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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

PREÇOS DESPENCANDO......NA EUROPA

 



Olho para o teclado, à minha frente e uma grande apatia e infinito desânimo invadem minha mente com a mesma pergunta.... “Presenciando e convivendo no vulgar lupanar, mais conhecido pela alcunha: “Praça dos Três Poderes” (ou será Dos Três Phoderes?) Centro da mais inimaginável série de escândalos, de todos os tempos, você, alienadamente, continua escrevendo sobre vinho, gastronomia, viagens etc.? ”



Confesso que precisei de uma hercúlea sacudida para espantar os “vorcárianos” fantasmas da ilimitada corrupção para iniciar a escrever mais esta matéria.

Antes de dar uma boa notícia gostaria de parabenizar Dionísio, que, com seu “Brunello & Bandoneon”, sepulta qualquer indício de uma saudável mudança no estéril e capenga cenário da crítica vinícola brasileira e, como diria Bonzo, “percam as esperanças......”



A boa notícia? O tremendo calor, que continua assolando e assando a Europa, antecipou, em quase um mês, a vindima de 2026.

Com as adegas cheias, de vinho invendido e sem grandes possibilidades de aparecer um milagroso salvador, muitos produtores não tem onde estocar os milhões de hectolitros da nova safra.




Um verão e um outono tórridos, a mudança nos gostos dos jovens, que preferem vinhos mais leves, frescos e de baixo teor alcoólico, fizeram despencar o consumo dos vinhos tintos que mofam nas prateleiras dos bares, restaurantes, enotecas e supermercados.

Como se nada fosse, bares e restaurantes, das cidades turísticas, ignoram o problema e continuam metendo a mão nas carteiras de milhões de turistas que, exaustos e suados, perambulam, como zumbis, pelas ruas da saariana Europa.....



Raras as garrafas nas mesas e o outrora alegre festival de copos cheios.... Nem pensar.

A crise do vinho parece não ter fim, mas, finalmente, muitos produtores e outros tantos supermercados, acordaram e encontraram o caminho das pedras: Baixar os preços

Enquanto os bares e restaurantes, ainda sonham com os anos dourados das décadas 80-90 e continuam praticando a brasileiríssima e anacrônica política do “vender pouco e ganhar muito” inúmeros produtores e supermercados percorrem um caminho exatamente oposto: ganhar menos e vender mais.

Resultado?

O “Sommerdier de Bicicleta” recomenda, aos ricos brasileiros, um “Brunetto/ Adiós, Pampa Mia” por míseros R$ 260,00


Bira Wines Brunetto 2018

PRODUTOR:
Bira WinesPAÍS:
ArgentinaREGIÃO                                                                           SELLER:
World Wine

R$ 260

 

 

Enquanto isso, o “pobre” italiano é obrigado a gastar 20 Euros (R$ 120) para beber um Brunello di Montalcino original e verdadeiro.




Brunello di Montalcino DOCG 2020 Casalino

0,75 ℓ

Sconto 40%
19,70 €


Mas nem sempre a vida é justa e nem todo tem a sorte de nascer no Brasil onde os enófilos podem contar com um com$ultor vinícola, altamente venal, como nosso “Sommerdier de Bicicleta”......



Esqueçamos, por enquanto, o Maranhão vinícola e vejamos como andam os preços na Europa.

Abaixo os amigos (inimigos, também...) poderão verificar o quanto os preços estão despencando na Itália.






Um aviso precaucional: Deixe um Isordil ao seu alcance!

Bacco






 

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

BRUNELLO & BANDONEON

 


Acreditei, piamente, que, com a aposentadoria das velhas raposas da crítica, dos patéticos “sommerdiers”, dos incontáveis e inúteis cursos sobre vinho, dos idolatrados enólogos e de todos os farsantes, que durante décadas emporcalharam o cenário vinícola do Brasil, o enófilo brasileiro teria, finalmente, acesso a informações mais sérias e confiáveis.




Descansem em paz, Bilu Didu Teteia, Beato Salu, Assado Assada, Marcelinho Pão e Vinho Copelinho, Arrebola Rebola, Renata Corvo di Salaparruta, etc. etc. etc.

 Não pude deixar de sorrir “monalisticamente” para comemorar a “aposentadoria” dos nossos velhos “sommerdiers”, mas, mais uma vez, minha alegria, como a fumaça que passa e se esgarça no ar ("Ponto Final" recomendo a interpretação de Dick Farney), pouco durou e devo confessar que, apesar dos pesares, os velhos pilantras eram menos ridículos dos que os da nova safra, mais conhecidos pela alcunha de “influencers-sommerdiers”.



Os “Influencers”, que invadiram, como gafanhotos famintos, as redes sociais, demonstram, também, não possuir o mínimo preparo, conhecimento técnico, experiência vinícola e transpiram total ignorância sobre regiões e “terroirs” onde os vinhos comentados são produzidos.

Os novos eno-picaretas, se apoiam, como já fazia a geração anterior, nas informações do Google ou repetindo scripts das importadoras e produtores.

Nada mudou, aliás, tudo piorou.

A facilidade de navegar nas redes sociais, com total e impune imbecilidade, abriu as portas para multidões de “enoloides” que não distinguem um Merlot de um Prosecco.


Para agregar um pouco de alegria, aos dias não tão risonhos que estamos vivendo, foquei minhas atenções em três expoentes da nova geração de “influencers”: Marianne “Maranhão” Piemonte, Leandro “Hyde” Baena, cuja videira faz chorar (e não só chorar…) os enófilos que, infelizmente, o seguem e Rodrigo “Bicicleta-Muleta

que, com seu sorriso plastificado, deveria abandonar os vinhos, que pouco conhece e se dedicar à divulgação de dentifrícios

O último vídeo, do Rodrigo Muleta, me despertou, abruptamente, do letargo vinícola em que me recolhera nos últimos dias.

https://youtu.be/78fK-0Ot2t8?is=YF2Vs-zyr45RnvAd

Qualquer enófilo, até mesmo um iniciante, se assistir ao vídeo do Muleta, precisará correr, imediatamente, até banheiro para vomitar.

É inacreditável que alguém, com mais de três neurônios, acredite nos conselhos e informações do eno-risonho Rodrigo Muleta.

 Para início de conversa é preciso informar, que o ciclista dos quase vinhos, não sabe se expressar corretamente em português e seu italiano é ridículo.



 Logo no começo, do “vídeo-propaganda-argentina”, o ciclista esquece o “I” e pronuncia “TALIANO” em seguida retira o acento do pobre cozinheiro “NICOLÒ”,

Se as línguas, portuguesa e italiana, são maltratadas e achincalhadas, pior ainda é o tratamento que, o ciclista de muleta,  reserva às garrafas.

O sorriso plastificado, do nosso atleta de muleta, serve apenas para disfarçar a total falta de conhecimento vinícola para poder se aventurar, com segurança, pelas vinhas e vinhos de Montalcino.

Se a vinícola milongueira pagou, pelo vídeo-pastelão, de Rodrigo Muleta, mais de 100 Pesos, jogou dinheiro fora. 

 


O vídeo inicia, como de costume, com o Muleta exibindo um sorriso plastificado tão animador e contagiante quanto o de uma hiena.

Depois de alguns minutos de informações saudosas, penosas e melosas, sobre a saga dos imigrantes “talianos”, nosso ciclista   inicia um desfile de eno-cagadas dignas do “Guinness-Shit- Of-Records”.



Não tenho tempo e nem estômago para comentar tanto estrume, mas algumas imbecilidades precisam ser corrigidas.

1º- O Brunello di Montalcino é produzido exclusivamente com uvas Sangiovese Grosso provenientes de vinhas (2.100 hectares), cultivadas no município de Montalcino.

2º - Em 2008, para tornar o Brunello menos complexo, mais macio e mais pronto para beber, várias vinícolas picaretas adicionaram uvas Merlot e Cabernet Sauvignon à Sangiovese Grosso.



 Resultado: Um enorme escândalo que envolveu nomes famosos como  Antinori, Casanova di Neri, Argiano, Frescobaldi, Banfi etc.  1,8 milhão de garrafas de "Cabernello” sequestradas e 16 pessoas condenadas

A Bira Wines, produtora do vinho promovido pelo nosso Bicicleta de Muleta, com a maior cara de pau e sem nenhum resquício de pudor, lança um vinho duplamente e intelectualmente falsificado: vinificado na Argentina e com 20% de  Merlot e Syrah  

3º - Caro ciclista de muleta, apague seu tolo sorriso e peça, a seus amigos argentinos, para levarem o bandoneon e o patetico "Brunello Frankenstein" para outra tangueria... 

O Brasil já está mais que bem servido de vinícolas picaretas.



Mais uma coisa: Los Hermanos não querem fazer uma homenagem ao grande vinho toscano, querem apenas usar o nome de uma DOCG mundialmente famosa e, através de ridículos vídeos, como o seu, vender gato por lebre.

Montalcino, sua tradição vinícola e seu magnifico território não merecem tamanha pilantragem.





By the way….O Brunello argentino deve ser parente próximo do insuperável caviar maranhense.......



Dionísio

sábado, 22 de agosto de 2026

SALMÃO COM MANGA

 


Santa Margherita Ligure, pequena localidade, de 9.000 e poucos habitantes, um dos endereços mais badalados, caros e sofisticado da Riviera Lígure, mais 50 restaurantes, pizzarias, trattorie, osterie etc. deveria ser um paraíso gastronômico, no entanto, classificá-la como purgatório da boa mesa já seria um elogio exagerado.



 As cozinhas, banais e pouco inventivas, de quase todos os restaurantes, não buscam e não demostram nenhum desejo ou coragem de mudar, tentar algo diferente, inovador.





Acomodados e conformados, os restaurantes da cidade continuam com os mesmos cardápios há décadas: Fritto Misto (peixes e molusco fritos), Trenette al Pesto (macarrão com molho de manjericão), Spaghetti alle Vongole (macarrão com marisco) Pesce alla Ligure (Peixe à moda), Acciughe impanate (anchovas à milanesa) etc. etc. 



Um dos poucos restaurantes que merecia ser destacado era o “L’Approdo”, mas infelizmente o chef, Felice Bianchi, sofreu um AVC e os gourmets, de Santa Margherita, não mais apreciarão seu famoso linguado ao Champagne e linguado ao molho de canela.

https://baccoebocca-us.blogspot.com/2022/01/linguado-ao-champagne.html

Conformado, com o deserto gastronômica da maioria, meus endereços prediletos continuam sendo o “Santa Lucia”, “Il Patio”, “Da Alfredo” e “La Nuova Cesarina” Restaurantes com bons preços, pratos bem feitos, bom atendimento e razoáveis cartas de vinho ....

Em um dia chuvoso, ventoso e frio, resolvi almoçar no “Il Patio”…fechado



Imitando um Gene Kelly maranhense e cantando “Singing in The Rain” percorri outros 400 metros para alcançar o, também fechado, “Santa Lucia”.

Antes de voltar à chuva, imitando mais uma vez   Gene Kelly e pegar uma pneumonia, resolvi telefonar para o “Da Alfredo”......fechado, também.

Contiguo, ao “Santa Lucia”, há o restaurante “Levante” que jamais frequentei.



Quase sempre vazio, preços salgadinhos, decoração triste e ambiente melancólico, nunca me estimularam a provar sua cozinha, mas..... Estava aberto

O insistente temporal, o estômago roncando e um prato, do menu fixado na parede, me convenceram que chegara a hora de conhecer o “Levante”

O prato sedutor? “Salmone al Mango” (salmão ao molho de manga)

Deveria ter continuado a caminhar na chuva até pegar uma pneumonia..... O “Salmone al Mango” foi um dos piores pratos que já provei

Um horror!

O peixe, até razoável, mas para realizar o “molho de manga” o cozinheiro (será?), simplesmente, abriu uma latinha de suco da fruta e derramou o conteúdo sobre o salmão.

Um conselho: Nunca “sente” no “Levante”......



A ideia da manga com salmão, todavia, não me saia da cabeça e no dia seguinte resolvi realizar o prato.

Tentei três vezes e finalmente consegui obter o sabor que me convenceu.

Eis a receita para 4 pessoas

INGREDIENTES

4 pedaços de salmão, polpa de 3 mangas bem maduras (usei a Palmer), 3 colheres de mostarda de Dijon, com mel, (se não encontrar a mostarda com mel adicione ½ colher de mel à mostarda), 





1/2copo de creme de leite fresco, uma colher de casca de limão, algumas gotas do mesmo limão (6/8) uma xicara (café) de vinho branco seco, sal a gosto.

PREPARO

Em uma frigideira derreta três colheres de manteiga, salgue e frite os filés de salmão (+ou- 4 minutos cada lado).



Enquanto o salmão frita, junte a polpa de maga e todos os outros ingredientes em uma pequena panela e bata com o mixer até obter um creme sedoso.

Na hora de servir derrame um pouco do creme de manga em um prato e coloque o salmão sobre a salsa.





Para beber?

 Um bom espumante ou um Chardonnay chileno.

Bacco

PS. As quantidades sugeridas, na receita do creme de manga, não são “intocáveis”.

Se alguém gosta mais salgado, adicione sal.

Prefere mais picante? Aumente a mostarda

Mais doce? Mais mel e.....por aí vai.

Enquanto se prepara, o molho, é sempre bom provar e, se for preciso, corrigir.



Lembre-se: Receitas não necessitam balança de alta precisão, basta ter bom senso e bom gosto.

Mai uma coisa: Se não gostar de fritura, o salmão cozido no vapor é perfeito, também

sábado, 8 de agosto de 2026

FREISA DI CHIERI

 


Há vários anos percebo claros sinais de que o vinho avança, irracionalmente, para uma longa e severa crise: é um jogo de cartas marcadas e sem um final feliz.

Minha percepção foi crescendo na exata medida em que o segmento, mais e mais, apostava no “Vinho Moda”, “Vinho Status”

As garrafas deixavam de frequentar as mesas das famílias, das “trattorie” e dos botecos plebeus, para triunfarem nos brilhantes e cristalinas taças dos restaurares e bares estrelados.



Que algo estava errado e que a conta um dia chegaria, já sabia, mas os números, revelados por Bacco, em suas últimas matérias, me surpreenderam: O vinho está, realmente, correndo ladeira abaixo e.....sai de baixo!

Devo, todavia, confessar que, para mim, pouco ou quase nada vai mudar, pois há muitos anos deixei de acreditar que etiquetas badaladas e altos preços fossem sinônimos de insuperável qualidade.

Nenhum vinho deveria custar mais do que 50 Euros.



Antes que os eno-patriotas e eno-palermas, fãs incondicionais de etiquetas famosas, enviem comentários, raivosos e ofensivos, contra minha ascendente feminina, informo que no final dos anos 1970 uma garrafa de “Barolo Riserva Monfortino”, da premiada vinícola, Giacomo Conterno, custava 5.000 Liras que correspondem, aproximadamente, a 3 Euros nos dias atuais

 Informo, ainda, que o mesmíssimo “Barolo Monfortino Riserva”, continua sendo vinificado com uvas colhidas nas colinas de Serralunga D’Alba, na mesmíssima vinha “Cantina Francia”, engarrafado na mesmíssima adega da mesmíssima família Conterno, mas hoje custa 900/1.200 Euros.



Monfortino Riserva Giacomo Conterno 2015

1300,00 €




Taí, uma das razões que afastaram as garrafas das mesas das famílias, dos bares e dos restaurantes em todos os cantos do mundo: O vinho se transformou em artigo de luxo e luxo, mesmo falsificado, é caro....

Depois de anos e anos percorrendo a trilha do insano e irreal “eno-patetismo-vinícola”, finalmente, me libertei dos sommeliers, enólogos, influenciadores, críticos, modismos, tudo e todos que contribuíram para a mitificação do vinho, assim, hoje, minhas garrafas mais caras muito raramente ultrapassam os 50 Euros.



Adeus às inúteis, dispensáveis e caríssimas garrafas de “vinho-modismo”.... Bem-vindos, finalmente e ainda bem, “vinhos-pobres”: Grignolino, Schiava, Pelaverga, Coda di Volpe, Albarossa, Incrocio Manzoni, Bardolino, Lambrusco, Soave, Freisa etc. etc. etc.



“E por falar em saudade onde anda você…Freisa di Chieri? ”

Serpenteando pelas gôndolas, de um supermercado, à procura de algumas garrafas para reabastecer minha “maranhense” adega, meus olhos encontraram, quase escondidas, entre outras etiquetas mais importantes, “ampolas” de “Feisa di Chieri Frizzante” por 8,70 Euros”.



Pensei: “Freisa di Chieri, há quanto tempo a gente não se vê.....”

Sem titubear e com um pueril sentimento de alegria, agarrei três garrafas e as coloquei no carrinho.

Com o intenso calor, que há semanas castiga o continente europeu e quase derrete o asfalto das ruas, somente “sommeliers de bicicleta” ou outros palermas do mesmo naipe (há inúmeros...) beberiam um vinho tinto muito alcoólico e mastigável.

Um bom branco, um belo espumante, ou um tinto leve, após rápida passagem pelo refrigerador, refrescam e alegram até os mais “fervente” coração.



Chieri, pequena, cidade distante apenas 20 km da belíssima Torino, é uma válida opção para o turista que já não aguenta as multidões que, parecendo hunos, invadem as mais badaladas cidades turísticas da Europa.

O belo centro medieval, a majestosa catedral, o gueto hebraico e o museu da indústria têxtil, são atrativos que a cidade oferece e merecem ser visitados.

Para os enófilos, todavia, nada é mais a “atraente” do que um ótimo vinho produzido na região: “Freisa di Chieri”.



As vinhas de Freisa aparecem nas colinas de Chieri desde a era romana, mas somente na idade média (1517) o vinho é devidamente reconhecido e documentado.

Hoje a área cultivada é de aproximadamente 90 hectares e 9 produtores engarrafam três tipologias de Freisa: Seco, Frisante e Espumante.

Minha preferida, desde sempre é a versão frisante.



A bela cor rubi, a espuma fina, quase alegre, os perfumes delicados, o paladar harmônico e elegante, do “Freisa Di Chieri 2024”, da vinícola Balbiano, doam ao enófilo, que quer fugir das mesmices dos “vinhos moda”, uma agradável e alegre companhia para os aperitivos nos finais de tarde, mesmo nos dias de intenso calor.



Um belíssimo vinho por menos de 10 Euros que recomendo com prazer e entusiasmo

 

Dionísio