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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

TREBBIANO DI SOAVE


 


Chegando ou partindo da Itália, minha parada obrigatória é Arona.
 

Arona, cidade da província de Novara, há poucos quilômetros do aeroporto da Malpensa, é muito mais agradável e interessante (para mim) do que a caótica e dispendiosa Milano.
 
 
 
 
Arona, às margens do estupendo Lago Maggiore, está próxima de incríveis aldeias lacustres (Stresa, Orta San Giulio, Pallanza, Intra, Feriolo, Angera, Cernobbio), de belíssimas aldeias alpinas (Santa Maria Maggiore, Macugnaga, Alagna), de importantes cidades vinícolas (Gattinara, Ghemme, Boca, Lessona, Fara, Sizzano) e que podem ser alcançadas em menos de uma hora.
 

A região, além de ser uma boa opção bom para realizar compras, se destaca, também, como reconhecido e importante centro gastronômico e abriga mais de uma centena de ótimos restaurantes, cinco dos quais ostentam estrelas Michelin.
 

Deu para perceber minha “teimosia” em fazer de Arona uma de minhas metas obrigatórias?

Se todas as razões que elenquei não bastam, aqui vai mais uma: Na avenida que margeia o Lago Maggiore há dezenas de bares e enotecas que servem bons vinhos em taças e, ainda bem, sem exagerar nos preços.

 
Em minha última passagem pela cidade aproveitei uma bela tarde para sentar no “Amaranto Café”, beber algumas taças e admirar o pôr-do-sol no lago.

Ordenei um cálice de branco, sem especificar qual, para espantar o calor do verão italiano (somente eno-idiotas bebem Amarone de 16º quando o calor é tropical....)

Bebi um pequeno gole e.....”Garçom que vinho me serviu? ”

“É um Trebbiano di Soave da vinícola Suavia”.

Ótimo vinho!

Mas, vamos por etapas.
 

A Suavia produz um dos melhores Soave que conheço, mas olhando a garrafa daquele “Massifitti” tive que admitir que, quando bem vinificado, o Trebbiano di Soave pode surpreender e muito.

A Trebbiano di Soave tem “primas” espalhadas em quase todas as regiões italianas, mas quase nunca a uva Trebbiano origina grandes vinhos.

A uva Trebbiano entra na composição de inúmeras denominações importantes, mas nunca como ator protagonista.

A Trebbiano é protagonista naqueles vinhos que são encontrados, nos supermercados por 2/4 Euros.

Nas denominações regionais a Trebbiano di Soave é, muitas vezes, adicionada à Garganega na DOC “Soave” e imprescindível na produção do “Recioto di Soave”.
 

Voltemos ao nosso “Massifitti”

O “Massifitti” da Suavia se apresenta uma bela cor palha com reflexos esverdeados e seus aromas, claramente cítricos e florais, impressionam e agradam ao mais refinado e exigente nariz.

Fácil de beber, com seus 12,5º, é fresco, elegante, mineral e acaricia com longa persistência o paladar.

Belo vinho que merece todos os 12 Euros que gastei para comprar a garrafa que acompanhou o almoço do dia seguinte.

Algumas observações: Andei lendo as matérias do Dionísio em que o mesmo espinafrava, com razão, a WSET.

Sei que muitos leitores de B&B frequentam cursos que prometem formar profissionais do vinho.

Gostaria que o candidato a sommelier, em uma das aulas, indagasse se o “professor” teria alguma informação sobre a “Trebbiano di Soave”.

 
Aposto na mudez total e absoluta.

Bacco

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O POLVO DO PIANTAS BISTRÔ





Faz tempo (anos) que deixei de escrever sobre a insossa, pretensiosa e cara gastronomia brasiliense.

No final dos anos 1990 e início dos 2000, presenciamos um verdadeiro tsunami de chefes-blefes que, da noite para o dia, surgiam, eram glorificados e idolatrados pela ridícula crítica local.

Iesb e Unieuro e seus “professores” de araque, foram, em parte, responsáveis pela verdadeira avalanche de chefes-blefes que invadiram e soterraram com risotto (todos o prato eram acompanhados de risotto) as travessas candangas

Bastavam algumas aulas, nos dois institutos, para funcionários públicos, aposentados, dondocas, amantes de empresários etc.  Posarem como verdadeiras estrelas das frigideiras e panelas e abrirem um restaurante

 Os resultados foram mais que previsíveis: Quase todos escorregaram na maionese e desistiram dos fornos e fogões.

Alice, L’Altra Toscana, Risotteria, Maestri, Cielo, Ares do Brasil, Annone Veneto, O Convento, Zuu e muitos outros, que maltrataram, durante anos, os paladares e carteiras brasilienses, fecharam as portas que nunca deveriam ter sido abertas.

Sobraram os Dudu e seus incontáveis sócios, Petrarca e seus cremes de leite, Mara e seu reduto, o Rosario e sua impecavelmente alva roupa de cozinheiro que já não frequenta o fogão.

Sobrou pouco.

Sobrou quase nada.

Sexta feira, bebericando no “Piantas Bistrô”, da 403 Sul, percebi um insólito vai-e-vem de garçons preparando as mesas para o almoço.

“Alguma festa? ”, indaguei

Fabio e Elaine, responsáveis pelo local, me informaram que a partir de agosto o “Piantas Bistrô”, todas as sextas feiras, serviria, também, o almoço.

Mais uma taça, meio dia chegando, a fome apertando…. Resolvi provar a cozinha do “Piantas” e ordenei um polvo.

Perfeito!

Sem frescura, macio, cozimento perfeito, sabor característico preservado integralmente.

Polvo corretamente preparado!

Não resisti e quis conhecer o chef Walex.

Pernambucano, 27 anos, risonho competente e ótimo cozinheiro, Walex preparou o melhor polvo que já provei.

Quem quiser fugir de preços absurdos, pratos estranhos ou soterrados por montanhas de cremes de leite, deve provar o ótimo polvo do “Piantas”.

Bacco

sábado, 25 de agosto de 2018

SOMOS CURTOS E MIRINS


 
Há duas coisas que prometera não fazer novamente: Voltar a pegar a minha cunhada (as expectativas são melhores que o após) e falar de vinhos brasileiros ou do bananal.

A saraivada de artigos de Dionísio, o deus da paciência, me retirou da aposentadoria semi-precoce.

A minha cunhada que se prepare.

E você prepare o seu coração, o fígado e o seu bolso, para as coisas que eu vou contar...

Numa era em que o mundo civilizado discute rumos da inteligência artificial (IA), não do que IA fará, mas em quanto tempo, quem será afetado e o que pode ser feito, temos gente, no Bananal, ainda zurrando apoio aos políticos.

 Sejem quem sejarem os políticos.  (Bacco, deixa assim mesmo, com os erros).

A outra notícia que passou batida foi o mega investimento ( 5 bilhões de CAD) do grupo “Constellation Brandsna “Canopy Growths”
 

O mundo do vinho, que antes avaliava quanto do negócio perderia para a maconha, tomou a iniciativa e já tornou o inimigo em amigo ($$).

Não quero nem pensar no nível dos blogueiros maconheiros no bananal.

Opa, não resisti.

Conseguem ser piores que os sommerdiers aclamados na rede mundial de computadores.

O bananeiro está tão atrasado que não consegue perceber que ao mesmo tempo em que fica com briguinha no twitter com os inimigos reacinhas ou petralhinas, o mundo se descolou (boa notícia para o mundo) e indústrias novas e enormes causam terremotos nos mercados que antes eram do sub-mundo.

Um estado americano, cujo nome ficará no anonimato aqui, já coleta quase USD 1 bilhão em impostos diretos pela venda de maconha, e outros produtos.
 

 Óleos, brinquedos vários, cigarros e biscoitos feitos com a maconha.

 Nossos políticos são tão atrasados quanto nossos sommerdiers.

Já pensaram o Cabralzão pondo a mão nessa grana?

 Enquanto isso os maconheiros no RJ sustentam o PCC e seus filhotes comprando drogas nos morros.

Sobre os artigos falando de protecionismo, mais uma vez (acho que escrevi sobre isso, acho que você também leu sobre isso antes – parece que vivemos dentro daquele filme em que Bill Murray acordava e todos os dias eram iguais), me faltam palavras, afinal um bando de gente que não faz nada que preste (produtos ruins e caros, não geram empregos, não pagam impostos, ganham perdão de dívidas que você vai pagar!!) consegue adiar ou acabar com um acordo histórico com o maior bloco de comércio do mundo. 
  

Dionísio, o Bolsonaro do vinho (que se eleito para presidente da ABS DF acabará com os sommerdiers, importadores e produtores predadores), se esqueceu de mencionar que até produtores de queijos com nomes de denominações europeias também bloqueiam esse acordo que valeria alguns pregos a menos no caixão da economia do país.

Enquanto o mundo civilizado e educado em boas escolas se afasta de religião, os maiores picaretas do país ganham mais adeptos.

Refiro-me aos tele-evangélicos que herdaram os trouxas da igreja católica e os “aprisionaram” nas neo-armadilhas em forma de templos.

E a bancada da bíblia vai aumentar a presença no congresso de goleada.

Dá quase vontade de pedir ao Jucá para ficar mais 8 anos.

Nosso astronauta plantou feijão durante a órbita dele para gozo e orgulho da pátria.

Enquanto isso discute-se quando poderemos laçar cometas lotados de ouro e outros metais nobres lá fora.

 
O mundo civilizado tem como preocupação a IA e as novas tecnologias que irão botar tudo de ponta-cabeça, a indústria da maconha avançando em distribuição, genética, impostos, empregos (goste você ou não do assunto ou produto), a agricultura das oliveiras e uvas esperando pesquisas urgentes sobre novas cultivares e tecnologias que garantam continuidade na produção de vinhos e azeites no mundo cada vez mais quente (ainda acha que isso era invenção de cientista comunista ??),  mas nós perdemos tempo com ex-presidente, chefe de quadrilha condenado na cadeia, estudantes comprando maconha com palha (bandidos, pagarão por enganar nossos meninos), briga por lei do aborto, sindicatos fazendo acordo com candidatos à presidência, sommerdiers promovendo “aberração” vinho do cerrado, e gente com autoridade reconhecida pela associação de azeites de Peruíbe,  promo-vendendo azeite nacional como se fosse algo muito especial.
 

Até na picaretagem e ignorância enxergamos curto e somos mirins.

Bonzo

 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

VOU PRODUZIR BAROLZINHO




 Tempos difíceis, falta grana, todos na pindaíba, economia de guerra, mas é justamente nas recessões e nas dificuldades que grandes oportunidades surgem para aqueles que tem bom faro para negócios.

No final de semana fui “convocado”, por um parente (serpente?), para comparecer a um churrasco em Pirenópolis.

Já havia conseguido escapar de uma dezena de outros convites de churrasco, na meca dos turistas cachaceiros do Distrito Federal, mas desse não escapei.

Tanque cheio, saco também, lá fui eu para a cidade goiana esperando poder voltar para Brasília o mais rápido possível.

Estrutural, Taguatinga, Ceilândia, Aguas Lindas ....... Horror dos horrores.

 Escapei ileso de todas as cidades elencadas e depois de fugir de Aguas Lindas a viagem e a paisagem me pareceram menos piores.

Em Cocalzinho, todavia, a depressão voltou com força total.


Acelerei para fugir rapidamente de Cocalzinho, mas........uma lembrança, um estalo, uma fagulha.

“Aqui é a terra prometida das vinhas e dos vinhos, aqui o Beato Espaguete encontrou aquele vinho “aberração de tão bom”, aqui é o futuro Eldorado vinícola do planeta ”.

Se você não conhece Cocalzinho e for religioso, reze para nunca conhecer...... Cocalzinho é uma tremenda bosta.

Mas negócios são negócios e se um dentista consegue produzir, naquele fim de mundo, um vinho aberração de tão bom”, eu também posso.

No primeiro boteco, que encontrei na cidade, parei o carro, entrei e comprei um vidro de pimenta de cheiro.

Enquanto pagava a pimenta, tentava esconder meu interesse e o real motivo de minha parada.

 Com a cara de paisagem e de quem não quer nada, perguntei: “Quanto está valendo um alqueire na região? ”

O barrigudo dono do boteco, pensativo, balançou a cabeça e indagou “Terra bruta ou formada? ”

“As duas”, respondi.

“Varéia de 20 mil até 50 mil o alqueire” (48.400 m²)

Agradeci o “varéia”, a informação e continuei a “viagem calvário” até Pirenópolis, mas sempre pensando na possibilidade de me tornar um viticultor e produzir um “Barolzinho” (Barolo de Cocalzinho).

Se nosso dentista consegue produzir e vender um Barbera por R$ 175, eu poderia vender um “Barolzinho” por R$ 450.

Com a ajuda do $ommelier E$paguete talvez conseguisse até R$ 600.

Deixando os sonhos e voltando à realidade, decidi acelerar o projeto da compra de terras, antes que franceses, espanhóis, italianos, portugueses etc. descubram o “terroir” de Cocalzinho, seu potencial vinícola e inflacionem os preços.

Imaginem, por exemplo, um produtor de Barbera D’Alba, que cultivas as vinhas em terras que custam, em média, 200 mil Euros o hectare e que sua sangue para vender suas garrafas por 5 Euros (R$ 22), encontrar um fantástico “terroir” por míseros 2 mil Euros o hectare e conseguir vender a Barbera por 38 Euros?

Manda às favas Alba, Asti, Nizza, Vinchio, Vaglio Serra e todas as colinas do Piemonte, corre para o eldorado goiano de Cocalzinho e compra tudo o que encontra à venda.

Mais uma vantagem: Se os amigos olharem com cuidado a foto no cabeçalho notarão uma enorme quantidade de cupinzeiros espalhados pelo maravilhoso “terroir” de Cocalzinho.

Cada cupinzeiro é habitado por milhões de cupins que podem ser cozinhados e vendidos aos eno-tontos (há milhares....) em degustações organizadas pelo nosso $ommelier mor que, harmonizando vinho e cupim, mais uma vez fará história.

Dionísio