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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

ADEUS, NEURÔNIOS



 


Didu Bilu Tetéia deve ter perdido a boquinha que a Mistral lhe oferecia.
 

Didu, o palhaço da eno-crítica nacional, se continuar descendo a ladeira, já, já, vai indicar "Mioranza Suave".
 
 
 
 
 

Veja.

Didu Tetéia, ou vive, permanentemente, de porre ou perdeu os poucos neurônios que, ainda, lhe restavam.

Afirmar que anda "ligadão em Barbera" e que o vinho lembra a Toscana é o fim da picada.
 
 

Mais uma coisa: A vinícola "Terredavino" é uma grande produtora de vinhos radicada em Barolo.

"Terredavino" produz vinho com uvas compradas de milhares de produtores de todos os cantos do Piemonte, razão pela qual jamais poderá apresentar vinhos importantes.
 

O máximo que se pode beber, da "Terredavino", são garrafas de terceira categoria.

Didu, peça licença e "vai a cagare"
 
Dionísio

sábado, 5 de agosto de 2017

TURISMO X TURISMO


Santa Margherita Ligure
 

 Em 1970 viviam, na bela cidade lígure, 12.000 pessoas.
 

 Santa Margherita 2017: os habitantes são 10.000.

Entre bares, pizzarias, restaurantes, a cidade é servida por mais de 100 estabelecimentos.

O último homicídio, registrado na cidade, foi em 2012 quando um equatoriano matou a mulher com várias facadas.
 

 Santa é limpa, possui uma perfeita coleta de lixo, rede de água e esgoto, hospital público, creche municipal, estação ferroviária, transporte público, eficiente e pontual, cinema, teatro, não tem apagões e, para ajudar nos primeiros socorros, há vários desfibriladores espalhados, estrategicamente, por toda a cidade.
 

 Tudo funciona.

Construir prédios? Nem pensar.

Mudar as cores originais dos edifícios? Esqueça
 

Alargar ou duplicar estradas? Enlouqueceu?

Tudo deve ficar igual ao que sempre foi, pois foi assim que Santa Margherita se revelou e continua sendo uma das metas mais sofisticadas e visitadas da Itália.
 

Obras faraônicas não existem nem são desejadas.

A última "obra importante" foi o atapetamento de 8,5 km da calçada que une Rapallo e Portofino.
 

O custo, 30.000 Euros, foi dividido entre as prefeituras de Portofino, Rapallo e Santa Margherita.
 

Os moradores chiaram e chiaram muito, pois consideraram o gasto excessivo.

Visitar Santa Margherita é sempre uma alegria e um privilégio.

 
 
 
 
Brasília

 Em 1970 os habitantes eram 550 mil; em 2017, graças ao total despreparo e falta de escrúpulos, de nossos políticos, Roriz em primeiro lugar, já ultrapassam os três milhões.
 

Sol Nascente, com seus 100 mil moradores, é a maior favela do Brasil.
 

O Plano Piloto, tombado pela UNESCO, foi tomado de assalto por especuladores imobiliários é, hoje, uma caricatura desfigurada e de mau gosto.
 

Ha racionamento de água, os apagões são freqüentes, o transporte publico é ridículo, assim como são inexistentes saúde, segurança, educação.

Brasília é uma das capitais mais violentas do Brasil com uma média de três homicídios por dia.
 

Não ha água, mas, apesar de não haver nenhum time local disputando a primeira, segunda, terceira divisão, na capital brasileira há nove estádios de futebol.  

A sedenta Brasília, do racionamento d'água, do desmando total e irresponsável, ostenta o mais caro estádio do planeta (quase 2 bilhões de Reais).
 

Resultado:

Santa Margherita recebe, em média, 360 mil turistas por ano.

Brasília é visitada, no mesmo período, por aproximadamente 70 mil turistas.
 

Obrigado, políticos, vocês conseguiram acabar com Brasília, Rio de Janeiro, Brasil...  

Comer bem em Santa Margherita:

Ótima cozinha e preços contidos: "Trattoria San Siro"

 
Cozinha inventiva e preços compatíveis: "Mog"

 
Melhor custo qualidade: "Reve Café" (o mais charmoso de todos)

 
O mais interessante: "Insolita Zuppa".

 
Melhor peixe: Antonio"
 

Beber bem em Santa Margherita.

O mais característico: "Vineria Macchiavello"



O mais badalado: "Sabot"


Quando faz frio: "Sun Flower".



Bacco

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

SEXTA FEIRA 13


Qual terá sido meu pecado, minha culpa, para merecer tanta penitência?

Sexta feira, dia de "pre-relax".

Almoço com os amigos, alegria, risos, taças vibrantes, descontração....
 
 

A última sexta feira parecia percorrer felizes e consuetos caminhos.

"Vamos tomar a última em minha casa"

Um dos convivas, para encerrar com chave de ouro a jornada, convidava para a "saideira" em sua residência.
 

"Com uma condição: Uma prova de vinhos às cegas".

Nenhuma contestação, nenhuma oposição; a alegre caravana rumou até a casa do amigo.

A mesa, já preparada, denunciava que a degustação proposta fora premeditada com bastante antecedência.

Dois brancos e um tinto.

 Garrafas envoltas em papel alumínio, para preservar o anonimato, esperavam nossos votos.
 
 

O primeiro vinho, que tentei degustar, um branco quase incolor, me convenceu que aquela seria uma "Sexta Feira 13" promovida pelo anfitrião "Jason"

  Não precisei levar a taça à boca para perceber que aquele líquido quase incolor era uma frustrada tentativa enológica para produzir um pavoroso Sauvignon: Um festival de aromas artificiais produzidos em laboratório.
 

Tomei um pequeno gole e percebi ser impossível repetir a dose.

Tentei lembrar um Sauvignon pior, mas, talvez entorpecido por aquele intragável líquido, não consegui.... o pior quase-Sauvignon que provei em toda a minha vida.
 

Passei para o segundo branco.

A cor, um pouco mais dourada e o aroma lembravam o Chardonnay.

Para dirimir dúvidas, mais uma vez levei a taça ao nariz para e..... "É um Chardonnay. Um Chardonnay de terceira categoria, mas lembra o Chardonnay"
 
 

Meu anfitrião-algoz confirmou que o segundo branco era um Chardonnay.

Se no nariz me havia levado a classificar aquele vinho como "Chardonnay de terceira categoria", o paladar confirmou a classificação.

 Continuei: "Não sei quanto este vinho custou, mas perde de goleada para o "Cosecha Tarapacá". Presumo, então, que 20/25 reais seria um preço quase justo"
 

O terceiro desafio era, como já afirmei, um tinto.

Cheirei, rodei a taça, cheirei novamente, provei e não consegui decifrar aquele vinho.

Escuro, quase impenetrável, indecifrável.
 
 

 Aquele tinto exalava álcool, eucalipto e muita madeira,  madeira para ninguém botar defeito (chips?)

Defeitos? O tinto tinha um rosário......

Difícil, o primeiro gole já não recomendava  o segundo.

Uma única e clara característica: vinho produzido para agradar os ainda remanescentes amantes da madeira, da marmelada e do paladar parkeriano.

Elegância? Zero

Prazeroso? Zero
 

Equilibrado? Zero

Fineza? Zero

"Un vino che fa cagare" (uma bosta).

Quando terminei minhas ponderações o anfitrião sorriu e "desvendou" os três mistérios.

1) Sauvignon Blanc 2014 Guaspari
 

2) Leopoldina Gran Chardonnay 2015 Valduga
 

3) Syrah Vista da Serra 2014 Guaspari
 

O "Gran Chardonnay" da Valduga é um velho e pretensioso conhecido.

Ridículo e banal, já na etiqueta, onde a Valduga o classifica "Gran", o Chardonnay gaúcho não consegue, como afirmei anteriormente, nem se ombrear ao Cosecha Tarapacá e , pasmem, custa o triplo.

Já sei, já sei...... os impostos.

A próxima matéria: Guaspari e suas "MERDALHAS"

Dionísio

 

 

terça-feira, 25 de julho de 2017

O IRMÃO DO BEATO SALU

 
 

Quem consegue, ainda, acompanhar B&B deve ter percebido que minhas postagens estão se tornando mais raras e inconstantes.

As razões são muitas....
 

 1) Escrever, seriamente, sobre vinhos, no Brasil, corresponde a organizar uma palestra sobre probidade, patriotismo, seriedade e honestidade para políticos do nosso país (na platéia uma meia dúzia de participantes).
 

2) A quantidade de "especialistas" que descobriram e escrevem sobre o vinho é assustadora e a cada dia aparecem mais e mais deles.

3) Não posso ter um público numeroso se escrevo sobre "Vide Bourse", "Blanchot Dessus", "Dents Chien", "Sussumaniello", "Spigau" etc.: A probabilidade dos leitores conhecerem estes vinhos é quase zero e percebi, finalmente, que estou postando para demonstrar, apenas, conhecimentos elitistas.
 
 

4) Estou de saco cheio.

O pouco interesse e o saco cheio limitaram minhas intervenções no blog, mas a total falta do que fazer me ajudou a encontrar "pérolas" que passariam despercebidas anteriormente.

Semanalmente leio e releio blogs italianos e franceses para me manter informando sobre o importante e verdadeiro mundo dos vinhos.

 Uma das páginas que frequento regularmente é "Intravino".

 Foi, justamente, no "Intravino" que encontrei um "irmão" do nosso "melhor sommelier", também conhecido por suas habilidades em escalar cruzes medievais, Manoel Beato Salu.
 

Acredito nunca ter encontrado alguém mais fantasioso e ridículo do que o palhaço do Fasano e Cia., mas estava enganado: Andrea Gori dá um banho no clown dos Jardins.

Leiam, por favor, um trecho do Gori comentando o "Dom Perignon" 2000 e entenderão como me sinto ridículo, inútil, superficial e dispensável descrevendo vinhos.
 

"... Ao mesmo tempo, porém, o "P2 2000" possui uma força solar magnética e explosiva que seduz e conquista; uma espécie de tônico que enriquece e rejuvenesce qualquer um que o beba.

Uma "Dom-definição" que consolida, na taça, detalhes que antes eram apenas perceptíveis: o floral amarelo, o pêssego de montanha, notas de ostras e opulência de especiarias: baunilha, café, nozes carameladas, mas que aparecem apenas no primeiro gole.
 

Em seguida explode, literalmente, uma cremosidade inusitada, amplitude grandiosa, permanência longa e transbordante e um final rico, festivo, onde o lime, leve defumado e algas "nori" se agitam para realçar uma maturidade na qual aparecem, também, notas tropicais de manga e ananás.
 

Como em uma suspensão temporal, o gole, ainda revela sulcos profundos, sensação de gesso no paladar e nunca há segurança de quando o vinho abandonará nossa boca.

Nada disso importa, afinal, porque terminamos a viagem e mergulhamos, por alguns segundos, na juventude do 2000 e extraímos todos os elementos positivos, depurando, como numa bela recordação, todos os elementos negativos e obscuros"

Ostra, algas nori, gesso, nozes carameladas, pêssego de montanha, suspensão temporal.......

Gori, quer saber de uma coisa?

VÁ À MERDA.

Bacco