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quarta-feira, 2 de abril de 2025

AS RAPOSAS DAS UVAS

 



Um comentário na matéria de Bacco, “Beber Bem Em Santa Margherita 2”, chamou minha atenção.

Anônimo21 de março de 2025 às 20:19

* minha pergunta sobre qual região italiana é mais rentável no vinho não foi testando sabedoria, curiosidade e interesse por informação. ( não precisa publicar )

Por um feliz acaso, há poucas semanas, assisti, na televisão italiana, alguns programas dedicados às falcatruas que periodicamente atingem, emporcalham e desacreditam o panorama vinícola da Bota.

É preciso lembrar que, com um faturamento de 13 bilhões de Euro, o vinho é um dos maiores, se não o maior, produto agrícola da Itália e tem peso importante na economia do país.



A importância do setor exigiu a criação de diversos consórcios, rígidos controles, normativas, disciplinares, limitação de plantio, etc. que, apesar das severas penas, são constantemente burlados.

“REPORT”, dedica uma serie explosiva sobre as falcatruas que são praticadas na Toscana e em especial, pasmem, na badalada Bolgheri região onde nascem os famosos e dispendiosos “Supertuscans”.

Que a Toscana, desde sempre, soube se “vender”, com maestria, é mais que notório.



A prova cabal, desta afirmação, é comprovada pelos 47 milhões de turistas que, em 2024, visitaram, Firenze, Pisa, Lucca, Siena San Giminiano, Pienza, Montepulciano, Montalcino, Arezzo, Cortona Monteriggioni etc.

 Mais uma dica: Bastaria lembrar quantos filmes Hollywood dedicou à região para confirmar que os toscanos são excelentes “vendedores” de seu território.



Mais provas?

Qual o vinho emblemático, icônico, que mais se identifica com a Itália?

Se você pensou naquela da garrafa, empalhada, de Chianti, acertou na mosca.



Os toscanos, todavia, não são exatamente santos e muito menos puros, quando o assunto é vinho.

Bacco, por exemplo e em várias matérias, alertou que os toscanos Biondi-Santi não eram nem um pouco confiáveis ao declarar, despudoradamente, que seus vinhos poderiam ser bebidos e apreciados, no auge de suas características, mesmo depois de um século.



 “REPORT”, em sua reportagem, pulveriza a seriedade dos nobres produtores (nas veias, de quase todos os maiores empresários vinícolas toscanos, corre sangue azul) ao revelar as incríveis falcatruas praticadas pelos famosos e nobres engarrafadores de Sassicaia, Ornellaia, Masseto, Solaia, Guidalberto, Le Difese, Tignanello, Le Volte, Serre Nuove etc.



Na primeira parte da série, “As Raposas das Uvas”, apresento e comento as revelações de “REPORT” sobre as picaretagens praticadas, na “Tenuta San Guido”, de propriedade dos nobres, Incisa Della Rocchetta, que deixam a nobreza de lado quando sentem o cheiro de grana, de muita grana....

Segure seu Sassicaia, aí....



“REPORT” descobriu, através de minuciosa investigação, que nem todas as uvas utilizadas na produção do “Sassicaia”, “Guidalberto” e “Le Difese” são originarias da “Tenuta San Guido”.



A “bolgherese”, Tenuta San Guido, produz, média/ano 1.000.000 de garrafas com as etiquetas de “Sassicaia”, “Guidalberto”, “Le Difese” com as quais, a nobre produtora, obtém incríveis resultados financeiros (60% lucro líquido sobre o faturamento).



As vezes o clima não ajuda.

 Muita chuva, seca prolongada, reduzem a colheita e não há cachos suficientes para produzir o costumeiro um milhão ou até mais de garrafas

Até mais, alguém perguntará?

Sim, quando há uma maior procura nem os nobres dormem no ponto e.....

Quando um ou os dois fatores mencionados se apresentam, os nobres Della Rocchetta recorrem sorrateiramente às “Cantine Borghi” como, por exemplo, em 2023 quando “Tenuta San Guido” comprou, da vinícola, localizada em Scandicci, nada menos do que 418.000 Euro de vinho a granel.



 O volume adquirido equivale, aproximadamente, a 250.000 garrafa o que representa nada menos do que 1/4 da produção da “Tenuta San Guido”.  

É preciso informar que a Cantine Borghi” é uma empresa gigantesca, que não produz nem um cacho de uva, mas compra milhões de hectolitros de vinhos da Toscana, Puglia, Abruzzo, Emilia-Romagna, Veneto etc. e os revende aos “necessitados” quando ocorrem os fatores que mencionei no parágrafo anterior.



Há mais picaretagens, mas revelarei na próxima matéria.

Uma coisa salta aos olhos: Os eno-palermas continuam pagando preços altíssimos por etiquetas “batizadas” com vinhos de 2/3 euros o litro.

Dionísio

4 comentários:

  1. Não duvido de revelar que temperam o mosto

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  2. Sacramentos Sabina Syrah R$255.00

    https://www.hojeemdia.com.br/minas/vinicola-mineira-e-eleita-a-melhor-do-ano-em-publicac-o-internacional-1.1060169

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  3. De$corchado$$$$$$$ um guia para enófilos cegos

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    1. O mais engraçado é que as matérias SEMPRE começam por "renomado guia internacional", ou "importante concurso internacional" e quando você vai ler é guia descorchados e concurso Le Vin de Marrocos.

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