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sexta-feira, 1 de abril de 2022

CAPESANTE AL MARTINI BIANCO E RUCOLA

 

Minhas duas primeiras visitas a Veneza me convenceram que a maioria dos hotéis, da maravilhosa cidade italiana, não valiam nem a metade dos valores cobrados e que os preços dos estacionamentos eram exorbitantes.

Sem pensar muito, deixei hotéis e estacionamentos venezianos para cartões mais poderosos e passei a me hospedar na longa língua de terra que vai do Lido di Jesolo, passando por Cavallino Treporti e termina em Punta Sabbioni.

Fácil acesso (não é necessário arrastar malas pelas ruas de Veneza ou, pior, gastar com gôndolas-taxi), estacionamento gratuito preços mais contidos...No final sobra algum dinheiro para ficar mais dois ou três dias passeando e admirando a “Laguna di Venezia”.

Em Punta Sabbioni há “vaporetti” (barcos) que desde às 4,30 e a cada 30 minutos, fazem o percurso Punta Sabbioni/Piazza San Marco e vice-versa, até às 22,30 horas.

Uma tarde-noite, ao voltar de Veneza e desembarcar em Punta Sabbioni, resolvi jantar em um dos muitos restaurantes locais.

Escolhi o que me pareceu menos pretensioso, mais acolhedor e....mais barato: “Belvedere”

Bingo!

“Trattoria” simples em que todos, desde a cozinheira até as garçonetes, eram membros da mesma família.

Cardápio onde o peixe “nadava” absoluto, desde os antepastos, passando pelas massas e risotti e desaguando nos pratos principais.

Um antepasto inusitado chamou minha atenção: “Capesante al Martini e Rucola” (Vieras ao Martini e Rúcula).

Sem titubear pedi o antepasto e.....Voltei ao “Belvedere” outras três noites até aprender a receita.

A cozinheira do restaurante, que parecia ser a matriarca e dona do local, comandava os ajudantes, mas notei que alguns pratos eram preparados exclusivamente por ela e “Capesante al Martini e Rucola” era justamente um deles.

A cozinha à vista e perfeitamente devassável, não tinha segredos, assim, após a terceira visita a receita das “Vieiras ao Martini e Rúcula” já faziam parte do meu “repertório”


INGREDIENTES

Vieiras (1 para cada pessoa), ½ copo de Martini Bianco, 1 maço de rúcula, 1 colher de manteiga, sal, Maizena.

PREPARO

Coloque metade da manteiga em uma frigideira de bordas altas.

Quando a manteiga tiver derretido, totalmente, adicione as vieiras, frite ambos os lados por 30 segundos e em seguida derrame metade do Martini Bianco, um pouco de rúcula e cozinhe por 2 minutos em fogo alto.

Quando o Martini Bianco tiver quase evaporado, adicione o restante da manteiga, o vermute, mais algumas folhas de rúcula e engrosse o caldo com uma colherzinha de Maizena diluída em pouca de água fria.

Quando o molho adquirir consistência cremosa, sirva as vieiras e.....Buon appetito.

O vinho? Nada melhor do que um bom espumante rosé.

Bacco

PS. A rúcula que usei é a encontrada normalmente nos supermercados italianos. A nossa rúcula mais comum é de qualidade diferente.

 Recomendo, então, somente usar as folhas desprezando o talo.


quarta-feira, 23 de março de 2022

VINHO PARA 14 NEURÔNIOS

 

Constato, infelizmente, que o número de idiotas no mundo aumenta, rapidamente, sem trégua e os parvos já são a maioria da humanidade.

Estima-se que sejam 800 milhões os analfabetos no planeta, mas se adicionarmos os analfabetos-funcionais o número mais que dobra.

Para que se tenha uma ideia, do que 1,6 bilhões de iletrados representam, bastaria lembrar que a população mundial, em 1920, era composta por 1,9 bilhões de indivíduos, ou seja, quase o mesmo número de analfabetos e semianalfabetos existentes em 2022.


14 NEURÔNIOS

Livros? Nem pensar.

Teatros? Credo….

Informação, diversão, passatempo, cultura?  Instagram

Música? Bem, na música a vitória é da mediocridade total e irreversível.

O brasileiro trocou Ary Barroso, Tom Jobim, Cartola, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Dolores Duran, Milton Nascimento, Elis Regina, Gal Costa etc., por Pablo Vittar, Jojo Todynho, Wesley Safadão, Valesca Popozuda, Xamã ….

Funk e sertanejo, duas banalidades musicais, podem ser assimiladas, compreendidas, digeridas e consumidos até por aqueles que possuem, apenas, 14 neurônios

Qualquer imbecil consegue entender as repetitivas e primarias cantilenas sertanejas: “..... não vivo sem você - minha vida está perdida –não me deixe - volta pra mim...”.

Se alguém acredita que, culturalmente, alcançamos o fundo do poço, lembro que é sempre possível piorar: Mediocridade não tem limite.

Alguém perguntará: “B&B quer, agora, ser crítico musical? ”

Não, mas o setor vinícola brasileiro aposta na mediocridade para conquistar, definitivamente, os enoloides “14 neurônios” que curtem Wesley Safadão, Anitta, Kevinho, Valesca Popozuda etc.

A mediocridade nunca anda sozinha.

Uma prova?

Há alguns meses acompanhei uma discussão, no Facebook, onde centenas de enoloides comentavam e elogiavam o quase-vinho “Pérgola”.

Quando um quase-vinho, como o Pérgola (há muitos outros), invade as redes sócias e atrai centenas de comentários, vão para o ralo as últimas esperanças de que um dia o Brasil seja considerado um produtor sério.

Quem bebe Pérgola adora Wesley Safadão & Cia.... é a vitória da mediocridade vinícola e musical.

OS DIVULGADORES

O Brasil é o paraíso dos quase-vinhos e dos quase-sommeliers.

Já notaram o impressionante número de “mestres do vinho” que assaltam as redes opinando, comentado, indicando, guiando degustações, harmonizando, ministrando cursos etc.?

Qualquer cara de pau, que tenha bebido 12 garrafas e frequentado um curso picareta, já se considera apto e pronto para “encinar” o que não sabe.

As “vinícolas” nacionais, que teimam produzir porcaria com “labruscas”, recrutam verdadeiros exércitos de influenciadores, postadores e Youtubers, para divulgar suas eno-obscenidades.

Há inúmeros vídeos, de you-bostubers, exaltando a qualidade dos quase-vinhos nacionais, mas escolhi apenas dois links que representam perfeitamente os “14 Neurônios Wesley Safadão”.

https://www.youtube.com/watch?v=RbfMguQe5nA

https://www.youtube.com/watch?v=I-wEoZHhk1w

Não é surpresa, então, que os “14 neurônios” tenham conseguido confirmar, mais uma vez, o “Pérgola” como vinho mais vendido do Brasil.

O pessoal do Wesley Safadão merece engolir Pérgola, Quinta, do Morgado, Chalise, Sangue de Boi, Cantina da Serra, Dom Bosco, Colina, Canção e outras tremendas-bostas que, impunemente, invadem as prateleiras dos supermercados.

Resultado: O Brasil, do vinho, bebe mal e bebe caro.

Há, também, o pessoal “22 Neurônios” que ouve Wesley Safadão e acredita   estar curtindo Frank Sinatra.


São os “22 Neurônio” hipnotizados pelos Mandrakes do vinho nacional.

Quem são .... Na próxima matéria revelarei.

 Dionísio

quinta-feira, 17 de março de 2022

A ABS CONTINUA A MESMA 2

 


Como previsto o GD 109 ABS (RJ) reagiu e contestou a matéria “ABS CONTINUA A MESMA”.

Educadamente, diga-se, mas sem convencer.

O monitor, do GD 109, afirma que um dos membros e com o próprio dinheiro, comprou os vinhos em “.... uma visita a nova e interessante região”.

É preciso lembrar que “....a nova e interessante região” não é tão nova assim e produz vinhos desde 2008.

A ABS continua sendo a rainha do atraso.

A explicação da “…improbabilidade de se fazer boas colheita de inverno” parece press release da “Predadores Associados da Serra”.

Nem uma palavra, todavia, sobre os preços absurdos praticados pelos produtores da Serra da Mantiqueira.

Criticar?

Nem pensar!

Críticas podem fechar portas e secar taças......


B&B adora pesquisas e lá fomos verificar quantos R$ seriam necessários para implantar um vinhedo e produzir vinho Syrah em Espírito Santo dos Pinhais.

CUSTO VINHEDO PREDADORES MANTIQUEIRA

1 hectare de terras agrícolas, na região de Espirito Santo dos Pinhais, custa R$ 30/100 mil + R$ 80/100 mil para a implantação de 1 hectare de vinhas = Total R$ 110/200 mil.

CUSTO MATERIA PRIMA E ACESSÓRIOS PARA PRODUZIR UMA GARRAFA DE SYRAH

Kg uva Syrah Babo 15º R$ 1,8340

Kg uva Syrah Babo 25º R$ 3,5763

Média = R$ 2,705

Lembrando, sempre, que 1 kg de uva é mais que suficiente para produzir uma garrafa de 0,750 ml.

Rolha, garrafa, etiqueta etc. R$ 2,60

Custo barrique (será?) 225 litros (4 passagens) R$ 10/garrafa

TOTAL = R$ 15,35

Vamos ajudar os “pobres” viticultores e acrescentar 25% (mão de obra, juros, embalagens etc.)?

R$ 19,20/garrafa

Caso o GD 109 tenha conhecimento de outros custos “ocultos” (propinas, doações de garrafas, bocas-livres, viagens, permutas, etc.) favor comunicar.

RESUMO.

O Syrah, da Serra da Mantiqueira, que custa ao produtor, aproximadamente, R$ 20 é vendido, aos enoloides, por R$ 298 (58 Euros).

Nada mal, nada mal......Sobra muita grana para “engraxar” dúzias de canetas de aluguel.

O SYRAH DA CÔTE-ROTIE

Não quero me alongar muito e apresento, apenas, alguns dados comparativos importantes.

Consultando a tabela abaixo salta aos olhos, imediatamente, a desproporcional diferença de preço entre um hectare na Serra da Mantiqueira e um na Côte-Rôtie

Prix de la vigne dans la vallée du Rhône (par hectare)


Côte-Rôtie

€1,100,000

Condrieu

€850,000

Saint Joseph

€110,000

Cornas

€450,000

Crozes Hermitage

€110,000

Hermitage

€1,100,000

Vinsobres

€38,000

Chateau Neuf du Pape

€390,000

Gigondas

€180,000

Vacqueyras

€90,000

 

1 hectare de vinhedo, na Côte-Rôtie, custa 1,1 milhões de Euros (R$ 6.160.000)

 Na zona rural, de Espírito Santo do Pinhal, R$ 100/200 mil.

Os custos da mão de obra francesa são muito superiores aos da Serra da Mantiqueira.

Salário mínimo São Paulo = R$ 1.183,33

Salário mínimo França = Euros 1.554,58 (R$ 8.857)

O MILAGRE


Preço “Vista da Serra Syrah” R$ 298 (53 Euros)

Preço do “Côte-Rôtie La Sybarine 2016” Euros 38 (R$ 216).

O GD 109, da inútil e paquidérmica ABS, comemora o “fim da pandemia”, não com grandes vinhos, prefere viajar 500 km na ida e outros tantos na volta, para comprar e festejar com garrafas caríssima e de qualidade mais que duvidosa.

O GD 109 jura (cruzando dedos?) Que pagou pelas garrafas, mas eu continuo achando que foi um “troca-troca”.

 Qualquer grupo de degustação, da ABS, teria a obrigação de informar e condenar os preços absurdos praticados pelos predadores da Mantiqueira que, em menos de 20 anos de mercado, já superam os das regiões francesas com milenar tradição e comprovada excelência vinícola.

O GD 109, devo reconhecer, teve o pudor de não apresentar, na degustação, o ainda mais caro “Syrah Vista do Chá” de R$ 378,00 (66 Euros) e o “Guaspari Terroir – Pinot Noir” de pornográficos R$ 628,00 (110 Euros)

Não perca a calma, não mande ninguém à merda, mas leia quanto custa um Gevrey-Chambertin 1er Cru na Europa.


GEVREY CHAMBERTIN 1ER CRU - LES CORBEAUX 2019 - CLOSERIE DES ALISIERS

0,75 L Vino Rosso / Francia / Borgogna / Gevrey Chambertin 1er cru AOC / 13 % vol

Regalati l'unicità, la tipicità e la qualità costante di un Premier Cru al prezzo di un Village.

La tenuta Closerie des Alisiers ci ha abituati a vini dal rapporto qualità-prezzo irresistibile. E fidandoci ciecamente ci siamo lasciati sedurre dall'esplosione di sapori, i tannini integrati con eleganza e il finale leggermente acidulo di questo vino, che rivela una grande freschezza sia al naso che al palato. Noi siamo rimasti letteralmente stregati.
Vedi le caratteristiche

Parte superior do formulário

€ 56,19 € 

 

Parte inferior do formulário

 Última coisa, caro GD 109: Com um salário mínimo o brasileiro leva para casa 4 garrafas de “Syrah Vista da Serra”

O francês, quando resolver encher a cara, pega o salário compra e leva para a adega 41 garrafas de “Côte-Rôtie La Sybarine”

Essa é uma das razões pelas quais ..... “A vida do enófilo brasileiro é uma merda.

Dioniso

 

 

 

segunda-feira, 14 de março de 2022

A ABS CONTINUA A MESMA

 

Confesso que nem mais lembrava da existência da dispensável e inútil ABS que, em momento de inexplicável fraqueza, até frequentei no início dos anos 2000.

Naqueles anos acreditava em quase tudo......

Acreditava que o PT, no poder, moralizaria o Brasil, que o Pré-Sal transformaria o Brasil em uma nova Arábia Saudita, que Rubens Barrichello seria um novo Ayrton Senna, que o vinho brasileiro alcançaria elogiável qualidade e preços razoáveis ETC. ETC. ETC.

 Deu no que deu…. Hoje nem um panglossiano convicto teria razões para acreditar que a ABS sirva para alguma coisa.

Na verdade, serve, sim: Seus diretores continuam frequentando bocas livres e catando migalhas de importadores e produtores.

Disse “alguns”, pois a importância, da atual ABS, no cenário vinícola nacional é comparável ao peso do “Lagarto Futebol Clube” no panorama futebolístico brasileiro.

Poderia escrever horas sobre a inutilidade da ABS, mas o que me interessa, no momento, é um post, inserido no Facebook, que comunica a “volta em grande estilo” do GD 109 ás degustações.


A @abs_rj voltou e nós do GD 109 voltamos em grande estilo.

Primeira reunião presencial do grupo foi com os ótimos vinhos de Colheita de inverno. Há alguns anos era impensável a produção de vinhos de qualidade na região Sudeste. Graças a introdução da dupla poda e inversão do ciclo da videira, as uvas são capazes de ter uma maturação fisiológica/fenólica permitindo produzir grandes vinhos, quando colhidas no inverno onde a chuva é escassa, há maior incidência de luminosidade solar e amplitude térmica em locais de altitude entre 600 m e 1300 m. Hoje esse método se aplica além das regiões serranas do Sudeste. O mesmo método já se apresenta no Centro Oeste e Nordeste em regiões tipicamente tropicais.

Foram provados:

1) Guaspari Chardonnay Vista do Lago 2018

2) Casa Geraldo Gran Reserva Terroir Syrah 2018

3) Guaspari Syrah Vista da Serra 2018

4) Casa Verrone Gran Speciale 2018

5) Guaspari Cabernet Franc Terroir 2015

E a turma? Ah! A turma é bem animada

Quando li “grande estilo” pensei que uma das inúmeras importadoras-patrocinadoras-parceira$ das ABS tivesse aberto a porteira oferecendo algumas garrafas para serem degustadas e elogiadas (alguém acredita que a ABS-Rio teria a coragem de descer a lenha nas garrafas e preços das parceira$ “Clarets”, “Zahil”, “Grand Cru” etc.?)

A volta “grande estilo” do GD-109 (grupo de degustação) foi patrocinada por novos predadores vinícolas brasileiros que, lideradas pela in$aciável “Guaspari”, se multiplicam e vicejam na Serra da Mantiqueira.

Perguntas: Será que o GD 109 resolveu realmente comprar e degustar os vinhos elencados ou fizeram um “troca-troca-comercial" para ganhar as garrafas?

Quem, em sã consciência, gastaria quase R$ 1.500 por 5 garrafas de vinhos nacionais para comemorar uma volta em “grande estilo”?

Vou antecipar a próxima matéria comparando e revelando: O “Guaspari Vista da Serra Syrah” é vendido, pela predadora de Espirito Santo dos Pinhais, por nada modestos R$ 298,00 (53 Euros).

Os franceses, coitados, que não conhecem a qualidade dos Syrah da Guaspari, são obrigados a gastar 38 Euros (R$ 213) para beber um Syrah produzido na Côte Rotie.

 


DOMAINE GARON, COTE ROTIE, LA SYBARINE 2016

  • Prix moyen TTC : 38 €
  • Note moyenne : /100 ( critiques).
  • Maturité

 

 A ABS continua a desinformar, sempre

Dionísio

Continua.