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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O DUELO

 


“Sábado churrasco lá em casa”....Um amigo mandou a mensagem me convidando para o enésimo almoço de final do ano.

Apesar de não ser, exatamente, um amante de churrascos, não teria sido elegante recusar o convite, assim, em um sábado, nublado e chuvoso, acompanhado por uma garrafa de vinho tinto e pouco entusiasmo, ao meio-dia, apertei a campainha da casa do amigo.



Na churrasqueira, oito convivas, já haviam iniciado as libações enquanto comiam a inevitável linguiça assada.

Bons papos, muita alegria, muito vinho, muita cerveja....clássica atmosfera de um churrasco entre amigos.

Amigos? Quase todos...



Ao perceber que o vinho estava escasseando, resolvi, mais que depressa, abrir a garrafa de Chianti Ruffino 2017, que havia trazido.

 Receoso, que o Chianti não tivesse suportado os 8 anos de adega, degustei, aprovei e ofereci uma taça ao dono da casa que, agradecido, resolveu me elogiar: “Dionísio, um sommelier que realmente entente de vinhos”



Risadas, gozações, desafios, assovios…zorra total.

Quando a “bagunça” perdeu força, arrefeceu e a calma voltou, um dos convidados, o único do grupo que eu não conhecia, exclamou: “Deixei de ler o que escrevem, em B&B, porque desprezam, sistematicamente e sem razão o vinho nacional”





Um silêncio quase sepulcral se abateu sobre o animado churrasco.

 Os amigos, que conhecem meu temperamento, me olharam esperando ouvir um sonoro “Vá à merda”.

É possível que espirito natalino, naquela ocasião, tenha edulcorado minhas reações, assim, sem perder a calma e sorrindo, respondi que não bebia vinho nacional pois meu intestino era bastante regular e não necessitava de estimulantes.



A minha irônica resposta, foi recebida com muitas risadas, mas deixou o eno-patridiota ainda mais irritado, agressivo, que continuou: “Como pode criticar sem ao menos degustar as etiquetas nacionais que já são conhecidas e premiadas até na Europa? ”



Notei que a discussão estava evoluindo para a lado pessoal e percebi que, naquela ocasião e lugar, não seria educado começar uma discussão acalorada e, além do mais, não estava, eu, com muito entusiasmo e paciência para argumentar com um eno-patriota-raiz.

Decidi que não adiantaria afirmar que um pais, cuja produção vinícola é obtida esmagando 80% de uvas não viníferas, não pode ser levado a sério, que prêmios e medalhas podem ser comprados nos milhares de concursos picaretas espalhados pelo mundo e que qualquer vinho chileno, de R$ 60/80, pulverizaria as caríssimas, mas banais etiquetas nacionais.



De nada adiantaria argumentar que nosso território e clima não são os mais indicados para o cultivo da uva, que a viticultura brasileira não é reconhecida por ser exemplo de proverbial seriedade, que é controlada por algumas dezenas de predadores picaretas e que até os pequenos produtores já aprenderam que a propaganda é mais importante e lucrativa do que seriedade e qualidade.

O “discurso”, acima, apenas acirraria, sem necessidade ou razão, o enfadonho e estéril debate

 Encerrei a discussão garantindo, ao altivo e agressivo eno-patridiota, que compraria algumas garrafas de vinho nacional, de nossos “premiados” predadores vinícolas e outras de normais e comuns vinhos chilenos, assegurando que, após degustá-los, escreveria uma matéria comentando o resultado ......Aqui estou, cumprindo a promessa.



Ao entrar, em uma renomada enoteca de Brasília, me dirigi diretamente à secção de vinhos nacionais para escolher um Chardonnay.



Pizzato R$ 145, Valduga Terroir R$ 97, Lidio Carraro Dadivas R$ 128, Miolo R$ 73, Casa Perini Fração Única R$ 89.....

Casa Perini? 

Lembrei de uma pavorosa Barbera que motivou uma acalorada discussão com Diego Arrebola (nosso eterno “melhor sommelier do Maranhão”), discussão que acabou com Diego me ameaçando com um processo por difamação. 

Começou assim....  https://baccoebocca-us.blogspot.com/2017/02/barbera-perini.html

.....e terminou assim "Ok Dionísio Ramos, já deu... Como já disse, respeito, mesmo, suas opiniões, mas não dá para debater com essa profusão de insultos gratuitos de sua parte. 1 - Não ganho para falar mal ou bem de vinhos. Você pode duvidar de mim, pode até insinuar o contrário. Mas, do ponto de vista legal, você sabe que não pode AFIRMAR isso como você fez aqui. Estou ciente de que outros já te processaram no passado, e tiveram dificuldades por conta de você não estar aqui no Brasil, mas não me custaria nada entrar para o clube e buscar um acerto judicial com você

Em homenagem ao “eterno-quase-melhor-sommerdier” decidi comprar uma garrafa de “Fração Única”, esperançoso e curioso, para verificar se “Casa Perini” teria aprendido vinificar decentemente.



Para concorrer, com o Chardonnay Nacional, não escolhi uma garrafa dos meus chilenos preferidos, Cousiño Macul e Tarapacá, mas uma da “Viu Manent”.



O ilustre e desconhecido Chardonnay, “Viu Manent Reserva” (nunca havia bebido um vinho da Viu Manent), me aliviou em exato R$ 57,90.

No dia seguinte retirei as garrafas do refrigerador, as abri e derramei alguns dedos em duas taças idênticas.

Já no exame visual era fácil notar grande diferença.

O Chardonnay chileno apresentava a característica cor amarelo-palha com reflexos esverdeados;

O Perini, quase incolor, parecia um Sauvignon Blanc no qual haviam adicionado um pouco de água.



No nariz as diferenças continuaram: O “Fração Única” não emanava quase nenhum aroma que recordasse, mesmo remotamente, o Chardonnay, enquanto no “Viu Manent” foi fácil perceber notas minerais e cítricas típicas da casta.

Na boca, a tragédia final.... Uma tremenda bosta!

Qualquer consumidor europeu, ao beber o aguado Perini “Fração Única”, perguntaria quem tivera a coragem de etiquetá-lo como se fosse um Chardonnay



Quase incolor, aromas parcos e quase inexistentes, na boca lembrou-me o refrigerante H2OH!

“Fracção Única” é um vinho que deveria ser proibido de ostentar, na etiqueta, o nome: “Chardonnay”.



A etiqueta, por sinal, tão falsa, ou mais até, do que o conteúdo liquido da garrafa, declara: “Maturação: 4 meses em barriques de carvalho francês e americano

A Perini deveria se envergonhar e pedir desculpa por tamanha mentira: O “Fração Única” nunca viu nem a sombra, nem o formato e muito menos o interior de uma barrique.




Terminei a dantesca e “purgatorial” degustação, do vinho nacional, amaldiçoando os vapores alcoólicos que me fizeram prometer, ao eno-patridiota, que a realizaria.

Traumatizado, mas ainda consciente, consegui alcançar a garrafa do “Viu Manent” e já no primeiro gole, do Chardonnay chileno, meu olfato, paladar e outros sentidos voltaram ao normal.

Ao levantar a taça, para mais um gole ouvi um sussurro quase inaudível ........” ¡Bien hecho! ¿Por qué me traicionaste con este vino Perini de mierda?



Consideração final: O Barbera Perini é um horror, mas o “Fração Única” consegue ser pior.....

Dionísio

 

      

 

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A HORA E A VEZ DO DOLCETTO

 


Nas matérias anteriores informamos como, nos anos 1970/1990, não era difícil criar vinho-moda e convencer os eno-palermas que, apesar dos preços, muitas vezes estrelares, as garrafas valiam o que custavam.

Eno-Idiotice absoluta!



Eno-Idiotice, todavia, que transformou muitíssimos anônimos viticultores em, quase, estelas hollywoodianas.

Em poucas décadas, alguns espertos vinhateiros, passaram de vendedores de vinhos a granel a milionários empreendedores vinícolas. 

Alguns nomes italianos?

Gaja, Conterno, Quintarelli, Giacosa, Biondi Santi, Benanti, Roagna, Dal Forno, Della Rocchetta, Ceretto etc.



Os nomes elencados são de vinícolas milionárias, da Bota, mas em todos os países há produtores que se especializaram em assaltar os bolsos dos eno-palermas e até no Brasil, Maranhão do mundo vinícola, pasmem, há muitas empresas picaretas que cobram verdadeiras fortunas por vinhos banais.

Alguns exemplos:

Miolo = “Sesmaria” de R$ 900

Lidio Carraro = “Amphorae” de R$ 730

Geisse = “Terroir Nature” de R$ 630

Casa Valduga = “Maria Valduga” de R$ 569

Luiz Agenta = La Cave Merlot uvas desidratadas R$ 1,600 (quem comprou concorre à “Medalha de Ouro Eno-Palerma 2025 -2026-2027-2050....)



Vinícolas brasileiras, anunciando seus quase vinhos por preços de Grand Crus franceses, são claros  exemplos que os eno-retardados não conhecem fronteiras e, muito menos, vinho....

Sorte nossa que milhares de pequenos, médios e verdadeiros viticultores, continuam produzindo ótimos vinhos por preços humanos.

Voltemos, agora, ao Dolcetto e sua à via crucis que o marcou nas últimas décadas

Um dos melhores tintos do Piemonte e Ligúria, sim, leu bem... Ligúria, pois, para quem não sabe, ou seja, 99,99% dos nossos influencers, críticos, sommeliers youtubers etc. é bem provável, que o Dolcetto tenha migrado, das aldeias lígures, da "Valle Arroscia",  onde é conhecido como “ORMEASCO”, para o vizinho Monferrato e em seguida, em todo o território piemontês.



No Piemonte, o Dolcetto, encontrou seu melhor “habitat”, progrediu, se transformou no segundo vinho mais popular da região e esteve sempre presente nos bares, restaurantes e taças, de então.

Mas, “La Dolce Vita” do Dolcetto começou a amargar quando apareceram os vinhos parkerianos.



Os viticultores não demoraram muito para perceber que o Dolcetto era muito menos rentável do que os vinhos da nova moda e, aos poucos, foram relegando a casta a um segundo e até terceiro plano.

Um dos problemas do “Dolcetto” está no próprio nome que sugere um vinho doce.

Longe de ser doce, o Dolcetto é um vinho tinto, seco, de médio corpo, que pode envelhecer moderadamente, mas exalta suas melhores qualidades quando bebido jovem.

A uva “Dolcetto”, quando madura, é muito doce e os piemonteses, em sua língua nativa, a conheciam como “Dosset”, (docinho, no dialeto piemontês)



Outro grande problema, do Dolcetto, tem origem no exigente trabalho em vinha (requer mais cuidado até do que o muito mais rentável, economicamente, Nebbiolo) e continua em sua complicada vinificação.

A forte tanicidade e a grande quantidade de grainhas, se não bem administradas, podem “amargar’ o vinho

 Como já não bastasse, o problema com os taninos, a vinificação do Dolcetto exige muitíssimos cuidados na gestão do processo fermentativo e constante atenção com a oxigenação para evitar o problema da redução e maus cheiros.



É fácil perceber, então, o porquê do Dolcetto perder terreno para os novos vinhos-moda e a razão de seu inexorável declínio.

Os produtores alarmados, com a perda de mercado, tentaram uma saída: Parkerizar o Dolcetto!

Talvez tenha sido a mais desastrosas das decisões na história do Dolcetto.

Dolcetto, barricado, impenetrável, muito alcoólico etc. afugentou o que restava dos fieis consumidores.





Em 1999, a “Slow Food” promoveu mais uma edição do “Cheese” (feira para conhecer e degustar os grandes queijos do mundo) em vários restaurantes em Alba e arredores.

Cada restaurante deveria criar um menu especial, tendo o queijo como principal protagonista e escolher um vinho para acompanhar.

 Escolhi jantar, em La Morra, no então famoso, restaurante “Belvedere” que escolhera o Dolcetto como vinho da ceia.

Desastre total!

Já não lembro quais os produtores, mas recordo que todos os Dolcetto servidos eram parkerizados (nenhum abaixo de 14º e alguns declaravam, até, 15º), difíceis de beber, impenetráveis..... deploráveis.





Resultado 1): O Dolcetto, ao tentar percorrer caminhos “inovadores”, amargou uma enorme perda de consumo, assim, os viticultores não hesitaram em erradicar grande parte dos vinhedos substituindo-os pelo Nebbiolo casta muito mais comercial e rentável.

 Resultado 2): Perdeu 70% do mercado e apesar de patéticas e ridícula tentativas, não conseguiu, encontrar um Giacomo Bologna para elevá-lo ao Olimpo dos vinhos e reconquistar o paraíso e os bolsos dos eno-palermas.



Resultado 3): Após anos e anos de purgatório vinícola e quase esquecimento, finalmente, com a decadência dos vinhos parkerianos, surge uma nova tendência, liderada pelos jovens consumidores, que exige vinhos com baixa gradação alcoólica, mais fáceis de beber e mais acessíveis ao bolso



 É a hora e a vez do Dolcetto que ressurge, “purificado”, com seus 12º/12,5º, sua bela e brilhante cor rubi, fresco, frutado e ......barato.





Quando passar pelo Piemonte não deixe de provar alguns ótimos Dolcetto todos abaixo de 12 Euros



Poderi Colla “Pian Balbo - Domenico Clerico “Visadi” – Bricco Mollea “Assanen” (do meu amigo Massimo Martinelli) – Renato Ratti “Colombè” Castello di Tagliolo “Dolcetto Ovada”



Há muitos outros, mas creio que a relação já convença, os eno-palermas, que se pode beber bem sem fazer chorar o cartão de credito.



Vinhos piemonteses, baratos que recomendo, quando possível, degustar: Carema, Grignolino, Freisa, Avanà, Fara, Lessona, Bramaterra, Gavi, Ghemme, Doux d’ Henry (cultivado em apenas 9 hectares), Verduno Pelaverga, Rossese Bianco, Timorasso, Gamba di Pernice (Calosso DOC), Erbaluce di Caluso......

Cin Cin

Bacco


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

VINHO MODA 4

 


A matéria poderia ser intitulada: “Como Criar um Vinho Moda e Enganar Palermas”, mais deixemos para mais tarde....

Com o “Bricco dell’ Ucellone”, nascia, em 1982, um Barbera parkeriano destinado a se tornar uma icônica e caríssima etiqueta cuja história comprova como é fácil aliviar as carteiras dos eno-palermas de plantão.



Vamos continuar com a fábula do Bricco dell’Uccellone e deixemos o “primo pobre” Dolcetto para mais tarde.

Em 1938, Giacomo Bologna, nasce em Rocchetta Tanaro, pequena aldeia circundada por vinhas de Barbera por todos os lados

Descendente de viticultores, Bologna, herda a vinícola da família e resolve dinamizá-la, modernizá-la e assim, em 1961, nascia “Braida di Giacomo Bologna”.



Giacomo, era um viticultor visionário, um ótimo comerciante e não se conformava com o preço do Barbera que, naqueles anos, era vendido por aproximadamente 800/1.000 Liras o litro (0,52 centavos de Euro).

 Mas o que fazer para valorizar o Barbera e elevar seu preço?

Conta a lenda, que, em 1978, durante uma viagem aos Estados Unidos, na companhia de Luigi Veronelli (sempre ele), Bologna, ao beber um Barbera parkeriano-barricado, olhou para Veronelli e exclamou: “Este é o Barbera que vou produzir”.




Ao voltar, para Rocchetta Tanaro, resolveu ir a Beaune e realizar um curso para aprender como utilizar a barrique.

Após a experiência francesa voltou para sua aldeia e, em 1982, nascia a primeiro Barbera parkeriano-veronelliano: Bricco dell’ Uccellone.

Como todas as lendas, a de Giacomo, é rica em fantasias e pobre em verdades.



Bologna, foi aos Estados Unidos não para degustar os vinhos locais, mas para pesquisar o importante mercado americano, conhecer o gosto dos consumidores e “fabricar” um vinho que agradasse ao paladar dos amigos do norte.

 Ao beber o Barbera, barricado à moda “Parker”, percebeu qual seria o vinho para conquistar o mercado americano e resolveu produzi-lo em Rocchetta Tanaro.



Bologna, para doar um pouco mais de credibilidade, à lenda do “Bricco dell” Uccellone”, viajou até Beaune, para fazer um curso e aprender como usar a barrique.

Não lembro quantas vezes visitei Beaune, mas posso assegurara que foram muitas e, naquela cidade, nunca ouvi falar em “curso de barrique” e digo mais: os viticultores da Borgonha não revelam, nem sob tortura medieval, os segredos de como usam a madeira em suas adegas.



O mais provável, logico e crível, é que Bologna foi a Beaune para comprar algumas barrique para “parkerizar” seu sonhado Barbera.

Em 1982, finalmente, estreia a primeira safra do “Bricco dell’ Uccellone e 9.800 garrafas, do Barbera barricado de Bologna, chegam ao mercado custando 4.800 Liras (cada).

É sempre bom lembrar que, naqueles anos, uma garrafa de Barbera normal, comum, custava Liras 3.000 (1,55 Euros) e as mais renomadas atingiam Liras 7.000 (3,62 Euros)



O Bricco dell’ Ucellone com suas 4.800 Liras (2,48 Euros) se apresentava, então, como “Barbera faixa média”.

O salto, para escapar dos preços baixos, já acontecera, mas Giacomo sonhava mais alto e o elevador, para subir e conseguir mais $$$$, tinha um nome: Luigi Veronelli.

Veronelli, abusando de sua grande e ilibada fama, de melhor critico eno-gastronômico da Itália, só não escreveu que o Bricco dell’ Uccelllone era tão, maravilhoso, incomparável, divino, que parecia ter sido vinificado, no Olimpo, pelo próprio Baco.



Alguns dos elogios, utilizados por Veronelli para descrever o Bricco dell’ Uccellone: Altíssima qualidade, excepcional, maravilhoso, definitivo, extraordinário, fascinante, ótimo investimento, incrível potencial de envelhecimento etc.

Com toda esta “mise em scène” não é difícil imaginar o que motivou a disparada dos preços do “Bricco dell’ Uccellone”

Giacomo Bologna, em suas memórias, escreveu, que, em 1990, ao passar por uma enoteca, viu na vitrine seu Barbera sendo oferecido por, nada modestas, 48.000 Liras (24,80 Euros).

Quanto Veronelli levou, não sei, mas sei que, para Giacomo Bologna o “investimento” valeu a pena...... 

Braida - Bricco dell' Uccellone 2021 - Barbera d'Asti DOCG - 75cl

 BRAIDA
 Nuovo
 C352ref49116
58,50 €



Uma garrafa de Barbera, que em 1982 custava 4.800 Liras (2,48 Euros), menos de uma década depois valia 48.000 Liras (24,80 Euros) e hoje só entrega seus “veronellianos” encantos por 55/60 Euros teve uma caminhada de róseo sucesso.

Os herdeiros de Giacomo Bologna (ele se foi em 1990) não conseguem controlar o riso ao ver os eno-palermas pagando 55/60 Euros por uma garrafa que lhes custa, quando muito 4/6 Euros.



Exagero meu?

Confira, na tabela abaixo, quanto custa 1 Kg de uva Barbera e aproveito para informar, que 1.2/1,5 Kg de uva são mais que suficientes para produzir uma garrafa vinho de 0,75 L.

 

Prezzi delle uve - anno 2024

 

PREZZI DELLE UVE - ANNO 2024

Medie dei prezzi delle uve da vino D.O.C.G. e D.O.C. 
Stagione vendemmiale 2024

 

UVE DA VINO DOC 

prezzo al kg

Minimo

Massimo

Barbera per vino “Barbera d’Alba”

€ 1,00

€ 1,34

Barbera per vino “Barbera d’Alba Superiore”

€ 1,29

€ 1,51

Dolcetto per vino “Dolcetto d’Alba”

€ 1,03

€ 1,22

Nebbiolo per vino “Nebbiolo d'Alba”

€ 1,06

€ 1,30

Nebbiolo per vino “Langhe Nebbiolo”

€ 1,12

€ 1,50

Arneis per vino “Langhe Arneis”

€ 1,18 

€ 1,31

Chardonnay per vino “Langhe Chardonnay”

€ 0,93

€ 1,14 

Langhe Rosso

€ 0,86

€ 1,00

Langhe Favorita

€ 1,17

€ 1,30

 

 (a Barbera D' Asti tem o mesmo custo)

Some-se, à matéria prima, vidro, capsula, etiqueta, rolha etc., mas o preço final, do Bricco dell’ Uccellone, não supera os 4/6 Euros.

Ignaros, mas atraídos pelo brilho do “Vinho Moda”, os eno-palermas continuam enchendo o bolso (havia pensado em outro substantivo, mas me contive …)  para a felicidade dos herdeiros de Giacomo Bologna;

Informo, também, que a produção atual do Barbera Bricco dell’Uccellone ultrapassa as 55.000 unidades.

Você dificilmente verá, nos bares ou restaurantes, italianos bebendo Bricco dell’ Ucellone.



Os eno-palermas, que querem aparecer no instagram, bebendo e fotografando vinhos-moda, são os turistas americanos, ingleses, russos, chineses, brasileiros etc.

Os italianos normais, comuns, que não são eno-palermas, bebem, entre outros,



Barbera Superiore “I Tre Vescovi”, da Cantina Sociale Vinchio – Vaglio Serra de 8/9 Euros.


Continua

Bacco