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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

EU, TAMBÉM......

 


Nas décadas de 1970/80 o setor vinícola, através de propagandas e marketings sofisticados, inteligentes e muito bem direcionados, conseguiu convencer, os enófilos, de todos os cantos do planeta, que o vinho deveria deixar ser o bom, simples e alegre companheiro dos almoços, jantares, das festas, nos bares, com os amigos, para ingressar no refinado exclusivo mundo do glamour, da moda.



O vinho deveria esquecer seu lado, simples, bonachão e barato, para subir os degraus da fama, alcançar os olímpicos altares, onde deveria ser reverenciado, idolatrado e respeitado, como nenhuma outra bebida jamais fora.



Nascia, então, o vinho-etiqueta, o vinho moda, o vinho status e.....o vinho nunca mais seria o mesmo (será?).



Todos os enófilos foram “escravizados” por estrutura, corpo, acidez, longo final, frutas maduras, cítricos, frutas vermelhas, framboesas, mirtilos, amoras, flores brancas, vermelhas, do campo, camomila e centenas de outros aromas que somente um cão de caça poderia identificar (o Beato Salu, um dos maiores canastrôes do Brasil vinícola,   conseguiu, certa vez , encontrar, em uma taça de Haut-Brion “sabor de mel de estrebaria, ou seja, geléias e licores de frutas em meio fumaça de charuto num fim de tarde ao lado de um estábulo.”)



Sommeliers, enólogos e críticos, saiam do mais escuro anonimato e em poucos anos começaram a ser reverenciados quase como se estelas hollywoodianas fossem.

Ai de quem não cheirasse a rolha antes de servir o precioso líquido

Ai de quem não girasse o copo inúmeras vezes para verificar os arcos e gotas de “glicerina”.

Ai de quem não farejasse, demoradamente, a taça antes de beber o vinho.



Ai de quem não encontrasse, logo após o primeiro gole, os onipresentes, corpo, estrutura, acidez, taninos, aromas primários, secundários, terciários, mineralidade, etc. etc. etc.

Éramos um bando de alienados e ridículos atores mambembes que tentavam impressionar a plateia interpretando uma patética pantomima.



Eu, também, já fui um deles, mas, após longos anos de alienação vinícola, três episódios me convenceram que já havia navegado muito e “....lá chegara”.

Os três episódios?



Uma conversa com Massimo Martinelli

O preço de um Panda e de uma Ferrari.

A degustação de um Barolo e um Piagentini.



Bacco

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