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sexta-feira, 17 de julho de 2026

A CRISE 2

 


Nas adegas italianas, até a semana passada, repousavam e mofavam mais de 53 milhões de hectolitros, de vinho, à espera de sempre mais raros, compradores.

Se o leitor não tiver muita intimidade com números vinícolas, informo que 53 milhões de hectolitros são superiores à produção anual italiana e quase 20 vezes o que o Brasil produziu na última safra.



A crise vinícola italiana não é a única, pois todos os grandes produtores mundiais lamentam e não sabem (ou fingem não saber...) como estancar o contínuo declínio no consumo do vinho

Todos os produtores?

 Não!



O Brasil, sempre na contramão, continua aumentado seu parreiral....Para que e para quem, é um segredo muito bem guardado....

Há vários anos percorro o europeu mundo do vinho e há mais de uma década percebi que, no reino das taças “Zalto”, silenciosa e lentamente, alguns sinais de alarme estavam aparecendo: Os preços não paravam de subir e algumas renomadas garrafas atingiam valores estratosféricos, irreais.

O mais interessante é que os “barões” do setor, talvez, acometidos por um misterioso vírus, não perceberam que o otimismo e a euforia exagerada estavam chegando ao limite do razoável e que, no horizonte, já apareciam inegáveis sinais de mudanças no gosto e preferência dos consumidores.

Bourgogne | Romanée Conti

Romanée Conti 2012

124517
Rouge
75cl
99/100
98/100
19.5/20

21 000,00 € TTC par bouteille


As parkerianas garrafas, que custam 20.000 Euros (preço de um carro O KM), continuam vendendo normalmente, pois não é difícil encontrar, no planeta, algumas dezenas de milhares de ricaços, que nada entendem de vinhos, mas que pagariam até mais para poder “instagramar” suas riquezas, exclusividades e imbecis vaidades.

 Para os “barões” vinícolas o ciclo das vacas gordas parecia não ter fim e ninguém sequer imaginava em frear a contínua e exagerada elevação dos pecos... O céu era o limite.



Atores, cantores, esportistas, estilistas, grupos financeiros, etc.... todos queriam ingressar no glamoroso e altamente rentável mundo do vinho para ter “Uma Vinha Para Chamar De Minha”.

Resultado? 

O gentil leitor sabe quanto custava, nas “Langhe”, um hectare de vinhas “Nebbiolo da Barolo” nos anos 1980?

Caso não saiba, informo: Naqueles anos era possível comprar, o prestigioso hectare, desembolsando 30/50 milhões das velhas Liras, valores que correspondem aos atuais 15/25 mil Euros.

O leitor, curioso, sabe quanto custa o mesmíssimo hectare nos dias atuais?  1,5/3,5 milhões de Euros.



Em pouco mais de 40 anos, Parker& Cia, que dominaram o mundo da crítica e do marketing, conseguiram, através de seus discursos elitistas, complexos, áulicos, complicadas, vendida$ pontuações$ etc. dominar e estandardizar a produção vinícola mundial.

Incontáveis produtores, para “agradar” o crítico americano, passaram a produzir vinhos muito alcoólicos, musculosos, pesados, com excesso de madeira, aveludados, quase mastigáveis, etc., mandando às favas a natural tipicidade, frescor e identidade de muitíssimas castas.



Mas algo mudou e.....Parker, sensível, inteligente e sagaz, percebeu que as novas gerações já não seguiam cegamente seu velho, esnobe, elitista discurso e que seu reinado, lenta, mas inexoravelmente, perdia brilho.

 As novas gerações não mais se entusiasmavam com pontos, concursos, medalhas, teatrais degustações.



As novas gerações estavam mandando à merda aromas primários, secundários, terciários, frutas vermelhas, especiaria, cassis, mirtilos, cerejas, terra molhada etc. etc.  etc. etc. etc. etc. etc.  As novas gerações queriam beber barato e em paz.

Parker, há alguns anos, aposentou seus ponto$ deixando uma herança vazia e pesada para os eno-palermas que cegamente e durante 40 anos, o seguiram e endeusaram.

Muitos produtores vinícolas ganharam rios de dinheiro com a “Doutrina Parker”, mas chegou a hora e a vez de encarar a nova realidade.



Qual realidade?  Aposentar as garrafas parkerianas e voltar a produzir vinhos mais simples por preços mais leves.

Finalmente voltaremos a beber em paz, sem sommelier$, enólogo$, crítico$, influencer$, Parker & Cia e outros enchedores de saco

Continua

Bacco

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