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domingo, 6 de janeiro de 2019

PICARETAGEM À ITALIANA


O consumidor brasileiro sofre como poucos ao comprar vinhos.
 

Grande parte do mercado nacional está na mão de predadores, aproveitadores e picaretas.
 

Produtores nacionais e grandes importadores, parecem disputar quem conseguirá esvaziar, mais profunda e rapidamente, os bolsos dos enófilos brasileiros

Os pequenos importadores, que tentam disputar mercado, sofrem com a imensa burocracia de importação, com desconhecimento das regiões e dos produtores certo (caminho das pedras...) e com difícil acesso às fontes mais interessantes.

Resultado 1: O consumidor nacional é obrigado a engolir tremendas bostas nacionais ou tremendas bostas importadas e fica à mercê dos manjados predadores de plantão.

Resultado 2: O consumo de vinhos no Brasil continuará tragicamente ridículo.

Jeriel, amigo do Facebook, escreve e comenta, com seriedade, inúmeros vinhos.

O longo convívio e mutuo respeito, permitiram que inúmeras vezes trocássemos ideias sobre castas, etiquetas, preços, regiões vinícolas etc.

Jeriel é um tremendo “fuçador” e não raramente descobre bons vinhos com preços interessantes.
 

Sua jornada “descobridora”, todavia, tem revelado alguns picaretas peninsulares que nada devem, em esperteza e safadeza, aos colegas tropicais do Brasil vinícola: Picareta unido jamais será vencido!

Jeriel, semana passada, postou a foto de um Barbaresco e um Barolo que abaixo reproduzo.
 

Encontrar, nas prateleiras dos supermercados italianos, Barbaresco de R$ 89,90 (20 Euros) e Barolo de R$ 139,90 (31 Euros) é uma raridade, imaginemos, então, no varejo brasileiro.

Qual o milagre?

O milagre é o de sempre: Vinhos “che fanno cagare” (vinhos que dão caganeira).

O Barbaresco e o Barolo, em questão, são produzidos pela “Casa Vinicola Natale Verga”.

A Natale Verga, localizada na cidade lombarda de Cemenate na província de como, é uma das cinquenta maiores produtoras de vinho da Itália com um faturamento de quase 50 milhões de Euros por ano.

A Natale Verga, não possui sequer um metro quadrado de vinhas, não esmaga sequer um quilo de uva, mas derrama no mercado 54 tipologias de vinho.
 

Além do Barbaresco e Barolo, a Verga produz (25.000 garrafas por hora), de Prosecco, Chianti, Barbera, Grillo, Montepulciano D’Abruzzo, Moscato D’Asti, Nero d’Avola, Primitivo Salento, Pinot Grigio, Merlot Veneto, Chardonnay Veneto, Soave, Cabernet Veneto, Falanghina, etc. etc. etc.

 É vinho “tremenda-bosta” que não acaba mais.

A Natale Verga compra, vinho de baixíssima qualidade, de produtores que não conseguem engarrafar e vender, armazena em seus enormes tanques de aço e vai exportando, por preços bem baixo, para grandes cadeias de distribuição.
 

É sempre bom lembrar que um bom Barolo, comprado diretamente do produtor, custa 25-35 Euros.

Por uma feliz coincidência acabei de comprar, na vinícola Giovanni Manzone, meia dúzia de Barolo Gramolere por 30 Euros.

Eu vou beber bem e você, que comprou o Barbaresco ou Barolo Natale Verga, vai ter que estocar alguns rolos de papel higiênicos a mais: Prevenir é melhor remédio......
 

Bacco

 

 

 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

CHATEAUNEUF-DU PAPE


 


Há anos não bebia um Chateauneuf-du-Pape branco.

Os tintos da Côte-du-Rhône, mais conhecidos e reconhecidos, são mais fáceis de encontrar: o enófilo brasileiro, apesar dos tropicalíssimos 35º, teima em consumir tintos “quanto mais alcoólicos e encorpados, melhor.

Eno-idiotice pura!
 

Brancos, das denominações Hermitage e Chateauneuf-du-Pape, além de raramente encontráveis, custam verdadeiras fortunas.
 
 
 

Uma pequena informação: Na promoção da Mistral, o Hermitage branco vai de R$ 690 até 2.470 e na Grand Cru um branco, Chateauneuf-du-Pape, não sai por menos de R$ 470.

As promoções da Mistral, além dos preços hiperbólicos, não garantem a integridade dos vinhos e os brancos, da liquidação, muitas vezes   já estão ladeiras abaixo.
 

Em um final de semana, visitando parentes em Belo Horizonte, foi aberta, em minha homenagem, uma grande seleção de ótimas garrafas.

 Para retribuir, em parte, o tsunami de vinho que bebi, resolvi presentear os anfitriões com uma garrafa de prestígio.
 

Em um supermercado, da capital mineira, encontrei uma enoteca que nada deve às melhores europeias.

Ótima variedade, etiquetas de inúmeros países, renomados produtores…. Uma beleza.

Percorri com calma as prateleiras e resolvi comprar uma garrafa (deveria ter comprado todas) de Chateauneuf-du-Pape Blanc 2014 do produtor “Xavier Vignon”, de quem nunca ouvi falar, por razoáveis R$ 220.00.

Que vinho!

O vinho da Côte-du-Rhône não possui a elegância dos grandes Puligny-Montrachet, mas a cor, os aromas, a estrutura e a assombrosa permanência na boca, são de tirar o chapéu.

O Chateauneuf-du-Pape de Xavier Vignon surpreende e confirma, mais uma vez, que a França, dos brancos, está anos luz à frente do restante do mundo.

Os preços exagerados, a dificuldade de encontrar e comprar vinhos dos pequenos produtores, estão me convencendo a “esquecer” um pouco a Borgonha e visitar novas regiões francesas.

Há anos “esqueci” a Côte-du-Rhône, mas ao degustar o Chateauneuf-du-Pape Blanc do Vignon, decidi que preciso retornar à região.

Grande vinho, ótimo preço.

Bacco

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

FELIZ 2019


 


Com a proximidade das festas de Natal e Ano Novo, as indústrias vinícolas nacionais entram em frenética ebulição à espera de grande aumento nas vendas de seus produtos.

É natural, previsível, afinal quem pastou o ano todo espera recuperar algum lucro com o sensível aumento de consumo de vinhos, em todo o país, durante as festividades.

Propaganda, promoções, descontos, nem sempre verdadeiros, etc., são naturais e compreensíveis.

Como sempre os (de)formadores de opinião, críticos, blogueiros e similares, participam do bom momento, esfregam as mãos de felicidade visualizando a possibilidade de ganhar algumas migalhas elogiando descaradamente os produtos das vinícolas nacionais.
 

É normal, comum e o fenômeno se repete a cada final de ano com confetes e plumas voando para todos os lados.

Até aqui tudo bem, mas a total subserviência, além de ridícula, é irritante.

 A total mudez, que atinge os críticos, sommeliers, blogueiros, revistas etc., quando o assunto é o exagerado preço dos vinhos nacionais, revela o inacreditável  grau de dependência, o incondicional servilismo e total desprezo pela correta informação.

 

Nem uma palavra de protesto, nem um alerta aos consumidores: O silêncio, sobre os altos preços dos vinhos nacionais, é de ouro.

Elogios e mais elogios.

Sobram, o cagaço de sempre e a costumeira conivência e dependência.
 

 Até aqui nenhuma novidade e 2018 termina com os picaretas e as picaretagens de sempre.

O que esperar em 2019?

Provavelmente um novo vinho da dupla Bueno&Cipresso por módicos R$ 659,99.
 

Feliz 2019
Dionísio

sábado, 22 de dezembro de 2018

FELIZ NATAL COM VINHO NACIONAL


A dupla Bueno&Cipresso resolveu presentear, para o Natal, os enófilos brasileiros com uma trolha de fazer inveja ao João do Pênis.


 

A trolha? Um Merlot nacional de R$ 530

Mais um insulto ao bolso e inteligência dos consumidores brasileiros.  

A dupla, que parece ter feito um curso intensivo no recôndito quartinho do joão do pênis, entra de sola na turma dos “produtores- sodomizadores”. 
 
 

Se você ainda não conhece o fechadíssimo clube dos eno-sodomizadores, aqui vão alguns nomes. 

Vinhedos Serena - Pinot Noir- R$ 499
 

Família Geisse- Cave Geisse Brut -  R$ 800
 

Miolo- Sesmarias -R$ 424
 

Valduga- Maria Valduga- R$ 239
 

Valduga- Luiz Valduga R$ 390
 

Carraro -Grande Vindima Tannat- R$320
 

Guaspari -Vista da Mata 2012- R$ 436
 

Don Laurindo- Comemorativo 80 anos R$ 250
 

Aracuri -Reduto Merlot R$ 245
 

Valmarinho -Churchill Terço R$ 469
 

Pizzato- DNA 99 Merlot R$ 390
 

Villa Francioni -Dilor Assemblage R$ 580
 

Viapiana -Via 1986 R$ 399
 

Salton- Espumante Lucia Canei R$ 235
 

Há mais, mas os predadores do elenco acima já são uma bela amostra da voracidade, ganancia e insensatez que norteia nossos produtores de vinho, produtores que, amparados por um escandaloso protecionismo, visam somente ganhar o possível e o impossível e assim contribuir para acabar, de vez, com ridículo consumo de vinhos no Brasil. 
 

Para aumentar minha eno-depressão, Bacco me encaminhou um   e- mail, da “Hachette”, onde constam alguns vinhos em promoção para o Natal. 

Escolhi apenas um, mas um que representa perfeitamente o quanto se rouba no Brasil-Vinhos: Champagne FOISSY-JOLY, que ganhou uma estrela na guia Hachette 2016, por 17,90 Euros (R$ 83,60).
   
Bonjour,

 

Aujourd'hui, nous vous recommandons cette pépite : La cuvée Réserve du domaine Foissy-Joly, plaisante par ses arômes (brioche, fruits jaunes et fruits exotiques) et par son équilibre entre sucre et acidité. Idéal pour l'apéritif ou pour accompagner du poisson grillé. 

Guide 2016 
FOISSY-JOLY
Champagne - Vin effervescent - blanc 

17,90 € TTC / la bt de 75 cl
Soit 107,40 € le carton de 6 bouteilles
 

É brincadeira…. 10 garrafas de Champagne pelo preço de uma única Cave Geisse Brut

 


Feliz Natal

 

Dionísio