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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

VOU PARA A PATAGÔNIA

 


Escrever sobre vinho, turismo, gastronomia, no Brasil dos nossos dias, soa quixotesco, constrangedor, inútil, razão pela qual ao iniciar esta matéria, me vi como o sujeito entrando em um velório, rindo, bebendo Champagne e cantando “Parabéns Pra Você”.



Minhas matérias não podem interessar e muito menos “concorrer” com prisões, tornozeleiras, brigas, perseguições, tarifaços, lei Magnitsky, e o escambau, que todos os dias, como um tsunami, invadem canais de rádio, televisão, revistas, jornais, redes sociais etc.

Apesar dos tempos recomendarem muita cautela e muito “patriotismo(vinho incluso?), o “vício” venceu a razão e aqui vai mais uma matéria, não sobre a Patagônia, como sugere o cabeçalho, mas algumas opiniões e comparações entre os vinhos chilenos, nacionais e europeus (especialmente os franceses).



 A lembrança, da remota região chilena, apareceu em um final da tarde, quando, um amigo e eu, secávamos uma garrafa de vinho (a segunda)

Taça vai, taça vem....A língua ficou mais solta, as falas aumentaram de volume, as risadas mais estridentes e alguns desejos, mesmo, os mais improváveis e absurdos, vieram à tona.



 Depois das abundantes taças de vinho, nossa insatisfação, com o atual panorama mundial, aflorou e explodiu em incontáveis imprecações contra metade da população mundial.

Neste momento, com a mão livre (a outra parecia colada à taça com Super Bonder …)  Segurei o braço do companheiro de libações e com voz pastosa, grave, pomposa, exclamei: Fosse, eu, algumas décadas mais jovem, não pensaria nem mais um minuto para largar tudo, partir para a Patagônia e morar no Parque Nacional Torres del Paine, sem televisão, telefone, computador, redes sociais e o @a#*X¢, na companhia apenas de ovelhas, guanacos, condores, raposas, pumas e.......100 caixas de vinho chileno”.




O amigo agarrou a garrafa quase vazia do Grand Cru Cassè – Malartic Lagraviere, que estravamos bebendo, derramou o que restava em sua taça e indagou: “Por que 600 garrafas de vinho chileno?



“O vinho chileno é bom, barato e não gastaria uma fortuna para enxugar 600 “patagônicas” garrafas.... Assim, sem estuprar meu cartão, acredito que, já na 564ª ampola, enxergaria um mundo melhor...... ou não enxergaria mais nada”

Uma oportuna pausa nas libações e alguns copos de água com gás, depois, me convenceram que o melhor seria esquecer, por enquanto, o Parque Nacional Torres de Paine e planejar, urgentemente, meu regresso a Santa Margherita Ligure.....





Mesmo quando me vi livrei dos vapores alcoólicos e da Patagônia, minha opinião sobre a qualidade/preço dos vinhos chilenos não mudou um milímetro e enquanto escrevo a presente matéria estou bebericando, prazerosamente, um bom Chardonnay “Don Luis” 2023, da Cousiño Macul, pelo qual paguei razoáveis R$56,60.



É sempre bom lembrar que o deplorável “Miolo Reserva Chardonnay” custa R$ 70 e se comparado ao “Dom Luis” pode provocar uma terrível crise de riso.



A presente matéria continuará. Na segunda parte comentarei alguns os vinhos chilenos, cujo custo/qualidade considero muito interessante e que podem competir, ou superiores, até, a muitos Chardonnay da Borgonha que emporcalham as prateleiras dos supermercados, denegrindo a reputação da famosa região vinícola francesa

Bacco

Um comentário:

  1. Entrou na minha área (Tagarela). Não me meto a falar de vinhos Europeus porque desses só entendo de beber, mas os Chilenos conheço bem (tanto por já ter provado muitos, quanto por visitar as regiões vinícolas desse país). O Chile pegou uma fama ruim entre alguns enófilos porque possui várias vinicolas de qualidade duvidosa vendendo litros e mais litros de seus "reservados" (que é uma nomenclatura que se quer existe e nada significa, diferentemente do reserva). Entendo que esses vinhos são ruins, mas atire a primeira pedra...

    O vinho Chileno bem feito é sem dúvida superior ao Argentino por exemplo, é mais redondo, menos ácido (não entendo a nova moda de vinhos-limonada dos hermanos) e possui muito mais diversidade de uvas. Vejo no Chile bons Cabernet, Shyraz e, pra quem gosta, Carmenere (eu gosto dos bem feitos que reduzem o pimentão da pirazina), enquanto a Argentina fica no samba de uma nota só do Malbec e alguns Cab franc "mais ou menos". O Uruguai eu gosto bastante, excelentes Tannat, mas também são monotematicos (tanino e madeira).

    O vinho Brasileiro nesse meio é piada pronta, não apenas é bem inferior aos 3 vizinhos, como é bem mais caro. Quando uma vinícola nacional faz algo tomavel, ela imediatamente coloca a preço dos melhores vinhos dos vizinhos. Algo que deveria entrar na prateleira dos R$80, vai sem pudor pra de R$290. Não dá pra levar a sério, mas o Chile, esse eu levo.

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