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segunda-feira, 23 de maio de 2022

OS VIGARISTAS

 


Leio, sem poder conter e nem disfarçar um irônico sorriso, que o primeiro “Brunello di Montalcino”, produzido por André Esteves, chegará, em breve, ao Brasil.

O que motivou meu incontido sorriso, ao ler a notícia, como de costume regiamente paga, foi a lembrança do passado, não tão distante, que une os dois principais “atores” da reportagem: o brasileiro Esteves e italiana Argiano.

Ambos são notórios picaretas que habitaram, cada qual em sua especialidade, tribunais e cadeias.

André Esteves, envolvido em nebulosas negociatas, chegou a ser preso pela “Lava Jato” e a Argiano, afundou na lama, até os cabelos, por ter sido pilhada na famosa fraude, batizada “Brunellopoli”, que falsificou milhões de garrafas de Brunello di Montalcino.

Leia a matéria

https://www.brunello-montalcino.com/news/brunello-2003-sequestrato-antinori-argiano-frescobaldi-castello-banfi

Esteves e Argiano, como é fácil perceber, possuem DNA parecido…. Adoram uma picaretagem.

A matéria, piegas e paga, tem alguns trechos que me causaram náuseas.

Como não vomitar ao ler a seguinte texto: “.....em 2013, Riccardo Bogi, diretor da vinícola, recorda o clima de incerteza na equipe quando souberam que a propriedade tinha um novo dono e a tranquilidade depois das diretrizes traçadas por Esteves. Ele apenas nos pediu para fazer o melhor Brunello possível, o foco não é fazer grandes volumes, mas produzir o melhor vinho a cada ano. E isso está no DNA de Argiano. ”

Como não morrer de rir ao ler que da união de dois notórios vigaristas nasceria um maravilhoso, ilibado, honesto etc. Brunello di Montalcino?

A lengalenga é sempre a mesma: O jornal$sta publica o press release que lhe é enviado e, sem mudar uma virgula, conta a história de uma antiga e rara vinha que abençoada, por alguma divindade toscana, produz vinho incomparável.

Se é incomparável jamais saberei, pois não tenho nenhuma intenção de torrar 180 Euros na Itália, ou R$ 1.780,00 no Brasil, para comprar uma garrafa de Brunello produzida por conhecidos e renomados vigaristas.

Uma coisa é preciso reconhecer: Esteves soube gastar muito bem os bilhões desviados da Petrobras


Dionísio.

PS. Mais uma coisinha, caro Marcel Miwa, o “...craque toscano Giacomo Tachis” nasceu no Piemonte e mais exatamente em Poirino. Marcel, antes de escrever bobagens, consulte o Google.....

quinta-feira, 19 de maio de 2022

AROMAS & SABORES

 


Não entendi a tamanha repercussão e celeuma provocadas pelos sanduiches de picanha, sem picanha, do Mcdonald e os de costela de porco, sem costela de porco, do Burger King.

Eu, que nunca entrei em um Macdonald, a não ser para fazer xixi, não consigo entender como alguém possa gostar de comer aquelas porcarias gordurosas que a multinacional americana produz.

Mas o que me surpreende é o “espanto” das pessoas com a fraude das mencionadas redes, de quase-alimentação (e outras também), com a utilização de sabores artificiais em seus produtos.

É mais que notórios que as técnicas industriais retiram sabores dos alimentos, assim, se torna necessário repô-los e é justamente aí que entram os aromas artificiais.

Algumas informações: A indústria americana dos aromas “Internacional Flavors & Fragrances (IFF) ” fatura 1,5 bilhões de dólares por ano e é pouco conhecida fora do meio, mas sem ela o hambúrguer não teria sabor de picanha, o sorvete de morango, o dentifrício de menta, o salmão de defumado, o biscoito de coco, o vinho de tabaco, tomilho, madeira, “flores brancas”, “frutas vermelhas” etc. etc. etc.

Algum enófilo panglossiano, com cara de espanto, perguntará: “No vinho, também? ”.

Não todos, mas em muitos, sim e especialmente naqueles produzidos pelas grandes vinícolas.

As industrias vinícolas padronizam, estandardizam seus produtos para mantê-los o mais possível sempre iguais e não “chocar” os paladares dos habitués.

Você acha, por exemplo, que a Miolo não padroniza seus deploráveis “Seleção” e o carí$$imo “Sesmarias”?

(um quase vinho)

Você acredita que a “Antinori” produz o “Santa Cristina” sem adicionar nada ao mosto?

São apenas duas vinícolas que me vieram à mente, mas a esmagadora maioria usa e abusa de aromas artificias.

Os “chips”, aqueles pedacinhos de madeira aromatizantes, apareceram e criaram moda a partir dos anos 1990.

Os influenciadores, críticos, experts da época (Parker em primeiríssimo lugar) determinaram que o vinho deveria ter algo mais além dos aromas e perfume da uva.


O vinho da moda deveria ter outros sabores: Baunilha, madeira, café, chocolate, abacaxi, especiarias, couro, charuto e...Bem, deixa pra lá.

Se milhares de produtos eram aromatizados artificialmente quem impediria de fazer o mesmo com os vinhos?

Começou, então, o maciço uso de aditivos artificias no mosto dos vinhos.

Nos saquinhos, parecidos com os do chá, há de tudo e para todos os gostos e pouco importa o que os sommeliers percebem cheirando taças e mais taças…. eles perceberão apenas os aromas   que as indústrias dos aromas produzem.

Exagero?

Dê uma olhada no site abaixo e depois beba uma taça de um quase-vinho da Miolo .....você merece

https://nobile-oenologie.com/it/nobile-staves/

Condenar, então, as redes que produzem porcarias de sanduiche de carne sem carne e deixar de lado os biscoitos de coco sem coco, bala de limão sem limão, salmão defumado sem defumação e vinhos aromatizados artificialmente é injusto: Ou todos ou ninguém....

Mais uma coisa....Se você confia e acredita na pureza e inocência de nossos castos e ilibados industriais vinícolas é um sério candidato a receber o prêmio “ Candide, ou l'Optimism 2022”.


Dionísio


 

terça-feira, 10 de maio de 2022

ORKUT E FUSILLI AL LIMONE

 


Lembram, ainda, do Orkut?

Não sei se é normal, ou estou envelhecendo muito rapidamente, mas sempre e com maior frequência, as lembranças me provocam boa dose de nostalgia.

A nostalgia me atingiu em cheio, esta semana, ao receber uma mensagem do amigo Magno.

Conheci Magno através do finado Orkut e durante alguns anos nos comunicamos e trocamos ideias sobre vinhos e comidas.

Magno gerenciou um importante grupo do Orkut (já não lembro o nome....) que tratava de eno-gastronomia.

 Aos poucos alguns dos membros do grupo foram estreitando laços, cultivando amizades, até que surgiu a ideia de realizar alguns encontros para melhor se conhecerem.

A amizade, de alguns integrantes do grupo, foi aos poucos se fortalecendo e culminou com a realização de almoços realizados em Brasília e São Paulo.

O primeiro encontro gastronômico foi realizado, em minha casa brasiliense e contou com a presença de Magno e alguns amigos paulistas.

Como quase sempre acontece, o tempo, a distância e o prematuro “funeral” do Orkut dispersaram e dissiparam as amizades.


Já não lembro o nome de quase nenhum e um dos poucos que ainda restam em minha mente é Magno que em sua mensagem pediu a receita de uma massa que há anos publiquei: “Orecchiette com Spinaci e Pistacchi”

Nos anos “orkutianos” B&B era um site hospedado na Locaweb.

 Quando optei pelo atual blog, centenas de matérias, fotos, comentários, dicas, receitas etc., foram para o brejo e para brejo foi também e justamente a receita “Orecchiette con Spinaci e Pistacchi” (Massa com Espinafre e Pistache) que Magno pediu em sua mensagem.


Guardo em minha mente dezenas de receitas que cozinho regularmente, mas há outras, realizadas com menor assiduidade, que salvei, prudentemente, em “documentos”.

 Infelizmente a receita “Orecchiette con Spinaci e Pistacchi” não salvei.

Magno, infelizmente, precisará esperar que um raio de luz ilumine minha escura e cansada memória e traga de volta a receita da massa que provei, em um restaurante de Taormina, no início dos anos 2000

Mas nem tudo está perdido….

Caro Magno, esqueça, por enquanto, a massa “siciliana” e vá de “Fusilli al Limone”

INGREDIENTES (4 pessoas)

¾ de um pacote de “fusilli”

4 limões sicilianos

Creme de leite fresco (3 xícaras de chá)

Manteiga

Queijo Parmigiano ou Grana

Uma dose de Cognac ou Whisky

Suco de limão

Sal.

PREPARAÇÃO 

Retire as cascas dos limões, com o aparelho apropriado, bem finas e sem a parte branca.

Numa frigideira grande e de bordas altas, aqueça 3 colheres de manteiga.

Junte as cascas dos limões, frite por 15/20 segundos e em seguida adicione metade do creme de leite, duas colheres de suco de limão, o Cognac ou Whisky e leve quase à ebulição.

Enquanto prepara o molho coloque uma panela com água e um pouco de sal para ferver.

Quando a água atingir a ebulição jogue a massa na panela e tampe.

No pacote da massa há uma indicação do tempo de cozimento.

Prove os fusilli e quando estiverem “al dente” junte-os ao molho quase fervente.

Incorpore o restante do creme de leite e, sempre com o fogo aceso, amalgame o todo durante 10/15 segundos

Na hora de servir junte abundante Parmigiano ou Grana

Para beber?

Um belo e barato vinho branco: Chardonnay Tarapacá Cosecha de R$ 39,90


Bacco

 

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

BOICOTE

  
O mundo vinícola brasileiro é o paraíso da piada pronta, da picaretagem e da predação.

O incontrolado e incontrolável surgimento de vinícolas, em todo o território nacional, faz lembrar o aparecimento dos cogumelos na estação chuvosa: Pipocam em todos os cantos e em quantidades impressionantes.


Seria bom, seria ótimo, se as novas empresas (as antigas já estão demasiadamente “viciadas” e irrecuperáveis) chegassem ao mercado com o intuito e desejo de produzir vinhos bons e acessíveis e não preocupadas, apenas, com marketing, propagandas enganosas e preços exorbitantes.

Um caso típico, exemplar? GUASPARI.

A Guaspari se transformou, em menos de 15 anos, de vinícola desconhecida e artesanal em uma das mais badalas e caras produtoras de vinhos do Brasil.

Há caneta$ que não cansam de elogiar e glorificar os vinhos da predadora paulista.

 Investindo pesado, em caneta$ de vida fácil, a Guaspari conseguiu “convencer”, os enoloides do Brasil, que seu Pinot Noir vale três vezes mais do que um Pommard 1er Cru

Veja:


GUASPARI TERROIR - PINOT NOIR 2017

Safra: 2017
Uva(s): Pinot Noir
Maturação: 14 meses em barricas de carvalho francês
Corpo: Leve
Teor alcoólico:14%

MAIS DETALHES

R$628,00 (118 Euros)

 


CHÂTEAU DE SAINT ROMAIN POMMARD 1ER CRU 2014

NOUVEAUTÉ

Région : Bourgogne

Appellation : Pommard 1er cru

Domaine : Château de Saint Romain

Couleur : Rouge

Contenance (cl) : 75

Référence : 72914

2014

 36,00 € (R$ 190)

A pergunta: Será que a Guaspari conseguiria vender, na França, para os franceses, seu Pinot Noir por 118 Euros?

Outra pergunta: Será que o francesinho, que resolveu beber um bom vinho, vai deixar de compram uma bela garrafa de Pommard 1er Cru por 36 Euros e optar por um Pinot Noir, da Guaspari vinificado na Serra da Mantiqueira, por 118 Euros?

A resposta deveria ser dada pelas caneta$ de aluguel contratadas pela predadora de Espirito Santo dos Pinhais.

Todas as vinícolas nacionais parecem perseguir a mesma e única meta: Ter em seu catalogo, pelo menos, uma etiqueta com preço exorbitante, irreal, indecente.

A última piada pronta que me contaram: Luiz Argenta “Merlot Uvas Desidratadas” R$ 891,00. (168 Euros)

A predadora do Sul consegue uma proeza ímpar: Produzir, em terras gaúchas, um “MERLOTONE” (Amarone de uvas Merlot).

 A proeza não se limita ao“Merlotone”: A Luiz “Argentária” lasca um preço que faria morrer de raiva 99,9% dos produtores de Negrar e vizinhanças.

Qual a razão?

O preço médio do Amarone, na Itália, oscila entre 20/50 Euros e apenas uma pequena parcela de produtores se atreve exibir garrafas de 80/100 Euros.

Há, como sempre, os “ídolos” dos abonados....

Os ícones, idolatrados pelos enoloides, são “Dal Forno” e “Quintarelli”.

Garrafas de Quintarelli e Dal Forno, todavia, jamais serão vistas em mesas “italianas”.

Beber vinhos com 15/16º de álcool em países tropicais é o fim da picada.

Mas o que fazer, então, com os picaretas das garrafas?

Boicotar!

Vinhos nacionais, ”tremendas-bostas”, vendidos por preços de causar inveja aos produtores franceses, portugueses, espanhóis, italianos etc. devem ser, sim, boicotados.  

Boicotando, sistematicamente, quem sabe em um futuro não tão distante, Miolo, Valduga, Guaspari, Geisse, Carraro, Milantino, Bueno, Pericó, Bettú, Tormentas, Pizzato, Don Laurindo etc. (que souber mais, acrescente…) parem de tentar transformar nossos traseiros em seus exclusivos parques de diversões.


Dionísio

PS. A Guaspari não assalta nossos bolsos apenas com seus vinhos, a Guaspari nos sodomiza, também com o café

Vejam.

 

CAFÉ ESPECIAL GUASPARI - EM GRÃOS (250G)

O café especial Guaspari 86 pontos é fruto de uma safra excepcional de grãos da variedade Catuaí Vermelho colhidos manualmente de microlotes selecionados. O resultado foi uma produção limitada de aproximadamente 1.000 unidades de um café único que apresenta um sabor cítrico com um toque adocicado de mel e notas de amêndoas. Em boca possui corpo denso, cremoso e com boa acidez. Trata-se de um café de alta complexidade com um final longo e agradável.

Tipo: 100% arábica
Notas aromáticas: Chocolate e Frutas Vermelhas
Acidez : Cítrica e Marcante
Variedade(s): Catuaí Vermelho
Torra: Média
Altitude: 1.200m

MAIS DETALHES

R$48,00

 

1 Quilo = R$ 192,00 

Dionísio