Muito antes de se tornar um corretor de imóveis, de casas
abandonadas, no sul da Itália e bebedor de rótulos, Bacco postava/posta dicas
de regiões para turistas e para tomar vinhos de sonho, dos bons sonhos.
Viagem programada para um dos melhores lugares no planeta para
quem gosta de natureza, comida, vinhos, cultura, e sol, dei uma olhada no blog
de B&B para saber quais vinícolas visitar.
Sucesso!
Mesmo o pessoal,
levemente esnobe e consumidor de rótulos, que foi comigo, teve que concordar
que as vinícolas visitadas foram deliciosas.
Tudo espetacular e muito barato.
Renovei minhas esperanças na humanidade e nas probabilidades
de voltar a fazer viagens espetaculares a ótimos preços.
Como já sabem de onde estou falando, vou tentar fazer justiça
a outras partes do mundo do vinho que são muito desconhecidas, mas bem atacadas
pelos haters de plantão que acham que sabem tudo dessas.
Começo com o estado da Califórnia.
Aqui mesmo, nessa sala
de bate papo virtual, já li um monte de comentários que caem na vala comum do
‘’caro, lixo, blefe’’ etc.
Tá valendo, a opinião, por que não?
Os haters tem motivo para odiarem vinhos da Califórnia. Começando pelo julgamento de Paris, a produção exagerada de muita bomba barata, muita coisa ruim e cara.
Muitas caras e bocas que possuem vinícolas ”Disneylândia” com
cercas pintadas, grama verde aparada, parecendo mesa de sinuca inglesa,
garçonetes bonitinhas e gostosas (cabelos e peitos geralmente falsos); tudo com
o nome e aval (e $$$) de algum presidente de empresa de tecnologia, ou finanças,
que contratou um winemaker ‘’rock star’’.
O plano de negócios tem em mente o ganho exagerado no aumento
do preço das terras, um lucro ridículo por conta dos preços dos vinhos feitos
por essa gente.
O cara sempre coloca o ego dele também no preço.
Semancol.... não tem para essa turma.
Na Califórnia, gente que nunca colocou uma bota na lama,
aparece comprando terra, infla preços, e ainda sobra uma reputação péssima para
os que são produtores rurais/vinho de verdade.
Já viu isso acontecendo em outras partes do mundo?
A gentrificação vinícola também pede passagem.
Por essas sortes da vida, eu conheço muita gente que trabalhou
e estudou no mundo do vinho californiano.
Já li livros e muito relatos sobre a indústria californiana.
E aqui começam as más notícias aos haters de plantão.
Uma história bonita de gente obstinada (maioria dos sobrenomes termina em vogal, isso já da boa dica quem são) que lutou para estabelecer uma indústria onde antes não havia nada; nem conhecimento do que fazer/plantar, onde/como fazer, para quem vender, sem financiamento nem seguro para cobrir ‘’eventuais’’ (leia-se recorrentes) prejuízos na lavoura.
Os vinhos, de outrora, eram feitos para durarem muitas décadas
(soa familiar?) e quem toma vinhos da Califórnia, feitos em 1970 ou cercanias,
diz que são de outra dimensão - como os Barolo que nunca tomarei, esses vinhos
começavam a vida duros e austeros, mas após décadas de bons cuidados na adega,
se transformavam num show de complexidade, de classe, de história.
Califórnia, portanto, meus caros (sem alusão aos produtores de vinhos brasileiros, somente uma expressão), tem vinhos de alta qualidade, preços interessantes, em regiões diversas em topografia, clima, solo - muito propicias ao bom vinho.
Uma abrangência de uvas
e estilos para todos os gostos, bolsos e conhecimentos.
Como sempre acontece, em muitas regiões, os vinhaços ficam
para trás, são vendidos predominantes no local ou através dos insuportáveis “wineclubs”.
O que sobra para o mundo conhecer?
As tremendas-bostas ou
tremendas-merdas, como queiram, que são produzidas pelas mega-vinícolas,
aquelas coisas que vendem em barracas de beira de estrada e em qualquer loja no
eixo do mal SP, RJ, DF.
Vinho chega carregado no preço e nas esperanças.
Na próxima ida a Disney, sugiro que deixe sua mulher, brega,
com a família por lá, dê-lhes dinheiro para comprar umas coxas de peru ou então
a leve em algum outlet que tenha Levi’s ou Nike e vá conhecer as muitas pequenas
e ótimas vinícolas espalhadas por todo estado.
Dependendo do nível do ódio e das difamações (todas
bem-vindas) aqui nesse espaço, eu posso me animar a escrever sobre as outras
regiões desconhecidas, que nem a boa gente das ABS da vida conhece direito e
que produzem vinhos de nível dos melhores a preços deliciosos.
Meu veredito sobre Califórnia?
Vale o tempo de conhecer
bem mais sobre eles, mas ainda assim temos outras opções, por perto, que são
bem mais baratas, mais fáceis de achar e com qualidade altíssima.
Como dizia o imbroxável Isaac Newton, no final da Principia Mathematica,‘’quem
procura, acha’’.
Agradeço a Bacco pela casa comprada na Apuglia por 1 EUR.
Renovemos nossas esperanças.
Bonzo.

