Um comentário na matéria de Bacco, “Beber Bem Em Santa
Margherita 2”, chamou minha atenção.
Anônimo21 de março de 2025 às 20:19
* minha pergunta sobre qual região
italiana é mais rentável no vinho não foi testando sabedoria, curiosidade e
interesse por informação. ( não precisa publicar )
Por um feliz acaso, há poucas semanas, assisti, na televisão
italiana, alguns programas dedicados às falcatruas que periodicamente atingem, emporcalham
e desacreditam o panorama vinícola da Bota.
É preciso lembrar que, com um faturamento de 13 bilhões de Euro,
o vinho é um dos maiores, se não o maior, produto agrícola da Itália e tem peso
importante na economia do país.
A importância do setor exigiu a criação de diversos
consórcios, rígidos controles, normativas, disciplinares, limitação de plantio,
etc. que, apesar das severas penas, são constantemente burlados.
“REPORT”, dedica
uma serie explosiva sobre as falcatruas que são praticadas na Toscana e em
especial, pasmem, na badalada Bolgheri região onde nascem os famosos e
dispendiosos “Supertuscans”.
Que a Toscana, desde sempre, soube se “vender”, com maestria, é
mais que notório.
A prova cabal, desta afirmação, é comprovada pelos 47 milhões
de turistas que, em 2024, visitaram, Firenze, Pisa, Lucca, Siena San Giminiano,
Pienza, Montepulciano, Montalcino, Arezzo, Cortona Monteriggioni etc.
Mais uma dica: Bastaria
lembrar quantos filmes Hollywood dedicou à região para confirmar que os
toscanos são excelentes “vendedores” de seu território.
Mais provas?
Qual o vinho emblemático, icônico, que mais se identifica com
a Itália?
Se você pensou naquela da garrafa, empalhada, de Chianti,
acertou na mosca.
Os toscanos, todavia, não são exatamente santos e muito menos
puros, quando o assunto é vinho.
Bacco, por exemplo e em várias matérias, alertou que os
toscanos Biondi-Santi não eram nem um pouco confiáveis ao declarar,
despudoradamente, que seus vinhos poderiam ser bebidos e apreciados, no auge de
suas características, mesmo depois de um século.
“REPORT”, em sua reportagem, pulveriza a seriedade dos
nobres produtores (nas veias, de quase todos os maiores empresários vinícolas
toscanos, corre sangue azul) ao revelar as incríveis falcatruas praticadas
pelos famosos e nobres engarrafadores de Sassicaia, Ornellaia, Masseto, Solaia, Guidalberto, Le
Difese, Tignanello, Le Volte, Serre Nuove etc.
Na primeira parte da série, “As
Raposas das Uvas”, apresento e comento as revelações de “REPORT” sobre
as picaretagens praticadas, na “Tenuta San
Guido”, de propriedade dos
nobres, Incisa Della Rocchetta, que deixam a nobreza de lado quando sentem o
cheiro de grana, de muita grana....
Segure seu Sassicaia, aí....
“REPORT” descobriu, através de
minuciosa investigação, que nem todas as uvas utilizadas na produção do “Sassicaia”, “Guidalberto”
e “Le Difese” são originarias da “Tenuta San
Guido”.
A “bolgherese”, Tenuta San Guido, produz, média/ano 1.000.000
de garrafas com as etiquetas de “Sassicaia”, “Guidalberto”, “Le Difese” com as
quais, a nobre produtora, obtém incríveis resultados financeiros (60% lucro líquido
sobre o faturamento).
As vezes o clima não ajuda.
Muita chuva, seca
prolongada, reduzem a colheita e não há cachos suficientes para produzir o
costumeiro um milhão ou até mais de garrafas
Até mais, alguém perguntará?
Sim, quando há uma maior procura nem os nobres dormem no ponto
e.....
Quando um ou os dois fatores mencionados se apresentam, os nobres Della Rocchetta recorrem sorrateiramente às “Cantine Borghi” como, por exemplo, em 2023 quando “Tenuta San Guido” comprou, da vinícola, localizada em Scandicci, nada menos do que 418.000 Euro de vinho a granel.
O volume adquirido
equivale, aproximadamente, a 250.000 garrafa o que representa nada menos do que
1/4 da produção da “Tenuta San Guido”.
É preciso informar que a Cantine Borghi” é uma empresa
gigantesca, que não produz nem um cacho de uva, mas compra milhões de
hectolitros de vinhos da Toscana, Puglia, Abruzzo, Emilia-Romagna, Veneto etc.
e os revende aos “necessitados” quando ocorrem os fatores que mencionei no
parágrafo anterior.
Há mais picaretagens, mas revelarei na próxima matéria.
Uma coisa salta aos olhos: Os
eno-palermas continuam pagando preços altíssimos por etiquetas “batizadas” com
vinhos de 2/3 euros o litro.
Dionísio