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quinta-feira, 16 de abril de 2026

BONS, RAROS, MAS NÃO CAROS

  


No final dos anos 1980 minha confiança e respeito, pelos cursos, críticos, sommeliers, revistas, jornalistas, enólogos, etc., que gravitavam ao redor do “planeta vinho”, já atingira números próximos ao zero.

Percebera, à época, que melhores pontuações, taças, estrelas e outros ridículos símbolos, quase sempre eram concedidos ou dirigidos, às garrafas de renomados e caro$ produtores.



Vez ou outra, para doar ar de isenção e imparcialidade, a seus julgamentos, os eno-far$ante$ inseriam, em suas premiadas listas, etiquetas de pequenos e desconhecidos viticultores que já não apareciam nas publicações seguintes e rapidamente voltavam, silentes, ao limbo do mais escuro anonimato.



“ Parker adora Bordeaux, Veronelli ama Sassicaia, Robinson aprecia Riesling, mas eu gosto de Barbaresco, Chablis, Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet, Brunello di Montalcino...então?

Então mandei todos às favas (naqueles anos eu era educado...) assim resolvi pesquisar e descobrir, sem consultar nenhum famoso eno-oráculo da moda, minhas preferencias vinícolas e nunca mais dei importância aos “Papa$” das caras etiquetas.



Havia, todavia, um problema: Na Côte D’Or, Langhe e Montalcino os preços subiam sem parar e os produtores, tendo perdido qualquer resquício de pudor, extorquiam, descaradamente, incautos enófilos e desavisados turistas

O Euro subia, o Real despencava.....

Era preciso esquecer, por algum tempo, as três regiões vinícolas, que durante muitos anos foram minhas metas preferidas e buscar novas e mais econômicas paisagens....



O aeroporto internacional de Malpensa, dista, do belíssimo Lago Maggiore, pouco mais de 25 Km.

Lindas aldeias, preços quase razoáveis, bons restaurantes, ótimos bares, me convenceram que seria muito melhor repousar alguns dias, pesquisar a região e suas vinhas, antes de rumar diretamente de Malpensa até La Morra, meu endereço italiano de então.



Até hoje, antes de viajar para a Ligúria, meu atual endereço peninsular, descanso alguns dias em Sesto Calende (Sesto Calende é linda, bem mais barata do que as aldeias do Lago Maggiore e ...... “zero” turistas) e aproveito para percorrer as aldeias do Alto Piemonte sempre mais atraído pelos grandes vinhos da região.

Boca, Gattinara, Sizzano, Fara, Ghemme, Caluso, Carema, Lessona, aldeias que, com sua simplicidade, cozinha e tranquilidade (turistas zero mais uma vez....) aos poucos foram me seduzindo e confesso  já sofrer crises de abstinência por falta de Barolo, Barbaresco, Brunello etc.

Algumas informações sobre a história da viticultura no Alto Piemonte.

Vinhedos já existiam, na região, desde a era romana, mas foi na idade média e especialmente, no final do século XIX que a viticultura viveu seus melhores dias.

 Naqueles anos, o Alto Piemonte, ostentava mais de 40.000 hectares de vinhedos.

A filoxera, que destruiu grande parte das plantações e a industrialização da região, depois da segunda guerra mundial, provocaram o grande êxodo dos viticultores que abandonavam a cansativo e incerto trabalho nas vinhas optando pela mais segura e menos fadigosa labuta nas fábricas.

Resultado? Dos 40.000 hectares, dos anos 1940, hoje restam pouco mais de 1.000.



Alguns números das melhores denominações, raras, mas não caras, do Alto Piemonte

Boca = 16,5 hectares

Bramaterra = 41,5 hectares

Carema = 13 hectares

Fara = 4,5 hectares

Gattinara = 90 hectares

Ghemme = 56,5 hectares

Lessona = 17 hectares

Sizzano = 7 hectares

Nesta 1ª viagem comentarei as 8 denominações mencionadas, mas dedicarei maior atenção aos vinhos de Bramaterra, Carema, Fara e Lessona.

BOCA

Pouco mais de 20 Km separam Sesto Calende de Boca distancia, facilmente, recorrível em 25/30 minutos.

Boca não oferece grandes atrações turísticas.



 Única exceção: o imponente “Santuario del Santissimo Crocifisso”, cercado por bosques e vinhas, que atrai milhares de religiosos.

Recomendo o ótimo restaurante “Ori Pari”



Vinho Boca: Com a chegada na região, no final dos anos 1990, do suíço e importador de vinhos, Christoph Kunzli, que adquiriu a propriedade “Le Piane”, do velho viticultor Antonio Cerri, o vinho Boca renasceu das cinzas e voltou a frequentar as taças da região.

Kunzli, todavia, foi picado pelo inseto “Gaja-Conterno” cuja mordida provoca irresistível desejo de inflacionar o preço das garrafas.

Esqueçam o “Boca Le Piane” (60 Euros) do predador suíço e procurem o “Boca Davide Carlone” de 25/28 Euros.



O vinho Boca é vinificado com Nebbiolo70%/90% + 10%/30% de Vespolina e Bonarda Novarese .

Continua....

Bocca

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