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segunda-feira, 13 de abril de 2015

VINHOS NATURAIS = VIN DE MERDE II


 


Em um bar de Chiavari, na hora do meu aperitivo matutino, pedi ao garçom uma taça de Champagne.

Em estado de graça, naquele dia, resolvi não mencionar a vinícola e deixei para o sommelier a tarefa de escolher a garrafa.

“Prove este Champagne natural. É excepcional!”

 
Agradeci e levei, como sempre faço, a taça ao nariz.

Olhei para o garçom e disse: “Esta garrafa estava guardada em uma fossa? Tem cheiro de tudo, mas não de vinho”.

O sommelier me olhou, com ar de quase indulgência e sorrindo, continuou. “O senhor precisa reeducar seu paladar, seus conceitos! É um Champagne 100% natural e não faz mal à saúde”

Eu argumentei que na minha idade eu gostaria de continuar bebendo os vinhos que me davam prazer e caso precisasse cuidar da saúde beberia agua e não aquela merda de Champagne.
 

Resultado: O sommelier até hoje me olha com um ar de pena e desprezo

A passagem acima sintetiza a quase obrigatoriedade de se seguir, cegamente, a moda dos vinhos naturais que os novos “experts” (ou serão espertinhos?) julgam ser os melhores, únicos dignos de respeito e, pasmem, saudáveis.

Posso dizer, sem medo de ser grosseiro nem agressivo, que sou literalmente uma “velha prostituta” no mundo do vinho.

Uma prostituta tão velha, mas tão velha, que faço uma aposta:  esta nova e enésima especulação comercial vai conquistar muitíssimos eno-idiotas e inúmeras vinícolas aproveitarão o “embalo” para lançar vinhos “naturais” turvos, oxidados, com cheiro de estabulo, fossa, etc.
 

Será a moda do vinho “Sabor Merda”!

 Em pouco tempo aqueles que amavam os vinhos parkerianos, suas barriques, seus pontos, suas super-concentrações etc., abraçarão, com fervor quase religioso, o novo “credo” dos vinhos “naturais”

A volta ao passado sempre acalentou o sonho de muitíssimas pessoas.

O presente nem sempre é agradável, o futuro é incerto, desconhecido …Resta o passado, sobra a nostalgia.
 

Sim, nos anos 50, 60, 70, mesmo para os que não os viveram, éramos mais felizes (nenhuma semelhança com o desejo idiota de trazer os militares de volta....) e não sabíamos.

A música era melhor.

Ipanema tinha sua garota....

Brasília não era circundada por favelas

Em São Paulo não faltava agua

O PT não roubava
 
 

Tempo bom......

 Éramos mais felizes e, especialmente, mais jovens.

Todos amam o “vintage”.

Então, por que não o vinho “vintage”?

Acredito que a moda do vinho “natural” simbolize este nostálgico desejo da volta ao passado onde tudo era melhor, mais natural, mais sadio, mais róseo. 
 

 
Quem teve um Fusca 1.200, um Gordini ou um Aero Willys, sabe que nem tudo era assim.

Será, porém, que os vinhos de antigamente eram realmente melhores, mais saudáveis , mais verdadeiros do que os satânicos e industrializados de hoje?

Eu acredito que no mundo do vinho “natural” há verdades, boas intenções, honestidade, bons produtores, mas muitíssimas picaretagens, também.

Voltando à “velha prostituta”, lembro, com muita clareza, dos vinhos do meu avô.
Muitas garrafas, que o velho produzia, iam para a cozinha do restaurante da família para condimentar as saladas.

  Nem sempre aguentavam o envelhecimento, oxidavam facilmente, exalavam odores estranhos   e, as vezes, se transformavam em verdadeiros vinagres.
 

A enologia, nas últimas décadas, fez progressos extraordinários.

As novas filosofias de produção, modernas técnicas agrícolas, adegas racionais e higiênicas, tanques com temperatura controlada e inúmeras outras modernizações das últimas décadas contribuíram para melhorar a qualidade do vinho que hoje bebemos.

Quem bebeu vinhos dos anos 50 e bebe os de hoje, sabe o que estou tentando dizer: Bebemos vinhos infinitamente melhores daqueles que nossos avós apreciavam.

O resto é balela!

Para terminar, minha primeira intervenção no assunto (há mais duas), quero declarar que não preciso “reeducar” meu paladar para poder apreciar um vinho natural: eu nunca vou gostar de um vinho com cheiro de fossa, cores alaranjadas, oxidação e outras “qualidades” próprias de alguns vinhos “naturais”.
 

Antes que me atirem pedras gostaria de dizer que a matéria continua e com algumas surpresas.
 
Bacco

6 comentários:

  1. Vinho natural, bio dinâmico, de garage, de assinatura, orgânicos...produzidos por freiras virgens e cegas no Nepal....preparem-se breve nas prateleiras a nova onda...vinho gourmet!

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    1. Conheco um cidadao que importou um vinho de portugal certa feita que garantiu que as uvas eram pisadas por anoes. Essa coisa pegou e varios vendedores dele sairam por ai falando isso. Alguns acreditam ate hoje que os anoes realmente existiam e amassaram as uvas com os pezinhos que deus deu a eles.

      Ja assisti a filme com freire virgem e cega. Da coisa boa.

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  2. Nada de novo no planeta terra. Parece que as pessoas tem formiga na bunda intelectual e precisam de mudanças em muita coisa de tempos em tempos. Moda de roupa, de carro (duas, quatro portas, metalico, solido, prata), de comida (congelado, paleolitico, organico, low carb, high carb, low fat, high fat, etc etc), corte de cabelo, mulher nova, amante nova, emprego novo, ...a lista de mudancas que tanto almejamos de tempos em tempos nao tem fim. Claro que ha razao fisiologica para isso e nao vou perder o tempo de ninguem aqui por conta disso.

    Recentemente houve a invasao dos minimalistas no mundo esportivo. Sao os naturalistas dos calcados esportivos. O raciocinio: Calcados de corrida sao anti-naturais. Nao é assim que corriamos na Africa. Entao inventaram os calcados que mais se parecem com uma luva de pe e um monte de trouxa saiu por ai andando ou correndo assim.

    Agora estao descobrindo que nem todo mundo suporta o pe no chao. Basta uma tendinite bem severa ou um pedaco de prego bem la no fundo do pe para o cara voltar a correr ou andar de calcado normal, daqueles de USD 200 o par.

    [O culto ao] Vinho natural parece que entra no cenario como mais uma tontice apos outra tontice (vinhos do parker, que me parece estao caindo em desgraca bem rapidamente). Desconfio que tentaram fazer isso com o vinho biodinamico (eita cascata), mas nao pegou.





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  3. Por que não falaram nada até agora dos otimos vinhos naturais da uva peverella naturebas que estão sendo produzidos na serra gaúcha ? São ótimos e custam apenas R$ 150,00 ou cerca de 40 euros. Por esse preço dificilmente encontrariam um vinho no mesmo nível na França !

    http://www.vinhosesabores.com.br/produto/detalhe/1372-Vinho-Branco-Era-dos-Ventos-Peverella-safra-2011-750-ml

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  4. Com todo respeito, já tomei esse vinho por ocasião e não por opção, vale no máximo R$ 25,00, tem argentino nessa mesma onda e de qualidade bem superior, com a uva torrentes, custa no país vizinho R$ 20,00. Agora vc vem me dizer que não encontra vinhos franceses nessa faixa de preço com essa qualidade, vc está pedindo deboche...chablis premier cru Joseph drouhin (biodinâmico)35 dólares em Rivera, não necessita ir a França comprar, esse não é meu preferido, mas dá de relho nesse peverella. As vezes nadar contra a corrente faz bem, mas insistir é pura burrice.

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