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terça-feira, 13 de novembro de 2018

ATOLA 2


 


Boa, como sempre, a matéria de Bonzo que comenta mais uma “pérola” do nosso folclórico circo eno-gastronômico.
 

 Boa, mas incompleta.
 
 

Bonzo provavelmente não sabe que a sommelier, Gabriela Monteleone, (ir) responsável pela elaboração da carta de vinhos do “Dalva e Dito”, é a ex do nosso impávido e único escalador de cruzeiros medievais:  Inefável Beato Salu.
 

Beato, ao classificar aquele quase vinho do cerrado goiano “aberração de tão bom”, parece ter provocado ciúmes à Monteleone que ora contra-ataca com o garrafão do “Bela Quinta Clássico SR”.

A disputa, para ver quem conseguirá imbecilizar, ainda mais, os enófilos brasileiros, está em curso e não é possível prever qual dos dois sommerdiers ganhará o confronto.
 

A boa notícia, que certamente provocará um frisson nos eno-tontos-abonados, fica por conta de um comunicado: “... Em breve para alegria de muitos, o garrafão será vendido no mercadinho do restaurante também. ” 
 

É uma oportunidade, mais que rara, única.

O mercadinho do “Dalva e Dito”, atendendo incontáveis pedidos de clientes, comunica, aos impacientes eno-tontos, que por míseros R$ 140, será possível levar para casa um garrafão de 2 litros do “...resgate do vinho camponês” produzido no soberbo terroir de São Roque.
 

Parece que já há uma longa lista de connoisseurs que impacientes aguardam o dia em que finalmente poderão degustar a maravilha de São Roque.
 


Sommerdiers, separados ou unidos, jamais serão vencidos.

Você merece.....

Dionísio

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

ATOLA QUE MERECEMOS


 


Após longa briga pelo telefone, para receber meu pagamento pelos desserviços prestados (a promessa eram alguns francos franceses ao mês), Bacco ofereceu pagamento em vinho da terra.

De pronto aceitei.
 
 
 

 O que poderia dar errado ao receber vinho da terra?

Tratado assinado, parti para mais um texto que pode mudar os rumos da internet.

 A ideia era falar sobre o espetáculo de conhecer coisas e pessoas diferentes, culturas, histórias, comidas, idiomas...enfim, o grande show que ocorre no planeta há alguns bilhões de anos.

Escreveria que não devemos perseguir o consumismo, a mudança frenética de amigos, hábitos e ou lares, para ter alguma e qualquer alegria fugaz na vida.

 Leia o tanto que Diderot se ferrou após comprar um mísero dressing gown (sei lá como se fala isso em português).

Recomendo mesmo a leitura do efeito Diderot e como tudo começou.

Não queira entender porque as pessoas vivem vidas miseráveis com a mesma ocupação profissional, esperando o dia para se aposentarem e perceber que jogaram uma vida fora.
 

 Não queira entender porque temos 1500 uvas à disposição no mundo, muito mais tipos de vinhos, se consideramos os blends os estilos de vinificação e as regiões e ainda assim ficamos confinados à Cabernet, Chardonnay, um Merlot aqui, outro ali...e no caso dos “homos bananicos”, Malbec argentino e Carmenere chileno.

Tenho tido a sorte, ultimamente, de experimentar muita coisa nova no mundo do vinho.

Uvas e regiões desconhecidas, sabores e aromas novos.

Nem sempre são maravilhas, mas dão um sabor extra e interessante à vida.
 

Aqui, agora, temos a temporada de cogumelos silvestres.

Sabores, cores e texturas novos.

 Vida à vida.

Os alertas, pedidos e súplicas são feitos, por B&B, há anos: Mude de atitude. Seja mais crítico, experimente, ouse, celebre, aprenda e puna os picaretas e sabichões com a arma que merecem: Completo esquecimento.
 

 No caso de enoblogueiros, seria interessante acompanhar o que fariam, na vida, se não tivessem tantos jantares e almoços para comer e encher a pança de graça.

Dito tudo isso, leio uma notícia que quase me fez furar os olhos: Bacco me pagaria, sim, com vinhos da terra, mas de São Roque.

E ele compraria os vinhos no afamado e impagável (figurativamente e quase literalmente falando) Dalva e Dito, by Alex Atola.
 

O Atola, me disseram, é aquele que vendeu caldo Knorr na TV.

A busca incessante pelo melhor do terroir brasileiro passa pelo caldo Knorr.
 

 Lembro quando o grande chef foi ao Manhattan Connection e revelou que mandava buscar, de avião, produtos da Amazônia (ou cercanias) para a cozinha dele.

 Mandei um e-mail singelo ao programa elogiando o sentido ecológico do nobre chefe.

Nada é mais patético  “eu respeito a natureza do meu planeta” do que importar temperos e tucupi do norte de avião.

 Gasto de gasolina zero.

 O mesmo não se pode dizer de diesel e querosene.

Não quero culpar o nosso Ferran Atola pela escolha do vinho, mas leio algumas pérolas num blog que diz coisas do tipo “...Um destaque valorizando o terroir nacional fica por conta do inusitado e saboroso Cabernet Franc brasileiro da região de São Roque. Elaborado exclusivamente para o Dalva e Dito, o pequeno produtor responsável pelo vinho de garrafão é Gustavo Camargo Borges da vinícola Bela Quinta. É uma espécie de resgate ao vinho camponês, aproximando os clientes o trabalho do produtor. Elaborado com 100% Cabernet Franc, o vinho traz frescor, frutas vermelhas e negras além de especiarias como pimenta preta. Na boca fácil de beber traz equilíbrio, taninos macios e fim de boca frutado – muito bom. “


São Roque tem pista de esqui artificial.

São Roque tem congestionamento.

Você sai de SP e pega congestionamento para visitar seu sítio que acabou de ser furtado.

Quando um vinho pode ser chamado de inusitado (leia acima, de novo)?

Adivinha….

Qual foi a última vez que você falou que seu casamento, seu emprego, suas vidas eram inusitadas e isso queria dizer algo de bom?

Quem precisa resgatar o vinho camponês?
 

A tecnologia atual nos salvou das zurrapas que eram produzidas mundo afora.

 Vinhos pavorosos vinificados nos melhores lugares do mundo que duravam apenas alguns meses nas garrafas e logo eram consumidos por leveduras do mal.

Quem quer comer comida camponesa?

Essa comida era de uma época em que passávamos fome no mundo.

 Não havia transporte nem armazenamento eficientes.

Você comia o que tinha ali no local.

Galinha, fruta do pomar (uma vez ao ano), uma hortinha e alguma farinha que vinha de longe.

Matava um animal e corria para fazer linguiça, bacon, etc.

Enquanto o resto do mundo bebe e experimenta milhares de uvas, milhares de queijos, centenas de azeites de olivas, centenas de cervejas, charutos…...as coisas boas e por vezes até baratas da vida, temos que nos contentar com isso.

Você merece ir lá e pagar R$ 100 por um frango feito com terroir brasileiro além de R$ 15 por um copo de vinho de garrafão dos Alpes do estado de SP.

Ao invés de falarmos das boas coisas do país como as novelas, o programa espacial, o gado zebu, que no pasto aguenta 50 graus no lombo, ou o revolucionário porco piau que produz o melhor presunto cru do mundo lá em Warta no PR, estamos falando de vinho de São Roque.
 

Tenho certeza que produzir vinho em São Roque não caracteriza nenhum pecado.

 Todos são livres para produzir o que quiser, onde quiser, mas os louvores à essa região beiram preguiça “jornalística” (adoraria que os autores da matéria tomassem o vinho de garrafão durante um ano e todos os dias).

Bacco me fez quebrar a promessa de nunca mais falar de vinho brasileiro.

 Aguardo meu pagamento em troca desse calvário.
 

Que tal vinho da terra piemontesa, só para variar?

Bonzo








segunda-feira, 29 de outubro de 2018

É MÉMOIRE É FESTA



Sempre guardo algumas garrafas de maior prestígio e importância para eventos e datas especiais.

Eu considero o Champagne o vinho mais indicado para comemorações e reservo as melhores garrafas, da denominação francesa, para os acontecimentos mais importantes.
 

Quando luiz estevão e lula (é assim mesmo em minúsculo) foram para a cadeia saudei a prisão, dos dois meliantes, abrindo garrafas de Champagne.
 

O primeiro mereceu um soberbo “Billecart-Salmon Rosé” e o segundo um ótimo e raro “Mont Benoit” de Emmanuel Brochet.
 

Ontem, para comemorar o enterro do pt e seus fanáticos seguidores, estourei um soberbo “Mémoire Extra Brut” de Huré Frères.

Um tremendo vinho que coroou, com insuperável classe, a derrota da seita petista.
 

O “Mémoire” é uma incrível seleção de vinhos de 30 safras que são assembladas ao da última colheita.

Quem espera notas de oxidação, cor amarelo-dourado, bolhas quase inexistentes e um vinho decadente, erra bisonhamente como errou quem votou no pt.

O “Mémoire” com seu amarelo-pálido, bolhas finas e persistentes, já no nariz é inconfundível: Champagne.

Novamente, no nariz, é fácil perceber notas de leveduras, em seguida aromas frutas, ervas aromáticas e finalmente um sutil toque de erva doce.

 
Na boca é fresco, persistente, elegante.

Um grandíssimo vinho digno de gradíssimas ocasiões.

Minha comemoração custou 48 Euros…. Gastos com grande prazer
 

Grande vinho que recomendo

Bacco

 

 

 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

SABE QUANDO?



Li com atenção e espanto a matéria “Miolo Mole “do Dionísio.
 

A atenção é sempre necessária para poder “digerir” as matérias do parceiro e a o espanto, como sempre, provêm dos preços praticados pelos produtores-predadores de vinhos nacionais.
 
 
 

As previsões otimistas e quase ufanistas, do Diego Arrebola, dificilmente se realizarão: O Brasil continuará sendo um pais de cervejeiros e cachaceiros.

E por falar em cachaça seria de interessante que os nossos produtores de vinhos aprendessem com fabricantes de pinga como exportar.

 Motivo?

Nunca encontrei uma garrafa de vinho nacional na Itália, mas todos os bares da Bota ostentam, em suas prateleiras, “Nega Fulô”, “51”, “Ypióca”, “Velho Barreiro” etc.
 

Voltemos aos quase-vinhos.

Na Itália o consumo per capita é de aproximadamente 38 litros/ano (em Portugal é de 45 litros/ano) ou seja 20 vezes mais do que bebe o brasileiro.

O Brasileiro detesta vinho?

Não o brasileiro adoraria beber vinho, se pudesse....

A primeira dificuldade: 80% da produção continua sendo realizada com uvas não viníferas e o resultado são vinhos “che fanno cagare” (que fazem cagar)

 
A segunda: O preço irreal e indecente.

Uma pequena amostra, do porquê do alto consumo na Itália, que causará espanto e inveja.

Nas gôndolas dos supermercados italianos há centenas de etiquetas expostas.

Há de tudo.

Vinhos baratos de 2-3 Euros, vinhos médios de 5-8 Euros, vinhos caros de 15-30 Euros e até etiquetas de 100-150 Euros (Dom Perignon, Crystal, Sassicaia, Monfortino etc.
 

Além da grande variedade e dos preços razoáveis, o consumidor italiano não precisa ter uma vasta adega: As lojas estocam para ele.

Passando pelas gondolas de vinho do supermercado “Ipercoop” uma promoção de Champagne chamou minha atenção: Champagne 1er Cru “Joseph Cuvelier” 12,45 Euros.

Há pouco mais de um mês havia comprado, no mencionado supermercado, algumas garrafas do mesmo de Champagne por 24,90 Euros.
 

Algumas informações.

A vinícola Pierson-Cuvelier, localizada em Louvois, bem no coração da Montagne de Reims, possui 8 hectares e produz somente Champagne 1er Cru e Grand Cru.

E bom salientar que a Maison existe deste 1901, continua com os mesmos 8 hectares, produz e vende um ótimo produto por preços mais que justos.

O segredo? Concorrência

O supermercado deve ter promovido o “Joseph Cuvelier”, pelo preço de custo, para a felicidade dos consumidores, como eu, que levaram para casa ótimas garrafas por pouco mais de R$ 50.

Enquanto isso os predadores gaúchos nem ruborizam de vergonha quando vendem o “segundo melhor espumante do mundo” (deles...) por R$ 100-150-300 ou R$ 800.

Pois é, caro Arrebola......
 

Sabe quando o brasileiro se tornará um grande consumidor de vinho?

Bacco