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terça-feira, 18 de setembro de 2018

CORTON-CHARLEMAGNE


 


Na disputa, sul-americana, o chileno “Cousiño Macul” me pareceu superior ao “primo” argentino “Lágrima Canela” e comentei, o fato, na matéria de 10 de setembro.

Na mesma matéria, prometera descrever algo sobre a última garrafa que abri no almoço de domingo: “Corton-Charlemagne”
 
 
 
 

Algumas informações sobre Aloxe-Corton.

Aloxe-Corton é uma minúscula vila da Côte de Beaune que se distingue, de todas as irmãs da região, por duas interessantes particularidades: Possui maior superfície de Grands Crus da Borgonha e é a única que produz um Grand Cru branco e um Grand Cru tinto.
 

Esta era uma verdade até 2015, mas a partir desta data Chambolle-Musigny divide com Aloxe-Corton o privilégio de possuir, também, um Grand Cru tinto e um branco.

Poucos Chardonnay podem ser comparados ao Corton-Charlemagne e, mesmo na super-badalada Côte de Beaune, os rivais são raros.

O Montrachet, certamente, é um

 O Criots-Bâtard-Montrachet, talvez e........ Acabou minha lista.
 

Vinho extraordinário cuja produção total, de 300 mil garrafas (média), é dividida entre 55 produtores/engarrafadores.

A garrafa de Corton-Charlemagne 2014, que abri, foi adquirida diretamente do produtor, Maurice Chapuis.

A domaine de Maurice Chapuis se estende por 12 hectares e o viticultor, de Aloxe-Corton, produz, aproximadamente, 4.000 garrafas de Charlemagne por ano.
 

Apesar da boa qualidade, o Chardonnay, da “Cousiño Macul”, quando   comparado ao vinho da Borgonha, desaparece.

É uma luta injusta.

Apesar da pouca idade (4 anos) o Corton-Charlemagne já apresentava um excepcional equilíbrio, incrível mineralidade e grande finesse.

Nos aromas requintados e sutis pude perceber agrumes e delicadas notas amanteigada.

Na boca muita elegância e um final interminável.

Grande vinho que confirma a supremacia dos Chardonnay da Côte de Beaune sobre os primos de todos os cantos do mundo.
 

Um pequeno senão: Sou cliente antigo de Maurice Chapuis e infelizmente acompanho a constante, mas “inexorável” elevação da sua tabela de preços.

Nos últimos três anos o Corton-Charlemagne, de Chapuis, passou de 60 para 70 Euros e não dá sinais de querer estacional no atual patamar.

Corton-Charlemagne, da Domaine Maurice Chapuis, um grande vinho.

Bacco

P.S. Estou mais tranquilo.

Dionísio me informou que por 70 Euros, devo comprar um contêiner de Charlemagne, pois um “Tempranillo Aberração de Tão Bom”, de Cocalzinho, é vendido, para os eno-otários locais, por R$ 520.
 

 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

TUDO POR DINHEIRO


Que a crise moral havia atacado a maior parte dos críticos, formadores de opinião, blogueiros, sommeliers etc. do mundo do vinho já era uma certeza, mas nunca pensei que a desonestidade intelectual chegasse onde chegou: Tudo por dinheiro.
 
 
 

Não muito dinheiro, qualquer quantia serve, qualquer quantia é bem-vinda, venha de onde vier, até mesmo do terroir de cupins de Cocalzinho.

Quando nosso eterno “melhor sommerdier” deixou os confortáveis sofás do Fasano para se aventurar no Planalto Central e catar alguns R$ percebi que a crise atingira níveis inimagináveis: O Beato Salu descia do cruzeiro medieval da Romanèe-Conti e escalava os cupins da Vinícola Pireneus.
 

Apesar de promover um festival de “Almaviva” (R$ 3.190) a decadência é total!

Não satisfeito, em declarar aquelas tremendas bostas “Uma aberração de tão bom”, o nosso eterno “melhor sommerdier” empunha uma picareta 2.0 e, sem o menor pudor, assume o papel de garoto propaganda dos vinhos, caros e dispensáveis, produzidos nos cupinzais goianos

Mas...... O fim justifica os meios.

Chapeau para o Marcelo Souza, proprietário da “Pireneus Vinhos e Vinhedos”, que, com apuradíssimo faro comercial, soube, em pouquíssimo tempo, promover seus vinhos e vendê-los por preço de Barolo, Amarone, Brunello Châteauneuf du Pape etc.
Não abrir sem antes ter tomado uma boa dose de Plasil

Vergonha (ou falta dela...) para o Beato Salu que demonstra, mais uma vez, que nossos formadores de opinião não resistem a uma graninha, venha de onde vier.

Penico cheio para aquele que compram R$ 1.000 de vinhos do “Terroir dos Cupins” e viajam até Cocalzinho para comer queijos goianos.

 
Eles merecem.....

Dionísio

 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

LÁGRIMA CANELA


 


Já pediram, inúmeras vezes, que publicássemos a lista dos “nossos melhores vinhos do mundo”.

Já afirmei que é impossível elencar pela simples razão que, se continuamente provamos novos vinhos, a lista de setembro, provavelmente, não será a mesma em dezembro.
 
 
 
 

Eu tenho meus favoritos, não nego, mas a fila anda e as experiências, idem.

Neste longo final de semana, uma extensa lista de vinhos......

Da longa lista gostaria de comentar três garrafas rigorosamente degustadas às cegas.

Um caro amigo, que há muito tempo teima em testar minhas preferências, meus conhecimentos e meu saco, compareceu, ao almoço dominical, com uma garrafa perfeitamente envolta e camuflada em papel alumínio.

Com cuidados extremos cortou a capsula, extraiu e embolsou a rolha e serviu o vinho.
 

Dourado intenso, manteiga em excesso, madeira, idem, álcool para ninguém botar defeito…. Não tive dúvidas e arrisquei “ É um Chardonnay que imita os franceses (para variar...). Sul-africano? Sul-americano?  

Errei!

O “Lágrima Canela” Bressia falava espanhol, mais exatamente “argentino” e, além da Chardonnay, fora vinificado com Semillon.

O amigo garantiu que o “Lagrima Canela” foi considerado um dos três melhores brancos da Argentina e que não custara nada barato: R$ 360.
 

Um preço salgado, ao meu ver, para um vinho untuoso, opulento, com madeira em excesso e que, com seus 14.5º de álcool, não era um convite para mais de uma ou duas taças.

Já bebi melhor e bem mais barato, inúmeras vezes.

O “Lágrima Canela” conseguiu uma proeza: Me afastar, ainda mais, dos vinhos argentinos.

Eu apresentei, para degustação, uma segunda garrafa, também, cuidadosamente envolta em sacos plásticos.

A cor, amarelo-esverdeada, menos intensa do que a “Lágrima Canela”, já deixava transparecer se tratar de um vinho menos opulento, menos mastigável, mais leve.

Um dos convivas não pensou muito e, após uma prolongada cheirada e um pequeno gole, disparou “Francês da Borgonha”.

Dei uma bela risada e desvendei o “mistério”: “Don Luis Chardonnay da chilena Cousiño Macul”.
 
 

Um grande vinho?

Não, mas uma bela interpretação de Chardonnay que confirma a “supremacia” dos vinhos chileno sobre os argentinos.

Já os Chardonnay da “Tarapacá” me haviam impressionado e agora, o “Don Luis”, com seu frescor, aromas cítricos, sem pesados excessos amanteigados ou amadeirados, é um vinho que se aproxima claramente aos primos franceses, não aos TOPS, mas às garrafas médias e de boa qualidade.

O “Don Luis” reserva é uma bela surpresa que recomendo e que paguei R$ 39.

Se pensarmos nos R$ 360 do “Lágrima Canela” ou nos R$ 250 de um Petit Chablis, de 3ª categoria, o “Cousiño Macul por R$ 39 é quase de graça.

O Robert Bic deve ter recebido uma boa grana da vinícola argentina para “doar” 92 pontos ao “Lágrima Canela”.
 

Seguindo o mesmo critério “parkeriano” vou pontuar o “Don Luis com 112.

 Na próxima matéria comentarei um Corton-Charlemagne e já estou preocupado: Se o Roberto Bic deu 92 pontos para o “Lágrima Canela” quanto merecerá o Grand Cru de Aloxe-Corton?
 

Alguma sugestão?

Bacco

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

DE VOLTA PRO MEU ACONCHEGO....


Depois de faturar algum no cerrado do Planalto Central e mais precisamente em Cocalzinho de Goiás, onde nosso longilíneo escalador de cruzeiros medievais “descobriu” o mais novo eno-embuste vinícola nacional, o famoso “Beato-Salu-Aberração-de-Tao-Bom” retorna para seu terreiro
e.….“Estou de volta pro meu aconchego trazendo na mala alguma graninha....”

 

Nossa “aberração de tão bom” deixa o “terroir” dos cupins e volta, revigorado, ao seu habitat para pilotar mais uma “aberração”, agora, em São Paulo e Rio de Janeiro, dirigida aos eno-endinheirados-abestados: “ 20 Anos do Almaviva”.

Dia 28 de Agosto, 35 eno-abestados no “Fasano Mare” e dia 1º de setembro, 70 eno-tontos no “Fasano São Paulo”, serão convidados a abrir a carteira e despejar, nos caixas da empresa, nada desprezíveis R$ 3.190 (cada) para poder apreciar 20 safras do “emblemático” vinho chileno “Almaviva”.


A Concha Y Toro é especialista em vinhos “emblemáticos”.

 No distante 1987 o recém-nascido “Don Melchor” começava a ser preparado para galgar os mais altos degraus da eno-crítica mundial.

O enólogo Enrique Tirado e uma boa grana da vinícola chilena, conseguiam arrancar 96 pontos para o “Don Melchor” da coretí$$ima Wine Speculeitor.

A Concha Y Toro é freguesa habitual da revista americana e quase todos os anos compra uma pontuação que garanta a inclusão de seus vinhos nos “Top 100”.

 

Não entendi bem, mas a vinícola chilena, nos últimos tempos, está muito mais interessada em alavancar a etiqueta “Marques de Casa Concha” do que “Dom Melchor” e “Almaviva”:  “Marques de Casa e Concha” aparece com mais frequência  e em melhor colocação  do que a “Don Melchor” e “Almaviva” nas “ Top 100 List”.

Não sei qual a atual tabela de preços da Wine Speculaitor, mas você ainda acredita que a revista não cobra para inserir os vinhos em sua lista anual?

Se você acredita, está bem próximo da total eno-estultice, potencial consumidor do vinho produzido em Cocalzinho e mais que apto a desembolsar R$ 3.190 para jantar nos “Fasano” e se deliciar com o “Almaviva”

 

Não sei se o preço salgado inclui um show onde será possível apreciar os dotes acrobáticos do Beato Salu escalando uma réplica do cruzeiro medieval da Borgonha, mas......O show deve continuar....

 

Só para lembrar: Bacco, nos links abaixo, relata e descreve o jantar no
“La Ciau Del Tonavento” (uma estrela Michelin) regado a Dom Pérignon que custou 190 Euros.
 

No “Fasano” o jantar com “Almaviva” custará Euros 680.

Parabéns aos eno-abastados-abestados que fizeram reservas e ...... vocês merecem.

 

Dionísio