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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ENÓLOGO II




Quem leu "A CAUSA" percebeu o que um(a) enólogo(a) pode fazer com a pobre uva.

A Monica Rossetti, funcionaria da Lídio Carraro , produziu o "FACES" e, pasmem, se orgulha disso.

Se eu tivesse realizado tamanha porcaria teria vergonha, mas nem todos possuem o mesmo espírito crítico...

Apesar de o senhor Catena, inocentemente (será), assumir uma postura de "Pangloss das Uvas", os enólogos, que produzem vinhos perfumados, nem sempre cheiram bem...



Todos sabem o que eu acho de concursos, medalhas, prêmios, pontos e todas as outras palhaçadas que pululam no, nem sempre ético, mundo dos vinhos.

Falsificações, picaretagens e mentiras, há aos montes.

Se fosse escrever sobre todas as falsificações, picaretagens, mentiras, safadezas etc. que conheço e que rodeiam o mundo do vinho, em 2020 estaria ainda no cabeçalho....

As maiores palhaçadas se originam nos concursos.




 A maior delas, para mim, foi aquela de 1976, em que vinhos californianos ganharam uma disputa com os primos franceses.

 Os americanos, como de costume e para enaltecer o "american way of life", realizaram um filmeco adocicado e previsível, sobre o assunto: "O Desafio de Paris".

Desde sempre o vinho francês é o paradigma a ser seguido e, se possível, superado.

Seguir os franceses é fácil.

 A quantidade de países que cultivam, em seus territórios, castas francesas é significativo, mas, se a França é o modelo preferido de 11 de cada 10 viticultores do novo mundo, os vinhos afrancesados não conseguem atingir, nem em sonho, a qualidade dos originais.





Para os viticultores do velho mundo não bastavam as centenas e centenas de casta autóctones à disposição.

 Foram buscar no Chardonnay, Cabernet, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon etc. os vinhos que deveriam conquistar os paladares "internacionais".

Ridículos imitadores e ridículos resultados.

Quando Bacco afirma: "... se um Chardonnay é tão bom o melhor do que o francês, é francês".

O mesmo pode ser aplicado às outras castas.

Tô enchendo o saco? Tô repetitivo?

Vou continuar repetindo e enchendo o saco daqueles que, como Bernardo, acreditam na "pureza" de muitos enólogos e na seriedade de muitíssimas vinícolas.


O CONCURSO

O Friuli Venezia Giulia, região italiana mais oriental do norte da Itália, é pátria de inúmeras e importantes castas: Picolit (será que ainda existe o verdadeiro Picolit?), Ribolla Gialla, Schioppettino, Refosco dal Peduncolo Rosso, Malvasia Istriana, Tocai Friulano, só para citar as mais importantes.

As dezenas de uva auroctones não eram suficientes.

Era preciso importar Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Malbec, Petit Verdot e, especialmente, o Sauvignon.

Todas as castas francesas/friulanas são apenas, como sempre, coadjuvantes no desafinado coro dos vinhos internacionais e ninguém as conhece ou procura.

O "Sauvignon Friulano" era mais pretensioso.

 O "Sauvignon Friulano" sonhava alto e queria ser melhor do que os primos do Vale da Loira.




 Conseguiu!

Na 5º edição (2014) do "Concurso Mundial do Sauvignon", realizado em Bordeaux, o "TIARE", produzido por Roberto Snidarcig. em Dolegna Del Collio, competindo com 751 vinhos de 21 países, ganhou a medalha de ouro e um troféu especial de melhor Sauvignon do planeta.

Os italianos, ao lado dos americanos, podem, agora, se orgulhar de ter ofuscado os franceses.
Em 1976 os americanos (sempre eles.....) em Paris humilharam os franceses e em 2014 os friulanos acabaram com os primos de Sancerre e vizinhança.
Será?

Em 1976 os controles eram não tão rigorosos, eficientes, assim, a esperteza de Spurrier (o que ele aprontou, para ganhar uma grana, ninguém sabe....) não pôde ser contestada.

 Os rigores, hoje, são maiores, as analises mais precisas.

 Se a química ajuda a enganar os consumidores, por outro lado, colabora para desmascarar falcatruas.

Não deu outra: O "melhor Sauvignon do mundo" foi idealizado e construido por um esperto enólogo.


A HISTÓRIA

Ramon Persello, jovem consultor enológico e gênio da química, há anos trabalhava tentando descobrir uma "poção mágica" que conseguisse melhorar os aromas e gosto de seus vinhos.




Suas experiências, que deveriam ficar reclusas, na moita em seu laboratório, aos poucos foram parar nos mostos de várias vinícolas da região (17).

A "poção mágica" de Persello atingiu a perfeição no "TIARE", de Roberto Snidarcig que foi considerado o melhor Sauvignon do mundo (os críticos, como sempre, não entendem merda nenhuma).


O milagre?

Persello não descobriu a água quente apenas foi genial na falcatrua: Pegou os precursores dos aromas, as enzimas betas glicosidase e.....voilà, le meilleur Sauvignon du monde.

A lei proíbe, na Europa, a adição de aromas artificiais ao vinho, mas os precursores ligados ao açúcar são inodoros, por isso mesmo legais e podem ser incorporados ao mosto.

O enólogo, Persello, que de "poeta" não tem nada, se aproveitou de um estratagema: Adicionou os precursores de aroma ao mosto e as enzimas beta glicosidase.


As enzimas dissolvem os precursores ligados ao açúcar e liberam os aromas no mosto que se tornam perceptíveis ao olfato.

A genialidade do enológo-químico, Persello, foi encontrar a mistura exata dos aromas que os júris internacionais buscam , desejam e querem premiar.
A sacanagem perfeita, mas é o que acontece muito mais frequentemente do que se possa imaginar.

Imagine, por um instante, o que acontece nas adegas brasileiras....



O que acontece nas aldeias tupiniquins será meu próximo assunto.


Para terminar:

Quem "soprou" a falcatrua?

Como sempre, alguns produtores da região

Viticultores que seguiam, fielmente, o disciplinar do Sauvignon, cansaram de ver os concorrentes acumular prêmios e mais prêmios e faturar alto com suas garrafas.


Foram ao Ministério Público, botaram a boca no trombone e revelaram o "milagre" de tamanha excelência enológica.

 Alguém recorda a falcatrua do "Cabernello di Montalcino"?

Pois é..... A falcatrua continua.

Dionísio.





13 comentários:

  1. Carácole! Não dá para acreditar mais em nada. Bebi há um tempo o Sauvignon Quarz, da Cantina Terlano. Achei excelente. Agora, já fico com a pulga atrás da orelha. Você o conhece, Dionísio?

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  2. A Cantina Terlano , sim,mas o vinho Quarz nunca provei. A Terlano é uma cooperativa do Alto Adige e eu desconfio sempre das cooperativas

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  3. Parla, Di.

    Nao dou sorte com essas uvas autoctones do nordeste Italiano e acho que quando as autoctones nao ajudam muito, nao é uma imoralidade colocar um pouco de francesa no corte para dar uma subida no astral. Ja a picaretagem a italiana deveria ser nao so repudiada, como punida na justica, e sem essa de pagar cesta basica. Manda na cadeia o palhaço.

    Falando em cadeia, se uma empresa alema com gente "seria" faz uma idiotice daquelas como a VW fez, nao consigo imaginar o que produtores de vinhos italianos e ate brasileiros podem fazer com um laboratorio a disposicao.

    Jr out.

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    1. Nada é imoral no mundo das taças. Colocar castas francesa em uvas de merda não adianta muito , aliás , pode piorar. A justiça já sequestrou milhares de garrafas . É a "Garrafa Básica" . Italianos não são os únicos ; os franceses não são santos, creia.

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    2. Di,

      com qual grau de seguranca vossa insolencia consegue dizer que "quanto menor o produtor e ou producao, menor a chance de picaretagem"?

      Minha amostragem estatistica é pobre, mas tenho uma suspeita forte que os emergentes, medios e grandes produtores sao os maiores figli di putane. Mas falar sem numeros ou dados melhores fica meio servico de porco....

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  4. . Não é um problema de tamanho nem de produção , é de seriedade. Há pequenos e médios tão safados , ou mais, que os grandes. Acredito que a facilidade de informação ajudou os picaretas . Hoje é possível comprar , pela internet, centenas de produtos para maquilar vinhos. é possível , até, fazer vinho sem uva.

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  5. No caso da picaretagem citada, penso que é coisa para gente maior e mais preparada. Ela exige bom conhecimento de bioquímica, coisa que não se adquire em qualquer garagem. No entanto, a partir daqui, não faltará gente para copiar.
    Sds

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    1. Do baixo da minha experiencia tambem acho que o pequeno produtor, quando picareta, tem menor capacidade financeira ou de conhecimento para grandes alteracoes. Fazem aquelas coisas mirins tipo pasta de tanino, adicao de acucar, mas nada muito bio-quimico avancado. Acho.

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    2. Também acho, Big Rat. Mas logo os malacos desenvolvem um kit e "demo-cratizam" o negócio.

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  6. Aguardem a próxima matéria complementado às de Dionísio
    Bacco

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    1. Oba! Vem coisa boa por aí.

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  7. Aguardem a próxima matéria ....vão cair de costas

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  8. Il vino sarà anche una bevanda, ma per chi lo vive intensamente è pure una ragione di vita.

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