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segunda-feira, 23 de março de 2026

LADEIRA ABAIXO 2

 


Nas últimas décadas os produtores, dos mais importantes países vinícolas, nadaram em um mar de rosas, ganharam dinheiro, notoriedade e fama hollywoodianas.

Nem todos, sei disso, mas uma parcela significativa de viticultores nunca imaginou que em tão curto espaço de tempo sairia das vampirescas penumbras das adegas para o brilho dos holofotes nos badalados eventos espalhados pelos 4 continentes.



O valor de suas terras, em muitos casos, atingiu a estratosfera, os vinhos acompanharam a valorização; parecia que o paraíso vinícola criara raízes na Borgonha, Piemonte, Toscana, Bordeaux etc.

Exemplo 1: Nos anos 1970 1 hectare de vinhedo/Barolo valia 10/20 milhões de Liras (+ ou – 5.000/10.000 Euros)

Hoje os mesmíssimos hectares podem superar facilmente os 2 milhões de Euro

Exemplo 2: Em 1970 uma garrafa de Brunello di Montalcino, de boas vinícolas, custava 2.500/5.000 Liras (+ ou – 1,25/2,5 Euros)

Um trabalhador ganhava, em média, naqueles anos 1970, 300.000 Liras,

Nosso amigo Giovanni, com seu salário, poderia, então, comprar e encher a cara com 87 garrafas de Brunello.



Giuseppe, filho de Giovanni, em 2026, leva para casa 1.200 Euros mensais com os quais pode comprar “apenas” 30 garrafas de famoso vinho toscano.

A exagerada elevação dos preços foi uma das principais causas que contribuíram pela diminuição do consumo e consequente crise do setor.

Os produtores, de alguns vinhos mais badalados e mais caros e que durante décadas encheram as burras de dinheiro, começam a perceber que o mar de rosas já não está tão rosado e choram ao constatar que 75 milhões de garrafas de Barolo e 22 milhões de garrafas de Barbaresco, mofam, nas adegas piemontesas, à espera de cada vez mais raros compradores.



A crise atinge todos os grandes produtores mundiais que precisarão, urgentemente, se adaptar aos novos gostos e exigências dos consumidores (especialmente os mais jovens) que já não dá a mínima para vinhos badalados, caros, parkerianos, todos iguais, muito alcoólicos etc. que dominaram os mercados até agora.

Ou mudam o rumo ou ...... viva a cerveja, gin-tônica, spritz, vinhos com 5º/9º de álcool ou, pasmem, analcooólicos.

Alguns dados reveladores: Na Itália, em 2025, o consumo per-capita de cerveja já alcançou o do vinho se aproximado dos 38 litros/ano

Na França o panorama é quase igual: Vinho 33 litros/ano, cerveja 28 litros/ano.



O pior pesadelo atinge os produtores de vinhos tintos muito encorpados, alcoólicos, quase mastigáveis, que perdem, velozmente, terreno para os brancos, rosados, espumantes mais baratos (Prosecco campeão que não conhece crise...) e tintos, frescos, leves que representem o território e não Parker, Michel Rolland-Lero, Barolo Boys e Cia.

É a volta triunfante do Lambrusco e da redescoberta do Verduno Pelaverga, Frappato, Schiava, Freisa, Gamay, Bardolino, Valpolicella, Pinot Noir etc.



Grande atenção deverá ser prestada aos vinhos portugueses (insuperáveis lideres nos quesitos qualidade-preço e identidade territorial), aos crémant franceses, sekt alemães etc. etc. etc.



O setor vinícola cometeu uma interminável série de erros estratégicos, técnicos e comerciais apostando em perpetuar uma linguagem complexa, elitista (quase um idioleto linguístico) criando tolas barreiras ao ingresso das novas gerações que encontraram, na cerveja, coquetéis e outras bebidas, respostas, mais simples, fáceis e....mais baratas.



Eu, que há anos abandonei Parker, seus filhotes e seus vinhos, vejo, com grande satisfação, que estava certo.



Viva o Lambrusco!

Bacco

terça-feira, 17 de março de 2026

LADEIRA ABAIXO

 


“NA CONTRAMÃO”, a mais recente matéria de Dionísio, me estimulou a escrever algo sobre a impressionante e irrefreável crise que atinge o mundo vinícola

Vivi parte de minha infância cercado por garrafas de vinho, na juventude apendi a conhece-lo e apreciá-lo, na maturidade resolvi aprofundar, minha “eno-cultura”, percorrendo, inúmeras vezes, todas as regiões vinícolas mais importantes da França e Itália, assim, creio poder afirmar, com segurança, que durante 50 anos fui espectador, atento e privilegiado, da impressionante ascensão e sucesso alcançados pelo vinho em todos os cantos do planeta.



Non recordo outra bebida alcoólica ter sido mais valorizada, badalada, glamourizada e quase divinizada como foi, nas últimas décadas, o vinho.

Exagero?

Bastaria lembrar quantos críticos, sommeliers, revistas, já classificaram, sem o mínimo pudor, “obra de arte” uma simples garrafa de vinho.



Até o início dos anos 1970 as garrafas etiquetadas muito raramente frequentavam mesas de bares e restaurantes e os produtores vendiam quase a totalidade da produção em garrafões de 5-10-20 e até de 54 litros.



O vinho era o companheiro alegre e fiel nos almoços, jantares, nas conversas nos bares, com amigos, promotor de risadas, descontração, mas nunca protagonista ou objeto de quase liturgia.



Vinho, era vinho e somente vinho!

No início dos anos 1980, com o surgimento da crítica especializada, o vinho inicia sua caminhada para se transformar em “Status Simbol”, um vetor cultural, deixa de ser apenas uma bebida para se transformar em refinado estilo de vida.



Surgem incontáveis cursos de sommeliers que “ensinam” como degustar e encontrar, na taça, aromas de terra molhada, tabaco, flores vermelhas, flores brancas, especiarias, verniz, brioche, café, couro etc., sabores de mirtilos, framboesas, amoras, cerejas, frutas maduras, melão, maça verde, pêssego......

Eram dias em que se alguém não “descobrisse” complexidade, frescor, taninos, mineralidade, salinidade, acidez, longo final, untuosidade etc., em uma simples taça de vinho, era considerado “eno-pária”.



Nenhum exagero parecia absurdo, fantasioso, irreal e os sommeliers, críticos, jornalistas, enólogos etc., com a maior cara de pau, poderiam perceber, na taça, até aroma de unha encravada sem serem ridiculizados, desacreditados

Exagero?

Releiam algumas matérias 

   

https://baccoebocca-us.blogspot.com/search?q=manoel+beato

https://baccoebocca-us.blogspot.com/2013/12/cuidado-com-o-salame-do-gladston.html#comment-form  

https://baccoebocca-us.blogspot.com/2017/07/o-irmao-do-beato-salu.html

Em 1987 o mundo da moda (LVMH) aporta nas vinhas e os enófilos começam a entrar pelo cano......

Era dada a partida para era do vinho ostentação: O vinho abandonava o popular e tosco copo de vidro para repousar, definitivamente, nas titilantes taças de cristal, se possível, Zalto.



A corrida para o estrelato já foi abordada diversas vezes em B&B e não é preciso comentar mais uma vez, mas acredito que os produtores já perceberam (tardiamente...) terem esticado demasiadamente a corda.

 É chegada a hora de abandonar, esquecer, os Parker’s Boys, as taças Zalto, vinhos ostentação, vinhos “obra de arte” e todas as bobagens que elevaram, a popular bebida, a um pedestal dourado.

 É preciso voltar à terra, repensar o vinho e tentar “conversar” com as novas gerações.



O comentário “anônimo”, que abaixo transcrevo, acerta na mosca e antecipa a segunda parte da matéria

 

Anônimo8 de março de 2026 às 16:37

Quanto à matéria, sempre atual, genial de Dionísio, tento no comentário manter-me ao tema. Álcool será endemoniado em breve ( ou já está sendo?), meus filhos tem uma relação com álcool bem diferente da que tive quando mais novo. O consumo despencou, terão que fazer vinhos realmente bons, acessíveis e tranquilos, senão.. cemitério de produção. Muitas novas vinícolas brasileiras “ já premiadas” vão voltar ao pasto de braquiária com seus respectivos cupinzais

 

Bacco

quarta-feira, 4 de março de 2026

NA CONTRAMÃO

 


Enquanto o mundo vinícola luta contra uma crise, que parece não ter fim, o Brasil surge como o novo “Eldorado” das vinhas e dos vinhos.

Difícil acreditar, mas enquanto Espanha, França, Itália e Portugal, já não sabem o que fazer com o mar de vinho que mofa nas adegas à espera de compradores, que não aparecem, no “Maranhão das Uvas”, raro o mês em que não aparece, na mídia, uma nova, bem-sucedida e pasmem, mundialmente premiada vinícola.



Agora é a hora e vez das desconhecidas vinhas da “CasaTés”, empresa localizadas nas misteriosas colinas do incógnito município de São Sebastião da Grama.


https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2026/02/28/vinho-de-sp-esta-em-lista-de-melhores-do-mundo-veja-entrevista-com-enologa.htm

A “Casa Tés”, como todas as vinícolas que surgem do nada e correm para o nada, é jovem (nasce em 2017).

Graças aos abençoados morros da Serra da Mantiqueira, já em 2025, seu Sauvignon Blanc, “Grama Branco”, foi escolhido, em um dos milhares de concursos picareta$ espalhados pelo planeta, como um dos 115 melhores vinhos do mundo.



Reportagens manjadas e pagas, enólogo$, crítico$, influencer$ e sommelier$ de vida fácil, derramam elogios ao mais novo “milagre” enológico brasileiro que, apesar da pouca idade, já apavora os viticultores de toda a Val de Loire que, coitados, demoraram mais de 500 anos para obter o mesmo resultado que os gênios brasileiros, de São Sebastião da Grama, conseguiram em apenas 8.  

Nosso novo milagre enológico sabe se impor e, tal qual uma bela e recém-chegada "modelo", num puteiro, somente entrega seus 13,5º de álcool aos que desembolsarem, pelo menos, R$ 522,00.

Sancerre 'Comte Lafond' Baron de Ladoucette 2024

34,50 


Os produtores nacionais investem maciçamente em propaganda, matérias pagas, marketing etc., apostando na total imbecilidade dos enófilos brasileiros, pois somente um imbecil desembolsaria R$ 522,00 para comprar uma garrafa de Sauvignon Blanc produzida na obscura São Sebastiao da Grama enquanto os franceses pagam  25/35 Euros por ótimos Sancerre ou Pouilly Fumé.

Hubert Brochard - Pouilly Fumé 2023 - 75cl



23,90 €



Você que, por alguma recôndita razão, gosta de beber perigosamente, se quiser degustar a mais nova pérola da viticultura nacional, deverá pedir, por favor, entrar na fila e aguardar a chamada para poder levar para casa o premiado Grama Branco”



A “CasaTés”, a título de brinde, enviará para cada comprador de seu Sauvignon Blanc, 50 kg de grama fresca..... Somente um eno-asno gastaria R$ 522,00 por um vinho de São Sebastião da Grama.



Enquanto o Brasil vinícola vive momentos de glória e esplendor, na Europa, os ultrapassados e incompetentes viticultores não conseguem sair de uma crise que há anos atinge o setor.

Alguns exemplos: Em 1960, na França, o consumo per-capita era de aproximadamente 100 Litros.

Em 2025 o francês mal conseguiu beber 1/3 (33 litros) do que seus avós enxugavam 

Em 1960 os vinhedos franceses cobriam 1,4 milhões de hectares. Em 2025 a área foi reduzida para “apenas” 744.000 hectares.

Enquanto o Brasil, Maranhão vinícola, transpira pujança e esperança, a União Europeia acaba de autorizar um financiamento de 40 milhões de Euros para ajudar os produtores franceses a destilar 1,2 milhões de hectolitros de vinho (160 milhões de garrafas) que mofam, à espera de improváveis compradores, nas adegas gaulesas.



Enquanto isso, em São Sebastiao da Grama, a “CasaTés” faz “fiofó doce” para vender um Sauvignon Blanc por nada módicos R$ 522,00......



10 caixas de Plasil, por favor......

Dionísio

 

 

 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

PIEMONTE OU MARANHÃO?

 




Jamais acreditei e continuo não acreditando, que os críticos, revistas, jornais, sommelier guias e outros meios de divulgação vinícola, emitam seus julgamentos, votos, opiniões, sugestões, pontos, estrelas etc. de forma totalmente independente e honesta.

 Sempre acreditei que “alugassem” suas canetas aos produtores que abrissem generosamente suas carteiras.



Não escapava quase ninguém, mas é preciso reconhecer que os Parker, Veronelli, Robinson, Suckling, etc. da vida, adoravam $$$$, mas entendiam de vinho.

A primeira preocupação era a grana, mas eles possuíam conhecimento, credibilidade e o poder para influenciar milhões de enófilos espalhados pelo mundo.



Os “Deuses”, da crítica vinícola, espalharam filhotes em todos os cantos do mundo, crias que jamais conseguiram alcançar o sucesso dos Olímpicos pais.

No Brasil, Maranhão dos vinhos, também, presenciamos o surgimento de patéticas figuras que tentaram imitar os Olímpicos ancestrais, mas o que vimos foi um bando de sedentos frequentadores de degustações gratuitas que lambiam as botas dos importadores e produtores para conseguir levar algum $$$ para casa.



Não lembro de todos, mas o palhaço Bilú Didú Teteia, o escalador de cruzeiros medievais Beato Salu, o cândido Marcelinho Copelinho Pão e Vinho, Diego Arrebola que rebolou , rebolou, mas nunca foi além de eterno candidato a melhor sommelier do Maranhão,  a Susana “Lexotan” Barelli e a Alexandra “Knockout” Corvo, tiveram alguma visibilidade e sucesso, entre os eno-palermas, mas foram gradativamente descartados e esquecidos por seus patrocinadores (importadoras e produtores) que já não precisavam de suas inutilidades.

É a vez e hora dos “influencers idiotizantes”.

Há de tudo e para todos, desde um “Sommelier de Bicicleta” até um cirurgião que deveria abandonar a profissão (cirurgião que bebe, treme.....) e dedicar-se somente à sua nova paixão: Apologista dos quase-vinhos-nacionais (vai ter bom gosto assim na......)



Os “modernos” e patéticos influencers, por sua vez, são vítimas de seus seguidores, eno-palermas, que os abandonam no exato momento em que aparece um influenciador ainda mais idiota.

A mediocridade cresce graças à internet que aceita tudo de todos.

Cabe, então, ao consumidor, mais consciente, fugir (ou pelo menos tentar) dos picaretas de plantão.

A fuga se torna mais difícil quando a grande mídia adere à desinformação contratando pessoas incompetentes e sem sólidos conhecimentos do assunto (vinho).

Estou me referindo à revista “Veja” que publica, sem nenhum pudor, a ridícula e patética coluna “Al Vino”, comandada (até quando.?) pela ridícula Marianne Piemonte.



É difícil escolher qual a matéria mais grotesca já escrita pela Marianne, pois a cada nova publicação ela se supera e consegue piorar.

Em uma das últimas reportagens, a Piemonte, dedica ao Barolo um dos piores artigos que já li sobre o grande vinho piemontês:



 O MOVIMENTO QUE SALVOU A IMAGEM DOS ICÔNICOS BAROLO DE VIRAR VINAGRE

https://veja.abril.com.br/coluna/al-vino/o-movimento-que-salvou-a-imagem-dos-iconicos-barolo-de-virar-vinagre/


1ª Mentira: Os “Barolo Boys” não salvaram a imagem do Barolo e nem a deles.



Quem “salvou” o Barolo foi o enólogo francês Louis Oudart que, por volta de 1830, aperfeiçoou técnicas de vinificação, transformou o Barolo, de então, adocicado e frisante, no vinho seco e austero que hoje conhecemos.

2ª Mentira: Os Barolo Boys, não foram os responsáveis pelo “boom” do Barolo pois os preços do vinho permaneceram, praticamente, estáveis desde 1970, quando uma garrafa custava Liras 12.000, até 1994 quando custava 13.000 Liras



Em 1994, Robert Parker publicou, em sua revista, um artigo elogiando vivamente o Barolo e foi então que, imediatamente, a garrafa passou a valer Liras 36.000.

Começava, aí, o sucesso do vinho, dos “Barolo Boys”, graças ao “empurrão” de $$$$ no bolso do Parker

Há mais mentiras, pois o artigo, encomendado pelo produtor Conterno Fantino e importadoras brasileiras, sempre revela apenas meias verdades.



A nossa Marianne “Maranhão” Piemonte, não revela, por exemplo, o pouco que restou daquela “revolução”, daquele entusiasmo e que pouquíssimos são os viticultores que atualmente ainda adotam as técnicas vinícolas dos “Barolo Boy” cujos vinhos já entraram no esquecimento.

Nossa quase Piemonte, também não informa que, atualmente, os fabricantes de “botti” produzem 80% de grandes e médios toneis e 20% de barriques, pois a vinificção voltou quase totalmente à velha escola.



Os vinhos dos “Barolo Boys”, superconcentrados, com baixa acidez, muita cor e muito álcool, amados pelos parkerianos, endeusado pelos críticos, guias, revistas etc. hoje mofam nas prateleiras.

O mercado fez justiça!

Os consumidores cansaram de “marmeladas vinícolas” e buscam vinhos que representem o território e garrafas onde possam encontrar as reais características da uva.



 Marianne “Maranhão” Piemonte e sua consultora Elisa Conterno Fantino, deveriam ter vergonha de fazer a apologia de uma “revolução”, que pouco durou, já morreu e deveriam mencionar aqueles que a combateram e venceram:  Renato Ratti, Massimo Martinelli, Giacomo Conterno, Aldo Conterno, Bartolo Mascarello, Giuseppe Rinaldi, Teobaldo Castellano, Bruno Giacosa, Giacomo Borgogno........



Mais uma coisa, Marianne “Maranhão”: Antes de se aventurar no complicado idioma peninsular, procure o Google

Quando você escreve: “…na icônica cena em que Elio Altare surge atacando “um botti” com uma motosserra” ...... "Caríssima Marianne, tu hai scritto uma bella e grande cagata”



 “Botti” é o plural de “botte” e, olha o ocaso, “botte” é um substantivo feminino então...... “um botti”?

Marianne, sua matéria é tão correta quanto o seu italiano

Dionísio