Sinto muito, mas não posso concordar com o título da matéria
postada por Bacco:
“Brasileiro Sabe Beber? ”
O correto seria “Brasileiro Pode
Beber? ”
A resposta?
Não, impossível!
As razões são muitas, mas poderíamos, assim, resumi-las: os vinhos nacionais são medíocres e caros.
Não atoa o Brasil é o 3º produtor mundial de cerveja (152
milhões de hectolitros) e o 14º de vinho (3,6 milhões de hectolitros).
Sempre é bom lembrar que, dos 3,6 milhões hectolitros mais de
80% são elaborados com uvas não viníferas (Vitis Labrusca) e recebem a
denominação “Vinho de Mesa”
Além de intragáveis e prejudiciais à saúde (veja link abaixo),
os “vinhos de mesa”, pela total falta de qualidade, não poderiam frequentar
nenhuma mesa e deveriam ser classificados como “Vinho de Vaso Sanitário”.
https://baccoebocca-us.blogspot.com/2014/12/macho-man-aposentado.html
O restante da produção (20%), denominada “Vinho
Fino”, está na mão de grandes indústrias e ricos investidores
que sempre primaram por praticar marketing agressivo, preços abusivos e
qualidade mais que discutível.
Os nossos industriais, do setor, sempre tiveram a preocupação,
não de oferecer bons produtos com preços compatíveis com a realidade brasileira,
mas inventar propagandas fantasiosas que justificassem os valores escorchantes cobrados
por garrafas risíveis, banais, dispensáveis.
Marketing agressivo, caneta$ de aluguel, $sommelier$ na folha
de pagamento, jornalista$, influenciadore$, medalhas e prêmios “comprados” em
concursos caça-níqueis, etc., criaram milhares de eno-tontos que acreditam,
piamente, na qualidade excelsa das garrafas nacionais e pagam, patrioticamente
e orgulhosos, cifras astronômicas por vinhos de 3ª categoria.
Se os vinhos nacionais, por razões climáticas, solo, pouca
tradição, nenhuma seriedade, não alcançam, nem convencem a maioria da população
(até o consumo da cachaça é 300% superior ao do vinho), devemos, todavia, elogiar
as eficazes e soberbas publicidades que o setor vinícola criou.
Apesar de totalmente falsas, picaretas e oportunistas, as
propagandas do setor, conseguiram convencer, boa parte dos consumidores, que
nossos medíocres vinhos são tão bons e até superiores aos renomados franceses,
italianos, espanhóis, portugueses etc.
Há muitos anos (vinte?)
foi inventada e divulgada uma das primeiras e mais picaretas campanhas
de propaganda do setor: “O espumante nacional é o segundo melhor do mundo”.
Pode parecer incrível, mas até hoje há quem acredite que nossos espumantes, por sua excelsa qualidade, fazem sucessos em todos os cantos do mundo (ninguém, na Europa, sabem que existem...)
O sucesso obtido pela campanha “segundo melhor do mundo” convenceu
grande parcela de nossos produtores que com uma boa propaganda seria possível vender
“vinhos-grandes-bostas” por preço superiores, até dos 1er Cru e Grand Cru
franceses,
Oportunistas e vorazes,
como poucos, nossos produtores perceberam que investir em picaretagens
publicitaria era muito mais fácil e rentável do que produzir vinhos melhores e
mais baratos.
Quase todos os produtores vinícolas já tentaram e continuam
tentando ludibriar os consumidores com propagandas enganosas
Alguns exemplos:
A Miolo inventou um caríssimo:
“Lote 43”
Lote 43, dizem os Miolo, foi a parcela de terra em que
Giuseppe, patriarca da família, em 1897, iniciou sua aventura brasileira.
Os Miolo demoraram 100 anos para descobrir que aquele pedaço
de terra era “milagroso” e que poderia doar uvas incomparáveis, assim, em 1999,
laçaram um vinho com etiqueta: “Lote 43”.
Se o vinho é vinificado com uvas provenientes da parcela “43”,
que velho Giuseppe adubava, regularmente, todos os dias pela manhã, ninguém
sabe e saberá jamais, pois não há nenhum controle de origem no Brasil.
O que sabemos, todavia, é que uma garrafa de Cabernet/Merlot “Lote 43” custa
200/220 R$ (38/42 Euros)
A Miolo soube valorizar os “esforços”, do velho Giuseppe na
adubação do “Lote 43” e o Cabernet/Merlot gaúcho é oferecido,
aos enófilos brasileiros, por um preço superior ao que os franceses pagam por
um misero .......
Chateau Laroque Saint
Emilion Grand Cru Classé 2016
, AOC Saint-Emilion
Grand Cru, 1% Cabernet Franc, 99% Merlot
€ 36,43 IVA inc.
O exemplo acima é o primeiro de uma série
Continua
Dionísio




