Facebook


Pesquisar no blog

segunda-feira, 15 de abril de 2019

ESPERANÇAS PERDIDAS





Uso o espaço, aqui cedido, para discordar de Dionísio, nosso sommelier formado pela ABS de Samambaia, que o acordo comercial assinado entre o Trump e o Pocketmyth (Bolsomito em inglês) no brinde (sem trocadilhos) com vinhos mais acessíveis e traga medo e terror aos produtores de semi-vinho nacional.


Nessas pegadinhas de acordos comerciais, anunciados com fanfarra, não caio há muito tempo.

Se acontecer algo vai demorar para ser implementado e tudo vem com um caminhão de quotas (em volume ou financeira).

 Mas políticos agem assim e sempre anunciam acordos bem antes que realmente aconteçam e mesmo se houvesse essa implantação do acordo, ainda esse ano, acreditar que haveria cortes de impostos ou de barreiras aos preços dos produtos, beira uma inocência igual à dos eno-ébrios da nossa blogosfera.


E ainda temos a última barreira ao consumo do vinho em quantidades que não sejam do nível indiano, tailandês ou de Ghana: O homo bananicus tem uma proclividade ao consumo de cachaça, digo pinga, de cerveja barata e ao mau gosto em geral.


 O vinho seco fino nunca vai pegar.

 Pode baixar o preço à vontade, seja no dólar ou nas tarifas ou nos acordos.

Percamos quaisquer esperanças.

Bonzo 


terça-feira, 9 de abril de 2019

LISBOA I


A TAP melhorou; aposentou os “14 Bis” que voavam para a Brasil e os substituiu por aviões mais modernos, silenciosos e confortáveis.

O serviço de bordo, todavia, continua o mesmo: Apressado e quase sufocante

Os atendentes, minutos após a decolagem e em frenético toque de caixa, começam o serviço dos aperitivos,

Poucos minutos depois, antes mesmo que se possa terminar a taça de espumante, servem o jantar e não deixam dúvidas que querem acabar rapidamente com o serviço, apagar as luzes e.…Boa noite.

A carta de vinhos, em mais um acerto da TAP, melhorou consideravelmente.

Ainda mastigando o último pedaço, de uma sofrível pescada ao forno, um comissário se aproximou e perguntou se desejava chá, café, vinho do Porto ou um digestivo.

 
Com o guardanapo tampando a boca, na tentativa de evitar que pedaços de pescada fossem parar na cara do rapaz, respondi que aceitaria, sim, um cálice de “Moscatel de Setúbal” da garrafa que vira ao lado do vinho do Porto.

A generosa dose deixou claro que aquela seria, também, a última.

Sempre achei que os portugueses são excelentes produtores de vinhos, mas não sabem vendê-los.

Porto, Madeira e Verde são vinhos que em suas categorias não tem rivais no mundo, mas, excluindo os dois primeiros, quem conhece o Vinho Verde, Colares, Rabigato, Encruzado e muitíssimos outros?

E a lista não para por aí: Há uma enorme variedade de vinhos, produzidos com castas autóctones, praticamente desconhecidos.

O “Moscatel de Setúbal”, que nada deve a outros grandes e renomados vinhos de sobremesa (prefiro bebê-lo sem nada comer) é um ilustre desconhecido na Itália, França, Alemanha etc.
 

O “Moscatel de Setúbal Casa Ermelinda Freitas”, servido pela TAP é um grande vinho.

Sua cor âmbar, perfumes incríveis e complexos, ótima persistência na boca e com um longuíssimo final, que lembra a laranja amarga, me obrigou a importunar o comissário que com cara de enfado me serviu mais uma taça.

No aeroporto de Lisboa, mais uma surpresa: O “Moscatel Casa Ermelinda Freitas” custa pouco mais de 7 Euros.

Prevenir é melhor que remediar......comprei 6 garrafas.
 
 
Viva os vinhos portugueses!

Bacco

quinta-feira, 4 de abril de 2019

OS SUPERLATIVOS 2


Quem “venera” os sommeliers, degustadores profissionais, experts etc.  e acredita em suas “onisciências vinícolas”, precisa urgentemente rever seus conceitos.
 

Há muitos anos, não acredito na propalada e decantada superioridade dos sommeliers em reconhecer vinhos melhor do que eu ou de qualquer um de nós.

Os sommeliers podem e devem ter um preparo melhor, fruto de estudos e degustações, mas não são seres ungidos pelos deuses do vinho e nem possuem, obrigatoriamente, sentidos superiores e mais apurados que os meus, seus, nossos.

Posam, como, mas não são deuses.....

 

Charles Spence, professor de psicologia experimental e mestre em “percepção multissensorial”, na universidade de Oxford, pesquisa as relações entre os vários sentidos e concentrou seus estudos de como o gosto interage com a vista, audição e tato.

Spence, há anos, investiga como o sabor do vinho (especialmente o Champagne) muda quando se mudam algumas condições.

 Os resultados dos experimentos, realizados por seu grupo de trabalho em Oxford, são de deixar os sommeliers e “degustadores” profissionais com cara de tacho.

 

Alguns exemplos:

1)  40 degustadores profissionais provaram dois vinhos. O primeiro depois de terem ouvido o tradicional (pop) da rolha de cortiça sendo retirada e o segundo depois de ouvirem o rumor da tampa de rosca metálica. Quase todos preferiram o primeiro alegando uma serie de diferentes qualidades, mas os dois vinhos, servidos, eram exatamente iguais.

2)  Serviram, para vários degustadores profissionais, um vinho branco artificialmente colorido de vermelho e a grande maioria encontros as características de um tinto.

3)  Serviram Champagne em taças pretas e nenhum dos “experts” soube identificar as castas.

 Spence demonstra uma evidência que muitas vezes esquecemos: comer e beber, como todas atividades humanas são experiências complexas onde entram inúmeras questões biológicas, químicas, psicológicas e sociais.

 

Então.... O que é “natureba” para o Didu-Bilu-Teteia, ou ótimo para o Diego Rebola, pode ser uma tremenda bosta para mim e.......quase sempre tenho razão

Quem quiser aprofundar seus conhecimentos no assunto, aqui vai a dica

 

Dionísio

 

sexta-feira, 29 de março de 2019

OS SUPERLATIVOS


Não sou um grande conhecedor de vinhos e, quase sempre, quando vou a um restaurante, confio na sugestão do sommelier ou proprietário do local.
 

Mas até que ponto o sommelier ou o expert, entende de vinhos mais do que eu?
 

Segundo Robert Hodgson, pequeno produtor californiano, eles entendem tanto quanto ou menos ainda

Hodgons participou e participa, de inúmeras competições enológicas e notou que as premiações não seguem nenhuma lógica.

Um vinho aplaudido em uma competição é execrado na seguinte.

 
Em 2005, durante a “California State Fair”, iniciou uma experiência que se concluiu em meados de 2018.

Sem que soubessem e em incontáveis concursos, Hodgson, apresentou aos jurados, em cada degustação, o mesmíssimo vinho por três vezes

Resultado: Apenas um, entre dez jurados, pontuou   o vinho com a mesma nota nas três degustações.

Aí vem a pergunta: Se “expert” internacionais falham, clamorosamente, como confiar em nossos eno-picaretas de plantão?

Não confie .... Eles são apenas mais espertos e mais caras de pau do que você.

A pá de cal, sobre o mito do infalível sommelier, é jogada por Marco Reitano sommelier do tri estrelado restaurante “La Pergola” no “Waldorf Astoria Resort” de Roma.
 

“Nenhum sommelier consegue reconhecer um vinho, qualquer, apenas provando. Não faz parte do nosso trabalho. A tarefa do sommelier não é adivinhar o vinho, mas reconhecer a qualidade e entender quais as melhores harmonizações para pratos escolhidos”.

Dito isso, vamos adiante...

Nos anos 2000 a ABS de São Paulo publicava, em seu site, os “Melhores 100 Vinhos do Ano”.

Todos os anos os diretores da associação degustavam, classificavam e pontuavam os vinhos.

Era um festival, de palhaçadas, digno de um espetáculo circense.

Mirtilos, framboesas, cerejas, groselhas e inúmeras outras frutas, que raramente são encontradas no Brasil, abundavam nas descrições.

Intrigado com o sofisticado paladar e o refinado olfato, dos diretores da associação paulista, resolvi lançar um concurso-desafio.

 Escolheria 10 garrafas, entre as 100 melhores classificadas pelos gênios da ABS e convidaria os “experts” a reencontrarem em uma degustação às cegas, exatamente os mesmos aromas, os mesmos sabores e a mesma pontuação do julgamento anterior.

Haveria, logicamente, um prémio: Para cada acerto pagaria ao “expert” R$ 5.000.

Havia, porém, a contrapartida: A cada erro, o génio da ABS, me    pagaria R$ 1.000.

É sempre bom lembrar que, naqueles anos, R$ 50.000 era uma cifra considerável.

No primeiro desafio ninguém apareceu, mas não desisti.
 

Dobrei o valor e o prémio para passou a ser de R$ 10.000, para os acertos, mas mantive os mesmos R$ 1.000 para os erros.

Ninguém apareceu.... Desisti

Foi assim que me convenci que os aquele aromas, sabores, conhecimentos e percepções, quase extraterrestres, eram ridículas invenções que serviam, apenas, para impressionar os neófitos.
 

Toda aquela eno-sapiência era apenas um verniz, de quinta qualidade, que servia para enganar os incautos e eno-crédulos.

Acreditar que nossos “sommeliers” são seres de outro mundo e dotados de conhecimentos superlativos, é crer que nosso Diego Rebola, um dia, poderá trazer aquela taça inútil para o Brasil.

 
Picaretagem pura, pura picaretagem

Tem mais....aguarde

Dionísio   
OS