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terça-feira, 18 de julho de 2017

CHASSAGNE-MONTRACHET "VIDE BOURSE"


Estava escrevendo, a última das três matérias sobre o Timorasso, quando a chuva se fez presente e insistente em Santa Margherita.
 

Sem ânimo para enfrentar o temporal e beber no Sabot, um dos três bares que frequento, na cidade, abri uma das garrafas que comprei quando de minha última viagem pela Borgonha.

Verificando minha esquálida adega (não mais de 25 garrafas) os olhos se fixaram numa etiqueta de Chassagne-Montrachet "Vide Bourse" Premier Cru 2014, de Thomas Morey.

Thomas Morey, há alguns anos, é um dos meus fornecedores preferidos em Chassagne.

Jovem, simpático, sempre sorridente, nunca me deixou sair de sua adega de mãos abanando.
 

Mesmo quando o seu "Dents de Chien" está esgotado, "Bâtard-Montrachet" já era e "La Truffiere" nem sombra deixou, Thomas sempre encontra algumas garrafas de "Les Baudines", "Les Embrazées", ou outro Premier Cru, para mitigar minha insaciável sede de seus Chardonnay.
 

Morey , em sua "Domaine", de pouco mais de 20 hectares, é um dos raros viticultores locais que pode ostentar, no "cardápio" vinícola, dois dos menores Premiers Crus de toda a Borgonha: "Les Dents de Chien" e "Vide Bourse".

O "Les Dents de Chien" (0,63 h), "Vide Bourse" (1,32 h) encontram, em Chassagne-Montrachet, apenas dois "anões" rivais : "Criots-Bâtard-Montrachet" (1,57 h) ,"En Remilly" (1,56 h).
 

A produção total de "Les Dents de Chien" não alcança as 5.000 garrafas e a de "Vide Bourse" beira as 8.000.

Thomas Morey coloca no mercado perto de 300 unidades de "Les Dents de Chien" e 600 de "Vide Bourse".

Deu para perceber porque é difícil levar para casa estas duas denominações do Morey?

Apesar de raras e quase impossíveis de encontrar fora da região, as garrafas de "Vide Bourse e "Les Dents de Chien" não são proibitivas: O "Vide Bourse" custa 40 Euros e "Les Dents de Chien" 38 Euros.
 

O "Vide Bourse" 2014, que alegrou minha taça e três sentidos, apresenta grande limpidez, bela cor amarela e leves reflexos esverdeados.

Ao nariz , nos primeiros minutos, a manteiga se faz muito presente,mas cede rapidamente espaço para um festival de aromas que mudam constantemente.

Apesar dos múltiplos e mutantes odores, pude, claramente, perceber presenças florais e de cítricos.

Na boca a manteiga continua, mas ,domada , permite mais uma vez a presença de cítricos e, agora , de avelãs.

O final é impressionante, longo e ,se o enófilo não espaçar, longamente, os goles, o "Vide Bourse" não abandona o paladar.

Um belo e grande vinho que vale cada um do 40 Euros pagos.

Algumas observações.....

O "Vide Bourse" é um vinho branco de Chassagne-Montrachet.

Em Chassagne-Montrachet há apenas 117 hectares, de vinhas Chardonnay, que podem ostentar a denominação "Premier Cru".

Os vinhos de Chassagne-Montrachet são conhecidos e reconhecidos por sua excelência e disputados , quase como troféus, pelos enófilos -eu incluso- de todos os cantos do planeta.
 

Nos 117 hectares de Premier Cru, em Chassagne-Montrachet, o "Vide Bourse" ocupa menos de 0,8% do total da área.

Verificando e analisando estes dados eu me sentiria um perfeito imbecil se comprasse uma garrafa de "Timorasso Montecitorio", de Walter Massa, por 40 Euros e "imbecil" seria um grande elogio para quem compra um "Leopoldina Chardonnay" , da Valduga, por insanos R$ 120.

 
Bacco

Na próxima matéria: "O futuro do Timorasso".

 

 

5 comentários:

  1. Lendo, já dá vontade de beber o vinho. Uma pergunta para quem entende: Você conhece o Saint-Aubin 1er Cru Murgers des Dents de Chien do Domaine Gérard Thomas?
    Salu2,
    Jean

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  2. Não lembro de ter bebido o Murgers de Gerard Thomas, mas conheço muitos de outros produtores. Não se pode confundir o Murgers com o Dents de Chien. O primeiro é um Saint Aubin e o segundo um Chassagne-Montrachet

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    1. Obrigado, Bacco! Mas ruim não deve ser, né?

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  3. Ruim? Tá louco? Leia o que escrevi
    http://baccoebocca-us.blogspot.com.br/2016/02/borgonha-nunca-mais.html

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    Respostas
    1. Boa lembrança. Sempre bom reler seus artigos! Fiquei empolgado então com as garrafas que tenho aqui. E outra coisa boa é que os Saint Aubin parecem ter bom preço pela felicidade que proporcionam.
      Salu2

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