Meu primeiro encontro com o Lessona foi no ótimo restaurante
“La Piemontese”, em Stresa, no distante 1986.
Emilio Bellossi, um dos proprietários, competente sommeliers e
grande conhecedor de vinhos do Piemonte, foi o responsável pela apresentação.
Foi amor ao primeiro gole....
Já escrevi sobre o Lessona, mas os novos leitores não puderam
ler a matéria ja retirada, há alguns anos, da web.
Lessona é uma
pequena vila da província de Biella no extremo norte do Piemonte.
Lessona,
minúscula, sem grandes atrativos (nem pequenos...), sem restaurantes dignos de nota,
nem um bar para se beber um copo sequer, seria totalmente esquecível se não
abrigasse, em seu território, um grande vinho: O “LESSONA”.
Antes de comentar o vinho é preciso comentar o território.
O norte do Piemonte, no século 19, ostentava 40.000 hectares de vinhas.
Cidades como Gattinara, Boca, Cavallirio, Fara, Sizzano, Ghemme, Maggiora,
Lessona, Brusnengo,Carema e outras, já exportavam seus vinhos no início
do século,
o XX.
o XX.
A indústria têxtil, que floresceu em Biella, no final do século
XIX, absorveu tamanha quantidade de mão de obra que os viticultores preferiram
abandonar as vinha para buscar uma atividade mais rentável e segura nas
fabricas de tecidos.
Em poucas décadas os vinhedos abandonados foram “engolidos”
pela mata.
A atual realidade vinícola da região não chega aos 1.000 hectares.
Lessona é uma denominação que se estende por menos de
10 hectares, abriga meia dúzia de produtores e se localiza exclusivamente no
município homônimo.
Um caro amigo, apaixonado pelo Grignolino
“Il Ruvo”, produzido pelo “Castello di Gabiano”, sabendo que
passaria perto da vinícola pediu para comprar algumas garrafas do ótimo vinho.
Aproveitando a viagem resolvi almoçar em Crescentino em um restaurante que me haviam indicado: “Archigusto”.
A foto não é de uma
fonte é a lavabo do restaurante
O restaurante não entusiasma, mas sua carta de vinhos é sensacional,
de tirar o folego.
É tanta opção que, quase atordoado pela quantidade de
etiquetas, pedi uma sugestão ao garçom.
“O senhor conhece o Lessona?”
Respondi afirmativamente, considerei a sugestão, mais que
válida e pedi uma garrafa da safra de 2007.
Que grande vinho!
Que bela cor (lembra o Pinot Noir), quanta elegância.
Aromas sutis,
delicados, persistentes.
Na boca os taninos são percebidos, mas sem agressividade e até
o longo final é elegante, delicado.
Um vinho de fineza extraordinária.
Sem a potência e austeridade do Barolo, o Lessona é um
Nebbiolo do norte piemontês que se faz beber sem cansar.
Enquanto bebia a terceira taça voltou à minha mente o “Cheval des
Andes”.
Se eu tivesse que comparar os dois vinhos definiria: Cheval = trator de
esteira,
Lessona = carro de passeio.
Os Sella produzem o Lessona desde meados de 1600 e em sua
composição entram 85% de Nebbiolo e os 15% restante de Vespolina.
Agora vem o melhor.....
O Lessona 2007, no restaurante, me aliviou em exato 24 Euros.
Qualquer semelhança com o Singular Nebbiolo da Carraro é pura
sacanagem.
Não é fácil encontrar o Lessona, mas em sua próxima visita ao
Piemonte reserve alguns minutos à sua procura.
Um pouco mais caro, mas excepcional, é o Lessona “San Sebastiano allo Zoppo”.
“San Sebastiano allo Zoppo” é uma colina,
pertencente aos Sella, onde as vinhas são cultivadas desde 1400.
Confira.
Bacco

























