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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MALVASIA VIGNA 80 ANNI



O "Nanin" é meu restaurante predileto em Chiavari.

O "Nanin", além da excelente cozinha, possui uma adega pequena, mas surpreendente.

Marco, sócio e cozinheiro do local, é um grande apreciador e entendedor de vinhos.

Marco, por diversas vezes, me revelou castas, grandes etiquetas, ótimos produtores e já bastaria a indicação de Jean Claude Bachelet para lhe render uma justa homenagem.
 
 
 

Em minha última passagem, pelo "Nanin", Marco propôs uma garrafa de "Malvasia Istriana" que ainda não havia provado.

Não conhece a "Malvasia Istriana"?

Vamos descobrir do que se trata.

A Malvasia é uma casta muito difundida na Itália.

 A Malvasia pode ser encontrada desde o Piemonte, no norte, até a Puglia, no extremo sul da bota e até nas ilhas, Sardenha e Sicilia.

Esta casta, que se adapta bem do norte ao sul da bota, é utilizada em dezenas de denominações importantes.
 

 Algumas das mais conhecidas: Chianti (em sua receita original de 1870), Frascati, Est! Est!! Est!!!, Carmignano, Malvasia di Bosa etc.

As surpresas não terminam quando se descobre em quantas dominações a uva é utilizada, é preciso lembrar, também, que a Malvasia pode ser branca, tinta e com ela se produzem vinhos secos ou doces.

A Malvasia é popular e polivalente.

É fácil deduzir, então, que muitos enófilos já beberam Malvasia sem saber.

A "Malvasia Istriana", todavia, não pode ser confundida com as primas populares e polivalentes.

 A "Malvasia Istriana", pequena realidade enológica do Friuli Venezia Giulia, é uma jóia rara que origina um dos mais importantes e melhores vinhos brancos da Itália.
 

 A "Malvasia Vigna 80 Anni" da vinícola "I Clivi", que bebi no restaurante "Nanin", é a prova viva da minha afirmação: Grande vinho!

O que dizer desta soberba "Malvasia Vigna 80 Anni"?

Vou iniciar informando que este maravilhoso vinho nasce de vinhas, como afirma a etiqueta, de mais de 80 anos.

As velhas vinhas autóctones, perfeitamente aclimatadas na região, são pao-duras e produzem 2.000/3.000 kg por hectare.

 Toda a "avareza", das idosas parreiras, resulta em vinho de grande estrutura, concentração e mineralidade.

Na taça, a "Malvasia Vigna 80 Anni", apresenta uma bela cor palha com tendência ao dourado brilhante.

Ao nariz percebem-se notas balsâmicas, de frutas maduras e uma marcante veia mineral.

Na boca é envolvente, quente, muito persistente e que termina em raro frescor.

A vinícola "I Clivi", de propriedade de Ferdinando Zanusso, se localiza no "Collio Goriziano" (veja mapa) e se estende por 12 hectares nas colinas de Brazzano, terra de grandíssimos vinhos.
 

Quem viajar pelo norte da Itália no deve procurar e provar este maravilhoso vinho que custa 20/25 Euros nas enotecas

A vinícola de Ferdinando Zanusso produz outra maravilha enológica: "Clivi Brazan"
 

Os "Clivi di Brazan" fica prá próxima...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

TERROIR OU TERROR?



Li, com interesse, as matérias "Sexta feira 13" e "Sexta feira 13 - Merdalhas" que Dionísio publicou no blog.

Dionísio não revela nenhuma surpresa, apenas as mesmas meias-verdades e as grandes mentiras que, regularmente, aparecem no tragicômico cenário do vinho nacional.

 Clima, micro clima, altitude (quanto mais elevada melhor), duas podas, duas colheitas, excursão térmica, terroir único, medalhas, reconhecimento mundial, etc. são um rosário de informações fajutas que visam despertar, nos consumidores, um patético orgulho nacionalista.
 

 Há uma corrente ufanista que acredita, piamente, na qualidade excelsa dos produtos nacionais e que o consumo de vinho brasileiro não aumenta por puro preconceito.

 O que alguns (vários?) produtores, espertos e picaretas, fazem, sem nenhum pudor, é dourar a pílula para justificar preços irreais.

Os picaretas das vinhas nacionais, que exaltam fabulosas descobertas de magníficas e únicas terras vinícolas, fingem desconhecer que o Brasil nunca foi e nem será, a curto e médio prazo, um produtor, importante e decente, de vinhos.
 

Não há mínimo indício que indique grandes mudanças no cenário vinícola nacional; a maior parte da produção (80%) continua sendo representada por vinhos obtidos com "vitis labrusca".

Nenhum, o quase nenhum, controle, permite ao setor uma liberdade rara (única?) e os produtores são livres para fazer o que, quando e onde quiserem: Suas garrafas não serão fiscalizadas, monitoradas ou controladas com rigor.

É a zorra total!

O resultado: Para os produtores, o melhor dos mundos e para os consumidores, vinhos deploráveis e caríssimos.

Pesquisado meus antigos arquivos, pesquei uma matéria, de 2009, escrita por Renato Fenocchio, produtor de Barbaresco.
 

A matéria, que traduzi, ilustra, com bastante precisão, o que é preciso para se implantar um vinhedo nas colinas das DOC e DOCG de Barolo e Barbaresco.

Leiam e comparem com as "descobertas" dos "terroirs" tupiniquins. 

 

A VINHA (parte I)

 Todas as ações importantes, como extirpar, enxertar, plantar, replantar, realizadas, em parte ou na totalidade, em uma vinha, somente podem ser executadas após prévia autorização dos escritórios fiscalizadores da província competente.

A não observância, destes procedimentos, resulta em fortes sanções pecuniárias e disciplinares à vinícola que efetuar operações não autorizadas.

 Controles rotineiros são efetuados através de fotos aéreas de todo o território, para fiscalizar os plantios não autorizados.

As fotos são sobrepostas aos mapas dos arquivos possibilitando a fácil identificação de plantios abusivos.

 


1.  O TERRENO

O terreno deve possuir documentação que comprovem sua existência, localização, extensão e o uso (qual tipo de cultivo). Para poder operar, em um terreno, é necessário, então, documento de propriedade ou contrato de arrendamento devidamente registrado.

 

2.  DIREITO DE PLANTIO OU REPLANTIO

A documentação, acima, é justamente  exigida para facilitar o controle físico da área dos vinhedos que não pode ser aumentada.

É permitida a implantação de um novo vinhedo somente e quando o anterior foi extirpado, mas observando, rigorosamente, a mesma metragem.

 


3. DOCUMENTAÇÃO PARA PERMISSÃO DE REPLANTIO

Os documentos exigidos podem ser de um terreno no qual já existia uma vinha que por diversos motivos foi extirpada (idade avançada das vinhas, trabalhos de drenagem, doença

 etc. ou outro no qual as vinhas foram erradicadas e não mais replantadas (abandonado).

Quando de posse da documentação, acima exigida, uma consulta é enviada aos escritórios agrícolas competentes.

A consulta, devidamente preenchida com todos os dados da vinícola que pretende implantar o vinhedo, é encaminhada, pelo escritório agrícola, aos órgãos superiores da província.

Depois de analisar a documentação um perito, do escritório provincial, visita a vinícola para conhecer e verificar, em loco, a característica e qualidade do terreno, julgando-o, apto ou não, para plantio das vinhas.

Desta fiscalização nasce a possibilidade, ou não, de se implantar um vinhedo e quais castas podem ser utilizadas no plantio.

Se a exposição não é das melhores não são autorizadas castas de maior prestigio e se vinhedo são orientados ao norte é autorizado o plantio de uva Nebbiolo somente para produzir a DOC Langhe Nebbiolo, mas jamais as DOCG Barbaresco ou Barolo.

Após a autorização, da implantação das vinhas, os trabalhos de aração e drenagem podem ser iniciados, mas sempre com a autorização e supervisão de um geólogo.


 

4. AS MUDAS

Devem ser adquiridas em viveiros autorizados e portar um documento denominado “Passaporte da Vinha” o qual certifica a casta, o produtor e a ausência de doenças genéticas.

 

5. TEMPOS DE PRODUÇÃO

Após o plantio das mudas uma comunicação é enviada aos escritórios competentes.

Esta comunicação gera uma visita de um técnico que se desloca até ao terreno para fiscalizar a correta implantação do vinhedo. Após a fiscalização o certificado definitivo é assinado.

O vinhedo e acompanhado, com muito cuidado, durante os três primeiros anos.

A partir do terceiro ano o vinhedo pode produzir até 70% do permitido pelo disciplinar.

No decorrer do terceiro ano há mais um controle por parte dos técnicos dos escritórios competentes.

Após todos os controles, a colheita é, então, autorizada dentro dos limites consentidos pela DOC o DOCG.

A partir do quarto ano de vida as vinhas entram em produção plena, mas sempre dentro dos limites permitidos pela DOC ou DOCG.

 

 

Conclusão

É fácil perceber que não é possível implantar vinhedos a bel prazer.

Não é o pequeno, médio viticultor ou a vinícola de grande porte que determinam quando, onde e com quais castas os vinhedos são implantados; há normas rígidas que devem ser seguidas

Não é possível erradicar vinhas de Barbera, Dolcetto, Freisa etc. para plantar Nebbiolo; a fiscalização provincial é quem determina se os terrenos são os mais indicados, se a exposição solar é a mais adequada e até se a altitude correta.
 

Não há "raios de luz" do além indicando bons terrenos, não há improvisação...... Há seriedade, tradição,cultura, competência.

Mesmo com todos esses cuidados, normas, fiscalização e custos, um bom Barolo ou Barbaresco custa menos do que o Syrah do Guaspari.

Deu para perceber quando teremos uma produção vinícola séria e competente?

Bacco

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

SEXTA FEIRA 13 - MERDALHAS



A afirmação, de Nelson Rodrigues, que o brasileiro tem complexo de vira lata, não pode ser aplicada, em nenhuma hipótese, aos produtores de vinhos nacionais.
 

Os nossos gloriosos industriais vinícolas, caso portadores de algum complexo, jamais será o de vira latas, mas de superioridade.

Qualquer barra-bosta, que resolva abraçar a viticultura, em três ou quatro anos já se considera e é aplaudido, na pior das hipóteses, como um novo Angelo Gaja.

Exagero meu?

Lembram daquele lambe-lambe que, depois de visitar a França e beber algumas garrafas de Pinot Noir, voltou para o Brasil, abandonou tudo (o que nunca teve) para se dedicar ao vinho?
 

Pois bem, o Marco Danielle, dos mil nomes e centenas de picaretagens, em poucos anos se transformou, de lambe-lambe e comprador de uvas da Lídio Carraro, em empresário vinícola e proprietário de vastos vinhedos.
 

 Conquistou, doando algumas garrafas e muita conversa fiada, meia dúzia de críticos palermas (Didu Bilu Teteia, sempre presente) e, hoje, consegue vender um ridículo Pinot Noir por "bourguignons" R$ 220 (56 Euros)

Querem mais?

Vilmar Bettu, um dos maiores ícones dos eno-tontos brasileiros, cobra R$ 100 para que se tenha acesso à degustação de seus vinhos.
 

No final da degustação, quando os eno-tontos já estão de porre e quase inconscientes, o "mago" das vinhas, já dominador de corações e mentes alcoolizadas, empurra suas garrafas por R$ 200-300-400 e até por R$ 500.
 

Mais?

Lembram daquele otorrino que resolveu cultivar vinhas em Cocalzinho (GO)?

Pois bem, o nosso Cristovão "garganta profunda" Colombo "descobriu", em Goiás, um paraíso vinícola.
 

Clima perfeito, terreno único, assistência técnica de primeira qualidade, conhecimentos enológicos ímpares, deram vida ao fabuloso "Intrépido".

O "Intrépido Syrah", uma das maiores porcarias vinícolas que já botei na boca, custa R$ 169.

Não tenho palavras e nem coragem para falar do Barbera produzido pela mesma vinícola... a Barbera não merece ser tão humilhada.

 Poderia ficar escrevendo horas sobre os caríssimos quase-vinho que nossos empresários vinícolas, com pontualidade quase suíça, apresentam ao mercado.

Quando um produtor é "descoberto", fora do eixo gaucho - catarinense,  ganha espaço na mídia e é reverenciado como um gênio das rolhas.

Depois de Cocalzinho chegou a vez e a hora de mais um "Premiado Vinho Nacional".
 

A nova  descoberta enológica, desta feita, nasce nas mágicas terras de Espírito Santo do Pinhal.

A anônima cidade, de Espírito Santo do Pinhal, em pouquíssimo tempo se transformou em mais uma terra abençoada pelos deuses das uvas.

A Vinícola Guaspari, escolhida e eleita pelos espíritos, recebeu um raio de luz indicando o recôndito e perfeito caminho das vinhas.
 

 Em poucos anos (9) a Guaspari já conseguiu atingir níveis de qualidade que aqueles bobões franceses demoraram séculos para alcançar e suas garrafas já ostentam preços que deixam os colegas picaretas do sul parecendo o Hulk: Verdes de inveja.

A Guaspari, para justificar os preços abusivos, alardeia que os líquidos engarrafados em Espírito Santo do Pinhal ganharam, por dois anos consecutivos, medalhas no "Decanter World Wine Awards".
 

O que a Guaspari deixa de informar: A Decanter distribui todos os anos, algo como 14.000 "merdalhas" aos participantes do concurso e mais:  Em 2017 foram "merdalhados", além dos brasileiros, os famosíssimos vinhos do Azerbajão, Bolívia, Chipre, Índia, Japão, Cazaquistão, Marrocos, México, Tailândia, Turquia etc.
 

Pesquisei a lista dos vinhos premiados dos países tradicionais (França, Itália, Espanha, Portugal) e não encontrei, na relação, nenhuma vinícola expressiva ou importante.

Por que será?

 Pelo simples fato que nenhum produtor, sério ou renomado, participou do espetáculo circense.

A Guaspari gastou uma grana preta para concorrer, mas não se preocupem..... já recebeu de volta, o que gastou com juros e correção para ninguém botar defeito.

O que a Guaspari, críticos, blogueiros, revistas etc. não revelam é o volume de dinheiro que alimenta a picaretagem do sempre presente Steven "espúrio" Spurrier
 
 

 Acompanhem alguns cálculos

O total de vinhos participantes (unidades de garrafas), em 2017, foi de (+ ou -) 15.000.

A inscrição de cada unidade custa 126 £ + 20% de IVA.

126 + 20% = 151,20 £

151,20 X 4,5 = 680,40 R$

680,40 X 15.000 = 10.206.000 R$.

Bela bolada, não é?

Mas a picaretagem não para por aí, continua.

Para que se tenha uma idéia do faturamento, até aqueles selos, da "Decanter World Wine Awards", que são colados nas garrafas "merdalhadas", custam 58£ (R$ 260) o milheiro.

Vejam:

"DWWA 2017 Gold GENERIC - Printed in rolls of 1000 stickers

£58.80"

Se alguém estiver com o saco vazio e conseguir descobrir quantos milhões de garrafas espalhadas pelo mundo ostentam o "Selo Merdalha" poderia nos brindar com números ainda mais significativos.

Perceberam o quanto vale ser premiado por Steven "espúrio" Spurrier e Cia?
 
 

Merda nenhuma!

Enquanto isso um pequeno exército de idiotas estufa o patriótico peito e, alegremente, paga uma grana preta (170 R$) por um Quase-Syrah "merdalhado" Guaspari  

Dionísio

 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

CENSURADOS.....MAIS UMA VEZ



Os conhecimentos vinícolas do Didu Bilu Tetéia são fraquíssimos, mas seu santo é poderoso.
 
 
 

Quando nos atrevemos a atacá-lo, no ridículo Enoblog, fomos sumariamente defenestrados sem maiores explicações.

Nada perdemos, até porque o "Enoflop" é um cemitério de idéias, mas o nosso palhaço do vinho demonstrou força.
 
 

No dia 7 do corrente escrevemos a matéria "Adeus, Neurônios" e, como de costume, publicamos em vários grupos do Facebook.

Todos os grupos , como sempre acontece, aceitaram o post.

Todos?

 Não
 

O "Exclusive SP" não autorizou a publicação.

Indaguei o motivo e eis a resposta da Carine Hartmann, responsável do grupo

 Dionisio A pagina foi criada para divulgarmos o vinho e as coisas boas da vida como gastronomia e viagens. Além de reunir amigos. Não permitimos críticas pessoais a nenhum componente do grupo. Não postamos política, religião ou criticas a membros pois vai contra os objetivos do EXCLUSIVE SP que á a de unir pessoas.

Resposta:
 
 Ótimo, continue sendo paz amor e medíocre

 


Perfeito!

Cada um é dono de fazer o que quiser no grupo que administra, mas é bom salientar que nós não caímos de para quedas no "Executive SP" respondemos afirmativamente a um convite de Carine.

A Carine, antes de nos convidar, certamente, leu , releu e concordou com as tomada de posições e as idéias de B&B.

A Hartmann deve ter uma personalidade fraca e ambígua para, de repente, bancar a protetora dos pobres e indefesos palhaços do vinho.
 

Quem escreve o que quer, e ganha para tanto, está sujeitos às críticas e o Bilu Didu Teteia, que não para de escrever um monte de merda, é mais um na multidão e não um intocável ícone no Olímpio dos vinhos.

À Carine Hartmann e ao seu elitista e discriminatorio, "Exclusive SP", meus sinceros pêsames.

Dionísio