Duas eram as razoes que me fizeram sorrir enquanto degustava o
Brunello Canalicchio 2007 de Franco Pacenti
1ª) Não poderia deixar de sorrir ao degustar um ótimo Brunello
di Montalcino digno de seu nome e de sua grande tradição vinícola.
O Brunello 2007, que Lorenzo gentilmente abrira, com sua
intensa cor grená e reflexos alaranjados, alegrava o nariz com notas balsâmicas,
especiarias e surpreendia o paladar com rara elegância, estrutura e
austeridade.
Difícil encontrar um Brunello di Montalcino com características
melhores e mais complexas.
A segunda razão, do sorriso, era o preço.
Explicando: O Brunello Canalicchio 2012 me custou 28 Euros e o
2007, 35 Euros.
Uma garrafa de Brunello di Montalcino, considerado e
consagrado como um dos melhores vinhos do planeta, só pode ser comercializado 5
anos após a vinificação, produzido em um território entre os mais caros da Itália (um
hectare de vinha custa, em média, 400 mil Euros), me aliviou, em média, 30 Euros/garrafa.
Pois bem, apesar de todas as considerações acima, o Brunello
di Montalcino Canalicchio custa 5 vezes menos do que aquela tremenda bosta (Dionísio,
obrigado pela perfeita definição) "Pax Rio 2016" que a Carraro vende, no
Brasil, por escandalosos R$ 575.
Vinho Lidio Carraro PAX Rio 2016
R$ 575,00
Vinicola
|
Lidio Carraro |
Tipo
|
Vinho Tinto |
Teor Alcoólico
|
16% |
Temperatura Ideal
|
16 a 18°C. |
Volume
|
750ml |
Visual
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De coloração vermelho rubi e reflexos
violáceos. |
Olfato
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Possui aromas de alcaçuz, ameixa seca,
amora, cacau, café, frutas negras, mirtilo, notas balsâmicas, tabaco. |
Paladar
|
Na boca é equilibrado, possui boa
estrutura, elegante e taninos firmes. |
Deveria ser batizado: "Assalto Rio 2016"
O "Assalto Rio 2016", lançado por
ocasião das "Olimpíadas
do Cocô", reflete, com perfeição, o que foi a festa do Nuzman
& Cia: um
insulto-assalto aos brasileiros.
Enquanto os consumidores não boicotarem os produtores
picaretas, que empurram vinhos nacionais medíocres por preços infinitamente
superiores aos praticados na Europa (Espanha, França, Itália, Portugal etc.), continuaremos
bebendo tremendas bostas (obrigado, mais uma vez, Dionísio) e pagando os tubos
por elas.
É vergonhoso que um Tannat nacional custe quase 400% a mais do
que um Gevrey-Chambertin
Rouge
- 2011 - 75 clUne très belle structure aromatique
45,00 € A
l'unité
Ou, pasmem, custar mais do que 21 garrafas do Tannat francês
"Madiran"
soit 7,50 € par bouteille
Revolta e
desabafo terminados, voltemos ao Brunello di Montalcino
No longo papo, Lorenzo confirmou que a safra 2017 foi problemática,
a quantidade de uvas 30% menor e o resultado final foi bom, mas o vinho
resultou muito alcoólico.
Apesar de minha insistência, Lorenzo não revelou quanto de álcool
havia em seu Brunello 2017, mas desconfio que os 15º foram superados com
bastante folga
Agora é esperar para ver o que acontece.
Eu?
Bem, eu vou esquecer os vinhos de 2017.
Bacco




























