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sábado, 9 de abril de 2022

SPRITZ CARLOS GARDEL

 

Quem leu as últimas matérias, pulicadas no blog, pode ter sido induzido a acreditar que somente no Brasil o setor vinícola é dominado por quadrilhas de espertalhões e picaretas.

Errado!

Em todos os cantos do mundo há espertalhões e picaretas especializados em tentar enganar, de todas formas e maneiras, os enófilos menos experientes.

Na França, Itália, Portugal, Espanha, Chile, Argentina etc. os produtores não são exatamente ilibadas vestais ....

 Lá, como cá, quando os picaretas encontram uma brecha, tentam ludibriar os consumidores mais desavisados.

Uma coisa, porém, é certa; é muito mais fácil enganar enófilos de países sem tradições vinícolas, culturais e de consumo, exatamente como o Brasil, do que, por exemplo, Portugal.

Um dado gritante: O brasileiro consome apenas e ridículos 2 litros de vinho/ano e o português, pasmem, consome mais de 45 litros/ano.

A pergunta: É mais fácil enganar o enófilo brasileiro ou o Português?

Voltado aos picaretas......

Leio e releio, quase sem poder acreditar, que a LVMH, gigante no mundo do vinho, moda, perfumes, hotéis etc., está lançando, no mercado europeu, um novo produto: “Chandon Garden Spritz”.

Até aí, pensei, nada de extraordinário, afinal, quem produz alguns dos piores Champagne do mercado, pode tranquilamente e impunemente, engarrafar muitas outras porcarias.

A picaretagem aparece, todavia, quando se avança na leitura.

O “Spritz”, aperitivo símbolo do “Made in Italy”, se espalhou e é sucesso em todos os cantos do planeta.

O componente principal, do cocktail, é o italianíssimo Prosecco, Prosecco que, adicionado a um “Bitter” (Aperol, Campari ou outro da mesma família), doa vida ao “Spritz”.

O “casal”, Prosecco-Bitter, é sucesso mundial há décadas e não dá sinais de cansaço ou fraqueza.

O lançamento da Chandon fez aceder uma luz de alerta e torcer o nariz dos produtores de Prosecco.

Os viticultores, do espumante italiano, sabem que a palavra “Spritz” vale ouro (calcula-se que, em 2020, o faturamento do Prosecco-Spritz tenha alcançado nada desprezíveis 4,3 bilhões de Euros) e não estão dispostos a entregar ou dividir mercados.

A entrada da oportunista e vivaldina, Chandon, no mercado dos cocktails, não deveria, todavia, e em minha opinião, assustar os viticultores de Valdobbiadene, Conegliano, Jesolo e arredores.

Sabem com o que e onde é produzido o “Chandon Garden Spritz”?

O “Chandon Garden Spritz” nasce da união de um vinho frisante argentino, produzido em Mendoza e de um bitter obtido através da maceração de laranjas amargas.

É o “Spritz Carlos Gardel”

Os dois ingredientes são engarrafados e juntos seguem tentando conquistar o mercado.

Uma conquista, creio, difícil.

Um espumante argentino, amalgamado a um bitter de laranja, não é exatamente um irresistível apelo de consumo e não provocará, creio, nem cócegas ao “Prosecco Spritz”.

Além de uma origem nada recomendável, empolgante e de qualidade duvidosas, o “Chandon Garden Spritz” encontrará mais um obstáculo para se firmar no mercado: O preço.

A garrafa do “Chandon Garden Spritz”, da predadora francesa LVMH, custará nada módicos 19 Euros.

É sempre bom alertar os leitores que com 23/25 Euros compro, na Europa, inúmeros Champanhe 1er Cru, daí.....

O “Chandon Carlos Gardel Spritz”, quando servido em taças nos bares, custará 8/10 Euros, ou seja, mais que o dobro do Spritz “Made in Italy” que pode ser consumido, em todos os cantos da Europa, por 3/4 Euros.

Como se já não bastasse o horrível “Prosecco Spritz” a espertalhona LVMH vai poluir, mais ainda, as taças europeias com “Spritz Carlos Gardel”.

HELP!

Vamos fazer uma aposta?

Eu aposto que uma das inúmeras predadoras picaretas tupiniquins lançará, ainda em 2022, o “Segundo Melhor Spritz do Mundo” (e mais caro, também)

Bacco

quarta-feira, 6 de abril de 2022

A ABS E O KIT DIARREIA

 


A velha e mumificada AB$ se reapresenta, em sua nova fase pos-covid, tentando sair de seu proverbial estado letárgico e voltar à vida.

Não adianta..... A AB$ continua se comunicando em sânscrito e para uma plateia de terraplanistas.

A AB$ é rainha do eno-atraso.

Depois da “…. Volta em grande estilo”, do GD 109 (veja a matéria “https://baccoebocca-us.blogspot.com/2022/03/a-abs-continua-mesma-2.html) a AB$ São Paulo promove um “Curso Básico de Vinhos”, mas adivinhe onde?

Não adivinhou?

Em São Roque e pasmem, na Vinícola Góes uma das maiores engarrafadoras de quase-vinhos-tremendas-bostas do Brasil

Inacreditável!

O mais inacreditável, ainda, e que o enófilo-cobaia, para engolir as tremendas-bostas da Góes, deverá desembolsar nada menos do que

R$ 1.500.

Confesso ser a primeira vez que assisto a vítima pagar o algoz pela  tortura.   

Uma associação que se declara, angelicamente, A Associação Brasileira de Sommelier é uma entidade sem fins lucrativos, que tem por objetivo a difusão da cultura do vinho mente duas vezes

1º lucra, sim! Indiretamente, com grana por baixo do pano, doações de garrafas, viagens, mordomias, bocas-livres e.…cursos picaretas.

“…difusão da cultura do vinho”? Ministrando cursos com os quase-vinhos da Góes? Qual cultura do vinho se pode esperar bebendo quase-vinhos da Góes?


O desavisado “eno-14-neuronios”, que participar do Góes-Eno-Suplício, nunca mais será o mesmo e revoltado voltará correndo para os copos de cachaça e de cerveja.

A AB$ deveria se envergonhar de patrocinar uma picaretagem, como a anunciada, para o mês de maio e que custa R$1.500.

Dionísio

PS. A AB$ informa: Nos R$1.500 da inscrição cada participante receberá, inteiramente grátis, o “KIT DIARREIA”:

 24 comprimidos de Imosec, 4 rolos de papel higiênico, 24 fraldas geriátricas, 12 bermudas anti-vazamento, 2 Spray de 400 ml Bom Ar Lavanda

 


segunda-feira, 4 de abril de 2022

ENO MANDRAKES E OS 24 NEURÔNIOS

 


O Brasil não é somente o paraíso dos “Quase-Vinhos”, o Brasil é a terra prometida, o Éden dos Mandrakes das garrafas.

Os Eno-Mandrakes são aqueles que, com um gesto da mão, olhar agudo, muita picaretagem e a ajuda de canetas de vida fácil, conseguem criar um mundo irreal, ilusório, no qual uma normal garrafa de vinho nacional, em um passe de mágica, alcança valores superiores aos de renomadas e consagradas etiquetas francesas, espanholas, portuguesas italianas etc.

 Não é difícil encontrar, nas prateleiras das enotecas brasileiras, garrafas que custam 50% ,60%, 100% e até 400% do salário mínimo nacional

Os nomes dos Eno-Mandrakes são conhecidos, notórios.

 Eis os mais vorazes: Miolo, Valduga, Carraro, Milantino, Bettú, Geisse, Vallontano, Pizzato, Don Laurindo, Boscato, Guaspari, Peterlongo, Marco Luigi, Argenta (quem lembrar de mais alguns, não se acanhe, revele)

Praticamente todos os produtores nacionais estão cursando ou já se diplomaram na “Escola Mandrake de Eno-Ilusionismo”.

 Os nossos valorosos e abnegados industriais do vinho perceberam que, além dos consumidores “14 Neurônios”, há um interessante, e nada desprezível número de otários, com 24 eno-neurônios, que podem ser facilmente seduzidos, convencidos de que o Brasil é realmente a terra prometida das vinhas e dos vinhos.

 Um exemplo clássico?

O GD 109 da AB$ divulgou vinhos caríssimos, provenientes da Serra da Mantiqueira, os considera de altíssima qualidade e os recomenda aos incautos.


O GD 109 não é o único conivente com os “Eno-Mandrakes” há uma lista enorme de caneta$ que, com a vigarice que as caracteriza, tentam convencer, os portadores de  “24 eno-neurônios”, que o Brasil, do sul ao norte, do Leste ao nordeste e centro-oeste, é a nova terra prometido das parreiras e dos vinhos.

 Já há, pasmem, muito que acreditam que o Brasil produz vinhos comparáveis e até superiores aos da Borgonha, Bordeaux, Piemonte, Douro etc. e paga, sem pestanejar, verdadeiras fortunas por garrafas quase sempre ridículas.

Os 10 mais famosos “Eno-Mandrake”?

1º Bettu

2º Milantino

3º Geisse

4º Miolo

5º Lidio Carraro

6º Don Laurindo

7º Valduga

8º Pizzato

9º Marco Luigi

10º Bueno Wines


Os “Eno-Mandrakes”, listados, são alguns dos maiores especialistas em eno-ilusionismo que conseguiram se destacar na “arte” de sodomizar o consumidor brasileiro.

B&B vai revelar ao público qual a especialidade e técnica “mandrakiana” de muitos deles.

O FENÔMENO “BETTU”

Vilmar Bettu é, provavelmente, o mais completo “Eno-Mandrake” do Brasil.

Em pouco mais de 20 anos, o aposentado engenheiro mecânico da Serra Gaúcha, conseguiu ser reconhecido, endeusado, aclamado pelos enoloides: “Mago das Vinhas”.

O Vilmar criou um interessante personagem

Bettu se apresenta, no palco de sua propriedade, risonho, simples, bonachão, mas não é nada disso: Bettu é um perfeito e refinado “Eno-Mandrake” que, além de produzir quase 100 etiquetas, provenientes de uvas desde Isabel (argh) até Nebbiolo, consegue vender seus líquidos engarrafados, pasmem, por até                 R$ 5.000.

O segredo?

Vocês conhecem o velho golpe “Boa-Noite-Cinderela”?

Aquele que em que a vítima, dopada, perde a consciência e a carteira?

Pois bem, o Bettu “inventou” o “Boa-Noite-Neurônios”

A vítima é recebida, cordialmente, pelo ex mecânico que oferece uma taça de seu “Reserva-Especial-24-Neurônios”.

Uma taça, duas taças, três taças......Na quarta taça o visitante sucumbe já entregue ao “Boa-Noite-Neurônios”.

O resto é moleza: Com apenas 24 neurônio, ainda ativos e íntegros, o palerma não hesita em entregar seu cartão ao melífluo “Eno-Mandrake” que cobra o quanto quer pelas garrafas.

É sempre bom lembrar que, se há fortes necessidades de caixa, nosso genial “Eno-Mandrake” gaúcho pode estuprar o cartão do “24-Neurônios” em até R$ 5.000 por uma garrafa de Cabernet Sauvignon.


Para se ter uma ideia da força do “Boa Noite Neurônios” e bom lembrar que pelo mesmo preço, do Cabernet Sauvignon de nosso “Eno-Mandrake”, um palerma abonado francês leva para casa uma garrafa Château Cheval Blanc e um enoloide italiano coloca em sua adega 4 ampolas de Sassicaia.


A Anvisa ainda elogiará a iniciativa de nossos “Eno-Mandrakes” que, ao meter a mão no bolso do consumidor, colaboram para preservar a saúde dos brasileiros limitando ao máximo o consumo de vinho no Brasil.

Dionísio o "abstinente"

Continua

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

CAPESANTE AL MARTINI BIANCO E RUCOLA

 

Minhas duas primeiras visitas a Veneza me convenceram que a maioria dos hotéis, da maravilhosa cidade italiana, não valiam nem a metade dos valores cobrados e que os preços dos estacionamentos eram exorbitantes.

Sem pensar muito, deixei hotéis e estacionamentos venezianos para cartões mais poderosos e passei a me hospedar na longa língua de terra que vai do Lido di Jesolo, passando por Cavallino Treporti e termina em Punta Sabbioni.

Fácil acesso (não é necessário arrastar malas pelas ruas de Veneza ou, pior, gastar com gôndolas-taxi), estacionamento gratuito preços mais contidos...No final sobra algum dinheiro para ficar mais dois ou três dias passeando e admirando a “Laguna di Venezia”.

Em Punta Sabbioni há “vaporetti” (barcos) que desde às 4,30 e a cada 30 minutos, fazem o percurso Punta Sabbioni/Piazza San Marco e vice-versa, até às 22,30 horas.

Uma tarde-noite, ao voltar de Veneza e desembarcar em Punta Sabbioni, resolvi jantar em um dos muitos restaurantes locais.

Escolhi o que me pareceu menos pretensioso, mais acolhedor e....mais barato: “Belvedere”

Bingo!

“Trattoria” simples em que todos, desde a cozinheira até as garçonetes, eram membros da mesma família.

Cardápio onde o peixe “nadava” absoluto, desde os antepastos, passando pelas massas e risotti e desaguando nos pratos principais.

Um antepasto inusitado chamou minha atenção: “Capesante al Martini e Rucola” (Vieras ao Martini e Rúcula).

Sem titubear pedi o antepasto e.....Voltei ao “Belvedere” outras três noites até aprender a receita.

A cozinheira do restaurante, que parecia ser a matriarca e dona do local, comandava os ajudantes, mas notei que alguns pratos eram preparados exclusivamente por ela e “Capesante al Martini e Rucola” era justamente um deles.

A cozinha à vista e perfeitamente devassável, não tinha segredos, assim, após a terceira visita a receita das “Vieiras ao Martini e Rúcula” já faziam parte do meu “repertório”


INGREDIENTES

Vieiras (1 para cada pessoa), ½ copo de Martini Bianco, 1 maço de rúcula, 1 colher de manteiga, sal, Maizena.

PREPARO

Coloque metade da manteiga em uma frigideira de bordas altas.

Quando a manteiga tiver derretido, totalmente, adicione as vieiras, frite ambos os lados por 30 segundos e em seguida derrame metade do Martini Bianco, um pouco de rúcula e cozinhe por 2 minutos em fogo alto.

Quando o Martini Bianco tiver quase evaporado, adicione o restante da manteiga, o vermute, mais algumas folhas de rúcula e engrosse o caldo com uma colherzinha de Maizena diluída em pouca de água fria.

Quando o molho adquirir consistência cremosa, sirva as vieiras e.....Buon appetito.

O vinho? Nada melhor do que um bom espumante rosé.

Bacco

PS. A rúcula que usei é a encontrada normalmente nos supermercados italianos. A nossa rúcula mais comum é de qualidade diferente.

 Recomendo, então, somente usar as folhas desprezando o talo.