras 12.000, até 1994 quando custava 13.000 Liras



Em 1994, Robert Parker publicou, em sua revista, um artigo elogiando vivamente o Barolo e foi então que, imediatamente, a garrafa passou a valer Liras 36.000.

Começava, aí, o sucesso do vinho, dos “Barolo Boys”, graças ao “empurrão” de $$$$ no bolso do Parker

Há mais mentiras, pois o artigo, encomendado pelo produtor Conterno Fantino e importadoras brasileiras, sempre revela apenas meias verdades.



A nossa Marianne “Maranhão” Piemonte, não revela, por exemplo, o pouco que restou daquela “revolução”, daquele entusiasmo e que pouquíssimos são os viticultores que atualmente ainda adotam as técnicas vinícolas dos “Barolo Boy” cujos vinhos já entraram no esquecimento.

Nossa quase Piemonte, também não informa que, atualmente, os fabricantes de “botti” produzem 80% de grandes e médios toneis e 20% de barriques, pois a vinificção voltou quase totalmente à velha escola.



Os vinhos dos “Barolo Boys”, superconcentrados, com baixa acidez, muita cor e muito álcool, amados pelos parkerianos, endeusado pelos críticos, guias, revistas etc. hoje mofam nas prateleiras.

O mercado fez justiça!

Os consumidores cansaram de “marmeladas vinícolas” e buscam vinhos que representem o território e garrafas onde possam encontrar as reais características da uva.



 Marianne “Maranhão” Piemonte e sua consultora Elisa Conterno Fantino, deveriam ter vergonha de fazer a apologia de uma “revolução”, que pouco durou, já morreu e deveriam mencionar aqueles que a combateram e venceram:  Renato Ratti, Massimo Martinelli, Giacomo Conterno, Aldo Conterno, Bartolo Mascarello, Giuseppe Rinaldi, Teobaldo Castellano, Bruno Giacosa, Giacomo Borgogno........



Mais uma coisa, Marianne “Maranhão”: Antes de se aventurar no complicado idioma peninsular, procure o Google

Quando você escreve: “…na icônica cena em que Elio Altare surge atacando “um botti” com uma motosserra” ...... "Caríssima Marianne, tu hai scritto uma bella e grande cagata”



 “Botti” é o plural de “botte” e, olha o ocaso, “botte” é um substantivo feminino então...... “um botti”?

Marianne, sua matéria é tão correta quanto o seu italiano

Dionísio

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A HORA E VEZ DO ROSÉ

 


A matéria, “Borbulhas e Mais Borbulhas”, sacudiu meu sarcófago despertei, então, de um profundo letargo.

Sempre afirmei e reafirmo, que o melhor vinho do mundo é aquele refinado, borbulhante, incomparável produzido na afortunada região da Champagne.



Há boas bolhas em muitas outras regiões do planeta, mas somente alcançam bons resultado quando tentam seguir, rigorosamente, todos os seculares ensinamentos de Dom Pèrignon, desde o clima, tradição, cultura vinícola, escolha das castas, método de vinificação, envelhecimento sobre leveduras, por um mínimo de 15 meses, os “segredos” das adegas etc.



Resumindo: É quase impossível superar o Champagne.

Apenas um país, “abençoado por Deus, mas picareta por natureza”, se autodeclara produtor do segundo melhor espumante do mundo, ganhador de prêmios, medalhas, reconhecimentos, etc. até na França e criador, pasmem, do único Champagne fora da renomada região francesa

Incontáveis e compreensivas são dúvidas sobre a qualidade do “espumante picareta por natureza”, mas, ainda bem, há um consenso: se a qualidade é discutível, os preços das bolhas brasileiras superam, até, os da Champagne.



Deixando o Maranhão vinícola, em seu ridículo ufanismo terceiro-mundista, vamos voltar às bolhas sérias 

Muitos “vignerons” afirmam que para produzir um grande Champagne é preciso vinificar uvas 100% perfeitas, mas para se obter um grande rosé os cachos deverão ser 200% impecáveis.



Os vinhos rosés, em sua esmagadora maioria, são produzidos apenas para completar a linha de produtos das vinícolas, miram o consumidor feminino e a propaganda, apelativa, sempre exalta garrafas à beira de belas piscinas ou praias ensolaradas….

 Nada mais falso!

O rosé, quando vinificado com o necessário cuidado e grande atenção, é um grande vinho, não por acaso, o Champagne, na versão rosé alcança preços quase sempre superiores aos irmãos demi sec, brut, extra brut nature etc.



Para vinificar “rosé” é sempre necessário dedicar muita atenção, atenção que já começa na escolha da matéria prima.

Enquanto a Chardonnay, que pode ser considerada uma uva “Gení” (dá em qualquer lugar), continua sendo responsável por mais de 80% dos espumantes produzidos no planeta, a Pinot Noir é o “pesadelo” dos enólogos.



A Pinot Noir, essa complicada videira, brota mais cedo, emadurece mais tarde, é muito sensível às fitopatologias, não suporta estações muito quentes, secas e, ao contrário da Chardonnay, é muito exigente com a qualidade do solo, condições climáticas etc.

Tudo bem, mas o qual, então, é o segredo dos franceses que os outros não descobrem?

Simples: A cultura!



A cultura é aquela coisinha que não se pode comprar e, mesmo quem possui ótimas vinhas e bons enólogos, modernas adegas, sem a cultura, (não podemos esquecer de mencionar, também, filosofia, tradição, seriedade) e não seguir a trilha estabelecida pelos Franceses o máximo que conseguirá obter é um espumante deplorável e descartável como o falso “Champagne Peterlongo”.

Quando encontro, nos “wine bar”, Champagne ou outro espumante rosé, sem mesmo olhar para as outras sugestões   ordeno, imediatamente, uma taça.





Não é preciso reafirmar que sou um “viciado” em bolhas rosés........ 

Alguns rosés franceses e italianos, para mim, “obrigatórios”

FRANÇA

Ruinart Rosé + Billecart-Salmon Rosé + Taittinger Prestige Rosé + Delamotte Rosé + Laurent-Perrier Rosé



ITÁLIA



Barone Pizzini Rosé + Costaripa “Mattia Vezzola Rosé”+ Monte Rossa “Flamingo Rosé + Haderbrug “Rosé DOC”



Sempre é bom lembrar, que apesar de ser fã incondicional dos espumantes rosés, respeito muitíssimo meu cartão de crédito e jamais o deixaria à mercê de estupradores, assim, os preços dos Champagne elencados oscilam entre 70 e 50 Euros e os dos espumantes italianos, entre 30 e 20 Euros.



Peterlongo Champagne Elegance Brut 750ml

ChardonnayO Primeiro e Único Champagne do Brasil! Elaborado com uvas Chardonnay, um blanc de blancs fermentado parcialmente em barricas de carvalho Francês e maturado por 36 meses nas caves subterrâneas. 

R$ 230,00

Mai uma coisinha...... O Champagne pirata” da Peterlongo custa R$ 230.

O verdadeiro Champagne Taittinger pode ser encontrado nas enotecas por



Champagne Taittinger Cuvée Prestige Brut (Astucciato)

41,00 € 

Faça a conta e.....mande a Peterlongo à..........

 

Bacco

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MERCOSUL OU MERDOSUL?

 


Depois de 25 anos foi assinado, finalmente, o tratado comercial Mercosul-UE.

Não tenho suficiente bagagem política e muito menos econômica, para me unir às manifestações, de incontido entusiasmo, dos que acreditam em um novo e duradouro milagre econômico no Brasil.



O entusiasmo, mais ridículo que estou presenciando, é daqueles que apostam e aguardam, ansiosos, na significativa queda dos preços dos vinhos importados.

O enófilo brasileiro, com mais de três neurônios em bom estado, já deveria ter aprendido que o mundo vinícola nacional está nas mãos de predadores, sejam eles importadores ou produtores, que não tem a mínima intenção de deixar de, descaradamente, meter a mão no bolso dos consumidores.



Sem nenhuma intenção e muito menos desejo, de “desvendar” todas as palavras miúdas do tratado, não pude deixar de sorrir ao constatar que o imposto de importação, dos vinhos europeus, demorará longos 12 anos para ser zerado.



Na Itália há este velho provérbio: “Campa Cavallo Che L’erba Cresce....” que equivale ao nosso adagio “Pode esperar sentado...”

Em 12 anos o mundo dará muitas voltas, governos mudarão de ideias e rumos, haverá pressões e interesses comerciais etc. e acredito que o entusiasmo, de nossos enófilos, se esgarçará “...como a fumaça que passa e se perde no ar” ( “Ponto Final” de José Maria de Abreu e Jair Amorim interpretada por Dick Farney)  

 https://www.youtube.com/watch?v=5zTvZ6nvR9s

Nem tudo está perdido, porém....



As boas garrafas chilenas continuarão fazendo a alegria dos que realmente sabem beber vinhos e não etiquetas, as garrafas de Portugal, França, Itália, Espanha etc., já em 2026, custarão muito menos $$$ e certamente as malas dos turistas, ao voltarem da Europa, estarão sempre mais cheias de boas “lembranças” vinícolas.



O setor, no velho continente, está passando por grandes dificuldades e nas adegas, onde já não há mais espaço para estocar o vinho das novas safras, resta apenas a esperança e a longa e espera por compradores que não aparecem, sumiram.....

A mais atingida pela crise parece ser a França, mas não há alegria, também, nas adegas lusas, espanholas e italianas.

Na Itália, os produtores estão deveras preocupados ao constatar que há quase 43 milhões de hectolitros, de vinho invendido, que repousam no escurinho das adegas peninsulares.



Para que se tenha uma ideia, do que representa o volume estocado na Itália, aqui vão alguns números:

 1º) a produção anual brasileira é de aproximadamente 3 milhões de hectolitros

2º) os 43 milhões estocados, na Bota, representam quase 6 bilhões de garrafas.

As regiões mais tingidas pela crise e que apresentam maiores estoques



1º) Veneto = 11,1 milhões de hectolitros

2º) Toscana 5,6 milhões

3º) Emilia-Romagna 4,3 milhões

4º) Puglia 4,2 milhões

5º) Piemonte 4 milhões


A quantidade hiperbólica, de hectolitros estocados, apontaria para uma provável redução nos preços dos vinhos importados, redução, esta, que anteciparia o tão sonhado corte no imposto de importação presente no acordo Mercosul –UE, mas, como bem comentou um anônimo, na matéria “Borbulhas e mais Borbulhas”..... 

Você acredita em Papai Noel? Quem ganhará com tudo isso são as importadoras. O consumidor final continuará na mesma”.



Concordo e assino embaixo.... Estamos na mão de importadores predadores e produtores de tremendas e caras bostas.



Estamos condenados a viver no MERDOSUL dos vinhos.


Dionísio

 

 

domingo, 4 de janeiro de 2026

BORBULHAS E MAIS BORBULHAS

 


Não é segredo que, aqui em Bacco&Bocca, gostamos muito de pequenos produtores, de vinhos pouco comentados, de garrafas pouco badaladas e que, por uma fração do preço, cobrado por um grande produtor, entregam tanto quanto ou até mais qualidade.

Mesmo assim não temos problemas com bons vinhos dos gigantes do setor: o Chianti da Ruffino, os brancos da Tarapacá e o Côte-Rôtie da Guigal, entre outras etiquetas, já foram saudados por aqui e quebram um belo galho quando estamos no Brasil onde a oferta de bons vinhos de viticultores independentes é sensivelmente menor do que na Europa.



Dias atrás recebi, de alguns amigos, uma postagem no Instagram em que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, antigo mandachuva da Rede Globo e grande apreciador da alta gastronomia, listava seus dez Champagne favoritos.



 Aparentemente a lista ficou famosa e já é um dos posts mais comentados do ícone da TV brasileira, com mais de 54 mil curtidas:

https://www.instagram.com/p/DSX3WP1EW7T/

De fato, na listam só há coisas boas: Bollinger, Rare (Piper-Heidsieck), Laurent-Perrier, Taittinger, Veuve Clicquot, Pol Roger, Louis Roederer, Dom Pérignon, Krug e Salon (veja a postagem original para saber quais cuvées foram escolhidas por Boni).


Nove dessas dez casas são grandes maisons com produção superior a 1,5 milhão de garrafas.

 A décima mencionada é a Salon que produz apenas 60 mil unidades por ano mas não tem dó de cobrar mais de mil euros por cada uma delas.

Passando férias no Brasil, e sem poder contar com a Camiat&Fils, Paul Marie Bertrand, Paul Bara e outros grandes-pequenos Champagne, para o brinde do ano novo e outras ocasiões festivas, acostumei-me a procurar, no duty free e em lojas como a Super Adega, alguns Champagne das grandes casas (e grandes cooperativas) para me socorrer nessas ocasiões – ainda que desembolsando, com alguma dor, valores entre R$ 300 e R$ 400.



Até o momento, meus preferidos são: Roederer Collection (a nova cuvée de entrada do produtor), Philipponnat Royale Réserve Non Dosé, Charles Collin Brut, Pannier Sélection Brut e Billecart-Salmon Brut.



Aliás, a Billecart-Salmon é unanimidade na redação de B&B: Bonzo e Bacco adoram a rosé deles, e Bonzo também aprecia bastante a produção da Deutz.

E as suas?

Feliz Natal e Feliz 2026!