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sexta-feira, 7 de junho de 2019

A LENDA DO QUEIJO



Pensei que a ridícula campanha do “O Segundo Melhor Espumante do Mundo” tivesse esgotado todas tentativas, dos publicitários brasileiros, de insuflar o ufanismo com lamentáveis, falsas e risíveis mensagens.

O Brasil, que produz 80% de seus vinhos com castas não viníferas, deveria ficar quieto e não se expor, aos risos do resto do planeta, afirmando produzir o segundo melhor espumante do mundo

Depois da piada do “segundo melhor…” os publicitários investiram em concursos, premiações, medalhas, reconhecimentos etc.

Como era de se esperar e para o delírio dos eno-tontos-patriotas   nossos vinhos, onde quer que participassem, sempre saiam ganhadores e repletos de medalhas.

Eram medalhas para todos os lados e para todos os gostos.

Mais uma vez a farsa cansou e a indústria vinícola brasileira está, atualmente, investindo nos (de) formadore$ de opinião, sommeliers premiados no Brasil e derrotados lá fora (29º), revistas que vivem de anúncios, canetas de vida fácil etc. que invariavelmente elogiam, sem ruborizar e com a maior cara de pau, vinhos que “fanno cagare”.

Quem já bebeu algumas garrafas de vinhos portugueses, franceses, espanhóis, italianos sabe perfeitamente do que estou falando.

Recebo um link e não creio no que leio: O dia em que o mundo se rendeu aos queijos mineiros”
https://www.conhecaminas.com/2019/06/3-de-junho-o-mundo-se-rendeu-aos.html?fbclid=IwAR0v3kDCNMbhzMdeNkGqkMmQp7wk865akAetLri-esDxCS8I-hB-d6xjah4

Não bastavam os vinhos.... Agora é a vez dos queijos mineiros.

O que a matéria, imbecilizante, não revela e o senhor Osvaldo Filho, proprietário da Queijos D´Alagoa, que colaborou na elaboração da farsa, “esqueceu” de contar é o seguinte.

Além das duas dúzias de produtores mineiros concorreram para ganhar as “merdalhas”: 83 produtores franceses, 7 suíços, 2 belgas, 2 italianos, 1 holandês 1 alemão, 1 inglês, 1 espanhol, 1 israelense.

Não quero comentar sobre os ótimos queijos suíços, holandeses, espanhóis, alemães etc., mas gostaria de comentar algo sobre a variedade e qualidade dos italianos.

Na Itália há 487 tipos de queijos dos quais 48 são “DOP” de origem protegida (na França os DOP são 45).

Há, também, 1.350 grandes indústrias no setor além de dezenas de milhares de pequenos e médios produtores espalhados pelo território.

Incontáveis aldeias, das mais diferentes regiões italianas, produzem inúmeras variedades de queijos extraordinários dos quais o senhor Osvaldo Filho sequer ouviu falar.

A produção italiana alcança 1,3 milhões de toneladas por anos e se classifica em 3º lugar, perdendo para a França, 2ª com 1,9 milhões e para a Alemanha ,1ª com 2,2 milhões de toneladas.

A Alemanha, maior produtora e exportadora de queijos da Europa, compareceu, ao concurso de Tours, com um único produtor e a Itália, a terceira, com dois.

É fácil perceber, então, a importância do evento.....

O mundo não se “rendeu” diante dos vinhos gaúchos nem dos queijos mineiro.

O mundo fica boquiaberto e dá gargalhadas ao tomar conhecimento de tamanha falsidade intelectual e da ridícula picaretagem láctea.

Dionísio
PS. Esqueci de informar que os queijo premiados, com medalhas "Grande Ouro, Ouro, Prata e Bronze" foram 346.
Só não premiaram o “Catupiry”
 
 



 

 

 










quarta-feira, 5 de junho de 2019

O CAMINHO DAS PEDRAS 2


 
A longa jornada do “Barolo Magnifico”, que começa em Costigliole D’Asti e termina em Maceió, passando por Ovada e Missaglia, aguçou minha curiosidade: Por que o “Magnifico” viajou tanto?

 O que levou o Barolo a deixar o Piemonte e percorrer mais de 150 km até Missaglia na Lombardia?

Algumas pesquisas e..... Viva o Google: A Morando Vini, de Ovada, desde 2009, é proprietária, também, da Cardirola, de Missaglia.

A Cardirola, olha só e por acaso, produz o Barolo “La Cacciatora” que já é vendido no Brasil, não sei por quem, com uma etiqueta que lembra a do “Magnifico”.
 

Uvas, “suruba total”, de inúmeros produtores, viagens sem rumo e sem nexo, etiquetas desconhecidas etc.  em minha opinião, visam disfarçar, ainda mais, a origem do Barolo órfão: ninguém sabe quem é o pai, a mãe, de onde veio….
 

Se os Barolo “Magnifico” e “La Cacciatora” são bons, prestam ou “fanno cagare”, eu não sei e provavelmente jamais saberei, mas sei que, pelo preço que estão sendo comercializados, no Brasil, valeriam uma experiência.

E se, por um feliz acaso, a Morando comprou alguns lotes de boa qualidade de pequenos e desesperados produtores e o Barolo revela alguma interessante surpresa?

Boca, há alguns anos, me confidenciou que um seu amigo e produtor de Barbaresco, encontrara dificuldade em vender toda sua produção.
 

Apertado, com dívidas, e sem espaço para armazenar a nova safra, entregou grande parte de seu vinho à Batasiolo.

O mesmo problema atingiu muitos outros produtores que seguiram o mesmo caminho e venderam seus Barbaresco à Batasiolo

Bacco me revelou que provou o Barbaresco da Batasiolo, daquele ano, e o vinho era de ótima qualidade.

Quem sabe o mesmo possa ter ocorrido com o “Magnifico” e “La Cacciatora”?
 

Não serei, eu, a cobaia, mas aguardo voluntários destemidos.

Dionísio

 

 

 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

NÃO APENAS VINHO


                                          FERRARA

                                                        SPAGHETTI COM BETERRABA


                                                 

                                                     MANAROLA

                                                       CINQUE TERRE


                                                                   PORTOFINO

                                                            "REVE" SANTA MARGHERITA

                                              ENTRANDO NUMA ALFA...FRIA

domingo, 2 de junho de 2019

O CAMINHO DAS PEDRAS


Algumas pequenas importadoras brasileiras descobriram o caminho das pedras.

As tradicionais, continuam trazendo as conhecidas e inomináveis porcarias de sempre ou etiquetas “estupra cartão”.


Bons vinhos, pouco conhecidos, de pequenos produtores e com preços razoáveis, são solenemente esquecidos, descartados.

Importados “Estupra Cartão”: Barolo, Brunello, Amarone, Sassicaia, Ornellaia etc.

Importados “Che Fanno Cagare” (que dão caganeira): Primitivo (a mais nova vedete...), Lambrusco, Valpolicella, Tavernello, Prosecco etc.

Há anos é assim e, assim, sempre será.

Ledo engano.... Surgem, como cogumelos, após longos dias chuvosos, empresas que descobriram como importar vinhos que “Fanno Cagare”, usando o disfarce das etiquetas prestigiosas das denominações “Estupra Cartão”.

Um amigo, Jeriel da Costa, está se especializando em descobrir, nas prateleiras das lojas especializadas e dos supermercados, renomados vinhos, DOC ou DOCG, de produtores desconhecidos por preços similares aos encontrados na Itália.

Milagre?

Finalmente os importadores predadores abandonaram os velhos hábitos de assaltar nossas carteiras e diminuíram os lucros? 

Nenhuma das duas hipóteses.

 Algumas importadoras encontraram o “caminho das pedras” que suíços, noruegueses, suecos, chineses, russos etc.  já percorrem há anos: vinícolas que engarrafam o vinho que o cliente quer e com a etiqueta que quiser.

 O cliente precisa de Nero D’Avola, Barolo, Valpolicella, Amarone, Chardonnay, Barbera, Montepulciano d’Abruzzo, Prosecco, Primitivo di Manduria, Chianti, Frascati etc. etc. etc.?

Basta o cliente indicar as quantidades, “inventar” uma etiqueta Magnifica”, pagar e...Voilà les jeux sont faits

Há, na Itália e em outros países do velho mundo, indústrias especializadas em engarrafar milhões de garrafas, de qualquer denominação, região, proveniência, cor, preço etc. fora dos territórios das DOC e DOCG.

As últimas fotos do Jeriel são exemplos perfeitos de como a “picaretagem” é elaborada e executada.

Coloquei a palavra “picaretagem” entre aspas atendendo e concordando com uma observação de outro amigo, Mario Mondovino.

 Mario, muito apropriadamente, alertou que o expediente usado é permitido e rigorosamente dentro das leis europeias.

Mario Mondovinho Dionísio Ramos eu não falaria em picaretagem, isso é permitido pelo disciplinar que prevê que as uvas devem proceder da área da DOCG mas o engarrafamento pode ser feito não apenas em qualquer local da Itália e sim até fora da Itália. Não estou defendendo, pelo contrário sou o primeiro a criticar esses vinhos vergonhosos, mas não condeno os produtores e sim as leis que permitem essas deturpações.

Concordo, em parte, com Mario e sei que, infelizmente, por determinação da UE, desde 2016, entrou em vigor a lei 238 que permite o engarrafamento, mas apenas o engarrafamento, fora do território delimitado.


“....vengono rese definitive le autorizzazioni ad effettuare le operazioni di imbottigliamento al di fuori della zona di produzione delimitata dai disciplinari dei vini a Denominazione di Origine“.

“.... Tornam-se definitivas as autorizações de efetuar as operações de

engarrafamento fora da zona de produção delimitada pelos disciplinares

dos vinhos de Denominação de Origem”

Mario, tem razão, é tudo perfeitamente legal, mas a lei abre, ou melhor, escancara as portas para tremendas picaretagens.

Se olharmos a retro etiqueta do “Magnifico” (será?), escrita em português,
 é facílimo perceber que o pobre Barolo faz a volta ao mundo em 80 dias.

As uvas nascem e são esmagadas, em uma ou em várias aldeias da DOCG
 (são 11 e ninguém jamais saberá em qual), na província de Cuneo.

O vinho viaja até Costigliole d’Asti, na província de Asti, onde é engarrafado.

O “ Barolo Magnifico” galopa até Ovada, na província de Alessandria, onde é faturado.

O “Barolo Magnifico”, que adora viajar, continua sua jornada até Missaglia, na província de Lecco, onde é etiquetado, embalado e...... continua viajando.

Nosso incansável “Magnifico” é, finalmente, despachado para Maceió, capital do florescente estado de Alagoas, onde aguardará, provavelmente, sob o brilhante sol do Nordeste o endereço de sua prateleira final.

O que acontece, com o “Barolo Magnifico”, nesta Odisseia?       “......é
elementar meu caro Watson…”: Malandragem para todos os gostos.

A primeira malandragem é visível já no retro etiqueta: “...produzido e engarrafado por CAVIM s.l.r Ovada Itália na adega de Costigliole D’Asti”.

Se o “Magnifico” foi produzido em Costigliole é um Barolo fora da lei.

O Barolo pode ser engarrafado fora do território da DOCG, mas deve ser vinificado e produzido nos limites territoriais da denominação.

Como é produzido o nosso “Magnifico” será sempre um mistério, mas não é
um mistério que há, nas grandes engarrafadoras (a CAVIM engarrafa
nada menos do que 40 milhões de garrafas por ano), um pequeno
 exército de funcionários que percorre a Itália, do norte ao sul, do leste ao
oeste, para comprar todo o vinho excedente estocado nas adegas dos
pequenos produtores.


São conhecidos como: “Limpadores de adegas”

Com a força do dinheiro e a promessa de limpar todo o estoque em poucos dias, os preços oferecidos muitas vezes nem pagam o custo de produção, mas o pouco capital de giro e a necessidade de criar espaço nos tanques, para o vinho da nova safra, quase sempre “convencem” o viticultor a entregar os pontos e.....o vinho.

Continua.

Dionísio