Facebook


Pesquisar no blog

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

GRIGNOLINO


 


No final dos anos 1940 e até no início dos 1960, um trio de jogadores suecos fez a alegria dos torcedores do Milan.

Gren, Nordhal e Liedholm foram os responsáveis diretos pela conquista do “scudetto” de 1950/51.
 
 

Liedholm, quando pendurou as chuteiras, treinou vários times italianos e se dedicou à sua paixão: Vinho.

Nils Liedholm, nos anos 1970, comprou uma propriedade em Cuccaro Monferrato e começou a plantar vinhas.

No início vieram Barbera e Grignolino, mais tarde, para variar, as internacionais Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Em 1985 a “Villa Boemia” já era uma vinícola conhecida e reconhecida especialmente por seu “Grignolino”.
 
 

Liedholm morreu em 2007 e seu filho, Carlo, em 2015, vendeu a propriedade para um grupo chinês.

Esta é a breve história de mais uma famosa vinícola italiana que passa para as mãos de estrangeiros.
 

No Brasil poucos conhecem o Grignolino, (se perguntarem aos “professores” dos cursos picaretas que tomam o dinheiro das trouxas, eles entram em pânico) mas o pequeno-grande vinho piemontês teve, nos anos 1970, momentos de gloria e foi o preferido de muita gente famosa.

Conta-se que Gianni Agnelli, proprietário da Fiat, o consumia regularmente e que, nos dias de verão, sempre se refrescava bebendo um coquetel que levava 50% de Champagne e 50% de Grignolino.

Eu, não tão famoso quanto o Agnelli, sempre adorei o Grignolino, (o Freisa, também) e quando encontro os de boa qualidade (no Brasil é quase impossível, mas na Itália é fácil) não deixo de comprá-los.

Há um supermercado (Esselunga), entre Arona e Sesto Calende, que sempre visito para garimpar algumas garrafas em promoção.

O “Esselunga” tem uma adega para ninguém botar defeito.

Barolo, Barbaresco, Brunello, Champagne, Franciacorta, Amarone e muitas outras etiquetas renomadas, convivem pacificamente com Orvieto, Bonarda, Dolcetto, Frascati, Bardolino etc.
 

É uma festa para os olhos e para os bolsos: Os preços do “Esselunga” ridicularizam os praticados pelos produtores nacionais e aí se percebe o porquê no Brasil o consumo do vinho continuará sendo ridículo.

Em minha última “garimpada” no “Esselunga” encontrei o Grignolino Liedholm por 8 Euros e comprei algumas garrafas.

Ontem para acompanhar um prato de “seppie com piselli” (lulas com ervilhas) abri uma garrafa de Vermentino di Gallura Giocantinu.
 

Ao derramar um pouco de vinho na taça, minha cozinha se transformou, por encanto, em uma perfumaria.

Perfumes para todos os gostos e para me desgosto.

Um vinho “fabricado” especialmente para agradar aos que não entendem de vinho.
 

Na Itália, vinhos assim são classificados: “ruffiani”

Tampei a garrafa de Vermentino de Gallura, guardei para usá-lo, mais tarde e quando necessário, na comida.

....”E por que não um Grignolino? ”
 

Continua….

Bacco

terça-feira, 25 de setembro de 2018

CHIANTI SAN FELICE


Minha adega brasiliense vive dias de insofismável crise.

Três garrafas de brancos, uma de tinto, nenhum espumante, meio litro de whisky e uma meia dúzia de licores.

Uma tristeza....
 

Uma tristeza especialmente para alguns amigos que “adoravam” frequentar (de graça) minhas taças.

Minha adega, há pouco mais de uma década, armazenava perto de 400 garrafas e era motivo de orgulho.
 

Não é mais.

Hoje “italianizei-me” e apenas compro o necessário para o consumo do dia-dia (5/6 garrafas).

Alguns grandes vinhos, não mais de 12 garrafas, viajam em minhas malas quando retorno ao Brasil, o restante compro no comércio local.

O meu novo “sistema” se revelou bastante racional e me ajudou a descobrir etiquetas interessantes que já comentei e indiquei várias vezes.

Chardonnay da Tarapacá e da Cousiño Macul, o Chianti Ruffino, os espanhóis Trascampanas e Yllera, o espumante português Murganheira etc. etc. etc.
 

Semana passada as chuvas voltaram, o calor sufocante deu uma trégua e ao procurar um tinto leve, para acompanhar um prato de carne, constatei que em minha esquálida adega havia somente uma solitária e abandonada garrafa de Barbaresco “Martinenga” da Marchesi di Gresy.

Vinho caro, importante, que deveria ser aberto em um momento especial e na companhia de amigos.

Deixei o Barbaresco sossegado em seu canto e resolvi visitar algumas lojas do Plano Piloto.

Uma tristeza.
 

Prateleiras quase vazias por falta de produtos, etiquetas desconhecidas e baratas, pouca variedade e, o pior de tudo, quantidade mais que restrita.

Comprar seis unidades, do mesmo vinho, nem sempre é possível

Várias enotecas brasiliense fecharão as portas em 2019.

Os anos dourados e os clientes do La Tache, Petrus, Cheval Blanc, Barbaresco Gaja etc. se foram, não votarão tão cedo e as opções, que sobraram, são porcarias (baratas) importadas e porcarias (caras) nacionais.
 

Mas, dei sorte.

Em uma loja da Asa Sul fui recebido por um vendedor atencioso, falante (até demais) que sugeriu um monte de etiquetas descartáveis.

Quando o vendedor respirou e parou de falar, por um segundo, disparei: “Tem Chianti Ruffino”

“Tenho e está em promoção por R$ 55. Se o senhor gosta de Chianti precisa experimentar este”.

O elétrico atendente pegou uma garrafa e continuou: “Chianti San Felice 2011 por R$ 60. Magnífico ”.
 

Para me ver livre, do insuportável assédio, anexei, às reservadas garrafas de Chianti Ruffino, mais duas de San Felice.

Na hora de pagar, mais um ataque do boquirroto e mais uma surpresa.

“Gosta de branco suave? ”

“Gosto de branco, mas não suave. Prefiro seco”, respondi.

“Pena...... Este branco suave da Bolla está na promoção por R$ 40”

Olhei para a garrafa, olhei para o vendedor, contive o riso e....”Soave é o nome da cidade, o vinho é seco e por R$ 35 levo quatro garrafas”.
 

Desconto concedido, apertei a mão do “suave” vendedor e fugi para descansar meus tímpanos.

No dia seguinte, sem muito entusiasmo e esperando uma “entubada”, abri uma garrafa do Chianti recomendado pelo vendedor da enoteca.

Derramei um pouco em uma taça e....... Surpresa!

“Abençoei” o vendedor “suave Bolla” no exato momento em que provei o “Chianti San Felice 2011”

Que belo e tradicional Chianti.
 
 

Já a cor rubi brilhante com reflexos alaranjados me surpreendeu.

No nariz elegantes aromas frutados.

 Na boca mais surpresas.

Estrutura média, taninos presentes, mas muito agradáveis, elegantes, quase aveludados.

Um “pequeno-grande-vinho” perfeito para acompanhar carnes ou apenas como aperitivo.

 O “Chianti San Felice” é produzido, com uva Sangiovese, Colorino e Pugnitello, em Castelnuovo Berardenga.]
 

Somente uma bela aldeia, Castelnuovo Berardenga, poderia doar tão belo e honesto Chianti.

Bacco

terça-feira, 18 de setembro de 2018

CORTON-CHARLEMAGNE


 


Na disputa, sul-americana, o chileno “Cousiño Macul” me pareceu superior ao “primo” argentino “Lágrima Canela” e comentei, o fato, na matéria de 10 de setembro.

Na mesma matéria, prometera descrever algo sobre a última garrafa que abri no almoço de domingo: “Corton-Charlemagne”
 
 
 
 

Algumas informações sobre Aloxe-Corton.

Aloxe-Corton é uma minúscula vila da Côte de Beaune que se distingue, de todas as irmãs da região, por duas interessantes particularidades: Possui maior superfície de Grands Crus da Borgonha e é a única que produz um Grand Cru branco e um Grand Cru tinto.
 

Esta era uma verdade até 2015, mas a partir desta data Chambolle-Musigny divide com Aloxe-Corton o privilégio de possuir, também, um Grand Cru tinto e um branco.

Poucos Chardonnay podem ser comparados ao Corton-Charlemagne e, mesmo na super-badalada Côte de Beaune, os rivais são raros.

O Montrachet, certamente, é um

 O Criots-Bâtard-Montrachet, talvez e........ Acabou minha lista.
 

Vinho extraordinário cuja produção total, de 300 mil garrafas (média), é dividida entre 55 produtores/engarrafadores.

A garrafa de Corton-Charlemagne 2014, que abri, foi adquirida diretamente do produtor, Maurice Chapuis.

A domaine de Maurice Chapuis se estende por 12 hectares e o viticultor, de Aloxe-Corton, produz, aproximadamente, 4.000 garrafas de Charlemagne por ano.
 

Apesar da boa qualidade, o Chardonnay, da “Cousiño Macul”, quando   comparado ao vinho da Borgonha, desaparece.

É uma luta injusta.

Apesar da pouca idade (4 anos) o Corton-Charlemagne já apresentava um excepcional equilíbrio, incrível mineralidade e grande finesse.

Nos aromas requintados e sutis pude perceber agrumes e delicadas notas amanteigada.

Na boca muita elegância e um final interminável.

Grande vinho que confirma a supremacia dos Chardonnay da Côte de Beaune sobre os primos de todos os cantos do mundo.
 

Um pequeno senão: Sou cliente antigo de Maurice Chapuis e infelizmente acompanho a constante, mas “inexorável” elevação da sua tabela de preços.

Nos últimos três anos o Corton-Charlemagne, de Chapuis, passou de 60 para 70 Euros e não dá sinais de querer estacional no atual patamar.

Corton-Charlemagne, da Domaine Maurice Chapuis, um grande vinho.

Bacco

P.S. Estou mais tranquilo.

Dionísio me informou que por 70 Euros, devo comprar um contêiner de Charlemagne, pois um “Tempranillo Aberração de Tão Bom”, de Cocalzinho, é vendido, para os eno-otários locais, por R$ 520.
 

 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

TUDO POR DINHEIRO


Que a crise moral havia atacado a maior parte dos críticos, formadores de opinião, blogueiros, sommeliers etc. do mundo do vinho já era uma certeza, mas nunca pensei que a desonestidade intelectual chegasse onde chegou: Tudo por dinheiro.
 
 
 

Não muito dinheiro, qualquer quantia serve, qualquer quantia é bem-vinda, venha de onde vier, até mesmo do terroir de cupins de Cocalzinho.

Quando nosso eterno “melhor sommerdier” deixou os confortáveis sofás do Fasano para se aventurar no Planalto Central e catar alguns R$ percebi que a crise atingira níveis inimagináveis: O Beato Salu descia do cruzeiro medieval da Romanèe-Conti e escalava os cupins da Vinícola Pireneus.
 

Apesar de promover um festival de “Almaviva” (R$ 3.190) a decadência é total!

Não satisfeito, em declarar aquelas tremendas bostas “Uma aberração de tão bom”, o nosso eterno “melhor sommerdier” empunha uma picareta 2.0 e, sem o menor pudor, assume o papel de garoto propaganda dos vinhos, caros e dispensáveis, produzidos nos cupinzais goianos

Mas...... O fim justifica os meios.

Chapeau para o Marcelo Souza, proprietário da “Pireneus Vinhos e Vinhedos”, que, com apuradíssimo faro comercial, soube, em pouquíssimo tempo, promover seus vinhos e vendê-los por preço de Barolo, Amarone, Brunello Châteauneuf du Pape etc.
Não abrir sem antes ter tomado uma boa dose de Plasil

Vergonha (ou falta dela...) para o Beato Salu que demonstra, mais uma vez, que nossos formadores de opinião não resistem a uma graninha, venha de onde vier.

Penico cheio para aquele que compram R$ 1.000 de vinhos do “Terroir dos Cupins” e viajam até Cocalzinho para comer queijos goianos.

 
Eles merecem.....

Dionísio