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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

MEDALHAS,MEDALHAS,MEDALHAS


Quando descobriram que comer mais que o necessário, ficar o dia todo jogando video-game deitado e trancado em casa, contribuía para aumentar, de forma impressionante, o número de "crianças-bolhas" e gordas, em boa parte do mundo, algumas organizadoras de corridas de rua resolveram abrir competições para meninos e meninas.

O legal dessas corridas é ver gordinhos sendo humilhados pelos "pernilongos" que os deixam, invariavelmente, para trás.

As mães dos pesos pesados se sentiam tristes com o desempenho e trauma dos infelizes toneladas
 

 Os organizadores perceberam que perderiam clientes, digo, crianças para as futuras corridas e deram um jeito nisso... Hoje, todos ganham medalha.

Para não deixar o gordo traumatizado resolveram dar medalhas para todos: Até o gordinho que chega último é medalhado.
 

 No judô, onde os gordos se vingam dos pernilongos-corredores e ganham todas as competições, há o inverso: para não traumatizar os mais magrinhos e perder clientes, todos ganham medalhas, também.

Há poucos concursos no mundo onde há somente um vencedor, ou 3 medalhistas.

Hoje na Formula 1 há pontuação até ao décimo colocado.

 Todo mundo ganha, mesmo perdendo.

Premiações para filmes, restaurantes, carros, livros, barcos, aviões etc. foram "inventados" para motivar as pessoas a comemorarem.

 Hoje, infelizmente, visam apenas acumular renda para organizadores e “premiados”.

Uma nova indústria nasceu.

 Da celebração e premiação, em um passe de mágica, chegamos à puxação de saco, distorção de números e franquias mil.
 

O setor de bebidas, vinhos em primeiro lugar, não poderia ficar de fora dessa picaretagem.

Não estava lá, mas posso imaginar as festas, em várias regiões da Europa, durante a comemoração da vindima (sempre "a melhor do século").

Comemoravam a vida, se embebedavam, namoravam a prima atrás das vinhas e das hortas... era só alegria.
 

Para aqueles que, hoje, estranham os 90 mil concursos de vinhos, especialmente aquela picaretagem que atende pelo pomposo nome e que distribui uma tonelada de medalhas (participou? Ganhou): "Concurso Mundial de Bruxelas", tenho notícias: Está confirmado que medalha dada (ops, obtida por um vinho) ajuda a vender, e muito, mais garrafas.

Recente pesquisa publicada pelos próprios organizadores (padece, portanto, de mais auditoria na veracidade) constata que na Bélgica o aumento médio das vendas, pós medalhas, é de cerca 18%, na Espanha e 20/ 30%, em Portugal (cuidado com as piadas redundantes) o aumento nas vendas vai até 40%.
 

Essa semana recebi e-mail de cantina italiana promovendo o melhor Rosato do Sul da Itália (me recuso fazer propaganda de picareta) e que tem Cabernet Sauvignon no corte.

Desconfiei e verifiquei que a vinícola foi premiada com mais uma medalha nesses concursos... imensa  cara de pau , mas que  , pelo jeito,  deve colar.

Cada vez que vejo uma garrafa com uma medalha penso que quem está levando, atrás da vinha ou da horta, sou eu, é você.... somos todos

Bonzo

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

BOCUSE E GIACOSA


 
2018 mal começou e já desapareceram dois "monstros" da eno-gastronomia: Paul Bocuse e Bruno Giacosa.

Aos 91 Paul Bocuse e aos 88 Bruno Giacosa deixam, em suas especialidades, um vazio difícil de preencher.
 

Os tempos são outros, as novas gerações mal sabem ou recordam o que fizeram os dois "monstros sagrados", mas sem eles a cozinha francesa não teria alcançado a atual importância e os vinhos das "Langhe" não atingiriam a hodierna excelência.

Bruno Giacosa nasceu em Neive, uma das capitais do Barbaresco , em 1929 , pouco saiu de sua região e talvez, por esta razão, ninguém conheceu, tanto quanto ele, as vinhas do território.
 

Avesso à propaganda, marketing e badalações, Giacosa, falou através de seus vinhos..... e que vinhos.

Seu Barolo "Vigna Rionda", e Barbaresco "Asili" foram e continuam sendo mitológicos.
 

Bruno Giacosa dificilmente será superado na elegância de seus vinhos e na simplicidade de sua personalidade.
 

Uma frase de Giacosa que resume seu caráter  e sua paixão pelo vinho: "Quando nasci, os primeiros perfumes que percebi foram aqueles do leite de minha mãe e do vinho do meu avô".

Bacco

 

 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

COREN VAI PARA O RALO


 


Ao ler a matéria, de Bonzo, "Champagne Vai Para o Ralo", quase tive um ataque.
 
 

Não somos somente Massimo Martinelli e eu que consideramos o Champagne o melhor vinho do mundo, há milhões de enófilos, espalhados pelos continentes, que se alegram à simples menção da palavra: Champagne.
É não é pra menos.... Muitos conhecem o Barolo, o Puligny-Montrachet, Cheval Blanc, Barca Velha etc., mas todos conhecem o Champagne.
 

Todos os Champagne são bons?

Não, mas, para mim, na média são os melhores vinhos do planeta.
O nosso amigo, Giles Coren, se quis chocar e aparecer, conseguiu seu intento, caso contrário, se acredita naquelas bobagens que escreveu, é um palerma total.
Pesquisado, com alguma seriedade, é possível verificar que os números de 2016 mostram a Itália como maior exportadora de vinhos espumantes do mundo.
 

A França vem em segundo lugar e a Espanha completa o trio campeão.
Os três países exportaram 91% de todos os espumantes europeus.
A Itália, então, é a campeã?
Em parte, sim.
No quantitativo, a Itália, foi imbatível, mas, enquanto as exportações italianas alcançaram 1,2 bilhões de Euros, as francesas, com um numero muito menor de garrafas exportadas, atingiram mais que o dobro: 2,9 bilhões de Euros.
 

Responsável pela enorme diferença?
A palavra mágica: "Champagne".
Enquanto os italianos vendem aquela "tremenda bosta", chamada Prosecco, por 2/5 Euros, os franceses pedem e conseguem 15/18 com o Champagne.
 

O nosso amigo Coren, que desentope pia com Champagne, como sempre acontece com os críticos, formadores de opinião, sommeliers, jornalistas etc., deve ter recebido uma bela grana dos produtores de Prosecco para escrever uma bobagem igual aquela.
 

Coren pode continuar despejando Champagne na pia e beber Prosecco
Eu vou brindar, ao palerma, com uma bela taça de "Thibaud Vesselle Grand Cru" produzido pela vinícola Alain Vesselle, na aldeia de Bouzy.
O "Thimbaud Vesselle Grand Cru" é vinificado com 50% de Chardonnay e 50% de Pinot Noir.
 

Alain Vesselle é um "Propriétaire Récoltant" o que significa que produz o vinho somente com uvas produzidas e colhidas por ele.
Já no nariz, o Champagne de Vesselle, com seus aromas sutis e delicados, demonstra o quanto os outros espumantes, ainda, estão longe....
As bolhas finas e persistentes fazem sorrir os olhos.
 Na boca...... bem, na boca é um festival de emoções (alô Roberto Carlos...) de elegância, persistência e prazer de beber.
O melhor: O Champagne "Thibaud Vesselle Grand Cru" me aliviou em 22, 90 Euros (R$ 92).

Espero e torço que o palerma, Giles Coren, continue se deliciando com o Prosecco.
Bacco

 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CHAMPAGNE VAI PARA O RALO


Giles Coren, colunista de restaurantes, do The Times (London), comemora o declínio, na Inglaterra, das vendas de Champagne e, sem meias palavra, afirma que Champagne, na casa dele, vai para o ralo.
 

Também comemora o mercado que o Prosecco tomou do Champagne.

Para ele o Champagne produz dor de cabeça e ressacas homéricas , custa muito mais do que vale, causa irritação estomacal, requer taças que não cabem na máquina de lavar pratos.
 

O mais surpreendente, todavia, é sua afirmação de que o Champagne tem qualidade pior que o Prosecco.

No mesmo artigo (link https://www.thetimes.co.uk/edition/comment/champagne-is-only-good-for-cleaning-drains-dnwvxfxlx ) chega à conclusão que ricos idiotas consomem lixo tais como lagosta, filet mignon, foie gras, ostras e até toro (atum gordo japonês).

Não sou rico e acho, também, que sou não idiota, mas adoro tudo isso.

Até consigo concordar que se o sujeito não souber cozinhar lagosta, filet mignon, ostras (leia-se tempero e processo corretos) pode estragar o prato.

Lagosta, por si só, tem muito pouco gosto; precisa de sal, manteiga, limão, cerveja na panela (método sueco) para ter algum gosto.
 

 Outro dia comendo sanduíche de bacalhau do Alaska percebi pouco ou nenhum sabor.

 O peixe tinha carne branca, perfeita, mas sem gosto.

 Um pouco de limão, molho tártaro e "aquilo" virou um paraíso.

Champagne é mais caro que Franciacorta (por que não descobriram isso ainda???), ótimos Cavas, cremants, mas é imperioso reconhecer que os produtores de Champagne souberam trabalhar direitinho a imagem do produto.
 

Milhões e milhões de garrafas são produzidas todos os anos e, ainda assim, sempre que pensamos em excelência e o Champagne que nos vem à mente.

Champagne é algo especial e sempre desejamos abrir uma nova garrafa... não importa se houve decepção nas  30 anteriores.

Mr. Coren, possivelmente, deve ter bebido o segundo melhor espumante do mundo, feito com carinho e primor lá na serra gaucha, e perdido alguns neurônios para falar tão mal de Champagne.
 

 No mundo da crítica, eno-gastronômica, há estrelas demais, estrelas que nem poderiam ser consideradas satélites

Há ótimas opções baratas, inclusive há num blog, se não me engano.... "baccoebocca", vários artigos sobre os grandes e desconhecidos Champagne

Bonzo