A Antinori e a Ferragamo se unem, mais uma vez, para enfiar a
mão no bolso dos incautos adoradores de etiquetas.
Mais uma vez, repito, pois, as duas famílias toscanas já
percorrem o mesmo caminho vinícola há anos.
Não é somente a amizade e/ou o vinho que une as duas gigantes
florentinas.... Há grana, e muita, no pedaço.
Ferruccio Ferragamo é um dos três diretores escolhidos pela
Antinori para tocar a holding da família, família, que em 2015 faturou modestos
200 milhões (talvez um pouco mais) de Euros.
As duas "griffes" familiares, com suas atentas
antenas toscanas, perceberam que o mercado do vinho caminha, sempre, à procura
de novidades e modas.
O rosé com sua bela cor, fácil de beber, pouco complexo e que agrada
em cheio as mulheres, está ganhando, rapidamente, mercado
Os Antinori, em uma de suas propriedades na Maremma (sempre ela.....), mais
especificamente na "Fattoria Aldobrandesca", perto da
estupenda aldeia de Sovana, "descobriram" terras vulcânicas, próprias
, dizem, para o cultivo do "Aleatico".
Quem fez a descoberta foi o enólogo Riccardo Cotarella,
desde sempre consultor e diretor da Antinori.
Cotarella, o
Michel Rolando Lero italiano, que assina vinhos desde o Piemonte até a Sicilia,
todos rigorosamente parkerizados, pontuados, pasteurizados, sem nenhuma
preocupação com terroir, território, tradição, cultura local etc., resolveu vinificar
o "Aleatico", em Sovana e
produzir um vinho rosé que, conforme o próprio Cotarella afirma, "... será um vinho de nicho".
Quando a Antinori anuncia que produzirá um "vinho de
nicho" é bom reforçar o estoque de cuecas de lata......
As cuecas de lata se fazem necessárias para resguardar o que
resta da integridade física dos consumidores já estuprados pelos preços dos "Supertuscans" Tignanello,
Solaia e dos dispensáveis Cervaro della Sala, Muffato della Sala etc.
Cotarella e Antinori não brincam em serviço; a produção de
rosé em Bolgheri, Cortona e Salento (Puglia), já atinge mais de um milhão de
garrafas.
Para não perder o costume, a Antinori, encomendou, e o
Cotarella prontamente atendeu: um rosé "hiper-exclusivo" e...... caro.
O "A" quer
indicar que, a nova jogada rosada da Antinori, foi produzida na "Fattoria
Aldobrandesca" no município de Sovana.
Os brasileiros, eno-tontos-adoradores-da-Antinori, podem
preparar R$
500-600 para ter o "privilégio" de degustar uma garrafa do
"A".
Na próxima matéria o rosé dos Ferragamo.
Dionísio





























