Todos os anos Camogli,
esplêndida cidade da Riviera lígure, hospeda a mais importante exposição
vinícola da região.
A Ligúria não é exatamente uma potência vinícola.
Seu território, extremamente montanhoso e de difícil cultivo,
é mais conhecido pelo excelente azeite do que por seus vinhos, que lutam,
bravamente, para sair do anonimato.
A Ligúria dedica à viticultura uma área que se estende por
pouco mais de 1.500 hectares.
A pequena realidade lígure
revela sua pouca importância quando, por exemplo, seus 1.500 hectares
vinícolas são “atropelados” pelos quase 25.000 de vinhas plantadas na da
Toscana
Produtores com mais de 10 hectares são raros e a maioria das propriedades,
com muita frequência, não alcança um único hectare.
A viticultura, na Ligúria, é quase heroica.
Mostras, como a “VINIDAMARE”, são
importantes para descobrir novos caminhos ou para confirmar antigas realidades
regionais.
Antes de entrar em detalhes é preciso apresentar as castas
autóctones e mais plantadas na Ligúria: Vermentino, Pigato,
Rossese, Bosco, Albarola,
Bianchetta,
Cigliegiolo.
Há outras, mas de pouca importância e menor expressão que são
adicionadas às castas mencionadas ou vinificada para consumo próprio.
Quando se fala em qualidade é preciso salientar que não se
deve esperar grandes vinhos lígures.
Os vinhos da região, em sua maioria, são medianos, razoáveis,
mas não muito complexos ou importantes.
Há exceções, lógico, mas raras, raríssimas.
Vermentino e Pigato, vinhos que dominam o cenário vinícola da região,
são quase sempre monótonos, todos iguais, previsíveis.
É fácil perceber, nesses vinhos, o uso e muitas vezes o abuso,
de leveduras selecionada.
Quando se leva a taça
ao nariz, não é difícil perceber a “esperteza” do produtor: O vinho agrada de
imediato, aos enófilos menos expertos, mas cansa mais rapidamente ainda.
O Vermentino, muito perfumado, quase sempre “batizado” na adega
com os famosos “lieviti selecionai” é um dos vinhos que evito sempre que posso.
O Pigato, consigo suportar um pouco mais.
Resumindo: Quem espera grandes vinhos da Ligúria deve reciclar
suas esperanças e diminuir seu otimismo.
Sem muito o que fazer resolvi participar do último dia da “VINIDAMARE”.
O encerramento da feira é aberto ao público.
Com 10 Euro compra-se a
taça que dará direito a percorrer os stands e degustar os produtos de quarenta
viticultores.
Tinha em mente apenas uma meia dúzia, até porque, degustar 80,
90 ou 100 vinhos não é minha praia: Após a décima prova meu paladar já não reage,
não distingue, nem percebe, com segurança, as diferenças.
Um problema técnico obrigou a AIS (Associação Italiana de
Sommelier” da Ligúria a transferir, o evento final da “VINIDAMARE”, de Camogli para
Santa Margherita.
A mudança enriqueceu a mostra: A prefeitura de Santa
Margherita autorizou a realização de degustação na espetacular “Villa
Durazzo”.
Villa Durazzo, imponente conjunto arquitetônico, no centro de
Santa Margherita, construída no final do século XVII, é circundada por um
incrível parque que, por si só, vale uma visita.
O palácio, onde foi realizada a degustação, é de tirar o
folego e enriquece qualquer evento.
Beber uma taça, vagando pelos salões da “Villa Durazzo”, pode
transformar um vinho da (argh) Piagentini num Puligny-Montrachet.
VINIDAMARE continua na próxima matéria,
























