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quinta-feira, 11 de maio de 2017

OUTRA VEZ, BORGONHA



Já não lembro quantas vezes visitei a Borgonha, mas sei, perfeitamente, quanto é preciso de paciência para comprar, diretamente, do produtor os grandes brancos produzidos na região.
 

Quando falo "região" estou me referindo especificamente aos vinhos de Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet, Meursault e Aloxe-Corton.

Comprar as denominações "Bougogne" e "Village" é fácil, o problema aparece quando se desejam os Premiers Crus e os Grand Crus.
 

Aliás, não é um problema, são dois: o peço e a quantidade.

O preço: É praticamente impossível encontrar um Premier Cru abaixo de 40 Euros.

As razões?  A qualidade incomparável dos Chardonnay locais, a "pequena" produção e a sempre maior procura.
 

Os chineses, também, descobriram a Borgonha e, como se já não bastassem os russos e americanos, estão comprando tudo o que aparece pela frente sem dar a mínima para o preço.

Para que se tenha uma idéia, da importância que é reservada aos consumidores de olhos amendoados, as duas vendedoras que atendem na "Caveau Municipal" de Chassagne-Montrachet, são chinesas.
 
 

Visitei, até agora, quatro vinícolas e consegui comprar dez garrafas do "quase amigo" Thomas Morey.

"Quase amigo" porque conheço e compro do Morey há vários anos.
 
 

Marc me vendeu 2 garrafas de Chassagne-Montrachet " Les Dent de Chien", 4 de "Vide Bourse" e 4 de Puligny-Montrachet "La Truffiere" e...... au revoir.

O mais interessante, do papo com Thomas Morey, foi uma revelação que veio, como sempre, após a segunda taça degustada.

Quando perguntei qual de seus vinhos ele preferia, sem pensar duas vezes, Morey respondeu: "La Truffiere".

 

É preciso saber, antes de continuar, que Morey produz, entre outros,  mil garrafas do Grand Cru Bâtard-Montrachet.

Intrigado com sua preferência, indaguei: "Mas o Bâtard é um Grand Cru e LaTruffiere é um Premier Cru?"

"E daí? O Batârd é mais "gordo", possante, enche mais a boca, mas não tem a elegância, finesse e mineralidade do "La Truffiere"

Continuei provocando "Se é assim porque custa o dobro?"

 

"Porque é um Grand Cru! É mais conhecido, procurado e há um exército de bobos que só compram nome e não vinho".

Risadas e mais uma taça de "La Truffiere" para brindar o final nosso encontro.

Jean Claude Bachelet, como de costume, não me vendeu uma única garrafa e estou pensando, seriamente, em deixar de visitá-lo e quase implorar para comprar seus vinhos.

 

O Bachelet produz grandes vinhos, mas já me cansou....

Bruno Collin estava viajando e Gilles Bouton, apesar da minha insistência, em apertar a campainha, não me atendeu.

Mas eu tinha algumas cartas na manga.....

 

Aguardem a próxima matéria.

Bacco

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A BRONCA DO OSCARITO ME DAUT UM DINHEIRO AÍ


 


 

Há alguns anos deixei comentar as picaretagens publicadas no site do Oscar Me-Daut-Um-Dinheiro-Aí, mas, ao ler a postagem do Oscarito, no Facebook, não pude resistir.

Leiam



Ontem pedi uma taça de Espumante Valduga 130 em um restaurante de Ipanema. O preço? Inacreditáveis 53 reais. Essa gente está fora de controle!of Form 1

 

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Oscar Me-Daut-Um-Dinheiro-Aí fica na bronca por causa do preço astronômico cobrado por uma taça de espumante Valduga no restaurante.

Tudo bem, eu concordo com o Oscarito, mas é preciso ir mais fundo.
 

Nosso sorridente crítico vinícola se espanta com os R$ 53 cobrados pelo espumante (o espanto é também provocado por ter que pagar, pois, normalmente, Oscarito vive bebendo de graça em bocas-livres), mas não diz uma palavra sequer contra os preços estratosféricos praticados pela Valduga.

Há uma razão: Se criticar a vinícola gaúcha perde imediatamente algumas benesses.
 

A solução é a de sempre: Ataca-se o mais fraco e nem uma palavra sobre os escandalosos R$ 90 do Valduga 130.

Aproveito a oportunidade para revelar que os vinhos italianos, importados pela Eno-E-Ventos, são de quinta categoria.
 

O Oscarito acredita que vendendo um Merlot da Puglia (Céus, onde ele conseguiu encontrar esta bosta....) por R$ 47 está demonstrando que sua importadora é honesta e pratica preços mais que razoáveis.

Errado!

O Merlot (argh) é, normalmente, aquele vinho que habita a parte mais baixa das gôndolas dos supermercados Italianos e custa 2/3 Euros.

O Oscarito pagou não mais que R$ 5 e vende por R$ 47.
 

Como sempre, meias verdades, grandes picaretagens e péssimos vinhos.

Dionísio

terça-feira, 2 de maio de 2017

O TAPETE VERMELHO




Ontem, ao iniciar minha caminhada matutina, fui surpreendido com enorme tapete vermelho que serpenteava pelo centro de Santa Margherita.


 

Pensei: "Devem estar preparando alguma manifestação política para o 1º de Maio".

Continuei minha caminhada.

 Depois de ter percorrido mais de um quilômetro sobre o tapete, percebi haveria algo mais do que um simples comício.....

 

Ao alcançar a casa do filho de Berlusconi, em Paraggi (2,7 km de Santa Margherita), encontrei um grupo de operários que estendia rolos e mais rolos de tapete vermelho.

 

Sem poder conter a curiosidade, perguntei "Até onde vai o tapete?"

A resposta: "Começamos em Rapallo e vamos até Portofino. São 8,5 km"

Minha curiosidade não estava, ainda, satisfeita e perguntei o porquê.



"É para festejar a inauguração da calçada de San Michele de Pagana".

Para entender a matéria é necessário abrir o Google Maps e acompanhar a estrada que de Rapallo vai a Portofino passando por San Michele di Pagana, Santa Margherita e Paraggi.

A estada é muito antiga, estreita, mas em quase todos seus 8,5km ha uma calçada para pedestre.

 

Eu disse quase?

Sim..... Em San Michele di Pagana havia 150 metros de estrada sem calçada.

 Todo pedestre, que percorria aquele trecho, morria de medo ao ver carros passando a 20 centímetros da bunda.

Alguém perguntará "Um tapete de 8,5km para festejar uma calçada de 150 metros?".

Para entender é preciso conhecer a mentalidade italiana e em especial a lígure.

Vou tentar ajudar.

 

Santa Margherita Lígure é uma milenar, pequena, bela e refinada cidade da Riviera.

Santa, hoje, conta com 9.338 habitantes  Em 1930 eram 9.383.

É fácil perceber, então, que Santa Margherita nunca foi administrada por um tosco Roriz da vida e que preserva, obsessivamente, seu território, arquitetura, traçado, cultura, costumes etc.

Uma informação: Se o proprietário de um prédio resolver restaurar o imóvel deve apresentar o projeto ao departamento urbanístico da cidade que o analisará e autorizará se não houver nenhuma mudança preservando, inclusive, a cor original.

 

Deu para entender um pouco?

Mudanças não são bem-vindas!

O projeto, para a realização daqueles 150 de calçada, foi elaborado há 105 anos e somente hoje concluído.
 

Foi necessário mais de um século para se obter um acordo entre seis proprietários e duas prefeituras.

Quando as duas prefeituras concordavam em indenizar, os proprietários não aceitavam o valor.

 

Quando os proprietários finalmente anuíam, as prefeituras não tinham dinheiro e assim........ se passaram 105 anos.

Acredite!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

FALTA CONCORRÊNCIA


Li, com interesse, a matéria "O CARTEIRO" que Bacco escreveu para o blog.

Nem em sonho consigo imaginar Bacco correndo para comprar vinhos, embalar garrafas, despachar, duas de cada vez, através do correio. 
 
 

Se a cena ocorresse há 30 anos séria imaginável, mas hoje, como disse, nem em sonho.

O melhor é continuar trazendo uma dúzia de ótimas garrafas na mala, esperar as liquidações das importadoras sempre rezando que os vinhos, em promoção, ainda respirem.
 
 

Então, como era previsível, ficamos na mesma: na mão de produtores e importadores predadores nacionais.

Já fui acusado de ser o inimigo número um dos vinhos nacionais.

 Declaro, veementemente, que não é verdade: sou inimigo dos produtores-predadores-picaretas nacionais.


Acreditar que o Brasil é ou poderá ser, nos próximos anos, um grande e sério produtor de vinhos é acreditar que os queijos da República Dominicana conquistarão, até 2020, os consumidores franceses.

Exagero?

Caro amigo, vamos fazer algumas contas para saber quantas vinícolas há no Brasil?

Talvez 1.000, 1.500, 2.000?

Difícil precisar.

 Buscar dados, nas obscuras entranhas da estranha estrutura vinícola brasileira, é dificílimo.

 

O que sei é que uma dúzia de grandes produtores domina e comanda o setor, sufocando as pequenas vinícolas que acabam fechando as portas (mais de cem deixaram de existir nos últimos anos).

Um setor que sofre com baixo consumo per capita, altos impostos, dominado por grandes indústrias, nunca poderá evoluir.

Os preços continuarão altíssimos, a qualidade risível, marcas registradas de nossos gigantes do setor.

Aguardo com interesse o aparecimento de uma JBS do vinho.

 

Por enquanto o pequeno produtor, no Brasil, se espelha e quer ser o próximo Miolo ou a Salton, ou seja: produzir vinhos que "Fan Cagare" por preços de Clos Vougeot.

Pequenos, no Brasil, diga-se, são aqueles que produzem 200/300 mil garrafas.

Na Europa, quem produz de 200/300 garrafas é considerado médio-grande.

Se não é fácil acessar estatísticas confiáveis, no Brasil, vamos para a Europa e tentar entender porque o vinho é muito mais barato lá do que cá.

Na União Européia há 2,4 milhões de empresas vinícolas que cultivam 3,2 milhões de hectares de vinhas.

Desses 3,2 milhões de hectares 2,5 milhões são destinados à produção de uvas viníferas.

 

A Espanha, com seus 941.000 hectares, é o membro da comunidade com maior área vinícola de vinhedos.

Em seguida vem a França com 830.000, a Itália com 610.000, Portugal 199.000, Romênia 184.000, Grécia e Alemanha com aproximadamente 103.000 cada.

Há outros, mas não tão significativos.

Agora o leitor entenderá o porquê de o vinho ser barato na Europa: CONCORRÊNCIA.

Mais alguns dados estatísticos impressionantes.

Numero de empresas vinícolas:

Romênia - 855.000

Espanha - 518.000

Itália -      299.000

A França detém a maior superfície por produtor: 10,5 hectares

Na Itália, a superfície media por produtor, é de 2 hectares.

Números gigantescos + Concorrência gigantesca = Preços baixos.

Pense e responda: Quantas vinícolas brasileiras você conhece?

Dez, quinze, vinte?

Pois é....estas dez, quinze , ou vinte , não temem a concorrência e fazem você de idiota.


Sabe quantas garrafas, de Lote 43, por 120 Euros, a Miolo venderia na, Itália, França, Portugal, Espanha?

Você está rindo?

 

A Miolo, Salton, Lidio Carraro, Casa Valduga, Vinícola Aurora e outras restroescavadeiras estão rindo muito mais.

Dionísio