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quinta-feira, 17 de julho de 2014

RICARDÃO DOS VINHOS


 


Quando recebemos um comentário alertando que a “Ricardo Eletro” entrava de sola no mundo dos vinhos, corri para ver sua carta e seus preços.



Nada de novo, nada que possa interessar, nada que nos faça sorrir: A “Ricardo Eletro Vinho” é mais uma predadora e poderia trocar seu nome para “Ricardão Coração de Ladrão” ou “Ricardão Eletrocutador de Vinhos”.

Vocês, escolhem....

A parceria do “Ricardão Elétrico” e uma tal de “Vilivinhos” é vil!

A importadora, de alguns italianos que constam da carta, a desconhecida ,pelo menos para mim, “Abrizzo de Silvio Coelho”, completa o trio predador.

Não vou me prolongar demasiadamente e vou direto ao ponto.

Bacco, por duas vezes, me levou para Gabiano, para degustar e comprar os ótimos vinhos produzidos pela vinícola do castelo da aldeia piemontesa.
 

Ótimo o Grignolino “Il Ruvo”, boa a Barbera “La Braja”, e surpreendente o “Rubino di Cantavenna”.

 Cantavenna, aldeia próxima de Gabiano (3,5 km), doa seu nome à DOC “Rubino di Cantavenna”.

Até aqui nada de extraordinário: Bocca já escreveu, em 2012, uma matéria comentando os vinhos do “Castello di Gabiano”.

O extraordinário?

Para variar, os preços.....

Lembro que, na ocasião, compramos 12 garrafas de Grignolino “Il Ruvo” por 5,9 Euros (R$ 18) e 6 seis garrafas de “Rubino di Cantavenna”.
 

É justamente no “Rubino di Cantavenna” que o trio “eletrocutador” mete a mão sem   dó nem piedade.

O preço do “Rubino”, na tabela da vinícola, ostentava orgulhosos 6,9 Euros.

Bacco, esbanjando seu piemontês (língua que ninguém entende além dos piemonteses), conseguiu reduzir o preço para 6,5 Euros (R$ 19,5) e, não satisfeito, pediu e ganhou, de brinde, uma garrafa de Barbera “La Braja”.

Desculpem a lengalenga, mas há uma justificativa.

O “Ricardão Coração de Ladrão”, talvez por não conhecer o mercado de vinhos, lasca R$ 139,00 no “Rubino di Cantavenna”.

Vamos fazer aquelas contas de sempre?

Se Bacco e eu pagamos, por meia dúzia de garrafas, 6,5 Euros (R$ 19,50) quanto terá pago a importadora ao adquirir centenas delas?

O desconto padrão, em todas as vinícolas e para grandes quantidades, é de 30%.

 Aplicando o desconto padrão o preço cai para 4,55 Euros.

Hoje me sinto magnânimo a arredondo para 5 Euros (R$ 15)

Dos R$ 15, para chegar aos R$139 da

 “RICARDÃO & CIA” há uma pequena diferença de 926%.
 


Juro que levei um choque, aliás, fui eletrocutado.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

PERDEMOS A COPA ,MAS NOSSOS VINHOS.....



Não que fizesse falta, mas a lista dos “100 melhores vinhos do mundo 2014” joga uma pá de cal sobre o pouco que restava de decência e seriedade na eno-informação verde amarela.

Fico imaginando quantos babacas acreditam, muitos por conveniência, outros tantos, por imbecilidade pura e simples, numa cretinice do gênero.
 
 

Revistas, blogs, críticos e enófilos brasileiros, babam de prazer, estufam o peito, tocam e cantam o hino nacional (chorando igual aqueles palhaços da seleção?) para comemorar um feito histórico: 3 vinhos gaúchos figuram na seleta seleção dos TOP-TOP-TOP 100 melhores do planeta.
 

Uma olhada rápida na lista me fez quase vomitar: O Champanhe Piper Heidsieck foi coroado como melhor vinho do planeta

Mais uma olhada, mais enjoo: Nenhum vinho da Borgonha, nenhum   do Piemonte, nenhum da Toscana, nenhum da Alsácia….


Em compensação, pérolas enológicas da Turquia, Eslováquia, Bulgária, México e Brasil, valorizam e doam seriedade à lista.

O espanto maior fica por conta de algumas declarações:

“

 “Esta é uma distinção altamente diferenciada, capaz de conscientizar os brasileiros a reconhecer a qualidade dos rótulos verde e amarelo, pois o preconceito e a falta de conhecimento ainda é muito grande”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), enólogo Luciano Vian, que vê nesta distinção uma grande oportunidade.

.LLe

Você, durante um jantar de negócios e querendo impressionar empresários de peso, já pode deixar de lado aquela porcaria produzida em Pomerol, Montalcino, Barolo, Chambolle-Musigny etc. e oferecer o nosso campeão:  Reserva Merlot 2011 da Vinícola Aurora.
 

Não posso garantir que, após o jantar, contratos sejam firmados, mas, certamente, você e o Merlot da Aurora serão lembrados para sempre.
Dionísio

terça-feira, 15 de julho de 2014

O WINEMAKER


No começo dos anos 2000 a figura do enólogo “Pop Star” começou a perder seu brilho e sua importância.

A figura do “mago dos vinhos”, que ganhara injustificado glamour, nos anos 80, serviu, a bem da verdade, para popularizar o vinho em todos os cantos do mundo, mas o preço pago, para atingir esta popularização, foi grande.

A ânsia de vinificar produtos, que pudessem obter altas pontuações (95/100) nas revistas americanas, especializadas em promover vinhos que agradassem ao seu maior guru, Robert Parker, os industriais do vinho, de todos os cantos do mundo, não mediram esforços para “macdonaldisar” suas garrafas.
 

Enólogos, até então, anônimos trabalhadores das vinhas e das mal iluminadas adegas, saíram das penumbras para ganhar o brilho dos holofotes e o endeusamento da mídia especializada.

Começava a padronização do vinho.

Foi a gloria da “Merlotização”, “Cabernetização” e da “Chardonayzação” uniforme em todos os cantos do planeta.

Difícil distinguir um Cabernet Sauvignon chileno de outro sul africano.

Impossível perceber a diferença entre um Merlot Argentino e um australiano.
 

Chardonnay, então, é bom nem falar…todos exatamente iguais, monótonos, cheios de madeira.

Os únicos diferentes, como sempre, os franceses.

Os da Borgonha, em primeiro lugar, que não se curvaram aos Parkers da vida (fácil?)

Os vinhos “de autor” deveriam, obrigatoriamente, ter as mesmas características: Muito alcoólicos, impenetráveis, potentes, concentrados e, quanto mais madeira, melhor.
 

As barbaridades que os enólogos fizeram com as uvas, para conseguir vinhos “premiáveis”, são inimagináveis e impublicáveis.

Querem uma pequena amostra do arsenal usados e abusados pelos “winemakers”?

 

Concentradores, osmose inversa, taninos hidrolisáveis, barrique americana de primeira passagem, adição de glicerina, os abomináveis chips de madeira, aromas artificiais e uma infinita relação de incontáveis e inomináveis práticas vinícolas.

O enólogo “consultor” me faz lembrar um ator pornô: O ator faz sexo sem amor, o winemaker faz vinho pensando na cor de sua Maserati.
 

O enólogo mais “pontuado” era disputado por vinícolas argentinas, chilenas, americanas, sul africanas australianas, neozelandesas, italianas e pasmem, até, brasileiras.

Quem não recorda a parceria Miolo-Rolando Lero?

O resultado foi aquele que sempre combati: Vinhos iguais, monótonos, sem personalidade com muita adega e pouca vinha.

O Rolando Lero, em uma antológica entrevista de 2010, afirmava que:”…se os indianos querem vinho com sabor de curry nós o produziremos......O vinho deverá ser como a Coca Cola e como a Coca Cola deverá adaptar seu sabor ao gosto e exigências do mercado”.
 

O Rolado Lero era o profeta do apocalipse.

No começo dos anos 2000 a figura do enólogo, antes quase endeusada, virou a “Gení”: Ninguém mais queria os “Vinhos de Autor”, ninguém mais suportava a monotonia presente em todas os vinhos “Mac Donald”.

O mercado, especialmente o americano, reaprendeu a beber melhor, acordou, de um quase pesadelo enológico, percebeu que estava sendo manipulado e conduzido pelo cabresto por interesses comerciais e que consumia vinhos que não refletiam território, cultura e características de cada casta.

Hoje o consumidor quer diversificação e foge da camisa de força de um estereótipo sufocante ditado pelo enólogo da moda.
 

Abre-se o espaço para vinhos que revelam, sem complexos de inferioridade, suas características territoriais, culturais e que tenham aromas, cores, personalidades, diferenciadas.

Posso dizer uma coisa?

O enólogo “fashion”, o enólogo “star”, o enólogo ditador, a serviço dos críticos americanos e dos arredores, morreu.
 

Viva o vinho do enólogo anônimo, o enólogo que sabe e quer fazer vinhos com tecnologia moderna, mas sem violentar e soterrar a característica, cultura e história do território.
 

Viva o vinho com sabor genuíno (não confundir com aquele do mensalão...).

O Brasil de pouca, para não dizer, nenhuma tradição vinícola permanece na contramão.

Os produtores tupiniquins, cuja seriedade consegue ser inferior à qualidade de seus vinhos, continuam tentando impor o enólogo como semideus das uvas.
 

 A última tentativa de endeusar um enólogo(a) foi praticada pela Carraro elogiando aquela coitada que “inventou” o surubático (Scar)Faces.

Falta, como sempre, seriedade.
 

Dionísio

 

domingo, 13 de julho de 2014

SACO CHEIO II


 


Não pensei que a matéria “Saco Cheio I” merecesse tanta atenção (até o presente momento há mais de 15 comentários) por parte dos leitores de B&B.

Toda esta atenção denota que há uma quantidade, nada desprezível, de pessoas com o saco cheio (eu sou uma delas).

A primeira matéria ofereceu algumas dicas, mas não esgotou o assunto e nem essa o fará.

 Uma mudança de vida, tão radical, necessita de muitas bolas (duas não bastam).

Tentarei aprofundar o assunto deixando claro que somente uma viagem específica pode revelar a viabilidade, ou não, da empreitada.

Fácil, não é.

Impossível, também, não.
 

Antes de começar a nova atividade é preciso escolher a região que mais interessa, percorrê-la algumas vezes, falar com os viticultores, conhecer os vinhos locais, sondar o mercado e pesquisar se há produtores querendo se retirar e vender as vinhas.

 Com muita frequência há velhos, sem herdeiros, ou com filhos dedicados à outra atividade, que vendem ou alugam as vinhas por valores bem interessantes. 

 

Plantar ou comprar uma vinícola pronta?

Custos de implantação   

A implantação das vinhas custa, incluindo mão de obra, postes, fios, mudas etc., em média, 30 mil Euros o hectare.

Maquinário para vinhas e adega
 

 Pequeno trator, máquina de poda, pulverizador, desengaçadeira, prensa, tanques de aço, sistema de refrigeração, bombas, sistema de filtragem, engarrafadora etc. exigem um considerável aporte de dinheiro: Uma adega completa, para uma área de 5 hectares, no mínimo, 450.000 Euros.

Valores de produção.

É bom lembrar que, desde a implantação dos vinhedos até a primeira vinificação, comercialmente viável, a não ser que você seja um gênio da viticultura como nosso e fotógrafo que produziu, com uvas provenientes de uma vinha com apenas 3 anos, um Pinot Noir de deixar o Bilu Didu Teteia de pança caída, serão necessários, no mínimo, 4/5 anos.
 

O custo de produção, excluindo a amortização do capital (8-10 anos), de um vinho DOC o DOCG “normal”, oscila entre 2 e 5 Euros por garrafa.

Os valores indicados incluem a manutenção e trabalho nas vinhas, colheita, vinificação, consultorias (agrônomo e enólogo) e embalagem (garrafas etiquetas, rolhas, caixas de papelão).

Não pense que basta chegar numa região, olhar para o céu, escolher um terreno, quem sabe um Lote (argh)43, e plantar vinhas.

O vinhedo, na Itália, é mais embaixo.....

É preciso elaborar um projeto para apresentar à   prefeitura e câmara de comercio, obter a autorização do consórcio vinícola que verificará se o terreno apresenta os requisitos necessários à implantação da denominação (implantar Nebbiolo da Barolo é quase uma tarefa hercúlea).

Caminho cansativo, burocrático e longo.
 

Acredito, sinceramente, que comprar uma propriedade, já encaminhada, seria a melhor opção.

Quem é pequeno (15/20 mil garrafas) deve nortear sua produção para vinhos DOC ou DOCG e focar a excelência.

O pequeno viticultor encontra espaço para seus produtos quando foge da estandardização e da guerra de preços praticada pela produção industrial.

Produzir vinhos com uvas tradicionais da região, respeitar tipicidade e terroir, abrir as portas para a venda direta aos milhares de turista que percorrem as estradas do vinho (630.000 sós em Alba e região e 1,7 milhões na província de Siena em 2013), restaurante e bares locais.
 

Cartazes, chamativos e em vários idiomas, na porta da vinícola, rede sociais, boca-boca, degustações gratuitas em bares e restaurantes, participar de feiras etc. são algumas ações de marketing que funcionam bem, divulgam o produto e, sobretudo, são baratas.

B&B não pretende apresentar um tratado sobre o assunto, mas apenas dicas para o iniciante curioso e interessado.

  Se a propriedade tiver algumas construções antigas e sem uso (estabulo, celeiro, depósitos) transformá-las em apartamentos para alugar (Bend & Breakfast) seria mais uma inteligente opção para aumentar o faturamento e alavancar a venda dos vinhos para os hospedes.
 

Quem quiser saber mais, ligue paro o Bacco e faça um contrato de assessoria com aquele folgado....

Dionísio