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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

FENÔMENO II




 

Há que se admitir que a falta de seriedade, qualidade, honestidade e transparência, nas indústrias vinícolas brasileiras, é compensada, com sobras, pela grande capacidade marqueteira de nossos “vinicultores”.

No “polifêmico” mercado nacional quem tem um olho, mesmo com catarata, rapidamente pode se transformar em um ídolo, respeitado, reverenciado, seguido e quase nunca questionado.

Exemplo há aos montes e B&B não precisa lembrar todas as imbecilidades, falsas informações, e sacanagens produzidas pelos (de)formadores de opinião, crítico$, blogueiro$, a$$ociações que apoiam e incentivam, descaradamente os oportunistas que gravitam ao redor do   patético mundo do vinho no Brasil

Informar corretamente?

Nem pensar.

É mais fácil, conveniente e lucrativo concordar, elogiar, promover, sempre.

Nosso mais novo marqueteiro é o cara muito experto, competente e cheio de meias verdades e mentiras inteiras.

 O cara, assim como outro marqueteiro, aquele que adora TORMENTAS e FULVIAS, sabe perfeitamente que há uma grande quantidade de eno-tontos prontos para serem depenados.... prontos e desejosos.

Por que não satisfazê-los, então?

O começo é trabalhoso, mas muito lucrativo é o final.

Nosso mil-caras é um verdadeiro fenômeno.

Ao ser indagado, no Facebook, sobre um vinho francês que ele venderá no Brasil, respondeu:

"Ola Paulo , este vinho é fruto do meu encontro com Bernard Hudelot em 2008 nas hautes cotes de nuits, onde decidi que suas uvas eram e onde estavam espostas com o aquecimento global farão vinhos similares aos de Corton Charlemagne onde temos também um solo de marga branca do Jurasico superior. o Vinho é elaborado com o methodo ancestral e passa por 12 meses em barricas . Uma batonage lenta e depois uma assemblage para constituir 228 litros desse vinho ou seja uma barrica que fica mais 6 meses estagiando .é um vinho que ira abrir seus aromas terciarios apos 20 anos .”

 

Meu comentário:

Bernard Hudelot acha que o futuro da Borgonha será a Haute Côte de Nuits?

Pode até ser, mas quando?

 No ano 2380? 2701? 3010?

Por enquanto e há muitos séculos, a Côte de Beaune e a Côte de Nuits continuam fazendo a festa...

A Haute Côte de Nuits produz alguns bons vinhos, mas sem alcançar a qualidade excelsa (os preços, nem pensar....) dos Grands Crus ou dos Premiers Crus da Côte de Nuits ou da Côte de Beaune.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado no Piemonte quando falamos de vinhos do Roero e Langhe.

O Roero produz bons Nebbiolo, mas Barolo e Barbaresco estão alguns degraus acima.

O cara, que chegou recentemente à Borgonha, vai além: Ele decidiu que, com o aquecimento global, as uvas do Hudelot produzirão vinhos similares ao Corton-Charlemagne.

Ninguém estará vivo, nem ele, para presenciar e confirmar sua decisão, mas nosso herói antecipa o futuro e resolve, no Brasil, cobrar 100 Euro por uma garrafa de Elefante branco.

Grande visão do cara.... Compra o vinho do Hudelot por 6 Euro (custa 12 Euro em qualquer loja) e vende no Brasil, para 300 idiotas por R$ 300.

Uma pequena advertência: O Corton-Charlemagne é um Grand Cru que doa vinhos excepcionais.

Opulentos, mas elegantes e refinados, podem ser tranquilamente comparados aos primos produzidos em outro mítico Grand Cru: Montrachet.

Estive, há quinze dias, na Borgonha e comprei duas garrafas do excepcional Corton-Charlemagne, da “Domaine Chevalier Père et Fils”, por 75 Euro.

Mais algumas bobagens marqueteiras: Passar cera na no gargalo não melhora a conservação nem o vinho.

Os vinhos da Romanée Conti usam a cápsula comum.

A cera é uma tentativa de doar mais nobreza e importância a um vinho não tão exclusivo, assim,

Esperar 20 anos para beber um vinho é uma temeridade quase idiota.

O vinho pode não resistir e oxidar.

O vinho pode aguentar, mas você, se tiver mais de 50 anos….
 

Muito mais fácil é comprar o vinho de velhas safras nas lojas especializadas, restaurantes, enotecas ou seduzir o viticultor que normalmente estoca algumas garrafas, de todas as vindimas.

O resto é conversa para enganar bobocas que fazem fila para comprar um vinho comum por preço estratosférico.


H.C.N. Le Clos du Château 2002 - BLANC - Château de Villars Fontaine Domaine de Montmain
 
Parte superior do formulário
12.60 € TTC
http://www.e-vin-de-france.com/fileadmin/template/gabarit24/interface/FicheProduit/AjouterPanier.jpg
Parte inferior do formulário
E- vin de France.com
Vente en ligne de vins de France, vins de domaine
 


Vinho, safra de 2002, por 12,60 Euro na loja (R$ 38)

No produtor, no máximo 7 Euro (R$ 21)

e você fazendo fila para comprar por R$ 300?

Você merece....


Bacco

 

10 comentários:

  1. o que posso dizer... eu não canso de ler seus posts!

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  2. Mas vc notou que esta matéria explosiva mereceu apenas o seu comentário?
    E o velho esprit de corps .

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  3. Contar com a ignorância brasileira é fácil, ainda mais em assuntos ainda desconhecidos e cheio de afetação como o vinho.

    Pagar R$ 300 num Haute Cotes de Nuits é ridículo. Por R$ 98 reais é possível comprar um bom produtor aqui mesmo no Brasil, como Domaine Hervé Murat nesse link abaixo:

    http://www.novafazendinha.com.br/descricao_produto.php?cn_vinho=2319

    Pelos mesmos R$ 300, é possível achar, sem dificuldades e também no mercado nacional, premiers crus da borgonha - e isso até em importadores mais conhecidos (e por isso mais caros) como a Mistral.

    É triste, mas Roberto Campos estava certo ao dizer que "a ignorancia no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor!"


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  4. vai saber, acho que muita gente gastou 300 mirréis por aí! rs.

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  5. Muito boa a matéria.
    Mas mudando o assunto de "caras" estranhos para verdadeiros franceses, um amigo foi com uma lista de encomendas minhas na Nicolas em Versalhes, dentre as quais algumas de suas indicações do Jean Raphet e ele me contou que na loja (além de ficarem surpresos por um estrangeiro conhecer esse produtor, dentre outros que listei rsrs), falaram em preços muito maiores do que aqueles mencionados em sua postagem. Será que eles se equivocaram ou as lojas estão cobrando um ágio muito alto?
    Abraços

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    Respostas
    1. B&B sempre procura revelar produtores válidos , corretos fugindo das figurinhas "carimbadas".
      As lojas , quase sempre, dobram o preço do produtor. Melhor seria ir pessoalmente até o Jean Raphet. Raphet, após o terceiro copo faz qualquer negócio . Se o pagamento for em dinheiro vivo, então......

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    2. Obrigado Bacco e Bocca. Ainda vou tentar, então, ir pessoalmente até Jean Raphet, mas pode demorar um pouco. Mas isso me lembrou de outra questão: em grande parte das vinícolas maiores no Chile, Argentina e mesmo no Brasil, ao contrário dos pequenos e verdadeiros produtores como Raphet, o preço das garrafas custa mais caro do que no mercado. Algo incompreensível, ou na verdade, compreensível porque tem gente que paga.

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  6. Os caras caem fácil em alguém com sotaque, que apresenta vinhos feitos de forma natural (mesmo?) e que dizem fugir do que é encontrado no mercado. E ainda tem um monte de gente que dá suporte a eles. Depois, disso, é cobrar 300 mirréis e partir para o abraço.
    Salu2,
    Jean

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  7. Mais um picareta. Patética a falta de cultura do Brasileiro, e a disposição em gastar tanto dinheiro numa garrafa de vinho, sem o mínimo de pesquisa e conhecimento. As coisas estão dessa maneira porque tem trouxa disposto a pagar.

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  8. Olha não é defender.

    Mas acho que compra quem QUER, não é mesmo?
    Eu posso concordar, e como não poderia convivendo com tantos franceses em SP, marketeiros e comerciantes no final que já tem seu próprio ``jeitinho franc-brazyleiro`` de ser, porque sabem bem como é só usar o SOTAQUE para que o brazyleiro abra as... É assim, todos sabem, e sempre será.

    Minha irmã passa o ano inteiro em Montreal, quando vem ao Brazyl, é tratada como uma deusa! Ela é apenas uma antropóloga que trabalha e mora em Montreal e até onde sabemos não deixou de ser brazyleira, e até onde sabemos aqui ela morreria de fome como socióloga ou dando aula de história quem sabe em alguma universidade... mas é tratada como quem detém um título de nobre! Vamos chorar? Vamos rir? Vamos culpar quem por esse processo de idiotice? Vou chamar minha irmã de vaca porque ela tem culpa de chegar aqui até gostando da bajulação garantida que dão a ela? que dever ela teria de não gostar? bajula quem quer! é isso que vivo dizendo...
    e ainda convivo menos a cada dia com os franceses que são imbecis pois se não os suporto eu não os bajulo, pois juntar a arrogância aí com o ``jeitinho brazyleiro`` é que fica insustentável!

    Mas quanto ao Jean, não é defender, mas acho que pesa muito esse jeito de acusa-lo por cobrar o quanto quer pelo fruto do seu trabalho. Eu trabalho com ele fotografando, certo? alguns sabem, e acho que eu não gostaria que alguem viesse apontar o meu trabalho desvalorizando, dando o preço que acha que ele vale, e me desclassificando por exemplo, de picareta, e sem realmente conviver comigo, e saber realmente sobre mim. Ele plantou e esta comercializando, negocia quem QUER, ou se não paga, se tiver umas dilmas a mais sobrando na carteira.Oras... eu talvez esteja fazendo uma comparação desleal para alguns? mas realmente, não sou muito comercial, sou artista, sabe? e nao gosto mesmo que desvalorizem o que fiz com suor e paixão mesmo que tenha sido com um equipamento arcaico, mas tambem, vejo o mundo comercial oposto a isso. Que se mede por números, por finanças, por distração, e não por paixão. Esta em cada um buscar o conhecimento, pois os interesses? sempre existiram...e desde que o mundo é mundo! Uma coisa é certa, compra quem pode! Quem NAO PODE como eu, pobre como eu , estuda, valoriza para analisar se vai ou nao comprar... é isso.
    Desculpem a todos se não gostarem da minha opiniao, mas é como eu sou, e não poderia deixar de comentar, se estava com vontade depois de ler...enfim!
    Nádia.

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