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segunda-feira, 14 de março de 2022

A ABS CONTINUA A MESMA

 

Confesso que nem mais lembrava da existência da dispensável e inútil ABS que, em momento de inexplicável fraqueza, até frequentei no início dos anos 2000.

Naqueles anos acreditava em quase tudo......

Acreditava que o PT, no poder, moralizaria o Brasil, que o Pré-Sal transformaria o Brasil em uma nova Arábia Saudita, que Rubens Barrichello seria um novo Ayrton Senna, que o vinho brasileiro alcançaria elogiável qualidade e preços razoáveis ETC. ETC. ETC.

 Deu no que deu…. Hoje nem um panglossiano convicto teria razões para acreditar que a ABS sirva para alguma coisa.

Na verdade, serve, sim: Seus diretores continuam frequentando bocas livres e catando migalhas de importadores e produtores.

Disse “alguns”, pois a importância, da atual ABS, no cenário vinícola nacional é comparável ao peso do “Lagarto Futebol Clube” no panorama futebolístico brasileiro.

Poderia escrever horas sobre a inutilidade da ABS, mas o que me interessa, no momento, é um post, inserido no Facebook, que comunica a “volta em grande estilo” do GD 109 ás degustações.


A @abs_rj voltou e nós do GD 109 voltamos em grande estilo.

Primeira reunião presencial do grupo foi com os ótimos vinhos de Colheita de inverno. Há alguns anos era impensável a produção de vinhos de qualidade na região Sudeste. Graças a introdução da dupla poda e inversão do ciclo da videira, as uvas são capazes de ter uma maturação fisiológica/fenólica permitindo produzir grandes vinhos, quando colhidas no inverno onde a chuva é escassa, há maior incidência de luminosidade solar e amplitude térmica em locais de altitude entre 600 m e 1300 m. Hoje esse método se aplica além das regiões serranas do Sudeste. O mesmo método já se apresenta no Centro Oeste e Nordeste em regiões tipicamente tropicais.

Foram provados:

1) Guaspari Chardonnay Vista do Lago 2018

2) Casa Geraldo Gran Reserva Terroir Syrah 2018

3) Guaspari Syrah Vista da Serra 2018

4) Casa Verrone Gran Speciale 2018

5) Guaspari Cabernet Franc Terroir 2015

E a turma? Ah! A turma é bem animada

Quando li “grande estilo” pensei que uma das inúmeras importadoras-patrocinadoras-parceira$ das ABS tivesse aberto a porteira oferecendo algumas garrafas para serem degustadas e elogiadas (alguém acredita que a ABS-Rio teria a coragem de descer a lenha nas garrafas e preços das parceira$ “Clarets”, “Zahil”, “Grand Cru” etc.?)

A volta “grande estilo” do GD-109 (grupo de degustação) foi patrocinada por novos predadores vinícolas brasileiros que, lideradas pela in$aciável “Guaspari”, se multiplicam e vicejam na Serra da Mantiqueira.

Perguntas: Será que o GD 109 resolveu realmente comprar e degustar os vinhos elencados ou fizeram um “troca-troca-comercial" para ganhar as garrafas?

Quem, em sã consciência, gastaria quase R$ 1.500 por 5 garrafas de vinhos nacionais para comemorar uma volta em “grande estilo”?

Vou antecipar a próxima matéria comparando e revelando: O “Guaspari Vista da Serra Syrah” é vendido, pela predadora de Espirito Santo dos Pinhais, por nada modestos R$ 298,00 (53 Euros).

Os franceses, coitados, que não conhecem a qualidade dos Syrah da Guaspari, são obrigados a gastar 38 Euros (R$ 213) para beber um Syrah produzido na Côte Rotie.

 


DOMAINE GARON, COTE ROTIE, LA SYBARINE 2016

  • Prix moyen TTC : 38 €
  • Note moyenne : /100 ( critiques).
  • Maturité: 

 

 A ABS continua a desinformar, sempre

Dionísio

Continua.

 

sexta-feira, 11 de março de 2022

PATO AO "GRAND MARNIER"

 


Certa vez e já se vão mais de dez anos, comi, em um restaurante de Montichiello, na belíssima Val D’Orcia, um prato extraordinário: “Cosce di Anatra al Grand Marnier” (Coxas de Pato ao Grand Marnier)

Um clássico prato de pato com laranja, mas que se torna único e insuperável com a adição do licor “Grand Marnier”.

Já tentei cozinha-lo com “Cointreau”, mas o resultado me fez correr de volta para os braços do “Grand Marnier”.

O prato não é fácil, nem barato e muito menos   simples.

A receita requer algumas horas de dedicação às panelas e fogão e um bom conhecimento de cozimento.

INGREDIENTES (4 pessoas)

6 coxas de pato (o ideal seriam 4, mas sempre há um ou dois glutões à mesa, então......)

Manteiga (150g), Cognac (½ copo), vinho branco seco (uma garrafa), caldo vegetal, suco de laranja (4/5), cascas das laranjas, 2 colheres de mel, licor “Grand Marnier”.

PREPARO

Retire o excesso de gordura das coxas e salgue-as em ambos os lados.

Em uma frigideira, de bom tamanho, junte a manteiga e frite as coxas, em fogo médio, iniciando pela parte da pele.

Quando a pele estiver dourada (2/3 minutos) vire-as e repita o procedimento de fritura.


Quando as coxas adquirirem mais cor, adicione o Cognac e flambe (cuidado com as labaredas).

Ao apagar das chamas, do Cognac, coloque as coxas em uma panela de bom tamanho, deglaceie a frigideira com a metade do vinho, derrame a “deglassè” sobre as carnes, tampe a panela e comece o cozimento em fogo médio.


Lembra da “dedicação” no início da matéria?

Pois é..... É aqui que começa.

Durante uma hora, ou mais, você deverá lavar, descascar, com o aparelho apropriado, as laranjas, extrair o suco, preparar a caldo vegetal (um litro de agua, 2 tabletes Knorr, Maggi, ou outra marca, servem e são suficientes, sempre lembrando que se o premiado Atala os usa, você pode, também....) e acompanhar o cozimento do pato.

Quando o vinho estiver quase evaporado adicione 1 conchas de caldo vegetal, o restante do vinho e vire o as coxas para cozinharem de maneira uniforme.

Quando o liquido estiver bem reduzido junte o suco, as cascas de laranja, o mel, continue o cozimento por mais 15/20 minutos e finalmente adicione o “Grand Marnier”.

Em 5 minutos o caldo deverá estar espesso e a carne macia.

Corte um pedacinho de uma das coxas do pato e controle a maciez.

Tampe a panela, apague o fogo e deixe, descansar.

Não terminou, ainda...

A comida do dia seguinte é mais saborosa.

Meia hora antes de servir o pato leve-o novamente à ebulição e se preciso adicione mais um pouco de caldo, lembrando, sempre, que o molho deverá ser denso e cremoso.

Para beber?

Em dia de “o amanhã é incerto” torrei uma pequena fortuna em garrafas dignas de oligarcas russos, mas sugiro resguardar o cartão e abrir alguns bons Chardonnay chilenos: Tarapacá Gran Reserva, Morandé Gran Reserva, Caliterra Reserva.

Bom apetite

Bacco

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 7 de março de 2022

TRÊS GRANDES CHARDONNAY

  


Vivendo uma fase ditosa de poucos, mas grandes vinhos, no ultimo almoço, na casa de Bacco, entre outras ótimas etiquetas, bebi três extraordinários Chardonnay: “Puligny-Montrachet 1er Cru 2018 “Les Perrieres” de Jean Louis Chavy, Puligny-Montrachet 2013 1er Cru “La Truffière” de Thomas Morey, Chablis Grand Cru “Valmur” de Alain Gautheron.


O que dizer?

Dois vinhos de Puligny-Montrachet que expressam toda a elegância, harmonia aromática e grande complexidade dos melhores Chardonnay.

A juventude do “Les Perrieres” não “sucumbiu” nem foi “atropelada” pela maior suntuosidade do irmão mais velho,

 O “Les Perrieres” é um excelente Chardonnay que, pasmem, custa 60 Euros.

É sempre bom lembrar que o Chardonnay piemontês da Coppo, “Riserva della Famiglia” custa 115 Euros é não chega aos pés do vinho francês.

O Puligny-Montrachet “La Truffière”, de Thomas Morey, mais uma vez me convenceu que o “vigneron” de Chassagne sabe tudo e um pouco mais, de vinificação (os Morey são viticultores há 10 gerações…)

Seus vinhos na juventude costumam apresentar, um leve excesso de madeira, excesso que desaparece com a idade e cede lugar à elegância e uma impressionante persistência na boca.

Mais uma coisa: O “La Truffière”, um dos menores 1er cru de Puligny-Montrachet (2,5 hectares), doa insuperáveis Chardonnay, mas custa, salgados, 100 Euros.

 O Gaja & Rey, proveniente de anônimas e piemontesas (será?) Vinhas, custa sodomíticos 350 Euros...... uma piada de mau gosto e muito gasto.

Chablis é mais uma denominação da Borgonha que atualmente mais me “enfeitiça”.


Me seduz pela sua “cortante” acidez, mas também por sua elegância e maciez.

Com os preços, sempre em elevação, dos primos da Côte D’Or, os Chablis aparecem como uma ótima opção.

A predominância do aço, na vinificação, contribui para doar ao Chablis características de maior frescor deixando de lado a opulência, as vezes enjoativa do excesso de manteiga e madeira presentes em alguns Chardonnay da Côte de Beaune.

Dos 7 Grands Crus (Blanchot, Bougros, Les Clos, Grenouilles, Preuses, Valmur e Vaudésirs), Alain Gautheron produz três: “Les Preuses”, “Vaudésir” e “Valmur”.

O “Valmur” 2017, degustado no almoço, nada ficou devendo aos bem mais caros Chardonnay de Puligny-Montrachet

Com passagem em madeira e aço não apresentou as cansativas notas de manteiga e baunilha algumas vezes presentes nos vinhos da Côte D’Or.

No Chablis “Valmur”, os agrumes, a mineralidade e o frescor foram os donos incontestáveis das nossas taças.

Grande vinho que custa 50/60 Euros.

Dionísio

quinta-feira, 3 de março de 2022

TRANSPORTES AÉREOS PATÉTICOS 2

  

Corpo doído, olhos vermelhos e cansados, apreensivo e receoso com os rígidos controles portugueses que me esperavam, levantei-me, com cuidado, do esquife da “Transportes Aéreos Pavorosos” e me dirigi ao portão da imigração.

Papelada à mão, esperei os encarregados dos controles sanitários, mas em vão: Ninguém controlou o formulário “Cascais, Av. Sabóia nº 5”, ninguém verificou meu teste antígeno, ninguém pediu meus comprovantes de vacinação e até meu passaporte europeu ninguém carimbou.

 Uma máquina se encarregou de verificar se havia algum impedimento e em segundos liberou minha entrada em solo português.

Cheguei à conclusão que os Torquemadas da TAP “Transportes Aéreos Penosos” de Brasília fazem todo o trabalho “sujo” para os colegas europeus.

Como previsível, o atraso na saída resultou na perda da conexão Lisboa/Milano.

A TAP “Transporte Aéreos Patéticos”, talvez querendo homenagear Ulisses, me ofereceu um “Roteiro Odisseia”, Lisboa/Frankfurt/Milano, que prontamente recusei.

Uma nova oferta: Lisboa/Milano às 13,40 prontamente aceita.

É preciso salientar que pisei na capital Lusa, cansado e arrebentado, às 7,30 e que “maravilhosas” 6 horas de aeroporto estavam me esperando.

A TAP “Transportes Aéreos Pobres”, em um rasgo de rara magnanimidade, me forneceu um voucher de 6 Euros para torrar, em um restaurante de minha preferência, no aeroporto (foto).

“Pontualmente” e finalmente, às 14,30, a aeronave da TAP “Transportes Aéreos Patéticos” decolou rumo Milano onde um rigorosíssimo, controle como o efetuado em Portugal, me esperava: Ninguém controlou merda nenhuma e, com ou sem Covid, me dirigi à locadora para retirar o carro que havia reservado.

No hotel, próximo de Malpensa, até que enfim um controle: “O senhor tem “green pass”?


 A resposta afirmativa permitiu que eu desmaiasse, na cama, exatamente 10 minutos mais tarde......

 

A RECOMPENSA

No dia seguinte, como de costume, almoço com o amigo Pietro.

Pietro era proprietário de um hotel em Arona (Lago Maggiore).

Cansado e de saco cheio de sustentar, com impostos e taxas, o famélico governo italiano, vendeu seu imóvel e hoje viaja, come e bebe como poucos.


Lenha crepitando na lareira, salgadinhos preparados, taças à espera e......Champagne Charles Lafitte “Orgueil de France Brut”.

A adega de Pietro, sofisticada e refinada, já me reservou grandes e boas surpresas.

Jamais havia bebido o Champagne “Orgueil de France” e confesso que o apreciei muitíssimo.

Elegante, complexo, final longuíssimo, perfumes intensos e um “perlage” fino e persistente, o “Orgueil de France” vale cada centavo do seu custo (60/65 Euros).

Depois da “viagem-martírio”, Pietro e Charles Lafitte me recompensaram magnificamente.

Bacco

PS. Quem encontrar o Orgueil de France compre imediatamente, afinal 60 Euros não são suficientes, pasmem, para comprar uma garrafa do ridículo Maria Valduga Brut Vintage.