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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

TIRAMISU

 


Mais uma matéria sobre comida.

O vinho voltará na próxima.

Muitos apreciam, adoram, já comeram o “Tiramisù”, mas pouco sabem que Aldo

 Campeol, inventor da conhecidíssima sobremesa italiana, que conquistou o

 mundo, morreu aos 93 anos e há poucos dias.


O famoso proprietário do restaurante “Le Beccherie”, de Treviso, realizou,

 durante longos 60 anos, a famosa sobremesa que nasceu de um “acidente de

 trabalho”

 Em 1970, Alba, mulher de Aldo e o chef Roberto Linguanotto estavam

 preparando um sorvete de baunilha.


O chef Linguanotto, no início da preparação do “gelato”, derrubou,

 acidentalmente, na vasilha onde havia ovos e açúcar, ingredientes necessários

 para a realização do sorvete, um pouco de queijo “Mascarpone”.


Roberto retirou o queijo Mascarpone derramado e no final lambeu a colher.

O chef ficou extasiado com aquele inusitado sabor e com a ajuda de Alda,

 experimentou juntar aquela massa sobre biscoitos embebidos em café amargo.

Nascia, naquele momento, o “Tiramisù”


O doce foi imediatamente batizado: “Tirame Su”.

 O “Tirame Su” original era preparado em pratos de prata, deixado repousar

 algumas horas na geladeira e na hora de servir o pulverizavam com abundante

 cacau amargo em pó.

O sucesso do “Tiramisù” foi incrível e hoje há incontáveis variantes da receita

 em todos os cantos do planeta. 


Para preservar e eternizar a memória, em 2010, a receita original foi

 registrada, através de escritura passada em cartório e depositada na

“Academia Italiana di Cucina”

Vinho para acompanhar?


Três opções: Porto, Madeira, Moscato Spumante. Se conseguir o “Pensiero”, da

 “Tenuta dei Fiori” de Valter Bosticardo, você e o Tiramisu estarão 

“A dois Passos do Paraiso”

Bacco

PS. Em um comentário pediram a receita original. Aí Vai

https://www.youtube.com/watch?v=2NtsN-xyIlA

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

UNTOS & BESUNTOS 2

 

As perguntas sem respostas me incomodavam.

Quais os motivos, as razões, para o azeite nacional custar mais do que um extra virgem português, italiano, grego, espanhol e até de alguns bons chilenos?

Onde encontrar respostas válidas, verazes?

Google!

Google é a salvação de muitos e condenação de outros.

Primeira pesquisa: Preço dos azeites nacionais.

O resultado foi surpreendente: Todos custam acima de R$ 120,00 o litro.

O predador recordista é “Extra Virgem Borriello” que, pasmem, custa siderais R$ 392,00 o litro (63 Euros).

Costa Doce Blend Medio 500ml

R$ 98,00

A melhor “desculpa”, para os sodomíticos preços, dos azeites nacionais, encontrei no site do produtor mineiro “Olibi”.

A “Olibi”, seguido a trilha dos predadores gaúchos, também não brinca em serviço e não vende nenhum de seus azeites por menos de R$ 180,00 o litro.

Olibi Safra 2021 - Azeite de Oliva Extravirgem Artesanal

R$ 45,00

 Foi justamente no site, da oleosa mineira, que encontramos as respostas (mentirosas?) tentando justificar os assaltos aos bolsos dos consumidores.

A “Olibi” pergunta: “É verdade que azeites brasileiros são mais caros? ”

A própria unta e besunta mineira responde...


“Há quem questione por que um produto nacional, que não passa pelo trâmite de importação, não chega ao consumidor por um valor mais baixo.

A resposta mais simples é a de que, assim como não podemos comparar a qualidade de um vinho de garrafão com uma safra exclusiva de vinhas centenárias, ou uma cerveja artesanal puro malte com uma popular, também não podemos comparar um azeite de alta qualidade de um pequeno produtor com um azeite de uma grande marca que sequer tem seu próprio olival. ”

 

Bingo!

O paradigma dos “Untos & Besuntos” é a viticultura nacional onde encontram e adotam o lema comum: “Predadores Unidos Jamais Serão Vencidos”


Uma rápida e “googleana” pesquisa, sobre a produção de azeite italiana, pulveriza o retórico blablabá da Olibi.

Há, na Itália, 827.000 empresas olivicultoras cuja dimensão média é de aproximadamente 1,8 hectares.

 A maioria dos produtores, como pode ser verificado, é de pequeno porte e esmagam azeitonas em mais de 5.000 lagares espalhados pela bota.

Apesar do minúsculo tamanho das propriedades, a Itália produz 320.00 toneladas de azeite (3ª do mundo).


Agora vamos aos preços.

Nos supermercados os azeites populares podem ser encontrados por Euros 2/4 o litro.

Os de qualidade média e superior custam Euros 6/8 o litro.


Caso você seja um amante de exclusivos e refinados produtos, poderá comprar, diretamente de um pequeno produtor (há milhares), um azeite produzido com azeitonas, de uma das 350 variedades que há na Bota, por Euros 8/12 o litro

Veja alguns sites.

https://www.frantoiomarco.com/

https://www.novellaevignolo.com/product/olio-extra-vergine-di-oliva-lattina/

Já tomei uma decisão: Boicotar o azeite nacional.

Não tenho nenhuma vocação, nem sou tão idiota, para financiar o insaciável “apetite” dos untos & besuntos produtores de mais uma farsa “melhor do mundo”.



Dionísio

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

DOLCETTO 1978

 


Vasculhando e espanando antigas matérias, de quando ainda tinha saco para visitar produtores e filmar degustações, encontrei alguns vídeos interessantes que podem ajudar os leitores, que aproaram mais recentemente ao B&B, em suas viagens (quando a pandemia-paranoia permitir) à procura de vinhos interessantes, únicos.

Corria o ano 2010.

Certa vez, em conversa informal, enquanto secávamos uma garrafa de Champagne no bar “La Brasilera” (já não existe), o produtor Walter Lodali afirmou que os Dolcetto, das suas vinhas Sant’Ambrogio, localizadas nas colinas de Treiso, envelheciam tão bem ou mais do que o Barolo e que já havia bebido algumas, em perfeito estado, com mais se 30 anos


Os Lodali, há três gerações, produzem, além de Dolcetto, Barolo, Barbaresco, Barbera, Arneis, Moscato etc. e Walter sabe o que diz, mas após algumas taças de Champagne, que já havíamos consumido, acreditei mais no entusiasmo dos vapores alcoólicos do que em sua afirmação.

Daí, para aposta, foi um pulo e.....“ O Memo tem ainda algumas velhas garrafas de Dolcetto Sant’Ambrogio que lhe vendi há alguns anos. Vamos até lá e abrimos uma de 1978”

Em tempo.... Memo, mexicano radicado em Treiso, havia trabalhados anos como sommelier no “La Ciau del Tornavento” até quando e finalmente resolveu abrir seu restaurante a menos de 100 metros do “La Ciau”.

Dia e almoço combinados, bastava verificar que ganharia a aposta.

Perdi e perdi feio...... O Dolcetto 1978 estava perfeito.

Quem visitar Treiso e “La Ciau del Tornavento”, provavelmente encontrará, na formidável adega de Maurilio, algumas garrafas “idosas” de Dolcetto Sant’ Ambrogio e poderá verificar a veracidade de meu vetusto vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=Q5QSIV_WLGg

Bacco

 

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

UNTOS & BESUNTOS

 


Percebi, nos últimos dias, um odor inconfundível que acionou o “modo-picaretagem” no meu olfato.


Sim, caros amigos, mais uma vez estamos assistindo ao lento, mas inexorável, nascimento de mais um “MELHOR DO MUNDO MADE IN BRAZIL”.

Já não satisfazem, nosso orgulho ufanista, as ridículas e insensatas ilusões de sermos produtores do melhor espumante e do melhor queijo do mundo; para alegria de nossos egos estamos muito próximos de nós orgulhar, também, por produzirmos o melhor azeite do mundo.

Sim, acreditem se quiserem e puderem, em um futuro bem próximo, gaúchos, paulistas, mineiros etc. entrarão para a história ao humilharem os apatetados portugueses, espanhóis, gregos, italianos e ensiná-los a produzir grandes azeites.

Por enquanto os lagareiros tupiniquins estão seguindo, fielmente, os passos e recomendações dos mestres da predação: Nossos produtores de vinho


Trilhando o mesmo caminho predatório, dos industriais do vinho, os untos e besuntos produtores de azeite metem, sem pudor nem piedade, a mão no bolso dos incautos e inocentes consumidores.

Explicando melhor.....

Semana passada, visitando parentes em Belo Horizonte, provei, pela primeira vez o azeite nacional.

Durante o jantar pude observar que a salada estava sendo condimentada com um azeite (garrafa de 250ml) cuja origem me era desconhecida.

“É um azeite nacional que comprei em Gramado e o vendedor me informou que até já ganhou medalha no exterior”.

Desconfiado com a afirmação “...já ganhou medalha no exterior”, perguntei o preço.

 Haja KY........ R$ 69,00



Em um rápido exercício de multiplicação conclui que o azeite, “Prosperato Picual”, não entregaria seus oleosos encantos por menos de R$ 276 o litro.

No mesmo instante meu pensamento voou para Bento Gonçalves, mais precisamente na Lídio Carraro e seu “Grande Vindima Merlot” de modestíssimos R$ 320.

Muitas dúvidas, sem respostas, me atormentam até hoje.

Duas delas: Será que a diretoria da Prosperato, antes de elaborar a tabela de preços, frequentou o famosíssimo e exclusivo curso “ Rapinagem sem Fronteiras” nas vinícolas do Sul?

 Será que algum diretor comercial da Carraro, Miolo, Geisse, Valduga, Bettu, Milantino, Pericó, Don Laurindo etc., está a$$e$$orando as produtoras de azeite nacional?

Respostas na próxima matéria

Dionísio o “oleoso”