O consumidor brasileiro sofre como poucos ao comprar vinhos.
Grande parte do mercado nacional está na mão de predadores,
aproveitadores e picaretas.
Produtores nacionais e grandes importadores, parecem disputar
quem conseguirá esvaziar, mais profunda e rapidamente, os bolsos dos enófilos
brasileiros
Os pequenos importadores, que tentam disputar mercado, sofrem
com a imensa burocracia de importação, com desconhecimento das regiões e dos produtores
certo (caminho das pedras...) e com difícil acesso às fontes mais
interessantes.
Resultado 1: O consumidor nacional é obrigado a engolir tremendas
bostas nacionais ou tremendas bostas importadas e fica à mercê dos manjados
predadores de plantão.
Resultado 2: O consumo de vinhos no Brasil continuará
tragicamente ridículo.
Jeriel, amigo do Facebook, escreve e comenta, com seriedade,
inúmeros vinhos.
O longo convívio e mutuo respeito, permitiram que inúmeras vezes
trocássemos ideias sobre castas, etiquetas, preços, regiões vinícolas etc.
Jeriel é um tremendo “fuçador” e não raramente descobre bons
vinhos com preços interessantes.
Sua jornada “descobridora”, todavia, tem revelado alguns picaretas
peninsulares que nada devem, em esperteza e safadeza, aos colegas tropicais do
Brasil vinícola: Picareta unido jamais será vencido!
Jeriel, semana passada, postou a foto de um Barbaresco e um
Barolo que abaixo reproduzo.
Encontrar, nas prateleiras dos supermercados italianos, Barbaresco de R$
89,90 (20 Euros) e Barolo de R$ 139,90 (31
Euros) é uma raridade, imaginemos, então, no varejo brasileiro.
Qual o milagre?
O milagre é o de sempre: Vinhos “che fanno cagare” (vinhos que
dão caganeira).
O Barbaresco e o Barolo, em questão, são produzidos pela “Casa Vinicola
Natale Verga”.
A Natale Verga, localizada na cidade lombarda de Cemenate na província
de como, é uma das cinquenta maiores produtoras de vinho da Itália com um
faturamento de quase 50 milhões de Euros por ano.
A Natale Verga, não possui sequer um metro quadrado de vinhas,
não esmaga sequer um quilo de uva, mas derrama no mercado 54 tipologias de vinho.
Além do Barbaresco e Barolo, a Verga produz (25.000 garrafas
por hora), de Prosecco, Chianti, Barbera, Grillo, Montepulciano D’Abruzzo,
Moscato D’Asti, Nero d’Avola, Primitivo Salento, Pinot Grigio, Merlot Veneto,
Chardonnay Veneto, Soave, Cabernet Veneto, Falanghina, etc. etc.
etc.
É vinho “tremenda-bosta”
que não acaba mais.
A Natale Verga compra, vinho de baixíssima qualidade, de
produtores que não conseguem engarrafar e vender, armazena em seus enormes tanques
de aço e vai exportando, por preços bem baixo, para grandes cadeias de distribuição.
É sempre bom lembrar que um bom Barolo, comprado diretamente
do produtor, custa 25-35 Euros.
Por uma feliz coincidência acabei de comprar, na vinícola Giovanni Manzone,
meia dúzia de Barolo
Gramolere por 30 Euros.
Eu vou beber bem e você, que comprou o Barbaresco ou Barolo
Natale Verga, vai ter que estocar alguns rolos de papel higiênicos a mais:
Prevenir é melhor remédio......
Bacco





















