Ao retornar, para casa, notei que havia várias mensagens na
secretária eletrônica.
Alguma coisa me dizia que eram dirigidos ao malfadado artigo
sobre fermentação e teor alcoólico que escrevera para B&B.
Bola preta na caçapa.
Uma onda de escárnio e desprezo, vinda do populacho, se aproximou
com mais velocidade do que gaúcho passando cheque do Bradesco na BR 163.
Mensagens escutadas, choro no chuveiro, lições aprendidas.
Pensei que seria melhor nem comentar o ótimo livro do Mark
Matthews sobre os mitos da viticultura e enologia.
Afinal M. Matthews fala
sobre vários tópicos que encantam muitas pessoas no mundo e garantem muitos
empregos, mas, que no final da feira, tem peso menor na qualidade final do
vinho.
Se pudesse falaria sobre um assunto que ele enfatiza e atraiu
(e ainda atrai) muito debate no lançamento do livro: TERROIR
Matthews passou anos e
anos pesquisando e ensinando para oferecer a visão de que "terroir" é
algo usado e abusado (e vago) em detrimento de duas coisas muito importantes na
obtenção de um vinho de alta qualidade: Variedades de uvas, que passam as
respectivas características ao vinho e o processo/método de vinificação.
Em um capítulo sobre solo há mais: Quanto e quando de água para
as videiras, densidade do plantio, densidade das bagas, área foliar, exposição
solar, composição e estrutura do solo etc.
Infelizmente não poderei compartilhar as sábias palavras do
professor.
O livro me fez pensar o quanto, em algumas áreas do mundo, se
adora falar somente de terroir, terroir, terroir e mais nada, como se terroir
fosse fator único e determinante para produto.
Seria para efeito de valorização da área ou da natureza?
Ainda mais fascinante foi a descoberta do que significava o
termo "terroir", originalmente, lá atrás.
Seria uma surpresa e tanto para muitos saberem que nunca foi
algo, somente, positivo.
Mas isso ficará sem
resposta.
Pensar que, segundo Matthews, terroir, há muitos anos, tinha
conotação de estrume na avaliação dos vinhos daquelas eras.
A quem interessaria os discursos, quase folclóricos, que
cercam o mundo do vinho?
Parece que muitos
viventes possuem uma imperiosa necessidade de sempre adicionar algo holístico
em qualquer assunto ainda não resolvido ou comprovado.
Pouco a pouco os mitos da enologia estão sendo derrubados.
Acho, por exemplo, que
a ala que defende ser o solo aquele que confere aroma e gosto aos vinhos está
condenada.
Aguardaria com entusiasmo a chuva de pesquisas e trabalhos
feitos pela brava gente sobre o conceito de terroir gaúcho, terra mágica que
produz alguns dos melhores espumantes do mundo.
Se fosse para compartilhar isso, aqui estaria o link do livro

























