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domingo, 25 de setembro de 2016

PIEMONTE LEILOADO







Os americanos desembarcaram com seus dólares e estão comprando tudo o que podem no Piemonte.

A "Kum & Go", gigante americana, com mais de 400 lojas de conveniência espalhadas pelos Estados Unidos, em meados de julho bateu o martelo e arrematou a vinícola Vietti

A Itália já era.
 
Grandes nomes da moda, alimentação, indústria automotiva, vinhos, etc. passaram para as mãos de investidores estrangeiros.

Ducati = Alemanha

Pirelli = China

Alitalia = Emirados Árabes

Bulgari, Loro Piana e Fendi = França

 Pininfarina = Índia etc. etc. etc.
 

A Kum & Go resolveu entrar de sola, no Piemonte dos vinhos, já em 2015 quando comprou, da Campari, a histórica marca vinícola "Enrico Serafino".

A Vinícola Vietti, fundada no século XIX, com seus 34 hectares de vinhas, instalações, adega, maquinários etc. passa para as mãos de Kyle Krause por (dizem na região) 60 milhões de Euros.

Aos 34 hectares da Vietti se juntarão mais 12 hectares de famosos crus de Nebbiolo da Barolo que a Kum & Go já havia adquirido em Monforte, Serralunga e Castiglione Falletto.
 

Mario Cordero e Luca Currado continuarão à frente da vinícola tanto na produção quanto na comercialização.

Como de costume as declarações, tanto dos compradores quantos dos vendedores, tranquilizam os clientes afirmando que nada mudará.

Duvido que a empresa compradora, dona de mais de 400 lojas de conveniência nos Estados Unidos, pense em respeitar tradições, território, cultura vinícola, terrior etc.
 

Um caso parecido pode ser encontrado na Toscana com a Banfi.

A Banfi teve o mérito de "internacionalizar" o Brunello, mas não se deve esquecer que os americanos tentaram de tudo e mais um pouco, para modificar o disciplinar do vinho de Montalcino.

 Não conseguiram, todavia, dobrar, no voto, os pequenos produtores.

 Os viticultores de Montalcino, firmes e agarrados às tradições e ao território, sempre conseguiram derrotar os americanos e os nobres industriais do vinho, Antinori e Frascobaldi entre outros.
 

Não conseguido seus intentos, por vias normais, os gigantes do vinho, sempre visando o mercado norte americano, fizeram as mudança na marra e se ferraram.

Lembram do "Cabernello di Montalcino"?...... Se ferraram

Acredito que nos primeiros anos nada mude na Vietti, mas não se deve esquecer que os novos sócios americanos são homens do faturamento, balanço, lucro, custo e não das vinhas, território, tradição, cultura.

Quando grandes empresários entram na viticultura, comprando médias e tradicionais empresas, não o fazem exatamente por razões sentimentais.

 Investidores procuram retorno dos valores investidos e estão pouco se lixando com terroir, cultura, tradições, valores territoriais, o negócio deles é lucro, sempre e apenas lucro.
 

Uma prova: Oscar Farinetti, dono, entre outras coisas, da Eataly, comprou a Fontanafredda de Serralunga e a Borgogno de Barolo.

A Fontanafredda não sofreu muito, pois já pertencia a um banco, mas a Borgogno, histórica vinícola de Barolo perdeu, em pouco tempo, todas suas principais e antigas características que a tornaram uma das mais sérias e famosas produtoras de Barolo

Hoje a Borgogno é mais uma empresa do grupo Farinetti: Muito marketing e pouco vinho.

Todas as vinícolas renomadas e famosas são assediadas com cifras de muitos zeros, muitas sucumbem à tentação e a Vietti foi uma delas.

A sorte nossa, a sorte de quem busca vinhos com sabor e aroma de território, é que, para cada Vietti que vai para o outro lado, surge um jovem produtor que poderá ser um Vietti à antiga, amanhã.

 
Não deveria antecipar, mas....

Passei um dia inteiro com Gian Alessandria , almoçando, bebendo, conversando e quando toquei no assunto Vietti e uma possível venda de sua vinícola "Fratelli Alessandria", respondeu "Nem morto".

Ainda bem....

Bacco

16 comentários:

  1. Uma pena. O piemonte - e particularmente Barolo - era o último grande vinho relativamente ainda a salvo das veleidades do mercado. Ainda era possível tomar um grande Barolo a um preço decente nos restaurantes da região, coisa que não é possível nos demais grandes vinhos, como Bordeaux e Borgonha.

    Ainda bem que restam as denominações menos comerciais.

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  2. Excelente artigo, Bacco! Duas perguntas: Desde quando a Borgogno pertence ao grupo Farinetti? Tenho uns Barolo mais antigos deles na adega. Espero que sejam anteriores ao processo. A outra pergunta: Qual Barolo Fratelli Alessandria é o seu preferido?
    Salu2
    Jean

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    Respostas
    1. Farinetti comprou a Borgogno em 2008. Difícil responder a segunda pergunta, mas atualmente tenho uma pequena preferência pelo Gramolere

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    2. Grazie, Bacco! Ufa... Meus Borgogno são mais velhinhos.
      Quanto à minha segunda pergunta, pela sua resposta imagino que o Barolo de entrada da Fratelli Alessandria já deva ser muito bom.

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    3. O "base " do Alessandria é otimo

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    4. O base do alessandria custa $ 40.00 por essas bandas. So nao da para ficar escolhendo safra. Achou? Leva. Uma baita barganha comparado com tanto lixo caro.

      SDS, auguri.

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    5. Aqui, perto de 400 notinhas.

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  3. Buona sera. Ba, italia ja era e ja sem tempo. Analisa rapido o que a italia produz hoje e se o que produzem tem alguma importancia. Capital intelectual, farmaco, tecnologia (realidade virtual, app, plataformas de web, commodities minerais, commodities agricolas... ?? Bananal ainda tem soja e minerio. Faremos panelas de ferro para fritar soja antes do fim do mundo.

    Moda italiana? Fabricas de carro? Muita atividade que concentra renda e remunera pouco a populacao em geral.

    Imagino se os meus ex-vizinhos (eram mesmo) viram contabilidade criativa ou real quando comecaram as negociacoes para comprar a querida Vietti. Italiano adora livros contabeis que tem varias versoes. Imagino que vossa insolencia conheca boas historias a respeito.

    Fusoes e aquisicoes estao acontecendo com muito mais velocidade no mundo dos destilados e cervejas. Chegou a vez do vinho e vamos ficar cada vez mais com menos opcoes. Mas ainda aposto (ate escrevi sobre isso nao faz muito) que havera aquelas pequenas joias que nao interessam a grupos grandes. Cabe a nos comprar os bons dos bons e deixar que a massa preguicosa compre e tome corporate wine.

    Da uma certa tristeza (passageira) saber que russos, chineses, americanos e bananeiros (brunello porno) estao comprando historia, tradicao, cultura para transformar tudo aquilo em hard cold cash so.

    Andiamo, salute e fortuna, bastardo. Auguri.

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    1. Pra variar, o Grande Roedor acerta na mosca

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    2. Artigo gostoso e interessante de ler; fica mais dificil de nao falar asneira. Azar de quem fica de biquinho virado p/ voces e perde as chances de aprender coisas uteis. Se bem que aposto que ate os 'inimigos' historicos dao sempre uma lida aqui.

      Aguardo o artigo da compra de algum grupo de vinho feito abaixo do parana por parte da shell, microsoft, gm, 3m, rolling stones, amazon, sony, empresas do grupo X....vai ser uma pena ver aquelas preciosidades transformadas em marketing e fast wine, como no Piemonte.

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  4. Grande homem , grande amigo e vinhos maravilhosos . Só quem conhece pessoalmente a vinícola Fratelli Alessandria seus vinhos , seu modo de produção e sua história poderá perceber e entender seu texto !!! Nossa esperança e que os "Alessandrias" consigam ainda se manter e perpetuar pelo tempo e resistam a especulação e dólares... Alessandria e seus vinhos são a mais pura tradição do piemonte , vinhos produzidos desde 1870 com tradição familiar e que nos faz acreditar que ainda existem verdadeiros e reais produtores .
    Viva Gian e seus , Verduno Pelaverga , Barberas, Dolcetto, Langhe e grandíssimos Barolos(chinato,gramolere,monvigliero,San Lorenzo ) . Um viva e forte abraço ao Alessandria e todos como ele que ainda resistem e fazem o vinho do vinho e das tradições que todos amamos !!!

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  5. Muito importante esta materia para quem não quer comprar coca cola mas sim vinho. Respeitar a tradição é tudo. Um pedido: não poderia indicar segundo seu gosto, os dez melhores vinhos da Italia?

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  6. Acho temerário. 10 melhores vinhos, 100 etiquetas de sonho, 50 vinhos que devem ser bebidos antes de morrer, etc. são sempre apelações comerciais. Posso dar as denominações e castas que prefiro : Barolo , Barbaresco, Gattinara, Taurasi, Montepulciano d'Abruzzo, Gamba di Pernice, Pelaverga, Barbera , Freisa para os tintos. Garganega (Soave), Carricante, Verdicchio, Malvasia Istriana, Timorasso, Trebbiano d'Abruzzo, Fiano, Vermentino di Gallura.

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  7. Obrigado pelas dicas, eu é que demorei para voltar a olhar a postagem. Mas, olhando suas indicações vi que Brunelo de Montalcino não está presente. Ela tem virado muito "coca cola" ou apenas não é do seu agrado?

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  8. É apenas mais um sinal de Alzheimer...... Esqueci!

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