Depois de 25 anos foi assinado, finalmente, o tratado
comercial Mercosul-EU.
Não tenho suficiente bagagem política e muito menos econômica,
para me unir às manifestações, de incontido entusiasmo, dos que acreditam em um
novo e duradouro milagre econômico no Brasil.
O entusiasmo, mais ridículo que estou presenciando, é daqueles
que apostam e aguardam, ansiosos, na significativa queda dos preços dos vinhos
importados.
O enófilo brasileiro, com mais de três neurônios em bom
estado, já deveria ter aprendido que o mundo vinícola nacional está nas mãos de
predadores, sejam eles importadores ou produtores, que não tem a mínima
intenção de deixar de, descaradamente, meter a mão no bolso dos consumidores.
Sem nenhuma intenção e muito menos desejo, de “desvendar”
todas as palavras miúdas do tratado, não pude deixar de sorrir ao constatar que
o imposto de importação, dos vinhos europeus, demorará longos 12 anos para ser
zerado.
Na Itália há este velho provérbio: “Campa Cavallo
Che L’erba Cresce....” que equivale ao nosso adagio “Pode esperar sentado...”
Em 12 anos o mundo dará muitas voltas, governos mudarão de ideias e rumos, haverá pressões e interesses comerciais etc. e acredito que o entusiasmo, de nossos enófilos, se esgarçará “...como a fumaça que passa e se perde no ar” ( “Ponto Final” de José Maria de Abreu e Jair Amorim interpretada por Dick Farney)
https://www.youtube.com/watch?v=5zTvZ6nvR9s
Nem tudo está perdido, porém....
As boas garrafas chilenas continuarão fazendo a alegria dos
que realmente sabem beber vinhos e não etiquetas, as garrafas de Portugal,
França, Itália, Espanha etc., já em 2026, custarão muito menos $$$ e certamente
as malas dos turistas, ao voltarem da Europa, estarão sempre mais cheias de
boas “lembranças” vinícolas.
O setor, no velho continente, está passando por grandes
dificuldades e nas adegas, onde já não há mais espaço para estocar o vinho das
novas safras, resta apenas a esperança e a longa e espera por compradores que
não aparecem, sumiram.....
A mais atingida pela crise parece ser a França, mas não há
alegria, também, nas adegas lusas, espanholas e italianas.
Na Itália, os produtores estão deveras preocupados ao constatar
que há quase 43 milhões de hectolitros, de vinho invendido, que repousam no escurinho
das adegas peninsulares.
Para que se tenha uma ideia, do que representa o volume
estocado na Itália, aqui vão alguns números:
1º) a produção anual brasileira
é de aproximadamente 3 milhões de hectolitros
2º) os 43 milhões estocados, na Bota, representam quase 6 bilhões de
garrafas.
As regiões mais tingidas pela crise e que apresentam maiores
estoques
1º) Veneto = 11,1 milhões de hectolitros
2º) Toscana 5,6 milhões
3º) Emilia-Romagna 4,3 milhões
4º) Puglia 4,2 milhões
5º) Piemonte 4 milhões
A quantidade hiperbólica, de hectolitros estocados, apontaria para uma provável redução nos preços dos vinhos importados, redução, esta, que anteciparia o tão sonhado corte no imposto de importação presente no acordo Mercosul –UE, mas, como bem comentou um anônimo, na matéria “Borbulhas e mais Borbulhas”.....
“Você acredita em Papai Noel? Quem ganhará com tudo isso são
as importadoras. O consumidor final continuará na mesma”.
Concordo e assino embaixo.... Estamos na mão de importadores predadores e produtores de tremendas e caras bostas.
Estamos condenados a viver no MERDOSUL dos
vinhos.
Dionísio

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