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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

MARIA-SEI-LÁ-DAS-QUANTAS



Não costumo discordar de Bacco, mas acho que meu amigo não anda bem informado.
 

Bacco revela, em sua última matéria, que o espumante da casa Verruga (ops) Valduga, "Maria-sei-lá-das-quantas", custa R$ 195.


 

Errado!

Na vitrine de uma loja de Brasília, na 404 Sul, o espumante gaúcho ostenta um cartaz anunciando, orgulhosamente, seu pornográfico preço: R$ 230.

 

Confesso que jamais poderei provar, nem em sonho, os encantos da Maria Valduga....

 Há Marias bem melhores, mais baratas,  acessíveis e disponíveis, em outras casas da zona.

A embalagem, como costuma ser quando o produto deixa a desejar, é espetacular e tenta doar uma conotação de impar qualidade ao produto: A garrafa, da Maria-sei-lá-das-quantas-Valduga, é um primor!

 

O problema é o líquido em seu interior.

Conheço os produtos da Valduga e sei, perfeitamente, que naquela garrafa há, apenas, um modesto e banal espumante.

70 Euros por um espumante gaúcho?

Enlouqueceram?

Estão nos chamando de otários?

Vejam:


 



52,90 € 
 
 
 
 


 


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Querem mais?

Vejam o preço de alguns, ótimos, italianos
 
SPUMANTE FERRARI ''MAXIMUM'' BRUT cl 37,5
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13,50 €
Confezioni regalo disponibili e selezionabili in checkout
 
 

Franciacorta Alma Brut

FRANCIACORTA BELLAVISTA ''ALMA'' BRUT
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A predadora Valduga aproveita os preços escorchantes das importadoras-predadoras para meter a faca nas entranhas dos consumidores brasileiros que pagam preços absurdos por espumantes ridículos.
Valduga, pega sua Maria-sei-lá-das-quantas e ....
Dionísio  



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

ESPUMANTE TITANIC


No palco do vinho há de tudo: astros de cinema (inclusive pornô), locutores de televisão, cantores, comerciantes, industriais, banqueiros, arrivistas, marqueteiros, picaretas e, pasmem, até viticultores

A visão, interpretação e conceito, do mundo vinícola, por parte de um viticultor e bem diferente do industrial, locutor de televisão, cantor etc.
 

Cada personagem olha para as vinhas de maneira totalmente diferente.

O mais confiável e melhor interprete, deste mundo, é sempre o viticultor.

Os industriais (Concha Y Toro, Miolo, Salton, Antinori, Zonin, Gallo etc.) pensam em números, faturamento, despesa, lucro, lucro, lucro, lucro........
 

O vinho, para os industriais, é um meio e não um fim.

Na visão do viticultor ocorre exatamente o contrário.

O viticultor pensa, também, em faturamento lucro etc., mas a vinha, território, tradição e herança cultural, são mais importantes e pesam mais do que o dinheiro.

Quem duvidar tente convencer Jean Claude Bachelet, Gian Alessandria, Fausto De Andreis, Sebastiano Catania, Thomas Morey, Jean Raphet,Pierre Antoine Jambon
 


e outros milhares de verdadeiros viticultores, a mudar seus conceitos vinícolas.
 

Os industriais também são necessários, não importantes, mas necessários: sem eles o vinho não conseguiria visitar todas as taças do planeta.

Os mais perniciosos e perigosos atores, que habitam o palco das garrafas, são os picaretas e os marqueteiros.  
 

No Brasil a picaretagem e o marketing, apesar de quase infantis, produzem efeitos devastadores nas mentes dos enófilos nacionais: Prometem qualidade, excelência e entregam mediocridades e mediocridades caríssimas.

Os americanos são mais sofisticados: Compram espúrios Spurriers para derrotar os mestres franceses em seu próprio território e se auto-proclamam, como de costume, os melhores do mundo.
 

Os italianos "inventam" caríssimos vinhos "franceses" na Maremma, Chardonnay no Piemonte, Pinot Noir no Alto Adige etc. 

E por falar em picaretas italianos..... 

Uma das maiores picaretagens que conheço, e sobre a qual já escrevemos, é a palhaçada que a vinícola Bisson, de Chiavari, apresentou no picadeiro dos espumantes: "Abissi" (abismos).
 

A Bisson, vinícola lígure de modestíssimos resultados enológicos, ganhou notoriedade e dinheiro com uma inteligente jogada aquática: Mergulhou um ridículo espumante nas águas da badalada Portofino.

Não há provas que o vinho na versão "Titanic" melhore, mas os turistas idiotas, que visitam a bela aldeia lígure, disputam ferozmente as garrafas de "Abissi".

Resultado: O "Abissi" custa 40/45  Euros.

Quando a safra de eno-idiotas é farta..... Confira o absurdo





Abissi Metodo Classico dosage zero - Bisson Società Agricola

Annata: 2014

Disponibilità: Disponibile
Prezzo di listino: 108,00 €
Special Price 97,20 €

 
 







É sempre bom lembrar que o bom Champagne "Paul Bara", pode ser levado para casa por 35/38 Euros.

O "Abissi" é produzido com a "Bianchetta Genovese"

A Bianchetta é uma uva que pode, no máximo, revelar vinhos leves, baratos, rigorosamente regionais e que ninguém, 500 metros além do território lígure, conhece ou aprecia.

 

Os vinhos de "Bianchetta Genovese" "fan cagare", ou quase....

O pessoal da Bisson deve ter feito uma viagem pelo Brasil e percebido que, nas terras tupiniquins, há um exercito de enófilos imbecis que elogiam o espumante Valduga e desembolsam, sem remorso algum, R$ 195 (56 Euro) por uma garrafa de "Maria Valduga Brut".

 

Se um espumante brasileiro, mesmo custando mais do que um Champagne Jaquesson, consegue vender, uma Bianchetta Genovese, mergulhada nas águas do Tirreno, pode ter sucesso.

E assim foi.... A Biachetta com borbulhas atingiu preços estratosféricos.

O sucesso atrai concorrente.

Há poucos meses, em Recco, cidade próxima de Santa Margherita (10 km), apareceu uma sociedade vinícola, capitaneada pelo senhor Emanuele Kottakhs, até então proprietário de uma oficina especializada em parabrisas de automóveis, que, também, mergulhará milhares de garrafas nas águas de Portofino.

 

Nosso mais novo "Capitão Nemo" importou caixas e caixas de espumante francês e as afundará nas ondas de Portofino.

A Bisson, no início de sua incursão aquática, havia assinado um contrato com a administração do parque de Portofino.

O contrato estipulava um valor para cada garrafa submersa.

A Bisson, pra variar, não pagou um "aluguel" estipulado e Portofino mandou o "Abissi" e a Bisson para a.......

 

 A borbulhante Bianchetta, da Bisson, hoje está em banho-maria nas águas de Sestri Levante e deixou livre, para a concorrente de Recco, seu antigo espaço em Portofino.

Já no próximo ano, uma multidão, de turistas-palermas, poderá levar para casa, quem sabe, o "Titanic II" pagando cifras pornográficas dignas do Brasil vinícola.

Enquanto houver um imbecil, os picaretas poderão sorrir... 
 
Enquanto isso os produtores de Maria Valduga (R$ 195), Abissi (43 Euros), Abissi II (?), Barbera Perini (R$ 80), Tannat Carraro (R$ 269), Masseto (650 Euros) etc., morrem de tanto rir dos eno-idiotas que compram suas garrafas.

Bacco

 

 

 

 

 

          

 
 

 
 
 

 

 

 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

BARBERA PERINI




O Facebook é, hoje, um forte e barato meio de propaganda.

As empresas vinícolas nacionais, todos os dias, nos brindam com mensagens que, obviamente, enaltecem os produtos brasileiros.

Com, ou sem, a presença de formadores de opinião, as vinícolas gaúchas nos bombardeiam, usando meias verdades e inteiras mentiras, com frequentes "recados" que elogiam, ad nauseam, a qualidade e excelência de seus vinhos.

Semana passada li um post, do Diego Arrebola.

Na ocasião, nosso melhor sommelier, comentava a Barbera da vinícola Perini

 
"De ontem à noite, o ótimo Barbera da Perini, equilibrado, com baixo álcool e acidez suculenta. Acompanhou muito bem fraldinha ao chimichurri com risoto de gorgonzola"

Conheço bem o quase-Barbera da Perini e sempre considerei um insulto o fato da Perini etiquetar aquele vinho como se Barbera fosse.

Por não concordar com o Arrebola, respondi

"Arrebola, Barbera Perini equilibrado? Acidez suculenta? Endoidou ou levou algum?"
 

Diego Arrebola "eu gostei. Não comparo com Barberas italianos, e nesse sentido não é típico, mas me agradou bastante. Talvez você tenha provado outra safra ou uma garrafa mal cuidada. Não levei nada por fora, e aliás nem conheço o pessoal da Perini pessoalmente..." 

baccoebocca, Então deve estar resfriado. É um insulto à Barbera chamar o vinho da Perini com o mesmo nome
 

O diálogo terminou com a última intervenção do Diego. "até estou resfriado hoje, mas ontem estava bem... Let's agree in disagree"

Arrebola, como sempre, educado e elegante.

Se o Diego levou, ou não, algum, não é importante.

Acredito ser importante o fato de o Arrebola afirmar textualmente "..... o ótimo Barbera da Perini, equilibrado, com baixo álcool e acidez suculenta"

Se o Diego Arrebola considera "ótimo" o Barbera da Perini qual o adjetivo terá à disposição, nosso sommelier, para classificar o Barbera do Alessandria, Burlotto, Ratti, Conterno, Braida etc.?
 
 

Nenhum.

Eu acho que o Barbera da Perini "fa cagare".

O Diego o considera equilibrado, suculento etc. e o assunto está encerrado...... Quase

Passeando pelas gôndolas do Pão de Açúcar, para verificar o quanto estou empobrecendo, quase enfartei ao ver o preço do quase-Barbera da Perini: R$ 80,90 (23 Euros).
 

Um bom e verdadeiro Barbera, nos supermercados italianos, é encontrado por 3/8 Euros.

O preço médio da uva Barbera italiana: 0,65 (R$ 2) Euros o quilo.

O preço médio da uva Barbera Gaúcha: R$ 1,30 o quilo

Para produzir uma garrafa de vinho um pouco mais que um quilo de uva é mais que suficiente.   

A pergunta:

Quem rouba mais?
 

O Pão de Açúcar ou a Perini?

 Os dois?

Não sei?

Sei, apenas, que o trouxa da historia é o consumidor brasileiro que, pra variar, bebe vinhos que "fa cagare" bem mais caros que os bons italianos.

Nossos formadores de opinião deveriam informar e alertar os consumidores quando estão sendo assaltados.

Dionísio

 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

AS DICAS DE VERONA



 

Há anos não visitava a maravilhosa Verona.

Grande falha minha....
 
 
 

Para corrigir o injustificado descaso e encontrar parentes resolvi passar um final de semana na linda cidade de Romeu e Julieta.

Aproveitando a deixa...... Acho que a prefeitura de Verona deveria doar parte do dinheiro, que os turistas gastam na casa e na tumba da Julieta, aos descendentes de Shakespeare.
 

 A quantidade de palermas, que deixa Euros e bilhetinhos na residência e no sarcófago da jovem Capuleti, é impressionante.

Fugindo um pouco do roteiro "obrigatório", Arena, Castelvecchio, Piazza delle Erbe, Romeu & Julieta etc. encontrei alguns endereços interessantes que ora repasso aos amigos de B&B.

 Uma igreja, um wine bar e um restaurante.

A igreja
 

Caminhando para alcançar a "Ponte Pietra", o mais antigo monumento de Verona, fui percorrendo maravilhosos e silenciosos becos medievais, esquecidos e distantes da horda de turistas "Romeu & Julieta".

Uma das vielas silenciosas me levou até uma pequena praça.
 

  Na pracinha uma gigantesca e belíssima igreja chamou minha atenção.

Sou, provavelmente, um dos piores ateus do planeta: não consigo resistir e entro em todas as igrejas que encontro.

Conheço milhares e continuo querendo mais......

A igreja , que me impressionou, é a maior de Verona e foi edificada, no século XIII, em homenagem a Santa Anastásia.
 

Nem usando todas as palavras do meu vocabulário poderia comentar, com fidelidade, a imponente beleza da igreja.

 Uma única sugestão: uma demorada visita ao impressionante complexo religioso.

Wine Bar

"Calzedonia" é um importante grupo italiano especializado em roupa intima.

Calzedonia faturou em 2015 mais de 2 bilhões de Euros, conta com mais de 3.000 pontos de vendas em todo o mundo e resolveu entrar pesado no mundo dos vinhos.
 

A empresa não está para brincadeira e em pouco tempo abriu, em várias cidades italianas (Milano, Torino, Bologna, Firenze, Verona etc.), uma dúzia de enotecas de primeiríssima qualidade: "Signorvino".
 

"Signorvino", misto de enoteca e wine bar, oferece centenas de etiquetas italianas com preços competitivos.

O mais interessante é que na "Signorvino" o preço da garrafa não é majorado quando consumida no local: Comprando para levar ou consumindo no local o custo é o mesmo.
 

Além da grande e boa variedade de vinhos há uma cozinha razoável para quem desejar gastar pouco e comer bem.

Em Verona a loja "Signorvino" pode ser facilmente encontrada a poucos passos da Piazza Brá (Arena).

Confira.

Restaurante

Em uma das vielas próximas à Arena, o restaurante "Tre Marchetti" é um endereço que não pode ser esquecido.
 

O "Tre Marchetti", localizado na homônima ruela, não pode nem deve ser confundido coma as típicas "trattorie" italianas.

O "Tre Marchetti" é, na verdade, um pequeno, aconchegante e sofisticado restaurante cuja decoração, veneziana, salta aos olhos.
 

Lampadários e vitrais de Murano, pratos personalizados, talheres de prata, poltronas comodíssimas, decoram o ambiente um pouco mais "colorido" do que o necessário, mas o visual, apesar de "carregado", agrada e doa calor (já não suporto a moderna monótona decoração "clean"...)
 

A cozinha surpreende.

Ótimo o "Millefoglie di Baccalà", soberbo o "Risotto all" Amarone e Zucca con Pepite D'Oro" e bom o "Cotechino".

A carta de vinhos, que conta com mais de mil etiquetas, é muito boa, mas nada barata.

Os preços do "Tre Marchetti" estão um pouco acima de média, mas digeríveis na eminentemente turística Verona.....
 

O almoço, em agradável companhia, se prolongou um pouco mais e às 15 horas apenas três mesas ainda "resistiam" no "Tre Marchetti".

Enquanto bebíamos, as últimas gotas de um bom "Valpolicella Ripasso", a luz, repentinamente, diminui de intensidade.

Pensei que o apagão fosse um claro sinal de que deveríamos abandonar, o mais rápido possível , o restaurante.

Ledo engano!

Segundos após a diminuição das luzes o proprietário e chef do "Tre Marchetti" apareceu bem no meio do restaurante e anunciou que nos brindaria com a valsa, "Libiamo ne' Lieti Calici" do primeiro ato da ópera "La Traviata" de Giuseppe Verdi.

O que se seguiu poder ser acompanhado clicando o link abaixo

"Tre Marchetti", mais um imperdível endereço em Verona.
Bacco