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terça-feira, 10 de maio de 2022

ORKUT E FUSILLI AL LIMONE

 


Lembram, ainda, do Orkut?

Não sei se é normal, ou estou envelhecendo muito rapidamente, mas sempre e com maior frequência, as lembranças me provocam boa dose de nostalgia.

A nostalgia me atingiu em cheio, esta semana, ao receber uma mensagem do amigo Magno.

Conheci Magno através do finado Orkut e durante alguns anos nos comunicamos e trocamos ideias sobre vinhos e comidas.

Magno gerenciou um importante grupo do Orkut (já não lembro o nome....) que tratava de eno-gastronomia.

 Aos poucos alguns dos membros do grupo foram estreitando laços, cultivando amizades, até que surgiu a ideia de realizar alguns encontros para melhor se conhecerem.

A amizade, de alguns integrantes do grupo, foi aos poucos se fortalecendo e culminou com a realização de almoços realizados em Brasília e São Paulo.

O primeiro encontro gastronômico foi realizado, em minha casa brasiliense e contou com a presença de Magno e alguns amigos paulistas.

Como quase sempre acontece, o tempo, a distância e o prematuro “funeral” do Orkut dispersaram e dissiparam as amizades.


Já não lembro o nome de quase nenhum e um dos poucos que ainda restam em minha mente é Magno que em sua mensagem pediu a receita de uma massa que há anos publiquei: “Orecchiette com Spinaci e Pistacchi”

Nos anos “orkutianos” B&B era um site hospedado na Locaweb.

 Quando optei pelo atual blog, centenas de matérias, fotos, comentários, dicas, receitas etc., foram para o brejo e para brejo foi também e justamente a receita “Orecchiette con Spinaci e Pistacchi” (Massa com Espinafre e Pistache) que Magno pediu em sua mensagem.


Guardo em minha mente dezenas de receitas que cozinho regularmente, mas há outras, realizadas com menor assiduidade, que salvei, prudentemente, em “documentos”.

 Infelizmente a receita “Orecchiette con Spinaci e Pistacchi” não salvei.

Magno, infelizmente, precisará esperar que um raio de luz ilumine minha escura e cansada memória e traga de volta a receita da massa que provei, em um restaurante de Taormina, no início dos anos 2000

Mas nem tudo está perdido….

Caro Magno, esqueça, por enquanto, a massa “siciliana” e vá de “Fusilli al Limone”

INGREDIENTES (4 pessoas)

¾ de um pacote de “fusilli”

4 limões sicilianos

Creme de leite fresco (3 xícaras de chá)

Manteiga

Queijo Parmigiano ou Grana

Uma dose de Cognac ou Whisky

Suco de limão

Sal.

PREPARAÇÃO 

Retire as cascas dos limões, com o aparelho apropriado, bem finas e sem a parte branca.

Numa frigideira grande e de bordas altas, aqueça 3 colheres de manteiga.

Junte as cascas dos limões, frite por 15/20 segundos e em seguida adicione metade do creme de leite, duas colheres de suco de limão, o Cognac ou Whisky e leve quase à ebulição.

Enquanto prepara o molho coloque uma panela com água e um pouco de sal para ferver.

Quando a água atingir a ebulição jogue a massa na panela e tampe.

No pacote da massa há uma indicação do tempo de cozimento.

Prove os fusilli e quando estiverem “al dente” junte-os ao molho quase fervente.

Incorpore o restante do creme de leite e, sempre com o fogo aceso, amalgame o todo durante 10/15 segundos

Na hora de servir junte abundante Parmigiano ou Grana

Para beber?

Um belo e barato vinho branco: Chardonnay Tarapacá Cosecha de R$ 39,90


Bacco

 

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

BOICOTE

  
O mundo vinícola brasileiro é o paraíso da piada pronta, da picaretagem e da predação.

O incontrolado e incontrolável surgimento de vinícolas, em todo o território nacional, faz lembrar o aparecimento dos cogumelos na estação chuvosa: Pipocam em todos os cantos e em quantidades impressionantes.


Seria bom, seria ótimo, se as novas empresas (as antigas já estão demasiadamente “viciadas” e irrecuperáveis) chegassem ao mercado com o intuito e desejo de produzir vinhos bons e acessíveis e não preocupadas, apenas, com marketing, propagandas enganosas e preços exorbitantes.

Um caso típico, exemplar? GUASPARI.

A Guaspari se transformou, em menos de 15 anos, de vinícola desconhecida e artesanal em uma das mais badalas e caras produtoras de vinhos do Brasil.

Há caneta$ que não cansam de elogiar e glorificar os vinhos da predadora paulista.

 Investindo pesado, em caneta$ de vida fácil, a Guaspari conseguiu “convencer”, os enoloides do Brasil, que seu Pinot Noir vale três vezes mais do que um Pommard 1er Cru

Veja:


GUASPARI TERROIR - PINOT NOIR 2017

Safra: 2017
Uva(s): Pinot Noir
Maturação: 14 meses em barricas de carvalho francês
Corpo: Leve
Teor alcoólico:14%

MAIS DETALHES

R$628,00 (118 Euros)

 


CHÂTEAU DE SAINT ROMAIN POMMARD 1ER CRU 2014

NOUVEAUTÉ

Région : Bourgogne

Appellation : Pommard 1er cru

Domaine : Château de Saint Romain

Couleur : Rouge

Contenance (cl) : 75

Référence : 72914

2014

 36,00 € (R$ 190)

A pergunta: Será que a Guaspari conseguiria vender, na França, para os franceses, seu Pinot Noir por 118 Euros?

Outra pergunta: Será que o francesinho, que resolveu beber um bom vinho, vai deixar de compram uma bela garrafa de Pommard 1er Cru por 36 Euros e optar por um Pinot Noir, da Guaspari vinificado na Serra da Mantiqueira, por 118 Euros?

A resposta deveria ser dada pelas caneta$ de aluguel contratadas pela predadora de Espirito Santo dos Pinhais.

Todas as vinícolas nacionais parecem perseguir a mesma e única meta: Ter em seu catalogo, pelo menos, uma etiqueta com preço exorbitante, irreal, indecente.

A última piada pronta que me contaram: Luiz Argenta “Merlot Uvas Desidratadas R$ 891,00. (168 Euros)

A predadora do Sul consegue uma proeza ímpar: Produzir, em terras gaúchas, um “MERLOTONE” (Amarone de uvas Merlot).

 A proeza não se limita ao“Merlotone”: A Luiz “Argentária” lasca um preço que faria morrer de raiva 99,9% dos produtores de Negrar e vizinhanças.

Qual a razão?

O preço médio do Amarone, na Itália, oscila entre 20/50 Euros e apenas uma pequena parcela de produtores se atreve exibir garrafas de 80/100 Euros.

Há, como sempre, os “ídolos” dos abonados....

Os ícones, idolatrados pelos enoloides, são “Dal Forno” e “Quintarelli”.

Garrafas de Quintarelli e Dal Forno, todavia, jamais serão vistas em mesas “italianas”.

Beber vinhos com 15/16º de álcool em países tropicais é o fim da picada.

Mas o que fazer, então, com os picaretas das garrafas?

Boicotar!

Vinhos nacionais, ”tremendas-bostas”, vendidos por preços de causar inveja aos produtores franceses, portugueses, espanhóis, italianos etc. devem ser, sim, boicotados.  

Boicotando, sistematicamente, quem sabe em um futuro não tão distante, Miolo, Valduga, Guaspari, Geisse, Carraro, Milantino, Bueno, Pericó, Bettú, Tormentas, Pizzato, Don Laurindo etc. (que souber mais, acrescente…) parem de tentar transformar nossos traseiros em seus exclusivos parques de diversões.


Dionísio

PS. A Guaspari não assalta nossos bolsos apenas com seus vinhos, a Guaspari nos sodomiza, também com o café

Vejam.

 

CAFÉ ESPECIAL GUASPARI - EM GRÃOS (250G)

O café especial Guaspari 86 pontos é fruto de uma safra excepcional de grãos da variedade Catuaí Vermelho colhidos manualmente de microlotes selecionados. O resultado foi uma produção limitada de aproximadamente 1.000 unidades de um café único que apresenta um sabor cítrico com um toque adocicado de mel e notas de amêndoas. Em boca possui corpo denso, cremoso e com boa acidez. Trata-se de um café de alta complexidade com um final longo e agradável.

Tipo: 100% arábica
Notas aromáticas: Chocolate e Frutas Vermelhas
Acidez : Cítrica e Marcante
Variedade(s): Catuaí Vermelho
Torra: Média
Altitude: 1.200m

MAIS DETALHES

R$48,00

 

1 Quilo = R$ 192,00 

Dionísio


sexta-feira, 22 de abril de 2022

JUIZ BEBUM 2

 


Impossível recordar, classificar, julgar qualidades e defeitos de 19 vinhos em uma degustação de pouco mais de 2 horas.

Quando leio ou vejo os “experts” brasileiros degustando, julgando, anotando aromas, sabores, classificando centenas e centenas de vinhos, em eventos de duvidosa seriedade, corro à farmácia para renovar meu estoque de Plasil....

Há eventos em que os “jurados-em vão” provam, em apenas dois dias, 700-800 e até 1.000 etiquetas.


Picaretagens puras e descarados caça-níqueis em bocas livres.

De todos os vinhos, degustados, na “Vineria Macchiavello”, lembro apenas dois: Champagne: “Cuvée Operis Blanc de Blancs Brut Prestige Grand Cru”, da vinícola Louis Massing e o ”Cuvée Brut Blanc de Noir Grand Cru” da vinícola Fromentin Leclapart.


Poderia descrever muitos outros, inventando dezenas de aromas e sabores, remotas sensações, recônditas sutilezas etc. mas deixo o ridículo papel aos “jurados-em-vão” de nosso picadeiro vinícola.



O “Cuvée Operis Blanc de Blancs Brut Prestige Grand Cru” é vinificado pela Louis Massing de Avize (Avize é um prestigioso Grand Cru da Champagne).

100% Chardonnay, o “Cuvée Operis” afina um mínimo de 48 meses “sur lies”.

Muito equilibrado, fino, no nariz apresenta aromas florais e de brioche.

 Na boca é fácil perceber leves notas amanteigadas, agradável acidez além de esbanjar elegância e coroar o final com boa persistência.

O mais interessante, acreditem, e o preço: O Champagne Louis Massing, “Cuvée Operis Blanc de Blanc Brut Prestige Grand Cru” custa pouco mais de 34 Euros.

Você, que comprou um Valduga 130 Blanc de Blanc, e pagou, nada insignificantes, R$ 199,00 (38 Euros), não perca as esperanças…. Não é o único assaltado do Brasil.

O “Cuvée Brut Blanc de Noir Grand Cru”, da Fromentin Leclapart, é um Champagne 100% Pinot Noir.


A Fromentin Leclapart é uma pequena vinícola familiar, fundada em 1925 que após quatro gerações é guiada, hoje, por Jean Baptiste Leclapart.

A propriedade da família se estende por 5 hectares, todos localizado na encosta meridional da “Montagne de Reims”, no município de Bouzy.

O Blanc d Noir Grand Cru”, da Fromentin Leclapart, doa ao nariz interessantes notas florais e cítricas.


Na boca se apresenta rico, harmonioso, leves percepção de leveduras e com sutis nuances aromáticas.

Belo Champagne que custa 38 Euros.

Caríssimo enófilo, você que comprou um espumante da Valduga, por R$ 199 e teve uma crise de nervos, não sorria quando souber que um outro apreciador de bolhas foi hipnotizado pelo marketing dos Mandrakes-Geisse e adquiriu um espumante Cave Geisse 2011 Brut, por sodomíticos R$920,00 (173 euros)

 Contenha o riso pois o infeliz já entrou em depressão.

Bacco

terça-feira, 19 de abril de 2022

JUIZ BEBUM

 

Segunda feira fria, chuvosa, triste….. clima quase invernal.

O abril, de Santa Margherita, não queria, teimosamente, abrir os braços à primavera.

Nenhuma notícia alvissareira, nenhum compromisso, nenhuma viagem programada, restaurantes quase todos fechados, nas ruas, semidesérticas, escassos e silenciosos turistas parecendo zumbis tentavam inutilmente encontrar uma “salvadora” pizzeria.......só me restava beber.

 Lentamente, mas decidido, percorri os 300 metros que separam minha casa da aconchegante “Vineria Macchiavello”.

A “Vineria Macchiavello” é dos raros bares da cidade que serve taças de bons Champagne e sem assaltar os bolsos dos enófilos.

Ao abrir a porta do bar, uma surpresa: “Telefonei algumas vezes, mas você não respondeu. Estamos degustando alguns Champagne e vamos escolher os que serviremos no próximo verão. Queríamos que você participasse”.

Enrico e Valeria da “Vineria Macchiavello”, Elisa e Matteo, do restaurante “Angolo 48”, Francesco, do restaurante “Beppe Achilli” e Andrea, sommelier da “Vineria”, estavam iniciando a degustação de Champagne e vinhos franceses importados pela “Passion France”.

Sem mais delongas, me aproximei do grupo, peguei a taça que fora oferecida e iniciei a maratona alcoólica.

Se alguém perguntar o porquê da “maratona” devo esclarecer que, naquela tarde-noite, degustamos nada menos do que 12 Champagne, 1 Saint-Vèran, 2 Santenay, 1 Chassagne-Montrachet, 1 Meursault, 1 Chablis e 1 Sancerre.

Uma pequena pausa para esclarecimentos....

Jamais entendi e sempre condenei uma das “manias” dos enófilos brasileiros: A confraria.

Acho que as confrarias são, na realidade, encontros semanais, quinzenais ou mensais, em que amigos se reúnem para encher a cara.

A quantidade de garrafas, consumidas nas “confrarias”, sempre é exagerada e nenhuma “sentença” de juiz-bebum é digna de respeito.

Depois do quarto ou quinto copo ninguém tem condições de degustar e opinar com seriedade.

Você perguntará: “Após 19 vinhos provado   em que estado estavam, então, os participantes da degustação promovida pela Passion France? ”

Apesar de todos beberem com muita moderação e jogarem no balde a maior parte dos vinhos servidos (um participante não desprezou nem uma gota sequer…), já na decima taça o volume das risadas atingiu níveis altíssimos, uma das “degustadoras” não conseguia falar sem balbuciar, o banheiro foi tomado de assalto e eu, ao retornar para casa, nem percebi que a abundante chuva me ensopava sem piedade.

Algum sóbrio?

Apenas os dois importadores e Enrico Valle, proprietário da “Vineria”, que fingiram beber.

Se eu comentasse os vinhos, degustados naquela ocasião, estaria cometendo uma desonestidade intelectual, igual o pior, do que aquelas que nossos profissionais, sommeliers, especialistas, críticos, influenciadores etc. praticam em suas maratonas etílicas.

Um dos mais renomados “degustadores-profissionais-picaretas” do Brasil é Marcelinho-Pão-e-Vinho-Copellinho.

Copellinho já se vangloriou de ter provado, em um ano, nada menos do que 5.000 etiquetas.



Uma rápida conta matemática nos leva a um impressionante resultado: Marcelinho teria mandado goela abaixo nada menos do que 13,65 vinhos por dia.

Imaginem a língua, paladar, nariz (fígado? Nem pensar...) do Copellinho no 35º dia......

Marcelinho, não possui, kriptoníticos poderes; Marcelinho é um simples mortal e, assim como eu e todos os outros integrantes da degustação na “Vineria Macchiavello”, depois de 40 minutos de libações não saberia distinguir um Chardonnay de um Aligoté.


Para poder entender melhor o que acontece com um “juiz-bebum” basta rever o vídeo onde, em um de seus melhores momentos, o Copellinho nos brida com mais um impagável vexame.

Nosso juiz-bebum transforma o Chardonnay “Sibaris’ no melhor tinto do novo mundo e muda a pronúncia do vinho “Lávico” que, em sua alcoolizada mente, se transforma em “Levico”.

https://www.youtube.com/watch?v=hZAXusWWmis

Na próxima matéria comentarei apenas os dois Champagne dos quais me recordo e informarei os preços dos vinhos degustados.

Inacreditáveis!

Bacco