Facebook


Pesquisar no blog

sexta-feira, 22 de abril de 2022

JUIZ BEBUM 2

 


Impossível recordar, classificar, julgar qualidades e defeitos de 19 vinhos em uma degustação de pouco mais de 2 horas.

Quando leio ou vejo os “experts” brasileiros degustando, julgando, anotando aromas, sabores, classificando centenas e centenas de vinhos, em eventos de duvidosa seriedade, corro à farmácia para renovar meu estoque de Plasil....

Há eventos em que os “jurados-em vão” provam, em apenas dois dias, 700-800 e até 1.000 etiquetas.


Picaretagens puras e descarados caça-níqueis em bocas livres.

De todos os vinhos, degustados, na “Vineria Macchiavello”, lembro apenas dois: Champagne: “Cuvée Operis Blanc de Blancs Brut Prestige Grand Cru”, da vinícola Louis Massing e o ”Cuvée Brut Blanc de Noir Grand Cru” da vinícola Fromentin Leclapart.


Poderia descrever muitos outros, inventando dezenas de aromas e sabores, remotas sensações, recônditas sutilezas etc. mas deixo o ridículo papel aos “jurados-em-vão” de nosso picadeiro vinícola.



O “Cuvée Operis Blanc de Blancs Brut Prestige Grand Cru” é vinificado pela Louis Massing de Avize (Avize é um prestigioso Grand Cru da Champagne).

100% Chardonnay, o “Cuvée Operis” afina um mínimo de 48 meses “sur lies”.

Muito equilibrado, fino, no nariz apresenta aromas florais e de brioche.

 Na boca é fácil perceber leves notas amanteigadas, agradável acidez além de esbanjar elegância e coroar o final com boa persistência.

O mais interessante, acreditem, e o preço: O Champagne Louis Massing, “Cuvée Operis Blanc de Blanc Brut Prestige Grand Cru” custa pouco mais de 34 Euros.

Você, que comprou um Valduga 130 Blanc de Blanc, e pagou, nada insignificantes, R$ 199,00 (38 Euros), não perca as esperanças…. Não é o único assaltado do Brasil.

O “Cuvée Brut Blanc de Noir Grand Cru”, da Fromentin Leclapart, é um Champagne 100% Pinot Noir.


A Fromentin Leclapart é uma pequena vinícola familiar, fundada em 1925 que após quatro gerações é guiada, hoje, por Jean Baptiste Leclapart.

A propriedade da família se estende por 5 hectares, todos localizado na encosta meridional da “Montagne de Reims”, no município de Bouzy.

O Blanc d Noir Grand Cru”, da Fromentin Leclapart, doa ao nariz interessantes notas florais e cítricas.


Na boca se apresenta rico, harmonioso, leves percepção de leveduras e com sutis nuances aromáticas.

Belo Champagne que custa 38 Euros.

Caríssimo enófilo, você que comprou um espumante da Valduga, por R$ 199 e teve uma crise de nervos, não sorria quando souber que um outro apreciador de bolhas foi hipnotizado pelo marketing dos Mandrakes-Geisse e adquiriu um espumante Cave Geisse 2011 Brut, por sodomíticos R$920,00 (173 euros)

 Contenha o riso pois o infeliz já entrou em depressão.

Bacco

terça-feira, 19 de abril de 2022

JUIZ BEBUM

 

Segunda feira fria, chuvosa, triste….. clima quase invernal.

O abril, de Santa Margherita, não queria, teimosamente, abrir os braços à primavera.

Nenhuma notícia alvissareira, nenhum compromisso, nenhuma viagem programada, restaurantes quase todos fechados, nas ruas, semidesérticas, escassos e silenciosos turistas parecendo zumbis tentavam inutilmente encontrar uma “salvadora” pizzeria.......só me restava beber.

 Lentamente, mas decidido, percorri os 300 metros que separam minha casa da aconchegante “Vineria Macchiavello”.

A “Vineria Macchiavello” é dos raros bares da cidade que serve taças de bons Champagne e sem assaltar os bolsos dos enófilos.

Ao abrir a porta do bar, uma surpresa: “Telefonei algumas vezes, mas você não respondeu. Estamos degustando alguns Champagne e vamos escolher os que serviremos no próximo verão. Queríamos que você participasse”.

Enrico e Valeria da “Vineria Macchiavello”, Elisa e Matteo, do restaurante “Angolo 48”, Francesco, do restaurante “Beppe Achilli” e Andrea, sommelier da “Vineria”, estavam iniciando a degustação de Champagne e vinhos franceses importados pela “Passion France”.

Sem mais delongas, me aproximei do grupo, peguei a taça que fora oferecida e iniciei a maratona alcoólica.

Se alguém perguntar o porquê da “maratona” devo esclarecer que, naquela tarde-noite, degustamos nada menos do que 12 Champagne, 1 Saint-Vèran, 2 Santenay, 1 Chassagne-Montrachet, 1 Meursault, 1 Chablis e 1 Sancerre.

Uma pequena pausa para esclarecimentos....

Jamais entendi e sempre condenei uma das “manias” dos enófilos brasileiros: A confraria.

Acho que as confrarias são, na realidade, encontros semanais, quinzenais ou mensais, em que amigos se reúnem para encher a cara.

A quantidade de garrafas, consumidas nas “confrarias”, sempre é exagerada e nenhuma “sentença” de juiz-bebum é digna de respeito.

Depois do quarto ou quinto copo ninguém tem condições de degustar e opinar com seriedade.

Você perguntará: “Após 19 vinhos provado   em que estado estavam, então, os participantes da degustação promovida pela Passion France? ”

Apesar de todos beberem com muita moderação e jogarem no balde a maior parte dos vinhos servidos (um participante não desprezou nem uma gota sequer…), já na decima taça o volume das risadas atingiu níveis altíssimos, uma das “degustadoras” não conseguia falar sem balbuciar, o banheiro foi tomado de assalto e eu, ao retornar para casa, nem percebi que a abundante chuva me ensopava sem piedade.

Algum sóbrio?

Apenas os dois importadores e Enrico Valle, proprietário da “Vineria”, que fingiram beber.

Se eu comentasse os vinhos, degustados naquela ocasião, estaria cometendo uma desonestidade intelectual, igual o pior, do que aquelas que nossos profissionais, sommeliers, especialistas, críticos, influenciadores etc. praticam em suas maratonas etílicas.

Um dos mais renomados “degustadores-profissionais-picaretas” do Brasil é Marcelinho-Pão-e-Vinho-Copellinho.

Copellinho já se vangloriou de ter provado, em um ano, nada menos do que 5.000 etiquetas.



Uma rápida conta matemática nos leva a um impressionante resultado: Marcelinho teria mandado goela abaixo nada menos do que 13,65 vinhos por dia.

Imaginem a língua, paladar, nariz (fígado? Nem pensar...) do Copellinho no 35º dia......

Marcelinho, não possui, kriptoníticos poderes; Marcelinho é um simples mortal e, assim como eu e todos os outros integrantes da degustação na “Vineria Macchiavello”, depois de 40 minutos de libações não saberia distinguir um Chardonnay de um Aligoté.


Para poder entender melhor o que acontece com um “juiz-bebum” basta rever o vídeo onde, em um de seus melhores momentos, o Copellinho nos brida com mais um impagável vexame.

Nosso juiz-bebum transforma o Chardonnay “Sibaris’ no melhor tinto do novo mundo e muda a pronúncia do vinho “Lávico” que, em sua alcoolizada mente, se transforma em “Levico”.

https://www.youtube.com/watch?v=hZAXusWWmis

Na próxima matéria comentarei apenas os dois Champagne dos quais me recordo e informarei os preços dos vinhos degustados.

Inacreditáveis!

Bacco

sábado, 9 de abril de 2022

SPRITZ CARLOS GARDEL

 

Quem leu as últimas matérias, pulicadas no blog, pode ter sido induzido a acreditar que somente no Brasil o setor vinícola é dominado por quadrilhas de espertalhões e picaretas.

Errado!

Em todos os cantos do mundo há espertalhões e picaretas especializados em tentar enganar, de todas formas e maneiras, os enófilos menos experientes.

Na França, Itália, Portugal, Espanha, Chile, Argentina etc. os produtores não são exatamente ilibadas vestais ....

 Lá, como cá, quando os picaretas encontram uma brecha, tentam ludibriar os consumidores mais desavisados.

Uma coisa, porém, é certa; é muito mais fácil enganar enófilos de países sem tradições vinícolas, culturais e de consumo, exatamente como o Brasil, do que, por exemplo, Portugal.

Um dado gritante: O brasileiro consome apenas e ridículos 2 litros de vinho/ano e o português, pasmem, consome mais de 45 litros/ano.

A pergunta: É mais fácil enganar o enófilo brasileiro ou o Português?

Voltado aos picaretas......

Leio e releio, quase sem poder acreditar, que a LVMH, gigante no mundo do vinho, moda, perfumes, hotéis etc., está lançando, no mercado europeu, um novo produto: “Chandon Garden Spritz”.

Até aí, pensei, nada de extraordinário, afinal, quem produz alguns dos piores Champagne do mercado, pode tranquilamente e impunemente, engarrafar muitas outras porcarias.

A picaretagem aparece, todavia, quando se avança na leitura.

O “Spritz”, aperitivo símbolo do “Made in Italy”, se espalhou e é sucesso em todos os cantos do planeta.

O componente principal, do cocktail, é o italianíssimo Prosecco, Prosecco que, adicionado a um “Bitter” (Aperol, Campari ou outro da mesma família), doa vida ao “Spritz”.

O “casal”, Prosecco-Bitter, é sucesso mundial há décadas e não dá sinais de cansaço ou fraqueza.

O lançamento da Chandon fez aceder uma luz de alerta e torcer o nariz dos produtores de Prosecco.

Os viticultores, do espumante italiano, sabem que a palavra “Spritz” vale ouro (calcula-se que, em 2020, o faturamento do Prosecco-Spritz tenha alcançado nada desprezíveis 4,3 bilhões de Euros) e não estão dispostos a entregar ou dividir mercados.

A entrada da oportunista e vivaldina, Chandon, no mercado dos cocktails, não deveria, todavia, e em minha opinião, assustar os viticultores de Valdobbiadene, Conegliano, Jesolo e arredores.

Sabem com o que e onde é produzido o “Chandon Garden Spritz”?

O “Chandon Garden Spritz” nasce da união de um vinho frisante argentino, produzido em Mendoza e de um bitter obtido através da maceração de laranjas amargas.

É o “Spritz Carlos Gardel”

Os dois ingredientes são engarrafados e juntos seguem tentando conquistar o mercado.

Uma conquista, creio, difícil.

Um espumante argentino, amalgamado a um bitter de laranja, não é exatamente um irresistível apelo de consumo e não provocará, creio, nem cócegas ao “Prosecco Spritz”.

Além de uma origem nada recomendável, empolgante e de qualidade duvidosas, o “Chandon Garden Spritz” encontrará mais um obstáculo para se firmar no mercado: O preço.

A garrafa do “Chandon Garden Spritz”, da predadora francesa LVMH, custará nada módicos 19 Euros.

É sempre bom alertar os leitores que com 23/25 Euros compro, na Europa, inúmeros Champanhe 1er Cru, daí.....

O “Chandon Carlos Gardel Spritz”, quando servido em taças nos bares, custará 8/10 Euros, ou seja, mais que o dobro do Spritz “Made in Italy” que pode ser consumido, em todos os cantos da Europa, por 3/4 Euros.

Como se já não bastasse o horrível “Prosecco Spritz” a espertalhona LVMH vai poluir, mais ainda, as taças europeias com “Spritz Carlos Gardel”.

HELP!

Vamos fazer uma aposta?

Eu aposto que uma das inúmeras predadoras picaretas tupiniquins lançará, ainda em 2022, o “Segundo Melhor Spritz do Mundo” (e mais caro, também)

Bacco

quarta-feira, 6 de abril de 2022

A ABS E O KIT DIARREIA

 


A velha e mumificada AB$ se reapresenta, em sua nova fase pos-covid, tentando sair de seu proverbial estado letárgico e voltar à vida.

Não adianta..... A AB$ continua se comunicando em sânscrito e para uma plateia de terraplanistas.

A AB$ é rainha do eno-atraso.

Depois da “…. Volta em grande estilo”, do GD 109 (veja a matéria “https://baccoebocca-us.blogspot.com/2022/03/a-abs-continua-mesma-2.html) a AB$ São Paulo promove um “Curso Básico de Vinhos”, mas adivinhe onde?

Não adivinhou?

Em São Roque e pasmem, na Vinícola Góes uma das maiores engarrafadoras de quase-vinhos-tremendas-bostas do Brasil

Inacreditável!

O mais inacreditável, ainda, e que o enófilo-cobaia, para engolir as tremendas-bostas da Góes, deverá desembolsar nada menos do que

R$ 1.500.

Confesso ser a primeira vez que assisto a vítima pagar o algoz pela  tortura.   

Uma associação que se declara, angelicamente, “A Associação Brasileira de Sommelier é uma entidade sem fins lucrativos, que tem por objetivo a difusão da cultura do vinho” mente duas vezes

1º lucra, sim! Indiretamente, com grana por baixo do pano, doações de garrafas, viagens, mordomias, bocas-livres e.…cursos picaretas.

2º “…difusão da cultura do vinho”? Ministrando cursos com os quase-vinhos da Góes? Qual cultura do vinho se pode esperar bebendo quase-vinhos da Góes?


O desavisado “eno-14-neuronios”, que participar do Góes-Eno-Suplício, nunca mais será o mesmo e revoltado voltará correndo para os copos de cachaça e de cerveja.

A AB$ deveria se envergonhar de patrocinar uma picaretagem, como a anunciada, para o mês de maio e que custa R$1.500.

Dionísio

PS. A AB$ informa: Nos R$1.500 da inscrição cada participante receberá, inteiramente grátis, o “KIT DIARREIA”:

 24 comprimidos de Imosec, 4 rolos de papel higiênico, 24 fraldas geriátricas, 12 bermudas anti-vazamento, 2 Spray de 400 ml Bom Ar Lavanda