Enquanto o mundo vinícola luta contra uma crise, que parece
não ter fim, o Brasil surge como o novo “Eldorado” das vinhas e dos vinhos.
Difícil acreditar, mas enquanto Espanha, França, Itália e
Portugal, já não sabem o que fazer com o mar de vinho que mofa nas adegas à
espera de compradores, que não aparecem, no “Maranhão das
Uvas”, raro o mês em que não aparece, na mídia, uma nova, bem-sucedida
e pasmem, mundialmente premiada vinícola.
Agora é a hora e vez das desconhecidas vinhas da “CasaTés”,
empresa localizadas nas misteriosas colinas do incógnito município de São Sebastião da
Grama.
https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2026/02/28/vinho-de-sp-esta-em-lista-de-melhores-do-mundo-veja-entrevista-com-enologa.htm
A “Casa
Tés”, como todas as vinícolas que surgem do nada e correm
para o nada, é jovem (nasce em 2017).
Graças aos abençoados morros da Serra da Mantiqueira, já em
2025, seu Sauvignon Blanc, “Grama Branco”,
foi escolhido, em um dos milhares de concursos picareta$ espalhados pelo
planeta, como um dos 115 melhores vinhos do mundo.
Reportagens manjadas e pagas, enólogo$, crítico$, influencer$
e sommelier$ de vida fácil, derramam elogios ao mais novo “milagre” enológico
brasileiro que, apesar da pouca idade, já apavora os viticultores de toda a Val
de Loire que, coitados, demoraram mais de 500 anos para obter o mesmo resultado
que os gênios brasileiros, de São Sebastião da Grama, conseguiram em apenas 8.
Nosso novo milagre enológico sabe se impor e, tal qual uma
bela e recém-chegada "modelo", num puteiro, somente entrega seus 13,5º de álcool
aos que desembolsarem, pelo menos, R$ 522,00.
Sancerre 'Comte Lafond' Baron de Ladoucette 2024
Os produtores nacionais investem maciçamente em propaganda, matérias pagas, marketing etc., apostando na total imbecilidade dos enófilos brasileiros, pois somente um imbecil desembolsaria R$ 522,00 para comprar uma garrafa de Sauvignon Blanc produzida na obscura São Sebastiao da Grama enquanto os franceses pagam 25/35 Euros por ótimos Sancerre ou Pouilly Fumé.
Hubert Brochard - Pouilly Fumé 2023 - 75cl
Você que, por alguma recôndita razão, gosta de beber perigosamente, se quiser degustar a mais nova pérola da viticultura nacional, deverá pedir, por favor, entrar na fila e aguardar a chamada para poder levar para casa o premiado “Grama Branco”
A “CasaTés”, a
título de brinde, enviará para cada comprador de seu Sauvignon Blanc, 50 kg de
grama fresca..... Somente um eno-asno gastaria R$ 522,00 por um vinho de São Sebastião
da Grama.
Enquanto o Brasil vinícola vive momentos de glória e
esplendor, na Europa, os ultrapassados e incompetentes viticultores não
conseguem sair de uma crise que há anos atinge o setor.
Alguns exemplos: Em 1960, na França, o consumo per-capita era de
aproximadamente 100 Litros.
Em 2025 o francês mal
conseguiu beber 1/3 (33 litros) do que seus avós enxugavam
Em 1960 os vinhedos franceses cobriam 1,4 milhões de hectares. Em
2025 a área foi reduzida para “apenas” 744.000 hectares.
Enquanto o Brasil, Maranhão vinícola, transpira pujança e
esperança, a União Europeia acaba de autorizar um financiamento de 40 milhões
de Euros para ajudar os produtores franceses a destilar 1,2 milhões de
hectolitros de vinho (160 milhões de garrafas) que mofam, à espera
de improváveis compradores, nas adegas gaulesas.
Enquanto isso, em São Sebastiao da Grama, a “CasaTés” faz “fiofó doce” para vender um Sauvignon Blanc por nada
módicos R$ 522,00......
10 caixas de Plasil, por favor......
Dionísio

É uma demência infinita, mas já que o assunto é vinho branco bom e de bom preço, em Bologna, julho passado, conheci e me apaixonei perdidamente pelos vinhos brancos da uva pignoletto, vinhos tanto tranquilos quanto frizantes. Todos circulando por volta dos 10-15 euros a garrafa. Vinhos maravilhosos que infelizmente não chegam ao Brasil, onde somos afogados em mares de chardonnay/sauvignon blanc/moscatel, tudo ruim e barato ou médio e caríssimo... tinha até uma exceção num SB da serra catarinense chamado NUBIO que custava 45 reais, mas que subiu e sumiu...
ResponderExcluirProdutores e importadores de vinho, no Brasil, visam apenas meter a mão no nosso bolso assim, Pignoletto , Passerina, Erbaluce, Pecorino, Albana e mais de 200 casta brancas boas e barata que se......
ExcluirA vinícola Casa Tés está situada em uma altitude que ultrapassa os 1.000 m, com solos ricos em granito e excelente drenagem, fatores que favorecem maturação lenta das uvas e preservação da acidez natural. A amplitude térmica, diferença significativa entre temperatura diurna e noturna, é outra grande vantagem que intensifica a expressão aromática e a frescura no vinho. Essa combinação de características lembra, em certa medida, vinhedos de altitudes clássicas do Velho Mundo, algo que a própria vinícola usa como inspiração para buscar um estilo refinado de vinho.
ResponderExcluirA filosofia da Casa Tés é de mínima intervenção no vinhedo e na adega, com fermentações em tanques de concreto e inox e uso criterioso de barricas de carvalho francês para agregar estrutura sem dominar o caráter varietal.
O Grama Branco é um vinho que, em safras recentes (como a 2024), é elaborado com 90% Sauvignon Blanc e 10% Sémillon, introduzindo mais corpo e textura ao frescor vibrante típico da Sauvignon. Aromas vibrantes de frutas cítricas e notas de maçã verde, com nuances tropicais como pêssego, abacaxi e maracujá. Textura mais cremosa que muitos Sauvignon Blancs puros, graças à presença do Sémillon, equilibrando vivacidade e estrutura.
É bom SIM e é do Brasil!
Caro anônimo, belíssima propaganda do Grama Branco, mas após toda a ufanística explanação sobre altirude, temperatura, expressão aromática, frescura, inox, concreto, maçã verde, nuances tropicais, textura cremosa, vivacidade, estrutura etc. etc.etc. etc. aaaah .....esqueci que "SIM é do Brasil" , permanecem em minha mente algumas perguntas: Seu portentoso "SIM é do Brasil" de R$ 522, é melhor do que o Sancerre "Comte Lafont" de R$ 217 ? O custo para produzir o seu "SIM é do Brasil" é maior do que o da Baron de Ladoucette para engarrafar seu Sancerre? Sem esperar sua resposta e após uma rápida pesquisa, posso afirmar que NÃO! Um hectare em São Sebastião pode ser comprado por R$ 40/100 mil. Na região de Sancerre, sem desembolsar, pelo menos, 200 mil Euros (R$ 1.200.000) vai ficar sem vinho.... Mais uma coisa: O Salario na França é de 1.800 Euros ( R$ 11.300). A pergunta: Por que , então, os R$ 522 do "SIM é do Brasil" e os R$ 217 do "SIM é de Sancerre"?
Excluire o chatgpt segue comentando por aqui
ExcluirMas o que é isso?!?! Quem faz esse MKT da Lidio?????
ResponderExcluirLidio Carraro Shaar-Adonay
Uma homenagem à "rainha das uvas brancas", seu testemunho histórico e significado mais profundo: Shaar-Adonay, em hebraico, " Portas de Deus". Um vinho majestoso, profundo e luminoso.
https://loja.lidiocarraro.com/raridades/lidio-carraro-shhar-adonay
Como pode, alguém em sã consciência, deixar de comprar um SB do Loire por 200 e pouco e pagar mais de 500 por um nacional?
ResponderExcluirNão vejo muita dificuldade para responder sua dúvida. É só ver como é nosso país, o que está acontecendo com ele. O povo brasileiro tem que ser estudado. Faz coisas que ninguém entende.
ExcluirOi pessoal, aqui fala o Taga. Gostaria de tentar responder a essa pergunta. O Brasil está em gravíssima crise de pensamento crítico. Talvez não apenas o Brasil, mas o mundo, porém como nosso país parte de um ponto inicial pior que os demais, a coisa aqui fica mais evidente. O Brasileiro já não pensa, ele apenas assimila e repete, como um robô (não de IA, mas robô tosco dos anos 80). Se as "revistas especializadas" falarem que o vinho XPTO vale R$500 porque foi feito na grama de sei lá onde, ele vai automaticamente acreditar e viver com essa informação. Não questiona, não busca visões opostas. Isso não é mais exclusivo das classes baixas sem escolaridade, já contaminou todas as camadas sociais, o sujeito adota uma linha de pensamento (exemplo: esquerda / progressista / pro-mercosul ou então direita / Bolsonarista/ Israel / anti-vacina) e irá seguir de cabo a rabo tudo que essa linha mandar como se fossem ordens de Deus, não irá questionar nada. 1984 total. Com vinhos não seria diferente, em quase TODAS as rodas de conversa, mesmo da elite nacional, escuto que o espumante Brasileiro é o segundo melhor do mundo, é um mantra que não falha, uma "verdade incontestável."
ExcluirTaga.
Sendo um enobrasilóide
ExcluirMais uma: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2026/03/06/vinho-brasileiro-na-franca-como-surgiu-a-exportadora-vin-du-bresil.htm
ResponderExcluirSDS, Alexandre.
Vinícola gaúcha aposta em tradição piemontesa e anuncia projeto “Nebbiolo Original”, com primeira safra prevista para 2027
ResponderExcluirVale dos Vinhedos (RS) — A vinícola boutique Lidio Carraro, uma das referências da vitivinicultura brasileira contemporânea, anunciou um projeto ambicioso: a criação de um vinho chamado “Nebbiolo Original”, cuja proposta é resgatar técnicas clássicas de produção associadas ao tradicional vinho Barolo, ícone da região de Piemonte. A primeira safra do novo rótulo está prevista para chegar ao mercado em 2027.
O projeto nasce com o objetivo de explorar o potencial da uva Nebbiolo em terroirs brasileiros, especialmente na região de Encruzilhada do Sul, onde a vinícola mantém vinhedos desde o início dos anos 2000. A área integra a Serra do Sudeste gaúcha, um território que vem se destacando pela adaptação de variedades europeias de ciclo longo.
Segundo a empresa, o “Nebbiolo Original” pretende ir além de um simples vinho varietal. A ideia é recriar, dentro das condições brasileiras, elementos estruturais do estilo clássico de Barolo — como macerações mais longas, extração cuidadosa de taninos e um longo período de amadurecimento antes da liberação comercial. Esse conceito se inspira na tradição piemontesa que transformou a Nebbiolo em uma das uvas mais nobres do mundo do vinho.
A família Carraro, que atua na viticultura há várias gerações, tem histórico de projetos experimentais voltados à expressão do terroir brasileiro. A vinícola adota uma filosofia que privilegia mínima intervenção enológica e busca revelar a identidade natural da uva e do solo, abordagem que a própria empresa define como “vinho puro”.
Nos últimos anos, a Lidio Carraro também tem investido em iniciativas inovadoras — como a produção de vinhos fermentados em ânforas de terracota feitas com argila da própria propriedade, em um projeto que combina tradição ancestral com experimentação contemporânea.
A Nebbiolo já não é completamente inédita para a vinícola. Rótulos anteriores, como o “Singular Nebbiolo”, demonstraram que a variedade pode apresentar boa adaptação ao clima e aos solos da Serra do Sudeste, produzindo vinhos estruturados, com taninos firmes e notas aromáticas de frutas vermelhas, especiarias e toques terrosos característicos da casta.
Com o “Nebbiolo Original”, no entanto, a proposta é mais ambiciosa: criar um vinho de guarda prolongada, inspirado diretamente na tradição de Barolo, conhecido por seu perfil austero na juventude e extraordinária capacidade de evolução em garrafa.
De acordo com a vinícola, as primeiras parcelas destinadas ao projeto já estão sendo conduzidas com baixíssimos rendimentos por planta e manejo vitícola específico para favorecer concentração e complexidade aromática. A previsão é que a colheita inaugural ocorra em meados de 2027, seguida por um período de maturação que poderá estender-se por vários anos antes da comercialização.
Sexta passada tomei um Vila Lobos2015, Valduga ganhado, adegado. Cabernet sauvignon varietal. Estava ok, terroir típico nacional meio vinho de gaveta ( não ruim), bastante evoluído, no máximo mais 3 anos aguentaria sem sabores esquisitos.
ResponderExcluirHj, tomei um Chateau Lanessan,2012, compra recente, Haut Medoc, nada d+, apenas um corte bordalês majoritário cabernet sauvignon, parecia q o tempo não tinha passado para ele. Explosivo em aromas e sabores. Mais 10 ou 12 anos continuaria na mesma performance pela minha percepção. Incrível o poder do terroir
O Villa lobos era 2015, escrevi duas postagens, uma não tinha a safra, não sei qual foi enviada.
ResponderExcluirNossa ilha de prosperidade tem bastante vinho proprio bom, agradavel. O pobrema esta no preco. Injustificavel. Tirando o vinho submergido na Europa, todos estao fora da tal casinha.
ResponderExcluirPS: Comprei as ultimas 4 garrafas do lidio escarraro edicao especial. Agora acabou.
Concordo. Estive em Bento fazem uns 3 meses, achei apenas UM vinho local bom abaixo de 100 (95 janjas pra ser preciso) todos os demais vinhos que gostei eram de 130 pra cima, preço injustificável vis-a-vis a concorrência dos vizinhos.
ExcluirSei, ilha de prosperidade foi um pouco intenso demais pra mim, ganhei esse Valduga, tomei e não compraria novamente. Mas, comprar mesmo vinho novamente é assunto bem difícil mesmo, digno de uma matéria da gerência
ResponderExcluir* (o compraria. Foi ganhado)
ResponderExcluirÚltimo vinho que comprei de novo no período de 4 ou 5 anos correntes foi o Chateau Kefraya, que vinho delicioso. O resto foi ir comprando aleatoriamente, provando
ResponderExcluirQuanto à matéria, sempre atual, genial de Dionísio, tento no comentário manter-me ao tema. Álcool será endemoniado em breve ( ou já está sendo?), meus filhos tem uma relação com álcool bem diferente da que tive quando mais novo. O consumo despencou, terão que fazer vinhos realmente bons, acessíveis e tranquilos, senão.. cemitério de produção. Muitas novas vinicolas brasileiras “ já premiadas” vão voltar ao pasto de braquiária com seus respectivos cupinzais
ResponderExcluirhttps://www.correiodopovo.com.br/gastronomia/colunistas/andreiagentilini/brasil-entra-no-radar-mundial-do-vinho-em-relatorio-tim-atkin-1.1695203
ResponderExcluirBacco, tem 10mil euros sobrando aí?
ResponderExcluirhttps://www.publico.pt/2026/03/11/publico-brasil/noticia/multimilionario-brasileiro-lanca-vinho-porto-150-anos-10-mil-euros-garrafa-2167522
se o porcaro estivesse solto.....
ExcluirLadies and Gentlemen, temos um novo recorde de picaretagem.
Excluir