Facebook


Pesquisar no blog

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MERCOSUL OU MERDOSUL?

 


Depois de 25 anos foi assinado, finalmente, o tratado comercial Mercosul-UE.

Não tenho suficiente bagagem política e muito menos econômica, para me unir às manifestações, de incontido entusiasmo, dos que acreditam em um novo e duradouro milagre econômico no Brasil.



O entusiasmo, mais ridículo que estou presenciando, é daqueles que apostam e aguardam, ansiosos, na significativa queda dos preços dos vinhos importados.

O enófilo brasileiro, com mais de três neurônios em bom estado, já deveria ter aprendido que o mundo vinícola nacional está nas mãos de predadores, sejam eles importadores ou produtores, que não tem a mínima intenção de deixar de, descaradamente, meter a mão no bolso dos consumidores.



Sem nenhuma intenção e muito menos desejo, de “desvendar” todas as palavras miúdas do tratado, não pude deixar de sorrir ao constatar que o imposto de importação, dos vinhos europeus, demorará longos 12 anos para ser zerado.



Na Itália há este velho provérbio: “Campa Cavallo Che L’erba Cresce....” que equivale ao nosso adagio “Pode esperar sentado...”

Em 12 anos o mundo dará muitas voltas, governos mudarão de ideias e rumos, haverá pressões e interesses comerciais etc. e acredito que o entusiasmo, de nossos enófilos, se esgarçará “...como a fumaça que passa e se perde no ar” ( “Ponto Final” de José Maria de Abreu e Jair Amorim interpretada por Dick Farney)  

 https://www.youtube.com/watch?v=5zTvZ6nvR9s

Nem tudo está perdido, porém....



As boas garrafas chilenas continuarão fazendo a alegria dos que realmente sabem beber vinhos e não etiquetas, as garrafas de Portugal, França, Itália, Espanha etc., já em 2026, custarão muito menos $$$ e certamente as malas dos turistas, ao voltarem da Europa, estarão sempre mais cheias de boas “lembranças” vinícolas.



O setor, no velho continente, está passando por grandes dificuldades e nas adegas, onde já não há mais espaço para estocar o vinho das novas safras, resta apenas a esperança e a longa e espera por compradores que não aparecem, sumiram.....

A mais atingida pela crise parece ser a França, mas não há alegria, também, nas adegas lusas, espanholas e italianas.

Na Itália, os produtores estão deveras preocupados ao constatar que há quase 43 milhões de hectolitros, de vinho invendido, que repousam no escurinho das adegas peninsulares.



Para que se tenha uma ideia, do que representa o volume estocado na Itália, aqui vão alguns números:

 1º) a produção anual brasileira é de aproximadamente 3 milhões de hectolitros

2º) os 43 milhões estocados, na Bota, representam quase 6 bilhões de garrafas.

As regiões mais tingidas pela crise e que apresentam maiores estoques



1º) Veneto = 11,1 milhões de hectolitros

2º) Toscana 5,6 milhões

3º) Emilia-Romagna 4,3 milhões

4º) Puglia 4,2 milhões

5º) Piemonte 4 milhões


A quantidade hiperbólica, de hectolitros estocados, apontaria para uma provável redução nos preços dos vinhos importados, redução, esta, que anteciparia o tão sonhado corte no imposto de importação presente no acordo Mercosul –UE, mas, como bem comentou um anônimo, na matéria “Borbulhas e mais Borbulhas”..... 

Você acredita em Papai Noel? Quem ganhará com tudo isso são as importadoras. O consumidor final continuará na mesma”.



Concordo e assino embaixo.... Estamos na mão de importadores predadores e produtores de tremendas e caras bostas.



Estamos condenados a viver no MERDOSUL dos vinhos.


Dionísio

 

 

domingo, 4 de janeiro de 2026

BORBULHAS E MAIS BORBULHAS

 


Não é segredo que, aqui em Bacco&Bocca, gostamos muito de pequenos produtores, de vinhos pouco comentados, de garrafas pouco badaladas e que, por uma fração do preço, cobrado por um grande produtor, entregam tanto quanto ou até mais qualidade.

Mesmo assim não temos problemas com bons vinhos dos gigantes do setor: o Chianti da Ruffino, os brancos da Tarapacá e o Côte-Rôtie da Guigal, entre outras etiquetas, já foram saudados por aqui e quebram um belo galho quando estamos no Brasil onde a oferta de bons vinhos de viticultores independentes é sensivelmente menor do que na Europa.



Dias atrás recebi, de alguns amigos, uma postagem no Instagram em que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, antigo mandachuva da Rede Globo e grande apreciador da alta gastronomia, listava seus dez Champagne favoritos.



 Aparentemente a lista ficou famosa e já é um dos posts mais comentados do ícone da TV brasileira, com mais de 54 mil curtidas:

https://www.instagram.com/p/DSX3WP1EW7T/

De fato, na listam só há coisas boas: Bollinger, Rare (Piper-Heidsieck), Laurent-Perrier, Taittinger, Veuve Clicquot, Pol Roger, Louis Roederer, Dom Pérignon, Krug e Salon (veja a postagem original para saber quais cuvées foram escolhidas por Boni).


Nove dessas dez casas são grandes maisons com produção superior a 1,5 milhão de garrafas.

 A décima mencionada é a Salon que produz apenas 60 mil unidades por ano mas não tem dó de cobrar mais de mil euros por cada uma delas.

Passando férias no Brasil, e sem poder contar com a Camiat&Fils, Paul Marie Bertrand, Paul Bara e outros grandes-pequenos Champagne, para o brinde do ano novo e outras ocasiões festivas, acostumei-me a procurar, no duty free e em lojas como a Super Adega, alguns Champagne das grandes casas (e grandes cooperativas) para me socorrer nessas ocasiões – ainda que desembolsando, com alguma dor, valores entre R$ 300 e R$ 400.



Até o momento, meus preferidos são: Roederer Collection (a nova cuvée de entrada do produtor), Philipponnat Royale Réserve Non Dosé, Charles Collin Brut, Pannier Sélection Brut e Billecart-Salmon Brut.



Aliás, a Billecart-Salmon é unanimidade na redação de B&B: Bonzo e Bacco adoram a rosé deles, e Bonzo também aprecia bastante a produção da Deutz.

E as suas?

Feliz Natal e Feliz 2026!