Se os italianos (a crítica serve, também
para espanhóis e portugueses), mesmo se esforçado, suando, praguejando,
sabem que jamais conseguirão produzir Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay,
Syrah etc., com a mesma qualidade dos franceses, por qual motivo continuam
insistindo em plantar castas “internacionais”?
Comodismo + preguiça: Tendo à disposição um universo
de 80 castas autóctones e mais outras 370 “na reserva”, a opção de vinificar com
as internacionais, indica que as Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay etc. da
vida, dão menos trabalho, são mais resistentes, mais produtivas, rentáveis (nem
sempre) do que as autóctones.
Malandragem + oportunismo: os rígidos disciplinares italianos não
permitem que se plante onde, quando e como se quer.
Há normas severas que
devem ser seguidas.
Exemplo: O disciplinar, do Barbaresco DOCG, exige, entre
outras coisas “......as condições do plantio dos vinhedos devem obedecer aos requisitos
que seguem; terrenos: argilosos, calcários e eventuais combinações; localização: em colinas
excluído categoricamente terrenos de fundo-vale, úmidos, planos e não
suficientemente ensolarados; altitude: não superior a 550m: exposição: apta para assegurar uma idônea maturação das uvas, mas excluindo
o lado norte”
Deu para perceber as dificuldades e a origem das malandragens?
As castas
internacionais fogem dos controles mais rígidos e podem ser locadas até nos
brejos que ninguém dá a mínima.
Aproveitando as
brechas, os oportunistas (ói eles aqui travéis...), podem
cultivar vinhas em qualquer canto, em terrenos nem sempre os mais apropriados,
pouco valorizados e quase livres dos controles do estado.
Foi exatamente através das mencionadas, malandragens,
oportunismo e comodismo, que nasceram os “Supertuscans” (Sassicaia, Ornellaia,
Masseto, Solaia etc.) que se tornaram famosos somente quando todas as canetas
de vida fácil foram devidamente azeitada$.
Mas, ainda bem, nada é eterno; os enófilos, que ninguém
pode iludir e enganar para sempre, acordaram.
Qual a diferença entre um Cabernet Sauvignon chileno e um
produzido na Toscana?
Sim, sim, eu sei... O terroir é diferente, o ambiente, também,
as técnicas de vinificação idem etc., mas nada disso interessa, realmente, pois
quando falta a “tipicidade” o consumidor opta pelo preço e tanto faz se a
garrafa é chilena, italiana, argentina, australiana, portuguesa......
O exemplo, do Cabernet-Sauvignon “apátrida”, serve para todas
as outras castas internacionais.
Quando meu cartão dá
claros sinais de profunda anemia e percebo quão temerário seria comprar um
Chardonnay da Côte D’Or, deixo em um canto meu “eno-orgulho” e, armado de R$ 40,
compro uma garrafa de um razoável e honesto Tarapacá chileno.
Não sou eno-idiota completo e nem por um instante passa pelo
mais escuro corredor da minha mente o desejo de gastar os tubos para beber um Chardonnay
tremenda-bosta italiano.
Sem querer ser radical ao extremo, confesso: ou abro um Meursault,
Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet, Charlemagne, Poully-Fuissè, Chablis etc.,
ou compro um honesto, barato e modesto Tarapacá Cosechadeixando os Gaja & Rey, Coppo Riserva della Famiglia, Chardonnay
Planeta, Ca’ del Bosco etc., para os eno-tontos-abonados de
plantão.
Outro belo prato, do grande cozinheiro Felice Bianchi,
sempre presente no cardápio de seu restaurante “L’Approdo”, de Santa Margherita
Ligure e que sempre ordeno, é seu insuperável “Sogliola allo Champagne”(Linguado ao molho de
Champagne).
Um pouco mais elaborada, trabalhosa e complexa, do que o
anterior “Linguado com Canela”,
a presente receita não requer grande esforço ou apurada técnica, basta bom
senso e não ter receio de errar na primeira ou segunda tentativa (eu entrei
pelo cano algumas vezes).
Mais uma coisa…se não encontrar linguado, truta ou tilápia,
também servem.
INGREDIENTES PARA 4 PESSOAS
4 filés de peixe (se forem pequenos, aumente para 6 ou 8)
1 copo de espumante seco de boa qualidade (Utilizar Champagne para cozinhar, no Brasil, é utopia. Para esta
receita usei o espumante francês Paul Louis de R$ 70)
½ cebola, manteiga, creme de leite fresco, 2 gemas de ovo.
PREPARO
Em uma frigideira, de bom tamanho, coloque 2 colheres de manteiga,
½ cebola bem picada e leve à fritura por um minuto, ou pouco mais, em fogo baixo.
Quando a cebola estiver translúcida adicione os filés de peixe
e frite por um minuto de cada lado.
Em seguida junte o espumante e aumente o fogo.
Enquanto o peixe cozinha, coloque em uma pequena panela 2
colheres de manteiga, 2 xicara de chá de creme de leite e 2 gemas de ovo.
Bata rapidamente com o mixer até obter um creme homogêneo. Em
seguida adicione o creme aos filés de peixe, deixe cozinhar por mais dois ou
três minutos, até o molho engrossar um pouco e em seguida sirva.
Prato refinado que pede um belo Champagne.
....Ia esquecendo: Não
deixe de tomar uma estatina de 10mg para minimizar os “estragos” na taxa do
colesterol causados pela manteiga, creme de leite, ovos.....
Entendo e concordo com as preferências e escolhas dos
viticultores do Novo Mundo que utilizam castas francesas na produção de
vinhos.
Não é fácil “fugir” das uvas gaulesas mais populares e
difundidas do planeta: Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah, Cabernet Franc,Sauvignon, Chardonnayetc.
São as castas mais “badaladas” e que fazem a festa nos
vinhedos do Chile, Argentina, EUA, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, México
e..... até do Brasil.
Os viticultores, das novas fronteiras vinícolas, brigam para
ver quem produz os melhores vinhos esmagando castas preferencialmente francesas,
mas sabem, muito bem, que competir em qualidade com a matriz europeia é
difícil, impossível.
Há alguns vinhos razoáveis, bons, até, mas quando comparamos,
por exemplo, um Pinot Noir, de qualquer canto do planeta, com uma garrafa de Gevrey-Chambertin,
Chambolle-Musigny,
Clos de
Veugeot, ou até de um Volnay ou Pommard, as diferenças são
gritantes, gigantescas.
A única “salvação”, para vinhos do Novo Mundo, é o preço: deve
ser bem mais barato, mais acessível, do que os originais franceses caso
contrário mofam nas prateleiras.
Ser mais barato é fácil, pois as grandes etiquetas francesas
não brincam em serviço e costumam estuprar os cartões dos incautos e afobados enófilos.
Como disse, no início da matéria, entendo a opção, dos
viticultores das novas fronteiras vinícolas, em vinificar utilizando quase exclusivamente
castas francesa, mas não nutro o mesmo entusiasmo quando encontro Merlot,
Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Syrah etc. em garrafas espanholas, italianas,
portuguesas.
É uma tolice sem
tamanho e sem razão.
Portugal, apesar de sua pequena extensão territorial, possui
um impressionante patrimônio vinícola que abriga quase 350 castas autóctones.
Na Espanha há um
programa, que agrega 25 centros de pesquisas, que estuda 1736 castas e
confrontando perfis genéticos de cada uma delas.
É bem provável, que após o termino das pesquisas, as castas autóctones,
de uva de mesa e viníferas da Espanha, não sejam “apenas” 235, mas 536.
E a Itália?
Bem, a Itália, com suas 545 variedades autóctones é a piada da
vez.
Apesar do imenso patrimônio e a incrível variedade de uvas nativas,
sabem qual a 7ªcasta mais presente nos vinhedos da Bota?
A Merlot!
Sabem qual a 8ª?
A Chardonnay!
A Cabernet Sauvignon ocupa um interessante 13º e a Syrah um
modesto 20º lugar.
Um aspecto importante: Na Itália há
mais vinhas de Merlot e Chardonnay do que, pasmem, Barbera, Primitivo, Nebbiolo,
Corvina, Lambrusco, Garganega, Aglianico, Cortese (Gavi incluso), Moscato etc.
Os viticultores italianos sabem que jamais conseguirão
produzir vinhos com a elegância de um Puligny-Montrachet, a complexidade de um
Meursault, a grande classe de um Corton-Charlemagne ou a opulência de um
Chassagne-Montrachet.
Alguns tentam, mas os resultados são sempre ridículos,
patéticos, esquecíveis e quando conseguem, se aproximar da qualidade dos
primos da Côte D’Or os preços das garrafas são, para mim, motivo de piada.
Alguns “piadistas” dos Chardonnay Italianos?
Gaja & Rey (Gaja) = 350 Euros
Piemonte Chardonnay “Riserva della Famiglia” (Coppo) = 115 Euros
Chardonnay Ca’ del Bosco = 70 Euros.
Dos três, o mais ousado, como de costume, é Gaja.
Gaja é um dos predadores mais espertos da Bota.
Gaja não enrubesce ao pedir, por seu Chardonnay piemontês, 300%
a mais do que, por exemplo, a “Domaine Cauvard” pede por seu ótimo Corton-Charlemagne
A vinícola Coppo, outra manjada predadora piemontesa, não se
envergonha de mandar para as prateleiras das enotecas seu Chardonnay “Riserva
della Famiglia” quase seis vezes mais caro do que o muito, mas muito, superior Chablis 1er Cru Vaillons da
Domaine du Chardonnay.
Não lembro se já publiquei essa ótima e fácil receita.
Faz tantos anos que
provei esse ótimo antepasto, no restaurante “La Ruga del Corso”,de Arona,
que parece impossível não o ter repassado aos leitores.
Para me certificar, se já a havia publicado, dei um passeio
pelas páginas do blog, mas não encontrei nada que lembrasse “Salmão Peras e
Queijo”.
Simples, refinado e fácil de preparar, o antepasto, que ora proponho,
agradará certamente aos mais exigentes paladares.
INGREDIENTES PARA 4 PESSOAS
2 confecções de salmão defumado e fatiado
2 peras bem maduras (se pequenas aumente para 3)
2 colheres de manteiga
½ copo de vinho branco
Queijo de cabra de boa qualidade
PREPARO
Descasque e corte as peras em pedaços.
Coloque em uma pequena panela, junte a manteiga e deixe
cozinhar, em fogo brando, por alguns minutos.
Quando a manteiga tiver derretido, totalmente, adicione o
vinho branco, aumente a chama e deixe evaporar.
Após a evaporação do vinho, retire a panela do fogo e bata o
conteúdo com o liquidificador de imersão até obter um purê homogêneo e reserve.
Coloque um pouco de queijo ralado sobre as fatias de salmão,
enrole e guarde na geladeira.
Na hora de servir aqueça levemente o purê de peras, em
seguida, com a ajuda de uma colher, forme uma “cama” no prato, coloque o salmão
sobre o purê de peras e sirva.
Para beber?
Salmão, pera e queijo, pedem um grande espumante rosé
Bacco
P.S Sei que o Billecart-Salmon é quase impossível, no Brasil, mas sonhar é preciso.....