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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

ROMANÉE-BIONDI





 Um amigo de longa data, sincero, bom companheiro, bom copo, ótimo garfo, conversa agradável etc. poderia ser considerado o amigo perfeito?

Sim!

Pois, eu tenho um amigo com todos os predicados acima elencados e que poderia ser a encarnação do “amigo perfeito” se não fosse por um detalhe: É “Framengo” doente.

Quando o assunto é futebol o cara se transforma no maior chato da terra, aliás, não há torcedor mais chato do que flamenguista doente.

Certo dia, depois de uma enésima vitória do seu time, o amigo chegou eufórico ao nosso encontro berrando, feito um maluco, seu grito de guerra: MEEENGOOO, MEEENGOOO, MEEENGOOO.

Sem querer, nem pensar, tirei da cartola uma frase que se encaixa como uma luva no fanatismo futebolístico dos flamenguistas: “Cara, você está parecendo um “mengoloide”.

Desde aquele dia, quando o amigo se exalta o faz excessiva apologia de seu time, o chamo de “mengoloide”.

O que tem em comum o futebol, o “framengo”, o “mengoloide”, e o vinho?

Muito.....

Há anos, para definir o enófilo meio abobado e manipulado pelas revistas, pontuações, medalhas, pontos, prêmios etc. recorro à palavra “eno-tonto”.

Chega!

A partir de hoje, sai de cena o velho eno-tonto e entra no palco, triunfante, o “ENOLOIDE”.

O “enoloide” é tão chato quanto o “mengoloide”.


O “enoloide”, parente próximo do “mengoloide”, é o alvo favorito dos produtores e importadores predadores.

Os predadores sabem que há, no mundo, um sem número de enoloides prontos e ansiosos para serem depenados e que, pasmem, adoram perder as “penas”.

Se não existissem os enoloides não existiriam garrafas de 1.000, 3.000, 10.000 Euros ou mais.

Sem os enoloides os predadores tupiniquins não teriam coragem de lançar no mercado garrafas de R$ 400, 500, 600...... (há, no mercado, garrafas de espumante Gei$$e de R$ 700)

O enoloide é o endinheirado debiloide que faz a alegria e enriquece os produtores que sabem como e onde encontrá-lo, seduzi-lo, depená-lo

Esta semana li este anúncio que quase me enfartou
Veja um belíssimo exemplo de “caça aos enoloides



Brunello di Montalcino Riserva DOCG 1955 Biondi Santi Tenuta Greppo
0,75 L, Cassetta di legno
9.200   IVA inc.    (12.266,67 €/L)

 Dopo la tipica fermentazione in rosso, la maturazione si è protratta per ben 3 anni in botti di rovere di Slavonia, cui ha fatto seguito un lunghissimo affinamento in bottiglia nelle cantine di Biondi Santi, al fresco e al riparo dalla luce. Il vino risultante ha la capacità di sfidare il tempo, conservando le proprie caratteristiche per 60-80 anni.

Não, você não este delirando, não leu errado, são 9.200 Euros ou, se preferir, R$ 42.320, ao câmbio de hoje.
A tradicional e premiada vinícola Biondi Santi, agora, tocada por mãos francesas, aprendeu rapidamente o idioma da Borgonha e quer se transformar na “Romanée-Biondi” toscana e, não tenham dúvidas, que há um expressivo número de enoloides já com cartões Gold, Platinium, Black e os cambau, na mão e ansiosos para detoná-los na compra do “Romanée-Biondi”
O cinismo da Romanée-Biondi é de doer.
Traduzo a descrição do “pega enoloide”

“Depois da típica fermentação para tinto, a maturação se prolongou por bem 3 anos em barris de carvalho de Eslavônia para então afinar longamente na garrafa nas adegas da Biondi Santi no fresco e ao reparo da luz. O vinho resultante possui a capacidade de desafiar o tempo conservando as próprias características por 60-80 anos”


É mentira, é fantasia, é marketing, é picaretagem.
Nenhum vinho chega aos 60-80 em perfeitas condições a não ser que.....
Na próxima matéria revelo o caminho das pedras.
 

Dionísio

PS. Antes de comentarem que já beberam garrafas de 50-70-100 anos e o vinho estava ótimo, aguardem a próxima matéria para não entrarem, de vez, no clube dos “enoloides”



segunda-feira, 14 de outubro de 2019

QUEM MUITO QUER.....


Minha primeira taça de Prosecco foi oferecida, nos distantes anos 1990, por um tio que gostava de beber “Carpenè” nos finais de tarde.

O “Carpenè”, em questão, era um Prosecco, de Valdobbiadene, produzido pela “Carpenè Malvolti”.

Agradável, fresco, sem grande complexidade e fácil de beber, o “Carpenè” não deixava, todavia, transparecer nem prever o enorme sucesso do Prosecco.
Rapidamente, porém, o Prosecco chegou ao topo do consumo mundial de espumantes.

 Hoje o Prosecco é o espumante que mais vende no planeta e a produção, em 2018, foi de impressionantes 660 milhões de garrafas.

É sempre bom lembrar que em 2.009 a produção de Prosecco DOC, IGT, DOCG era de, “apenas”, 220 milhões unidades.

Sucesso?

Nem tanto.....

O espumante do Véneto, que era produzido somente na província de Treviso, se espalhou pelos territórios de Belluno, Padova, Venezia, Vicenza e chegou até o Friuli-Venezia Giulia nas províncias de Gorizia, Pordenone, Trieste e Udine.

O impressionante e irresponsável aumento da área plantada (1.200 hectares/ano) muito contribuiu para a queda drástica da qualidade:  hoje, o Prosecco, é sinônimo de espumante inferior e barato (nas prateleiras dos supermercados há Prosecco de 2,73 Euros).

O resultado: Ninguém dá a mínima se o Prosecco é DOCG, DOC ou IGT, para o consumidor é tudo a mesma coisa.

A revolta já teve início.

Col Vetoraz, produtor de Valdobbiadene, decidiu eliminar a palavra “Prosecco” de suas etiquetas onde constará apenas “Valdobbiadene DOCG”.


Justificando, a retirada da palavra “Prosecco”, a vinícola afirma que a política visando, apenas, a produção industrial e a expansão desenfreada da área plantada, gerou uma situação caótica voltada   somente para o sucesso financeiro de muitas empresas que não representam a tradição histórica dos vinhos das colinas de Conegliano, Valdobbiadene e Asolo.

É um exemplo perfeito do “quem muito quer.....”.

Quando você puder comparar um Valdobbiadene, Cartizze, Conegliano ou Asolo com os Prosecco produzidos nas planícies das outras províncias entenderá a decisão.
Bacco




quinta-feira, 10 de outubro de 2019

MASSIMO MARTINELLI


Há mais de um ano não via Massimo Martinelli.
 

Problemas de saúde, desencontros, falta de oportunidade e uma inexplicável preguiça, foram os “culpados” pela longa separação.
 

Os telefonemas, vários, nunca puderam compensar a falta de um aperto de mão, um abraço.....

“Terminei a vindima e se você quiser podemos almoçar no domingo”.
 

O convite irrecusável, de Massimo, venceu a preguiça e coloquei o pé na estrada.

Pouco antes do meio dia, da data combinada, entrei no quintal de “Bricco Mollea”, belíssima propriedade, de Massimo e Angioletta, em Vicoforte.

 
Abraços, risadas, a alegria de sempre.

 As conversas e os assuntos, aos poucos, foram sendo atualizados.

 Saúde, politica, negócios, lembranças etc. já estavam perdendo força e interesse...... “A vindima do Dolcetto terminou ontem. Foi muito boa e acredito que a do Nebbiolo e Barolo o será, também”.
 

Martinelli, em “Bricco Mollea”, possui 3 hectares de Dolcetto e 1 de Nebbiolo.

Em Torriglione, minúsculo distrito de La Morra, Massimo é proprietário de quatro filares de Nebbiolo e lá produz, aproximadamente, 1.000 garrafas de Barolo por ano.
 

O almoço começou com uma seleção de ótimos embutidos, queijos, cotechino com puré de batatas e terminou com um genial prato onde Martinelli mostrou toda sua capacidade inventiva: “Pêssegos e Funghi Porcini”.
 

Sensacional!

Os vinhos?

Todos os produzidos por Massimo Martinelli: “Dogliani Assanen” (Dolcetto), “Langhe Nebbiolo”, “Barolo......Come lo Penso Io”.
 

Grande almoço, ótimos vinhos e inesquecível reencontro que encerramos com uma tremenda garrafa de “Corton Charlemagne”.
 

O Tartufo Bianco está chegando em Alba e arredores.

 Quem visitar a região pode aproveitar a ocasião e dar um pulo até “Bricco Mollea” para conhecer Martinelli, suas vinhas e seus vinhos.

 Para quem quer aprofundar eno-conhecimentos, nada melhor do que agendar uma degustação, guiada por Massimo (15 Euros por pessoa), através do telefone fixo (39) 0174.563.364 ou pelo celular (39) 333.20.90.002
 

Na adega de “Bricco Mollea”, a degustação, as explicações e um bom papo com o enólogo Massimo Martinelli, um dos pais do Barolo moderno, serão muito mais interessantes, aproveitáveis e ilustrativos do que o curso, “Entre Caros Copos”, ministrado pelo eterno perdedor de concursos mundiais, Diego Rebola.

Acredite.

Bacco

 

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

DEFILLA



Que a enoteca “Defilla”, de Chiavari, é um dos meus endereços preferidos, na Liguria, já não é segredo.

Tocada pelo competente sommelier, Sergio Rossi, que administra mais de 1.000 etiquetas, na grande e elegante sala é possível beber, em taças (mais de 20 etiquetas), desde um simples Dolcetto, ou Vermentino, até bons Barolo ou Champagne.

Se o cliente desejar, uma boa cozinha de poucos pratos, mas magistralmente preparados, pode acompanhar os vinhos em degustação.

Ao lado da enoteca, o bar “Defilla” (um dos bares históricos da Itália) com seus 150 anos, continua oferecendo aos clientes, também, boas opções de vinhos em taça, serviço de café, chá, confeitaria e uma impressionante seleção de destilados.

O espaço reservado ao super-alcoólicos é bem menor do que o ocupado pelos vinhos, mas a variedade é de tirar o folego até dos mais refinados clientes.

Cognac, Armagnac, Calvados, Rum, Whisky, Brandy, Madeira, Porto, Licores etc. etc. etc., raros e caros, fazem sorrir os apaixonados consumidores e chorar os cartões de credito......  

As fotos, com alguns preços, comprovam minhas palavras.

Na sofisticada secção do “Defilla”, acreditem, até nossa popular cachaça está presente.

Aliás, em quase todas as prateleiras dos bares da Itália a cachaça está presente o que denota a inteligência e agressividade dos produtores da nossa brasileiríssima pinga, marvada, caninha, branquinha, mé, uma-aí.......


Quase-vinhos nacionais?

Nem sombra.

Nossos produtores-predadores continuam sodomizando apenas os enófilos brasileiros com etiquetas de R$ 300-500-600 e até de R$ 800.

Parabéns e continuem assim para permanecer nos 1,6 litros per-capita ano

Bacco