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domingo, 15 de outubro de 2017

BRUNELLO II



Para um bom enófilo, percorrer a Toscana e não passar por Montalcino é como comprar tomates sem pensar em Gilmar Mendes.....
 
 
 

Impossível!!!!!
 

 
Volterra, San Gimignano (não consigo apreciar o Vernaccia), Pienza, San Quirico D'Orcia e finalmente Montalcino.

Em Montalcino, como de costume, procurei alguns produtores que há anos reabastecem minha raquítica adega.

Nas poucas horas em que percorri o território tive a impressão de ter errado o caminho.

Pensei que estava visitando cidades da Borgonha e não as aldeias da Toscana: Nas três primeiras vinícolas, que visite não consegui comprar uma única garrafa de Brunello.
 

 Vejam os resultados de minhas incursões nas adegas dos "ilcinesi": Na vinícola Pietroso, para levar para casa um belo Brunello, pediram 45 Euros.

 Tive que sair correndo da adega para alcançar meu apavorado cartão de crédito que fugira desesperado.
 

Na Baricci não havia uma garrafa sequer para venda (fico imaginando o preço do Brunello 2017).

 Nem implorando, como já estou acostumado, especialmente, quando visito o Jean Claude Bachelet, consegui sensibilizar Francesco, filho de Pietro e comprar meia dúzia de seus Brunello.
 

Na Capanna havia um ônibus cheio de chineses que degustavam e, certamente, inflacionavam os preços dos tintos da vinícola.

Diante da invasão amarela, amarelei , desisti da Capanna e rumei para a vizinha "Canalicchio" de Franco Pacenti.

Finalmente, Brunello!
 

Encontrei Lorenzo, jovem filho de Franco, trabalhando na limpeza dos tanques de fermentação.

O jovem, gentilmente, suspendeu o trabalho, se prontificou em me atender e sem delongas ou consultas, abriu uma garrafa de Rosso di Montalcino 2015 e outra de Brunello 2012 e me ofereceu para degustação.
 

O Brunello 2012 revelou todas as características do vinho: Estrutura, bom corpo, elegância, grande potencial, mas ainda "verde" para o meu gosto.

O Rosso 2015 me agradou mais: Muito harmônico, belas nuances aromáticas e pronto para beber.

Indaguei se haveria algumas garrafas de Brunello de safra mais antigas e percebi Lorenzo olhando para uma pequena pilha de caixas.

"Algumas..... Quantas garrafas?"

Sem deixar transparecer minha ansiendade, respondi: "Pouca coisa.... 6 Rosso 2015, 6 Brunello 2012 e dependendo do preço, 12 garrafas de 2007".
 

Preço combinado, vinhos embalados e.... Lorenzo resolveu abrir um Brunello 2007.

Aí, aquela tarde fria, esquentou.

Enquanto bebia aquele Brunello, ótimo representante da mítica viticultura ilcinese, não consegui disfarçar um sorriso.

Lorenzo percebeu meu momento "Mona Lisa" e perguntou a razão.

Inventei uma historia e mudei o rumo da conversa.

Na propriedade de 36 hectares trabalha toda a terceira geração de viticultores da família Pacenti: Franco, sua mulher Carla e os filhos Lisa, Serena e Lorenzo.
 

Dos 36 hectares, apenas 10 são de vinhas e 1 de oliveiras.

Os vinhos de Franco Pacenti, elaborados com seriedade e paixão, surpreendem pela grande qualidade e seus preços justos.

Na próxima matéria: O porquê do sorriso, a degustação do Brunello 2007 e a safra 2017

Bacco

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

BRUNELLO



Todos devem ter percebido que minhas "intervenções vinícolas" rareiam e estão se tornando sempre mais esporádicas.


 

Escrever, para enófilos que acreditam em fábulas, como a do Brasil possuir alguma importância no mundo do vinho (a última e imbecil piada: um espumante da Casa Perini é o 5º melhor do mundo), se tornou, para mim, muito difícil.

Muito difícil, também, é ter que ocupar o mesmo espaço virtual com Beatos escaladores de cruzes medievais, Copellos, Didus e outros palhaços das garrafas e taças.


 

Mas no imenso mar de eno-imbecis há, também e ainda bem, raras e caras cabeças pensantes.

Estas raras e caras cabeças, que seguem, há anos, minhas irreverentes intervenções vinícolas, me "obrigam" a continuar, mesmo esporadicamente, minha quixotesca jornada e é para elas que dedico as informações que considero relevantes e interessantes.


 

 É para este pequeno brancaleônico exército de seguidores que ainda teimo em escrever.

Chega de preâmbulos e vamos ao que interessa.

QUE VINHO ESPERAR DA SAFRA 2017?

Estive, mais uma vez, passeando pelo Piemonte, Toscana, Borgonha e, como de costume, conversando com vários produtores.

Todos comentaram as dificuldades enfrentadas no corrente ano (geadas, granizo, seca, calor africano), mas se mostraram otimista com o vinho 2017.

"Pouca quantidade, mas ótima qualidade"

"Muitas dificuldades, mas uvas excepcionais"

"O calor antecipou em até 15 dias a vindima, mas a seca doou uvas sadias como nunca"

 

Muito Bla-Bla-Bla para tentar convencer o mercado que o vinho será ótimo e que.......  os preços aumentarão.

Minha opinião: A safra de 2017, apesar das entusiastas declarações dos viticultores, não foi das melhores e os vinhos, de uma maneira geral, serão muito alcoólicos.

 

Acredito, ainda, que teremos muita água adicionada ao vinho......

Querem uma prova?

Todos exaltaram a qualidade das uvas, mas, diante de minha insistência, tiveram que admitir um grau alcoólico mais que preocupante nos vinhos de 2017.

Em alguns casos (não vou declinar o nome das vinícolas nem sob tortura) o grau alcoólico superou os 16º.

Brunellone (Brunello-Amarone)!

Ao perguntar se adição de água resolveria o problema, um sorriso amarelo aflorava nos lábios dos viticultores

"Daremos um jeito.... sem água"



Concordo!

 Afinal a osmose inversa continua na moda......

Bacco

 

 

OS QUINTOS


 


...... Dos infernos?






 


Não há ano, mês, semana, em que os vinhos brasileiros não surpreendam o mundo. 

"Segundo melhor espumante do mundo"

 "Miolo, vinho importado mais vendido em Paris"

"Vinho nacional é premiado com medalha na casa da Mãe Joana"

"Espumante nacional ganha de francês em degustação (quase) às cegas"
 

"Sir Ed Motta considera o Fúlvia melhor do que os Pinot Noir da Borgonha"

E por aí, vai......

Agora o blogueiro Clailton nos informa que o "Casa Perini Moscatel" foi eleito o 5º melhor vinho do mundo.
 

A notícia é surpreendente e, como sugere um amigo, me obriga a rever meus conceitos.

Sempre achei o Barbera Perini uma tremenda bosta, mas agora, com este 5º lugar, conquistado pelo Moscatel, com que cara criticarei os vinhos da Perini?

Hein? Hein? Hein?

Depois de ler uma matéria, no blog do Clailton, meu coração reencontrou a paz: Posso continuar considerando o Barbera da Perini uma tremenda bosta.
 

O Claiton deve ter frequentado um curso, sobre vinhos, especializado em ministrar aulas para retardados mentais.

Somente eno-retardados podem ostentar tamanha "curtura vinícola".
 

Já no início da matéria "As Uvas do Vêneto", Clailton dispara uma garrafa cheia  de Barbera Perini: "O Vêneto é uma região do nordeste da Itália, próximo a Verona e Rovido, com 5 milhões de habitantes, sendo a quinta região mais povoada do país. A capital é Veneza.

Verona e Rovigo (e não, "Rovido") não "estão próximas", são duas capitais de província do Veneto (as outras são: Belluno, Padova, Treviso, Venezia e Vicenza).

Clailton, compre um par de tênis  e volte para as corridas..... o vinho não é, definitivamente, sua especialidade.

Ainda bem que nossos "sommerdiers" não se especializaram em política.

Se eles escrevessem sobre nossos gloriosos representantes no congresso nacional, provavelmente, classificariam, com orgulho, o Renan Calheiros, Romero Jucá, Aécio Neves, Lula e Sarney como os 5 políticos mais honestos do mundo.
 

Haja Barbera Perini no ventilador.

Dionísio.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

AGEUSIA



O Marcelinho Pão e Vinho Copello, mais conhecido como "The Most Flatulential Wine Expert" solta novamente seus insuportáveis eno-flatos
 
 
 

O patético crítico das periferias resolveu soltar mais esta pérola olorosa.  

"Evento exclusivo do Festival - Master Class: DESAFIO BRASIL x RESTO DO MUNDO.

Aconteceu durante do Rio Wine and Food Festival a prova às cegas, que botou à prova nossos espumantes frente a espumosos emblemáticos de todo o mundo.

Numa sala exclusiva com convidados, grandes entendedores, professores e sommeliers, foram degustados 8 rótulos.

Todos os espumantes foram servidos sem apresentação de seus rótulos e os julgadores apenas o identificavam pelo número. E um a um davam se as notas

O resultado surpreendente:

1o lugar - Cave Geisse Extra Brut 2013, Brasil
2o lugar - Viapiana 575 dias, Brasil
3o lugar - Prosecco Le Coste Lapieve, Itália
4o lugar - Cava Anna de Codorníu, Espanha
5o lugar - Champagne Taittinger Brut Reserve, França
6o lugar - Marques de Marialva Baga Blanc de Blancs, Portugal
7o lugar - Prosecco Sperone, Itália
8o lugar - Valduga 130, Brasil
.

 


Nosso Marcelinho, para ganhar alguns trocados, se submete a tudo.

Perdeu a grana da Valduga, mas botou no bolso os R$ dos chilenos.

O que dizer do resultado?

O que comentar?

Nada!

Algumas dúvidas: Os "grandes entendedores" devem ter tido um ataque de ageusia?



Perderam o olfato e paladar por causa dos flatos de nosso Marcelinho?

 Fizeram curso de sommelier na Vinhos Canção?

O que posso dizer quando dois espumantes nacionais, um Prosecco, um Cava, são considerados melhores do que um Taittinger?


 Lembram daquele personagem do Jô Soares?

Pois é...


 

"Me tira o tubo!!!!!!!"

Dionísio