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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

VIRGINAL PUREZA

 


Encontrei, finalmente, na tremenda zona, em que se transformaram as redes sociais, um recanto virginal.

Como é mais do que notório, B&B não é exatamente o que poderíamos considerar um blog água com açúcar.

B&B, desde seu nascimento, mostrou-se crítico, polémico, anticonformista.

B&B não agrada a todos; é odiado por uma parcela significativa de importadores, produtores nacionais, sommeliers, jornalistas especializados (será?), divulgadores etc., mas é apreciado por uma interessante parcela de enófilos que se rebelam e não querem ser manipulados, explorados, sodomizados etc...

B&B participa de diversos grupos e as matérias postadas nunca foram censuradas em nenhum deles.

Nenhum?

Quase nenhum.....

Recentemente ingressamos no grupo “Pão & Vinho” e percebemos que várias matérias não eram publicadas.

Pedimos explicações, satisfações, razões.

Veio, ontem, uma resposta.

Vejam o print.

 


INACREDITÁVEL

A matéria, “FREISA X NERO D’AVOLA”, feriu os sensíveis e virginais corações e mentes dos administradores do grupo.


Na tremenda zona em que se transformaram as redes sociais, no nosso caso, Facebook, onde xingamentos, ameaças, fake-news, palavrões, agressões etc. diariamente abundam, as vestais do grupo, horrorizadas com o conteúdo, de minha matéria e na tentativa de preservar a virginal pureza das normas do “Pão & Vinho”, cancelaram sua publicação.



Aproveito a oportunidade para mandar uma banana os administradores do “Pão & Vinho”  e externar meus pêsames aos membros do grupo

Bacco

domingo, 11 de setembro de 2022

FREISA X NERO D'AVOLA

 


Nunca escondi que minhas preferências vinícolas recaem sobre os brancos e que considero o Champagne o melhor vinho do planeta.

Nosso clima tropical, em parte, influenciou minha “paixão” pelos brancos: Acho uma heresia beber tintos de 14º/15º, ou até mais, em temperaturas que alcançam facilmente os 30/35/40º.

Alguém poderá argumentar que beber tintos encorpados, até um Amarone, em um ambiente com ar condicionado, é viável.

Não é!



Vinhos tintos e muito alcoólicos são indicados para os outonos e invernos dos países do hemisfério norte e não para climas tropicais, como é o do Brasil.

Quem quiser continuar bebendo tintos, encorpados, pesados, impenetráveis, que mais parecem geleias, pode continuar sua aventura parkeriana, mas eu, no verão europeu, ou no Brasil tropical, bebo brancos ou, quando muito, tintos leves.




Nossos patrícios, com o quase desaparecimento da “paranoia-covid”, estão retornando à Europa.

 Alegres, coloridos, falantes e sedentos, continuam os mesmos e previsíveis na hora de escolher os vinhos que, quase sempre, são tintos, famosos, caros e muito alcoólicos.

E 2022, um verão tórrido e implacável atingiu toda a Itália e obrigou os suados e sedentos turistas a entornarem copos e mais copos de cerveja, agua mineral, vinhos brancos, espumantes......

Todos os turistas?

Nem todos….

  Nos bares que frequento, em Santa Margherita, Portofino, Rapallo, Chiavari, Camogli etc., esbarro, todos os dias, com brasileiros que, contrariando qualquer lógica e bom senso, esvaziam taças e mais taças de vinho tinto.


Discreto, silente e sem revelar minha origem candanga, observo e escuto o ritual que antecede a escolha dos vinhos.

A carta é quase sempre consultada superficialmente, sem grande interesse em conhecer novos caminhos, novas experiências e, após rápida votação, a escolha recai, 90% das vezes.....



Adivinharam?

Não?

Sassicaia, Ornellaia, Brunello, Barolo, Barbaresco, Amarone, Tignanello etc.

Um bom e barato Grignolino, Bardolino, Schiava, Rossese di Dolceacqua, Lambrusco, Piedirosso?

Nem sob tortura!

Apesar dos insuportáveis 35/38º, quase sempre nossos patrícios escolhem um Supertuscan, ou outro tinto famoso e.... $$$$

Insanidade total!

É visível o desprezo que enófilos brasileiros revelam por um tinto bom e barato: o Freisa.


Ah, a Freisa…. Que grande uva é a Freisa.

Um dos meus bares favoritos, em Santa Margherita é, desde sempre, o “SunFlower”.

O “SunFlower”, como todo bom wine bar, renova, com frequência   sua carta de vinhos.



Ilaria e Roberto, sommeliers e proprietários do local, quando recebem novas etiquetas, gentilmente, me convidam para uma degustação informal na qual trocamos opiniões e comentamos os vinhos recém-chegados.

Chablis, Lambrusco, Malvasia Friulana, Coda di Volpe, Verdicchio, Lugana, Champagne, Vermentino, Ribolla Gialla, Torgiano, Piedirosso ...... já não lembro quantos vinhos degustei no “SunFlower”.


Semana passada, o calor deu uma pequena trégua....

“Prove esta Freisa”

 Sem a “tortura” do clima infernal resolvi aceitar uma taça de Freisa que Roberto comprou e pretende adicionar à sua carta para o próximo outono.

No exato momento em que levei a taça ao nariz, como sempre faço antes de beber, dois casais entraram no “SunFlower” e imediatamente percebi a origem: Brasileira


 Jovens, bem vestidos, alegres e educados, se acomodaram e depois de rápida consulta, pediram quatro taças de? …. NERO D’AVOLA

SOCORRO!

Bacco

Continua

  

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

BRINCANDO DE VITICULTOR

 


Um leitor comentou, na matéria “Com a palavra, o predador”, o seguinte:

“Alguém pode dizer qual o custo de implementação de uma vinícola no Brasil?

Compra das terras, compras das mudas, plantio, acompanhamento da vindima, implementos agrícolas, construção dos prédios, compra de tanques de aço inox, barrícas [sic] de carvalho, equipamentos de engarrafamento e rotulagem, tempo de adega, propaganda, impostos, distribuição e por fim um lucro nisso tudo para amortizar o investimento, que não é cessante!

Vocês, que reclamam dos preços, montem uma vinícola!

Embora o assunto, da matéria em questão, nem fosse a viticultura brasileira, mas os preços absurdos que a Evino e a Grand Cru cobram por vinhos importados, o debate acabou por irritar os produtores nacionais.

Dionísio e outros leitores já responderam ao eno-patriota acima, mas tenho uma ideia interessante a propor.

Ontem, o amigo Yuri, me informou que existe, no mercado, um jogo de computador (PC ou Mac) “Hundred Days – Winemaking Simulator”, que, como o nome diz, simula o desafio de produzir vinho em uma propriedade.

Produzido pela Epic Games e com preço comercial de R$ 48 – mais barato, portanto, que qualquer zurrapa gaudéria feita com uvas europeias –, o jogo estará disponível GRÁTIS até o próximo dia 15 na página da produtora Epic Games:

https://store.epicgames.com/en-US/p/hundred-days-winemaking-simulator

Seria divertido organizar um campeonato entre os leitores de B&B para ver quem produz os melhores vinhos.



Quem sabe se a Epic Games, dia desses, resolva atualizar o jogo incluindo a possibilidade de, terminada a “produção”, permitir que os vinhos sejam vendidos por preço gaúchos ....


Aos que tentarem a brincadeira do Hundred Days – gratuita até o dia 15, reitero –, desejamos boa sorte e pedimos para postarem, em “comentários”, os resultados

Zé

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

COM A PALAVRA, O PREDADOR

 


A matéria, “Apocalypse…. Not Now”, que escrevi dias atrás, recebeu um número considerável de comentários em sua maioria alertando para as poucas esperanças de que, no Brasil, a situação do enófilo melhore.

Uma das críticas, feitas pela matéria, era direcionada à Evino, grande varejista virtual que, recentemente, comprou a importadora “Grand Cru” e nivelou por cima (claro...) seus preços.


Na mesma semana da publicação e por um feliz acaso, um leitor assíduo de B&B recebeu um questionário, da “Evino”, onde a predadora pedia sua opinião sobre a qualidade de seus serviços.

O leitor não se fez de rogado e desceu a lenha na política de preços da importadora.


O leitor nos enviou o e-mail onde a “Evino” responde e tenta justificar os preços escorchantes por ela praticados.

De cara, é fácil perceber que se trata de uma resposta padronizada, pronta, requentada, redigida no ano passado e jamais atualizada.

A “Evino” nem dá bola para o calendário e fala em “março desse ano” como se ainda estivéssemos em 2021.

 Segundo a “Evino”, a pandemia é culpada por tudo e mais uma vez exalta o aumento do consumo de vinho durante a peste chinesa.


A picaretagem do “aumento do consumo” já foi desmentida, por Dionísio, na matéria “Cerveja x Vinho”:

https://baccoebocca-us.blogspot.com/2022/05/cerveja-x-vinho.html

Leia a desfaçatez da predadora “Evino” e, se quiser, deixe sua análise (ou sua bronca) nos comentários.

Zé

*


Na medida em que o isolamento social se intensificou, o consumidor passou a descobrir o lazer (e o prazer) dentro de casa.

 Hábitos como cozinhar e com um consumo mais intimista do vinho, vem ganhando espaço na preferência dos brasileiros.

Em contrapartida, estamos vivenciando um cenário de alta cambial, e este tem sido um dos principais obstáculos para colocarmos vinho na taça do brasileiro, isso porque a maioria dos rótulos que vendemos são importados da Europa.

O euro, por exemplo, sofreu aumento de 47% desde o fim de 2019, a partir de Ago/2020 o câmbio acelerou ainda mais, e em março deste ano (2021) já chegou a atingir o pico de R$6,89.

Desde então, decidimos absorver por um tempo quase a totalidade desse custo, impactando o menos possível o poder de compra dos nossos clientes, mas neste momento, pela saúde do negócio, tivemos que repassar uma parcela.

Seguimos ainda com a missão de descomplicar a bebida, buscando oferecer sempre a melhor relação custo-benefício e trazendo muitas novidades e promoções.

Contamos com a sua compreensão.

Evino