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quinta-feira, 29 de março de 2018

SABRAGE


Um dos exercícios mais ridículos e exibicionistas dos "sommerdiers" é o "Sabrage".
 

"Sabrage", espalhafatosa técnica para abrir garrafas de espumantes, surgiu há muito tempo quando os oficiais franceses comemoravam suas promoções, ou vitórias, desarrolhando o Champagne com um preciso golpe de seus sabres.
 

O nosso quase eterno "melhor sommelier do Brasil", Diego Arrebola,  semana passada postou um vídeo onde um ator circense abre, com uma espada e em apenas um minuto, 71 garrafas de espumante.

Belo feito e um ótimo patrocinador.......

Em um almoço, na casa de Bacco, certa vez o anfitrião, já de saco cheio com o endeusamento do Beato Salu, também "melhor sommelier do Brasil" (como há melhores sommeliers do Brasil no Brasil.....), que abandonara momentaneamente as escaladas em cruzes medievais da Borgonha, se exibia no sabrage.

Bacco, no vídeo, abriu um Prosecco com um utensílio de cozinha (escumadeira?) e de forma jocosa acabou com todo o glamour, o charme e o "mistério, que envolve o sabrage.

O sabrage pode ser executado com garfo, colher, copo de vidro ou cristal, cartão de credito etc., por qualquer individuo que tenha três neurônios sadios e que não sofra do mal de Parkinson.
 

Precauções e técnica: A garrafa de espumante deverá estar à temperatura de consumo (6°/8° graus) caso contrário pode explodir.

A lâmina deverá deslizar suavemente antes do golpe seco e decidido (não é preciso força)  

As fotos abaixo ilustram com clareza a técnica necessária.

Sempre recomendo um pouco de merthiolate, muita gaze e esparadrapo.

Boa sorte e.... Voilà
 




 

Dionísio.

quarta-feira, 28 de março de 2018

ENOTECA HOLLY


O "Lago Maggiore" é uma das metas turísticas mais badaladas do Piemonte.
 

A região, apesar da rara beleza, é solenemente esquecida pelos viajantes brasileiros.
 
 
 

Arona, Stresa, Feriolo, Cannobio, Pallanza, Angera e outras dezenas de aldeias são o paraíso dos vizinhos suíços.

Sesto Calende não está localizada à beira do Lago Maggiore, Sesto se encontra exatamente onde o lago termina e dele nasce o rio "Ticino".

 
 O "Ticino", com suas águas limpas, banha toda Sesto Calende e  doa,  à aldeia lombarda, um panorama de singular beleza e tranquilidade.

Na chegada ou na partida da Itália, o endereço que visito, quase religiosamente, para beber umas boas taças é a "Enoteca Holly Drinks" de Sesto Calende.

A cidade lombarda é rica de bares e restaurantes, mas nenhum pode local pode rivalizar com a "Enoteca Holly Drinks".
 

O local, quase centenário e fundado pelo avô dos atuais proprietários, não dá sinal de decadência, aliás, se renova constantemente.

A mãe, Elena na cozinha, Fabio e Massimo no bar, tocam com entusiasmo e muito carinho, a "Enoteca Holly Drinks".
 

Fabio sommelier profissional é responsável pela extensa lista de vinhos, destilados e licores (mais de 600 etiquetas) e pela escolha dos vinhos em degustação (sempre mais que 20).

Champagne, Franciacorta, Trento, Prosecco?

É só escolher a marca?
 
 

Tintos, brancos e rosés?

Dezenas de opções.
 

Se a fome apertar há meia dúzia de mesas onde a ótima cozinha da mamma Elena faz sucesso há décadas.

Os preços contidos, a atmosfera do local, a falsa bagunça e a contagiante alegria são os motivos que me "obrigam" a eleger a "Enoteca Holly Drinks" um dos meus endereços "obrigatórios"

Confira

Bacco

quinta-feira, 22 de março de 2018

LÁGRIMAS DE CROCODILO



Li a entrevista de Adriano Miolo, nas páginas da "Isto é" e quase caí no choro.
 

É comovente ver o "desânimo" de um industrial, produtor de milhões e milhões de garrafas, dezenas e dezenas de etiquetas e com um faturamento anual de R$ 150.000.000.
 
 
 

É de doer no coração.

 Como de costume o governo, que quer acabar com o quase-vinho do Brasil,  é culpado pela "crise" do setor.

Nem uma palavra sobre financiamentos do BRDE, lucros fantásticos, obtidos durante décadas, lucros que permitiram aos Miolo se transformarem, de vendedores de uva, para Martini & Rossi, em proprietários de quase 1.500 hectares de vinhedos.
 

 Dos preços vitaminados de seus produtos, da qualidade duvidosa de suas garrafas, nem uma palavra.

O governo, sempre e apenas o governo, é o culpado.

Enquanto Adriano Miolo (logo ele) se queixa do governo, dos impostos, da concorrência dos importados, do mercado e de todos os percalços do vinho nacional, os franceses comemoram o aumento de 6,6% nas exportações do Champagne.

O valor das exportações alcançou 2,8 bilhões de Euros.
 

Como sempre, em primeiro lugar, o maior importador, com quase 600 milhões de Euros, os Estados Unidos, em seguida o Reino Unidos com 415, Japão com 306, Alemanha com 196 e Itália com 152.

Boa qualidade e preços condizentes (um ótimo Champagne custa menos do que um Geisse, Valduga, Miolo etc.) são os "segredos" do eterno sucesso do vinho francês.
 

Gostaria de lembrar, ao Adriano Miolo, que não conheço e ninguém conhece um único vigneron da Champagne (e de outras regiões) que, de vendedor de uva para terceiro, em 30 anos tenha conseguido criar um império produzindo vários milhões de garrafas.

 É difícil imaginar os Miolo, mesmo com um empurrão da grana do Galvão e Randon, vendendo cachos para as grandes maisons e, em 30 anos, conseguir, de fornecedor de matéria prima, se transformar em produtor de milhões de garrafas de Champagne na região de Epernay, Reims, Passy-Grigny etc.

Seriedade, tradição, técnicas vinícolas, respeito aos consumidores, são alguns dos ingredientes que colaboraram e colaboram para o incrível sucesso do Champagne.
 

Enquanto isso, no muro das lamentações da Serra Gaucha, os lacrimejantes Adriano Miolo e Cia continuam produzindo e vendendo, aos consumidores brasileiros (coitados....), Chalise, Sangue de Boi, Mioranza, Cantina da Serra e outras tremendas bostas.

O consumidor, aquele que viajou para o exterior e descobriu etiquetas importadas, percebeu que os vinhos nacionais não são, por exemplo, "O segundo melhor espumante do mundo".

O consumidor já é não tão otário e já não compra, tão facilmente, vinhos nacionais de 40-80-100-800 R$.
 

Cave GeisseBrut 2002


180 meses - 15 ANOS de guarda


Explorando o potencial do Terroir de Pinto Bandeira resumido em um espumante.




R$800,00
 

Enquanto isso os nossos bravos industriais (sim, industriais e não viticultores) reclamam dos impostos, concorrência dos importados, falta de incentivos.

 Mudar a mentalidade predadora?

Nem pensar!

Acabar com vinhos de vitis labrusca?

Nunca?
 

Para onde iria nosso lucro?

Não sei por que, mas acredito que os Miolo e Cia têm muita saudades dos anos 70/80 quando os militares , com a aguda visão que possuíam, instituíram e incentivaram a reserva de mercado dos produtos de informática e..... o Gurgel

 Deu no que deu.
 

Se continuarem produzido espumante nacional de R$ 800 (que vergonha!) e tremendas bostas como Canção, Cantina da Serra, Catafesta etc. os industriais, dos quase vinhos nacionais, vão acabar sem lágrimas para chorar.

  Dionisio  

  

 

 

terça-feira, 20 de março de 2018

O EPITÁFIO



B&B surgiu no começo dos anos 2000 e uma das nossas prioridades era ridicularizar a proliferação de "Chefes" que, naqueles anos, infestavam (e continuam) as cozinhas brasilienses.

Toda semana aparecia um novo e badalado "chef".

Eram tantos que resolvemos, muito apropriadamente, chamá-los: "Chefes Blefes".
 
 

Funcionários públicos, advogados, socialites, aposentados, dondocas, empresários, amantes de empresários etc. uma bela manhã, ao acordar, se "descobriam "chef de cozinha" e abriam um restaurante.

"L'Altra Toscana", "Alice", "Maestri", "Werner", "Cielo", "Famiglia Capelli", "Risotteria", "Gazebo", "Zuu", "Annone Veneto", "Doc", "Kooun", "Fatto" etc.etc. etc., todos tocados por "chefes blefes", foram duramente criticados e fecharam (ainda bem) as portas.

A praga dos "Chefes Blefes" foi praticamente varrida e Brasília gastronômica voltou ao normal: A merda de sempre, mas sem a avalanche de Chefes Blefes formada e laureada pelo Iesb ou Unieuro e alavancados por canetas de vida fácil e bocas-livres.
 

Pouco durou o sossego: Uma nova onda de "Chefes Blefes" chegou para perpetuar a Brasília "Túmulo Gastronômico".

Não tenho dinheiro sobrando para torrar e nem saco para criticar restaurantes com cozinhas e serviços medíocres que cobram preços Londrinos.

Além da praga dos novos "chefes blefes" outra praga, ainda maior e avassaladora apareceu: "Os Sommerdiers".
 

A "luta" contra os chefes blefes não foi difícil.

Os chefes blefes eram uma dúzia, pouco mais, pouco menos.

Os "sommerdiers" são milhares!

Há centenas de cursos, em todos os cantos, para todos os gostos e para todos os bolsos.
 

Cursos, na maioria ridículos, "formam" milhares de sommerdiers, como se pães fossem, todos os meses.

Cada novo "expert em vinhos", que sabe distinguir um vinho branco de um tinto, invade as redes sociais com fotos, opiniões, indicações, comentários de etiquetas degustadas com frenética frequência.

Frequência, não diária, mas horária: A cada 5 minutos aparecem, no Facebook e Instagram, centenas de fotos e comentários de vinhos.

Quando tento digerir dez ou doze informações já apareceram mais, mais, mais, mais e mais....... Um verdadeiro porre , uma verdadeira indigestão vinícola.
 
 

Ao me recuperar, de uma recente indigestão, saí do vaso, dei a descarga e, finalmente aliviado, pensei: "Você está fazendo o que? Batendo em teclas gastas, obsoletas, quixotescas? O mundo do vinho no Brasil continua ridículo, minúsculo, mas agora foi invadido por uma horda de incontáveis "sommerdiers", decididos e invencíveis, que disputam espaço, visibilidade, notoriedade numa insana fogueira de vaidades: "O vinho que bebi é mais caro que o seu, minha confraria e maior do que a sua, hoje eu vou de Vega Sicilia,provei um maravilhoso Gevrey-Chambertin, abri um fantástico Amarone Dal Forno"e..... por aí vai. Não há mais espaço para suas catilinárias cantilenas. Ou você inventa um curso para sommerdiers ou peça licença e desapareça na neblina das vinhas das Langhe piemontesas".

É o que estou fazendo

O epitáfio?
 

Não encontrei nada melhor do que me escreveu Diego Arrebola (melhor sommelier do Brasil?) quando perguntei se havia levado algum ao elogiar, no Facebook, o Ta-lento da Salton e o Marselan da Perini.
 
 

Leiam

"O mundo do vinho no Brasil, lentamente, está mudando, sim! E você gostando, ou não, profissionais como a Gabriele Frizon, a Daniela Bravin e eu somos parte dessa mudança."

Pois é..... Não quero fazer parte "dessa mudança"

Tem mais.... Aguardem

Dionísio