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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

CALIFORNIA DREAMIN'

 


Muito antes de se tornar um corretor de imóveis, de casas abandonadas, no sul da Itália e bebedor de rótulos, Bacco postava/posta dicas de regiões para turistas e para tomar vinhos de sonho, dos bons sonhos.

Viagem programada para um dos melhores lugares no planeta para quem gosta de natureza, comida, vinhos, cultura, e sol, dei uma olhada no blog de B&B para saber quais vinícolas visitar.

Sucesso!

 Mesmo o pessoal, levemente esnobe e consumidor de rótulos, que foi comigo, teve que concordar que as vinícolas visitadas foram deliciosas.



Tudo espetacular e muito barato.

Renovei minhas esperanças na humanidade e nas probabilidades de voltar a fazer viagens espetaculares a ótimos preços.

Como já sabem de onde estou falando, vou tentar fazer justiça a outras partes do mundo do vinho que são muito desconhecidas, mas bem atacadas pelos haters de plantão que acham que sabem tudo dessas.

Começo com o estado da Califórnia.

 Aqui mesmo, nessa sala de bate papo virtual, já li um monte de comentários que caem na vala comum do ‘’caro, lixo, blefe’’ etc.

Tá valendo, a opinião, por que não?


Os haters tem motivo para odiarem vinhos da Califórnia. Começando pelo julgamento de Paris, a produção exagerada de muita bomba barata, muita coisa ruim e cara.

Muitas caras e bocas que possuem vinícolas ”Disneylândia” com cercas pintadas, grama verde aparada, parecendo mesa de sinuca inglesa, garçonetes bonitinhas e gostosas (cabelos e peitos geralmente falsos); tudo com o nome e aval (e $$$) de algum presidente de empresa de tecnologia, ou finanças, que contratou um winemaker ‘’rock star’’.

O plano de negócios tem em mente o ganho exagerado no aumento do preço das terras, um lucro ridículo por conta dos preços dos vinhos feitos por essa gente.


 O cara sempre coloca o ego dele também no preço.

Semancol.... não tem para essa turma.

Na Califórnia, gente que nunca colocou uma bota na lama, aparece comprando terra, infla preços, e ainda sobra uma reputação péssima para os que são produtores rurais/vinho de verdade.

Já viu isso acontecendo em outras partes do mundo?

A gentrificação vinícola também pede passagem.

Por essas sortes da vida, eu conheço muita gente que trabalhou e estudou no mundo do vinho californiano.

Já li livros e muito relatos sobre a indústria californiana.

E aqui começam as más notícias aos haters de plantão.


Uma história bonita de gente obstinada (maioria dos sobrenomes termina em vogal, isso já da boa dica quem são) que lutou para estabelecer uma indústria onde antes não havia nada; nem conhecimento do que fazer/plantar, onde/como fazer, para quem vender, sem financiamento nem seguro para cobrir ‘’eventuais’’ (leia-se recorrentes) prejuízos na lavoura.

Os vinhos, de outrora, eram feitos para durarem muitas décadas (soa familiar?) e quem toma vinhos da Califórnia, feitos em 1970 ou cercanias, diz que são de outra dimensão - como os Barolo que nunca tomarei, esses vinhos começavam a vida duros e austeros, mas após décadas de bons cuidados na adega, se transformavam num show de complexidade, de classe, de história.


Califórnia, portanto, meus caros (sem alusão aos produtores de vinhos brasileiros, somente uma expressão), tem vinhos de alta qualidade, preços interessantes, em regiões diversas em topografia, clima, solo - muito propicias ao bom vinho.

 Uma abrangência de uvas e estilos para todos os gostos, bolsos e conhecimentos.

Como sempre acontece, em muitas regiões, os vinhaços ficam para trás, são vendidos predominantes no local ou através dos insuportáveis “wineclubs”.

O que sobra para o mundo conhecer?



 As tremendas-bostas ou tremendas-merdas, como queiram, que são produzidas pelas mega-vinícolas, aquelas coisas que vendem em barracas de beira de estrada e em qualquer loja no eixo do mal SP, RJ, DF.

Vinho chega carregado no preço e nas esperanças.

Na próxima ida a Disney, sugiro que deixe sua mulher, brega, com a família por lá, dê-lhes dinheiro para comprar umas coxas de peru ou então a leve em algum outlet que tenha Levi’s ou Nike e vá conhecer as muitas pequenas e ótimas vinícolas espalhadas por todo estado.



Dependendo do nível do ódio e das difamações (todas bem-vindas) aqui nesse espaço, eu posso me animar a escrever sobre as outras regiões desconhecidas, que nem a boa gente das ABS da vida conhece direito e que produzem vinhos de nível dos melhores a preços deliciosos.

Meu veredito sobre Califórnia?

 Vale o tempo de conhecer bem mais sobre eles, mas ainda assim temos outras opções, por perto, que são bem mais baratas, mais fáceis de achar e com qualidade altíssima.

Como dizia o imbroxável Isaac Newton, no final da Principia Mathematica,‘’quem procura, acha’’.



Agradeço a Bacco pela casa comprada na Apuglia por 1 EUR.

Renovemos nossas esperanças.

Bonzo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

VIRGINAL PUREZA

 


Encontrei, finalmente, na tremenda zona, em que se transformaram as redes sociais, um recanto virginal.

Como é mais do que notório, B&B não é exatamente o que poderíamos considerar um blog água com açúcar.

B&B, desde seu nascimento, mostrou-se crítico, polémico, anticonformista.

B&B não agrada a todos; é odiado por uma parcela significativa de importadores, produtores nacionais, sommeliers, jornalistas especializados (será?), divulgadores etc., mas é apreciado por uma interessante parcela de enófilos que se rebelam e não querem ser manipulados, explorados, sodomizados etc...

B&B participa de diversos grupos e as matérias postadas nunca foram censuradas em nenhum deles.

Nenhum?

Quase nenhum.....

Recentemente ingressamos no grupo “Pão & Vinho” e percebemos que várias matérias não eram publicadas.

Pedimos explicações, satisfações, razões.

Veio, ontem, uma resposta.

Vejam o print.

 


INACREDITÁVEL

A matéria, “FREISA X NERO D’AVOLA”, feriu os sensíveis e virginais corações e mentes dos administradores do grupo.


Na tremenda zona em que se transformaram as redes sociais, no nosso caso, Facebook, onde xingamentos, ameaças, fake-news, palavrões, agressões etc. diariamente abundam, as vestais do grupo, horrorizadas com o conteúdo, de minha matéria e na tentativa de preservar a virginal pureza das normas do “Pão & Vinho”, cancelaram sua publicação.



Aproveito a oportunidade para mandar uma banana os administradores do “Pão & Vinho”  e externar meus pêsames aos membros do grupo

Bacco

domingo, 11 de setembro de 2022

FREISA X NERO D'AVOLA

 


Nunca escondi que minhas preferências vinícolas recaem sobre os brancos e que considero o Champagne o melhor vinho do planeta.

Nosso clima tropical, em parte, influenciou minha “paixão” pelos brancos: Acho uma heresia beber tintos de 14º/15º, ou até mais, em temperaturas que alcançam facilmente os 30/35/40º.

Alguém poderá argumentar que beber tintos encorpados, até um Amarone, em um ambiente com ar condicionado, é viável.

Não é!



Vinhos tintos e muito alcoólicos são indicados para os outonos e invernos dos países do hemisfério norte e não para climas tropicais, como é o do Brasil.

Quem quiser continuar bebendo tintos, encorpados, pesados, impenetráveis, que mais parecem geleias, pode continuar sua aventura parkeriana, mas eu, no verão europeu, ou no Brasil tropical, bebo brancos ou, quando muito, tintos leves.




Nossos patrícios, com o quase desaparecimento da “paranoia-covid”, estão retornando à Europa.

 Alegres, coloridos, falantes e sedentos, continuam os mesmos e previsíveis na hora de escolher os vinhos que, quase sempre, são tintos, famosos, caros e muito alcoólicos.

E 2022, um verão tórrido e implacável atingiu toda a Itália e obrigou os suados e sedentos turistas a entornarem copos e mais copos de cerveja, agua mineral, vinhos brancos, espumantes......

Todos os turistas?

Nem todos….

  Nos bares que frequento, em Santa Margherita, Portofino, Rapallo, Chiavari, Camogli etc., esbarro, todos os dias, com brasileiros que, contrariando qualquer lógica e bom senso, esvaziam taças e mais taças de vinho tinto.


Discreto, silente e sem revelar minha origem candanga, observo e escuto o ritual que antecede a escolha dos vinhos.

A carta é quase sempre consultada superficialmente, sem grande interesse em conhecer novos caminhos, novas experiências e, após rápida votação, a escolha recai, 90% das vezes.....



Adivinharam?

Não?

Sassicaia, Ornellaia, Brunello, Barolo, Barbaresco, Amarone, Tignanello etc.

Um bom e barato Grignolino, Bardolino, Schiava, Rossese di Dolceacqua, Lambrusco, Piedirosso?

Nem sob tortura!

Apesar dos insuportáveis 35/38º, quase sempre nossos patrícios escolhem um Supertuscan, ou outro tinto famoso e.... $$$$

Insanidade total!

É visível o desprezo que enófilos brasileiros revelam por um tinto bom e barato: o Freisa.


Ah, a Freisa…. Que grande uva é a Freisa.

Um dos meus bares favoritos, em Santa Margherita é, desde sempre, o “SunFlower”.

O “SunFlower”, como todo bom wine bar, renova, com frequência   sua carta de vinhos.



Ilaria e Roberto, sommeliers e proprietários do local, quando recebem novas etiquetas, gentilmente, me convidam para uma degustação informal na qual trocamos opiniões e comentamos os vinhos recém-chegados.

Chablis, Lambrusco, Malvasia Friulana, Coda di Volpe, Verdicchio, Lugana, Champagne, Vermentino, Ribolla Gialla, Torgiano, Piedirosso ...... já não lembro quantos vinhos degustei no “SunFlower”.


Semana passada, o calor deu uma pequena trégua....

“Prove esta Freisa”

 Sem a “tortura” do clima infernal resolvi aceitar uma taça de Freisa que Roberto comprou e pretende adicionar à sua carta para o próximo outono.

No exato momento em que levei a taça ao nariz, como sempre faço antes de beber, dois casais entraram no “SunFlower” e imediatamente percebi a origem: Brasileira


 Jovens, bem vestidos, alegres e educados, se acomodaram e depois de rápida consulta, pediram quatro taças de? …. NERO D’AVOLA

SOCORRO!

Bacco

Continua

  

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

BRINCANDO DE VITICULTOR

 


Um leitor comentou, na matéria “Com a palavra, o predador”, o seguinte:

“Alguém pode dizer qual o custo de implementação de uma vinícola no Brasil?

Compra das terras, compras das mudas, plantio, acompanhamento da vindima, implementos agrícolas, construção dos prédios, compra de tanques de aço inox, barrícas [sic] de carvalho, equipamentos de engarrafamento e rotulagem, tempo de adega, propaganda, impostos, distribuição e por fim um lucro nisso tudo para amortizar o investimento, que não é cessante!

Vocês, que reclamam dos preços, montem uma vinícola!

Embora o assunto, da matéria em questão, nem fosse a viticultura brasileira, mas os preços absurdos que a Evino e a Grand Cru cobram por vinhos importados, o debate acabou por irritar os produtores nacionais.

Dionísio e outros leitores já responderam ao eno-patriota acima, mas tenho uma ideia interessante a propor.

Ontem, o amigo Yuri, me informou que existe, no mercado, um jogo de computador (PC ou Mac) “Hundred Days – Winemaking Simulator”, que, como o nome diz, simula o desafio de produzir vinho em uma propriedade.

Produzido pela Epic Games e com preço comercial de R$ 48 – mais barato, portanto, que qualquer zurrapa gaudéria feita com uvas europeias –, o jogo estará disponível GRÁTIS até o próximo dia 15 na página da produtora Epic Games:

https://store.epicgames.com/en-US/p/hundred-days-winemaking-simulator

Seria divertido organizar um campeonato entre os leitores de B&B para ver quem produz os melhores vinhos.



Quem sabe se a Epic Games, dia desses, resolva atualizar o jogo incluindo a possibilidade de, terminada a “produção”, permitir que os vinhos sejam vendidos por preço gaúchos ....


Aos que tentarem a brincadeira do Hundred Days – gratuita até o dia 15, reitero –, desejamos boa sorte e pedimos para postarem, em “comentários”, os resultados