Facebook


Pesquisar no blog

quarta-feira, 27 de maio de 2026

ALTO PIEMONTE 4 -LESSONA

 

 


Não mais de 15 minutos são necessários para percorrer os 19 Km que separam Gattinara de Lessona.

Conhecer Lessona, penúltima etapa de nossa “aventura”, pelas vinhas do Alto Piemonte, não seria necessário, pois quase todos os vinhos, da DOC local, poderiam ser adquiridos, sem problema e por preços acessíveis, na “Enoteca Regionale di Gattinara”.



Os arredores de Lessona vinícola, todavia, merecem uma especial atenção.

 Lessona DOC, um vinho muito elegante, refinado, sutil (...meu preferido do Alto Piemonte), não pode faltar na adega do enófilo que aprecia, realmente, grandes vinhos.



DOC Lessona, 6/10 hectares, 15/30 mil garrafas, pouco mais de meia dúzia de produtores, frequenta as taças piemontesas desde o século XII.



Longa história de um grande vinho que recomendo, com entusiasmo e sem medo de errar.

Bons Lessona podem ser adquiridos desembolsando 20/30 Euros.



Sugiro as garrafas produzidas pelas “Tenute Sella” (viticultores desde 1600), “Azienda Vinicola Massimo Clerico”, Colombera & Garella”.



Fuja dos dois predadores locais: “Proprietà Sperino” e “La Prevostura”.

Os De Marchi, da “Proprietà Sperino”, cansaram de meter a mão na Toscana, venderam a “Isole & Olena”, ao bilionário Cristopher Descours (Piper-Heidsieck, Charles Heidsieck, Biondi-Santi etc.…) e resolveram produzir vinho no Alto Piemonte.

Leia: https://baccoebocca-us.blogspot.com/2022/08/cepparello-parle-francais.html

Não contente, em turbinar os preços das etiquetas, da “Proprietà Sperino”, os De Marchi entraram, como sócios, na vizinha vinícola “La Prevostura”.



Em pouco tempo os De Marchi transformaram, o Lessona da “La Prevostura”, em uma “parkeriana” marmelada, sabor carvalho

Fuja......

Não fuja, porém, de uma incrível volta à idade média visitando o belíssimo “Ricetto di Candelo”.



A aldeia de Candelo dista apenas 14 km de Lessona e abriga o mais bem conservado “ricetto” de todo o Piemonte (há mais de 200 na região).




Nas silentes ruas do “ricetto” tem-se a impressão de voltar e parar no tempo.



Depois de um longo e calmo passeio, pelas ruas medievais, chega a hora de recuperar as forças em um dos restaurantes da aldeia.



Sugestões: “Il Torchio”, La Taverna del Ricetto” “Locanda il Borghetto”, são endereços válidos para conhecer vários pratos da

 ótima cozinha piemontesa.


Bocca

sexta-feira, 15 de maio de 2026

ALTO PIEMONTE 3 GATTINARA

 


Ao deixar Ghemme e seu “ricetto”, rumamos diretamente até Gattinara “desprezando” Sizzano e Fara.

As duas aldeias não possuem grandes atrativos turísticos e seus bons vinhos podem ser facilmente encontrados e adquiridos na “Enoteca Regionale di Gattinara”.

Gattinara, com seus 7.500 habitantes, 100 hectares de vinhedos e uma produção de aproximadamente 600.000 garrafas, do homônimo vinho, pode ser considerada a “metrópole” do Alto Piemonte vinícola.

O sucesso crescente dos vinhos locais e o preço relativamente baixo dos vinhedos da região, atraiu várias vinícolas “estrangeiras” que, na esperança de lucro fácil e imediato, investiram vigorosamente nas colinas do Alto Piemonte.



Os eno-predadores, mais famosos, que atracaram na região, apostando no surgimento de novas etiquetas sedutoras de cartões abonados, foram os De Marchi, de Isole e Olena (Cepparello) e Giacomo Conterno (Barolo Monfortino).

Vamos deixar o predador De Marchi para mais tarde e foquemos nossas atenções na “hiena alfa”, das garrafas piemontesas, Giacomo Conterno.



Conterno, comprou, em 2018, “Azienda Vinicola Nervi”, a mais antiga vinícola da cidade (1906), apostando em uma possível supervalorização das terras e dos vinhos da região, mas, ainda bem, entrou pelo cano.

Covid, mudança nos gostos das novas gerações, sensível diminuição do consumo, geraram uma crise no mercado italiano (e não só…) do vinho, crise que que não dá sinais de arrefecimento.

Os vinhedos ainda são muito mais baratos do que os do brasileiro “Grand Terroir 31” e ótimos Gattinara continuam com preços razoáveis (20/30 Euros) enquanto o “Gattinara Molsino, Conterno Nervi”, de 120 Euros, mofa nas prateleiras à espera dos sempre mais raros   eno-palermas. 



Gattinara Vigna Molsino Nervi Giacomo Conterno 2020

 119,00 €

Comer e beber bem em Gattinara não é problema e existe apenas o embaraço da escolha.



Duas dicas de restaurantes: “Osteria Contemporanea”, “Ristorante Magnolia”.

Wine Bar: “Caffé Moderno”, “Ostinata Vineria”.





Endereço imperdível continua sendo a bela e acolhedora “Enoteca Regionale del Gattinara.



Na enoteca há todos os vinhos da região por preços bem acessíveis.

Algumas etiquetas de Gattinara?



“Mauro Franchino”, Anzivino”, Luca Calligaris”. “Paride Iaretti”.

Próximas paradas:  Lessona, Carema

Bocca

 

  

quarta-feira, 6 de maio de 2026

BONS, RAROS, MAS NÃO CAROS 2

 



O momento mais emocionante e alegre, que Boca nos proporciona, é quando entramos no carro e finalmente a deixamos para trás

Triste, monótona e sem atrativos, Boca “sobrevive” graças ao turismo religioso e, graças, também, ao seu ótimo vinho, vinho que, todavia, pode ser adquirido em qualquer enoteca da região sem que o eno-turista perca seu tempo percorrendo a insossa aldeia piemontesa.

Os 12 Km, que separam Boca de Ghemme, podem ser comparados, por aqueles que creem, ao caminho que do   purgatório leva ao paraíso......





Ghemme, além de produzir vinho, tão bom quanto o de Boca, abriga, em suas ruas e praças, bons bares (não deixe de conhecer e beber uma taça na “Vineria Piazza Antonelli”) e ótimos restaurantes.


Recomendo a “Trattoria al Gufo Nero” e o fascinante restaurante “La Casa Degli Artisti” localizado nas dependências do castelo medieval de Ghemme. ´



O centro histórico, da aldeia, merece uma demorada visita. 

Percorrendo as charmosas ruelas, no interior das muralhas defensivas do castelo de Ghemme, podemos admirar o medieval e belíssimo “Ricetto” (século XI).

 “RICETTO” deriva do latim “receptum” e significa refúgio



O “Ricetto” era uma estrutura fortificada, muito comum nas aldeias piemontesas, utilizada para armazenar produtos agrícolas e abrigar a população em caso de assédio.

No “ricetto”, de Ghemme, o produto mais valioso, que os moradores armazenavam nos espetaculares e antigos depósitos, era o vinho.





 Até hoje é possível visitar, degustar e comprar, o vinho local, em uma das antigas adegas da aldeia.



O “Ricetto di Ghemme” é um endereço imperdível como imperdíveis, também, são as garrafas produzidas nos vinhedos da aldeia (3.800 habitantes).

Em todo alto Piemonte a quantidade de vinho DOC e DOCG é muito limitada e Ghemme não foge à regra: A previsão, para 2026, é de pouco mais de 130 mil garrafas.

As uvas, utilizadas na produção do Ghemme DOCG, são as mesmas que encontramos em todos os vinhos da região: Nebbiolo (mais conhecido na região como “Spanna”, Vespolina e Uva Rara (Bonarda Novarese)



Nebbiolo= mínimo de 85%, um máximo de 15% de Vespolina e Uva Rara.

O Ghemme DOCG é deve ser envelhecido durante 34 meses sendo que a versão “Riserva” necessita de longos 46 meses.

Após o envelhecimento obrigatório, o Ghemme DOCG, precisa afinar, na garrafa, por mais 6 meses.



Imaginem quanto custaria um vinho nacional se submetido, realmente, aos mesmos 34 meses de envelhecimento e mais 6 de afinamento, exigidos pelo disciplinar do Ghemme DOCG........



Alguns Ghemme DOCG que recomendo: Ioppa 25 Euros, Mirù 25 Euros, Stefano Vampari 17 Euros, Lorenzo Zanetta “Santo Stefano” 15 Euros, C’A Nova “Victor” 22 Euros.



Próxima parada Sizzano, Fara Gattinara

Bocca

quinta-feira, 16 de abril de 2026

BONS, RAROS, MAS NÃO CAROS

  


No final dos anos 1980 minha confiança e respeito, pelos cursos, críticos, sommeliers, revistas, jornalistas, enólogos, etc., que gravitavam ao redor do “planeta vinho”, já atingira números próximos ao zero.

Percebera, à época, que melhores pontuações, taças, estrelas e outros ridículos símbolos, quase sempre eram concedidos ou dirigidos, às garrafas de renomados e caro$ produtores.



Vez ou outra, para doar ar de isenção e imparcialidade, a seus julgamentos, os eno-far$ante$ inseriam, em suas premiadas listas, etiquetas de pequenos e desconhecidos viticultores que já não apareciam nas publicações seguintes e rapidamente voltavam, silentes, ao limbo do mais escuro anonimato.



“ Parker adora Bordeaux, Veronelli ama Sassicaia, Robinson aprecia Riesling, mas eu gosto de Barbaresco, Chablis, Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet, Brunello di Montalcino...então?

Então mandei todos às favas (naqueles anos eu era educado...) assim resolvi pesquisar e descobrir, sem consultar nenhum famoso eno-oráculo da moda, minhas preferencias vinícolas e nunca mais dei importância aos “Papa$” das caras etiquetas.



Havia, todavia, um problema: Na Côte D’Or, Langhe e Montalcino os preços subiam sem parar e os produtores, tendo perdido qualquer resquício de pudor, extorquiam, descaradamente, incautos enófilos e desavisados turistas

O Euro subia, o Real despencava.....

Era preciso esquecer, por algum tempo, as três regiões vinícolas, que durante muitos anos foram minhas metas preferidas e buscar novas e mais econômicas paisagens....



O aeroporto internacional de Malpensa, dista, do belíssimo Lago Maggiore, pouco mais de 25 Km.

Lindas aldeias, preços quase razoáveis, bons restaurantes, ótimos bares, me convenceram que seria muito melhor repousar alguns dias, pesquisar a região e suas vinhas, antes de rumar diretamente de Malpensa até La Morra, meu endereço italiano de então.



Até hoje, antes de viajar para a Ligúria, meu atual endereço peninsular, descanso alguns dias em Sesto Calende (Sesto Calende é linda, bem mais barata do que as aldeias do Lago Maggiore e ...... “zero” turistas) e aproveito para percorrer as aldeias do Alto Piemonte sempre mais atraído pelos grandes vinhos da região.

Boca, Gattinara, Sizzano, Fara, Ghemme, Caluso, Carema, Lessona, aldeias que, com sua simplicidade, cozinha e tranquilidade (turistas zero mais uma vez....) aos poucos foram me seduzindo e confesso  já sofrer crises de abstinência por falta de Barolo, Barbaresco, Brunello etc.

Algumas informações sobre a história da viticultura no Alto Piemonte.

Vinhedos já existiam, na região, desde a era romana, mas foi na idade média e especialmente, no final do século XIX que a viticultura viveu seus melhores dias.

 Naqueles anos, o Alto Piemonte, ostentava mais de 40.000 hectares de vinhedos.

A filoxera, que destruiu grande parte das plantações e a industrialização da região, depois da segunda guerra mundial, provocaram o grande êxodo dos viticultores que abandonavam a cansativo e incerto trabalho nas vinhas optando pela mais segura e menos fadigosa labuta nas fábricas.

Resultado? Dos 40.000 hectares, dos anos 1940, hoje restam pouco mais de 1.000.



Alguns números das melhores denominações, raras, mas não caras, do Alto Piemonte

Boca = 16,5 hectares

Bramaterra = 28 hectares

Carema = 13 hectares

Fara = 4,5 hectares

Gattinara = 90 hectares

Ghemme = 56,5 hectares

Lessona = 17 hectares

Sizzano = 7 hectares

Nesta 1ª viagem comentarei as 8 denominações mencionadas, mas dedicarei maior atenção aos vinhos de Bramaterra, Carema, Fara e Lessona.

BOCA

Pouco mais de 20 Km separam Sesto Calende de Boca distancia, facilmente, percorrível em 25/30 minutos.

Boca não oferece grandes atrações turísticas.



 Única exceção: o imponente “Santuario del Santissimo Crocifisso”, cercado por bosques e vinhas, que atrai milhares de religiosos.

Recomendo o ótimo restaurante “Ori Pari”



Vinho Boca: Com a chegada na região, no final dos anos 1990, do suíço e importador de vinhos, Christoph Kunzli, que adquiriu a propriedade “Le Piane”, do velho viticultor Antonio Cerri, o vinho Boca renasceu das cinzas e voltou a frequentar as taças da região.

Kunzli, todavia, foi picado pelo inseto “Gaja-Conterno” cuja mordida provoca irresistível desejo de inflacionar o preço das garrafas.

Esqueçam o “Boca Le Piane” (60 Euros) do predador suíço e procurem o “Boca Davide Carlone” de 25/28 Euros.



O vinho Boca é vinificado com Nebbiolo70%/90% + 10%/30% de Vespolina e Bonarda Novarese .

Continua....

Bocca